{"id":1863,"date":"2021-09-09T10:01:53","date_gmt":"2021-09-09T13:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=1863"},"modified":"2021-09-09T10:01:55","modified_gmt":"2021-09-09T13:01:55","slug":"vamos-saber-mais-sobre-a-dislexia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/vamos-saber-mais-sobre-a-dislexia\/","title":{"rendered":"Vamos saber mais sobre a dislexia?"},"content":{"rendered":"\n<p>A dislexia do desenvolvimento \u00e9 um dos transtornos espec\u00edficos de aprendizagem mais comuns, e afeta entre 5% e 17% da popula\u00e7\u00e3o. Sua origem, segundo informa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Dislexia (ABD), \u00e9 neurobiol\u00f3gica, e ela se caracteriza por dificuldades no reconhecimento preciso e\/ou fluente das palavras, na habilidade de decodifica\u00e7\u00e3o e na soletra\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 importante frisar, no entanto, que esse d\u00e9ficit n\u00e3o afeta a intelig\u00eancia dos portadores do dist\u00farbio. Pelo contr\u00e1rio: crian\u00e7as com dislexia possuem uma configura\u00e7\u00e3o cerebral capaz de torn\u00e1-las muito capacitadas para \u00e1reas relacionadas ao processamento de informa\u00e7\u00f5es visuais.\u00a0<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que as dificuldades produzidas pela dislexia podem ser superadas. Com pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas adequadas, essas crian\u00e7as conseguem vencer os obst\u00e1culos do transtorno e aprender a ler e escrever fluentemente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Estudantes com Dislexia: principais sinais e sintomas<\/strong><\/p>\n<p>Os sintomas da dislexia costumam ser dif\u00edceis de detectar at\u00e9 que a crian\u00e7a comece a frequentar a escola. Normalmente, o primeiro a detectar os sinais \u00e9 o professor, na fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o, uma vez que o transtorno provoca dificuldades para ler, soletrar e seguir as instru\u00e7\u00f5es na sala de aula. Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa e tamb\u00e9m de acordo com a idade, mas h\u00e1 alguns deles que aparecem em quase todos os casos. S\u00e3o eles:<\/p>\n<p>\u25cf Confundir letras, principalmente quando elas possuem sons semelhantes, como \u201cf\u201d e \u201cv\u201d, \u201cb\u201d e \u201cp\u201d, \u201cd\u201d e \u201ct\u201d;<\/p>\n<p>\u25cf Pular ou inverter a ordem das s\u00edlabas durante a leitura ou a escrita;<\/p>\n<p>\u25cf Preju\u00edzos na fala;<\/p>\n<p>\u25cf Vocabul\u00e1rio pobre, com senten\u00e7as curtas e imaturas ou longas e vagas;<\/p>\n<p>\u25cf Dificuldade para associar as letras e palavras aos sons por elas produzidos;<\/p>\n<p>\u25cf Confundir palavras como sonoridade semelhantes, como macarr\u00e3o e camar\u00e3o;<\/p>\n<p>\u25cf Erros de ortografia constantes, mesmo depois de diversas explica\u00e7\u00f5es e exemplos;<\/p>\n<p>\u25cf Leitura lenta;<\/p>\n<p>\u25cf Dificuldade em localizar esquerda e direita;<\/p>\n<p>\u25cf Dificuldade em manusear mapas, dicion\u00e1rios, listas, etc.;<\/p>\n<p>\u25cf Pouco interesse nos estudos.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Dislexia: causas e processo de aprendizagem<\/strong><\/p>\n<p>As principais fun\u00e7\u00f5es da linguagem oral \u2013 leitura e escrita \u2013 s\u00e3o desempenhadas por circuitos neurais acomodados em v\u00e1rias \u00e1reas do hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro. Acredita-se que, em pessoas com dislexia, essa regi\u00e3o sofre alguma altera\u00e7\u00e3o e, por isso, elas passam a demonstrar os sintomas da dislexia.<\/p>\n<p>Muitas crian\u00e7as com dislexia podem ter dificuldades no processo de aprendizado. E isso n\u00e3o ocorre por incapacidade para aprender, mas porque a leitura \u00e9 a base para a compreens\u00e3o de quase todos os componentes curriculares. Muitas delas aprendem facilmente por meio da escuta e podem at\u00e9 ter dificuldades em colocar as ideias no papel, mas possuem boas habilidades orais.<\/p>\n<p>Saber disso n\u00e3o s\u00f3 nos ajuda a compreender as raz\u00f5es da dislexia, mas vislumbrar as possibilidades de trabalho em sala de aula. H\u00e1, inclusive, especialistas que acreditam que, em fun\u00e7\u00e3o dessa car\u00eancia no hemisf\u00e9rio esquerdo do c\u00e9rebro, as pessoas com dislexia desenvolvem habilidades compensat\u00f3rias. Vamos entender melhor essa rela\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Como funciona o c\u00e9rebro das pessoas com dislexia<\/strong><\/p>\n<p>Ao que parece, o c\u00e9rebro das pessoas com dislexia, em uma tentativa de compensar a falta de circuitos no hemisf\u00e9rio esquerdo, desenvolve com mais afinco habilidades espec\u00edficas relacionadas ao hemisf\u00e9rio direito. Para ficar mais claro, veja o que diz o neurologista Al Galaburda:<\/p>\n<p>&#8220;Inicialmente, circuitos do tipo hemisf\u00e9rio esquerdo que n\u00e3o se formam permitem que circuitos do hemisf\u00e9rio direito povoem sinapses vazias. Depois, como n\u00e3o leem, [os portadores do dist\u00farbio] ficam melhores [mais h\u00e1beis] em outras coisas, principalmente porque t\u00eam um bom maquin\u00e1rio para isso\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ocorre que, a princ\u00edpio, na fase do desenvolvimento infantil, o lado esquerdo do c\u00e9rebro n\u00e3o se desenvolve como acontece na maioria dos casos.\u00a0<\/p>\n<p>Em virtude disso, o c\u00e9rebro da pessoa com dislexia passa a depender fortemente do hemisf\u00e9rio direito e consequentemente, ao longo do tempo, esse hemisf\u00e9rio passa a ser a parte dominante.\u00a0<\/p>\n<p>Tornando-se parte dominante do c\u00e9rebro, o indiv\u00edduo, apesar dos d\u00e9ficits decorrentes da falta de circuitos no lado esquerdo, passa a desenvolver fortes compet\u00eancias e habilidades relacionadas ao lado direito. O hemisf\u00e9rio direito controla as fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o verbais, associadas, por exemplo, ao reconhecimento de padr\u00f5es visuais ou desenhos e \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o da m\u00fasica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>D\u00e9ficits e talentos \u00fanicos: dois lados da mesma moeda na dislexia<\/strong><\/p>\n<p>Podemos dizer que o c\u00e9rebro de pessoas com dislexia est\u00e1 otimizado para desempenhar melhor um conjunto de fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, o que pode gerar diferenciais. Ronald D. Davis, autor do livro \u201cThe Gift of Dyslexia\u201d (\u201cO Presente da Dislexia\u201d), conta que:<\/p>\n<p>\u201cCerta vez, como convidado de um programa de televis\u00e3o, fui questionado sobre o lado \u2018positivo\u2019 da dislexia. Como parte da minha resposta, listei uma d\u00fazia ou mais de disl\u00e9xicos famosos. A apresentadora do programa ent\u00e3o comentou: \u2018N\u00e3o \u00e9 incr\u00edvel que todas essas pessoas possam ser g\u00eanios, apesar de ter dislexia?\u2019. Ela perdeu o ponto. A genialidade deles n\u00e3o ocorreu apesar da dislexia, mas por causa dela!\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o Dr. Brock Eide, outro neurologista:\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea come\u00e7a a olhar para essas otimiza\u00e7\u00f5es, percebe que desenvolver certas habilidades em certas \u00e1reas geralmente envolve uma compensa\u00e7\u00e3o na fun\u00e7\u00e3o de algum outro conjunto cognitivo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Ele observa:\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, o que vimos com essas crian\u00e7as \u00e9 que elas foram otimizadas de uma forma que lhes deu dificuldade em certas \u00e1reas de fun\u00e7\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m vimos que essas dificuldades geralmente representam o outro lado de outros conjuntos de talentos\u201d.<\/p>\n<p>O ponto, ent\u00e3o, \u00e9 o seguinte: h\u00e1 coisas que as crian\u00e7as com dislexia podem fazer brilhantemente. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque elas t\u00eam dislexia!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Principais habilidades atribu\u00eddas a pessoas com dislexia\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Confira, a seguir, alguns dos talentos que podem ser percebidos em crian\u00e7as e adolescentes com dislexia. Em alguns casos, possuem at\u00e9 estudos que sugerem e explicam o caso!<\/p>\n<p>Pensamento sequencial versus pensamento simult\u00e2neo na dislexia<\/p>\n<p>Resolver quebra-cabe\u00e7as, por exemplo, \u00e9 uma atividade em que muitas crian\u00e7as e adolescentes se saem muito bem. Eles s\u00e3o excelentes em identificar formas com precis\u00e3o e solucionar problemas complexos.\u00a0<\/p>\n<p>Podem at\u00e9 n\u00e3o ser pensadores sequenciais, mas t\u00eam sucesso em ambientes que permitem e promovem o pensamento simult\u00e2neo e a vis\u00e3o global, no qual as ideias n\u00e3o precisam ser conectadas em \u201clinha reta\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Racioc\u00ednio espacial brilhante<\/strong><\/p>\n<p>Alguns estudos v\u00eam demonstrando que jovens disl\u00e9xicos possuem um talento especial para lembrar de ambientes virtuais, por exemplo. Essa habilidade, se estimulada e desenvolvida, pode torn\u00e1-los bem-sucedidos em \u00e1reas como engenharia, design industrial e gr\u00e1fico, arquitetura e constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><b>Habilidade verbal oral e desempenho social<\/b><\/p>\n<p>A leitura e a escrita de palavras podem n\u00e3o ser os pontos fortes dos disl\u00e9xicos, mas a maioria deles \u00e9 \u00f3timo em ler e interagir com as pessoas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pessoas com dislexia costumam compreender hist\u00f3rias contadas ou lidas muito bem. Entendem e analisam todo o enredo, as ideias e os conceitos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Pensamento visual\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acredita-se que as altera\u00e7\u00f5es que prejudicam \u00e1reas da linguagem acabam contribuindo para que as pessoas com dislexia mantenham boas habilidades para captar informa\u00e7\u00f5es visuais e detectar padr\u00f5es. Talento que pode ser especialmente \u00fatil na Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Um estudo feito pelo Harvard Smithsonian Center que investigou talentos para a Ci\u00eancia em pessoas disl\u00e9xicas mostrou que os astrof\u00edsicos profissionais com dislexia eram mais h\u00e1beis em detectar anomalias de buraco negro com maior precis\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>E, outro estudo, no mesmo centro, concluiu que estudantes universit\u00e1rios com dislexia possuem alta capacidade de identificar e memorizar imagens complexas, como imagens borradas semelhantes a raios X.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O papel do professor no desenvolvimento do estudante com dislexia<\/strong><\/p>\n<p>Com o diagn\u00f3stico correto, instru\u00e7\u00e3o apropriada e o m\u00e9todo de ensino adequado, as crian\u00e7as com dislexia podem aprender a ler com precis\u00e3o e flu\u00eancia e ter uma vida de muito sucesso.\u00a0<\/p>\n<p>Veja algumas a\u00e7\u00f5es do professor que ajudam nesse processo:<\/p>\n<p>\u25cf Avaliar a crian\u00e7a oralmente em vez da prova escrita;<\/p>\n<p>\u25cf Utilizar audiobooks;<\/p>\n<p>\u25cf No computador, optar por fontes n\u00e3o serifadas, que facilitam a decodifica\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>\u25cf Utilizar elementos visuais nos textos;<\/p>\n<p>\u25cf Ensinar as palavras e depois os sons, ou seja, seguir do todo para as partes. Depois de conhecer as palavras, fica mais f\u00e1cil identificar os fonemas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m cabe \u00e0 escola informar e orientar os respons\u00e1veis. Inclusive, indicar o servi\u00e7o de um psicopedagogo, profissional especializado em transtornos de aprendizagem.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, utilizar recursos digitais como os da plataforma Opet INspira pode ajudar bastante na sala de aula.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Opet INspira e recursos educacionais para dislexia<\/strong><\/p>\n<p>A Opet INspira \u00e9 a plataforma de objetos educacionais da Editora Opet. Nela, o professor encontra ferramentas como \u00e1udios, que podem ser de grande ajuda na hora de ensinar crian\u00e7as com dislexia. Tamb\u00e9m h\u00e1 um acervo de imagens, v\u00eddeos e hist\u00f3rias infantis ilustradas.\u00a0<\/p>\n<p>Sem contar que h\u00e1 um \u201cmenu acessibilidade\u201d, onde \u00e9 poss\u00edvel adaptar algumas fun\u00e7\u00f5es conforme a necessidade. Por fim, o professor encontrar\u00e1 ainda ferramentas para montar trilhas de aprendizagem e roteiros de estudos personalizados para os educandos que possuem dislexia.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":1864,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2,130],"tags":[7,71],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1863"}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1863"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1865,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1863\/revisions\/1865"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1864"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}