{"id":28,"date":"2018-07-03T12:46:14","date_gmt":"2018-07-03T15:46:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agenciaeureka.com.br\/clientes\/opet\/blog\/?p=28"},"modified":"2018-07-03T12:47:22","modified_gmt":"2018-07-03T15:47:22","slug":"carmen-gabardo-fala-sobre-diretrizes-teorico-pedagogicas-da-editora-opet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/carmen-gabardo-fala-sobre-diretrizes-teorico-pedagogicas-da-editora-opet\/","title":{"rendered":"Carmen Gabardo fala sobre diretrizes te\u00f3rico-pedag\u00f3gicas da Editora Opet"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos anos, a professora Carmen Lucia Gabardo \u2013 pedagoga, mestre em Administra\u00e7\u00e3o de Sistemas Educacionais pela PUCRS e doutora em Letras e Estudos Lingu\u00edsticos pela UFPR \u2013 se destacou como pensadora e como defensora de uma educa\u00e7\u00e3o mais cidad\u00e3, cr\u00edtica e capaz de transformar a sociedade. Uma parte importante dessa trajet\u00f3ria foi feita em parceria conosco: primeiro, no in\u00edcio do s\u00e9culo 21, com a Base Editorial, que daria origem ao Sefe; depois, com o pr\u00f3prio Sefe e, a partir de 2015, com a Editora Opet, que congrega os selos educacionais Sefe (para a \u00e1rea p\u00fablica) e Opet Solu\u00e7\u00f5es Educacionais (para a \u00e1rea privada). Junto com os colaboradores dos setores pedag\u00f3gico e editorial, Carmen participa ativamente da constru\u00e7\u00e3o e da materializa\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios filos\u00f3ficos que norteiam a assessoria pedag\u00f3gica e os materiais did\u00e1ticos e da Editora Opet. Uma profissional, enfim, que conhece como poucos os princ\u00edpios que nos movem na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista exclusiva, ela falou sobre as Diretrizes Te\u00f3rico-Metodol\u00f3gicas da Editora Opet e do trabalho de fazer com que essas regras norteiem as cole\u00e7\u00f5es utilizadas por professores de escolas p\u00fablicas e privadas de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Editora Opet \u2013 No ano passado, a ger\u00eancia pedag\u00f3gica da Editora se reuniu para debater e estabelecer as Diretrizes Te\u00f3rico-Metodol\u00f3gicas que passaram a nortear o trabalho desenvolvido com os parceiros das escolas p\u00fablicas e privadas. A senhora teve um papel importante nesse processo. O que s\u00e3o as Diretrizes? Qual seu papel?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen Gabardo \u2013<\/strong>\u00a0\u00a0A nossa preocupa\u00e7\u00e3o sempre foi a de desenvolver uma filosofia, a do compromisso com a educa\u00e7\u00e3o. E, a partir do momento em que voc\u00ea explicita o tipo de forma\u00e7\u00e3o que se quer, como se quer realmente atingir a popula\u00e7\u00e3o escolar e os professores, cria condi\u00e7\u00f5es para que esse processo seja de boa qualidade. Entram a\u00ed as concep\u00e7\u00f5es de homem, sociedade e educa\u00e7\u00e3o, assim como as quest\u00f5es da fun\u00e7\u00e3o da escola e da fam\u00edlia \u2013 estes elementos, todos, nos conduzem a uma reflex\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o se tem, realmente, uma pol\u00edtica educacional que busca uma forma\u00e7\u00e3o plena do nosso aluno para a cidadania, respeitando o que preceituam as leis maiores que regem a educa\u00e7\u00e3o. E isso nos possibilita adequar a parte pedag\u00f3gica, a tradu\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica desses princ\u00edpios, em livros para os alunos, no instrumental necess\u00e1rio para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a partir dessa concep\u00e7\u00e3o, que n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos \u2013 que a Editora Opet j\u00e1 possu\u00eda e que o Sefe j\u00e1 possu\u00eda -, fizemos um entrosamento, uma explicita\u00e7\u00e3o, que foi materializada nas Diretrizes Te\u00f3rico-Metodol\u00f3gicas. E, a partir delas, estamos analisando todas as obras desenvolvidas pela Editora Opet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os princ\u00edpios que norteiam as Diretrizes?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>A concep\u00e7\u00e3o de que o aluno \u00e9 sujeito da Hist\u00f3ria, que ele produz cultura, de que o ser humano, a partir do momento em que se relaciona, na intera\u00e7\u00e3o com o outro, se faz e se v\u00ea. Assim, a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 a do outro, do di\u00e1logo. Para que a gente possa realmente entender e fazer entender. Ouvir o outro, entend\u00ea-lo e trabalhar com ele no desenvolvimento das suas habilidades \u2013 do instrumental de conhecimento de que o indiv\u00edduo precisa para poder interferir na sociedade, transformando-a, qui\u00e7\u00e1 para num bem comum e justo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o baseada em Vygotsky?\u00a0<\/strong>[Lev Vygotsky, 1896-1934, psic\u00f3logo e te\u00f3rico do desenvolvimento]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>N\u00f3s temos nossa perspectiva de desenvolvimento humano pautada em Vygotsky. Claro que n\u00e3o negamos outras contribui\u00e7\u00f5es de conhecimento, mas Vygotsky foi muito feliz quando falou dessa intera\u00e7\u00e3o e dessa media\u00e7\u00e3o. E, quando falamos do aspecto lingu\u00edstico, estamos falando da pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o bakhtiniana, porque Bakhthin [Mikhail Bakhtin, 1895-1975, fil\u00f3sofo da linguagem] tamb\u00e9m vai por essa raz\u00e3o do di\u00e1logo, da enuncia\u00e7\u00e3o, do perceber o outro. E que esse outro realmente \u00e9 reflexo hist\u00f3rico das condi\u00e7\u00f5es em que vive, do entorno e com a rela\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma Paulo Freire entra no DNA do nosso olhar pedag\u00f3gico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>Paulo Freire fez todas as suas pesquisas demonstrando que \u00e9 a partir da percep\u00e7\u00e3o do outro, do mundo do outro, da forma como este outro interpreta o mundo, que podemos fazer as an\u00e1lises, as s\u00ednteses, as trocas. Ent\u00e3o, \u00e9 a mesma percep\u00e7\u00e3o de um social que se quer participativo, que n\u00e3o tem tantas desigualdades e que permite \u00e0s possam usufruir, de fato, os bens culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ou seja: as nossas fontes, os nossos referenciais te\u00f3ricos, guardam uma coer\u00eancia que se reflete nas Diretrizes Te\u00f3rico-Metodol\u00f3gicas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>Sem d\u00favida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O processo de um sistema de ensino contempla a necessidade de renovar cole\u00e7\u00f5es existentes e de se criar cole\u00e7\u00f5es novas, que atendam \u00e0s mudan\u00e7as no mundo. Como as Diretrizes Te\u00f3rico-Metodol\u00f3gicas\u00a0 participam desse processo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>Voc\u00ea tem os conceitos estruturantes de cada disciplina, de cada \u00e1rea do conhecimento, e tem esses princ\u00edpios filos\u00f3ficos, que indicam como desenvolver determinadas formas de racioc\u00ednio e determinadas formas de aprender. Por exemplo: considere um especialista do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental, por exemplo, com conhecimento em si da disciplina. Voc\u00ea vai trabalhar com ele didaticamente, e essa did\u00e1tica \u00e9 que vai se prender \u00e0 Psicologia, \u00e0s teorias do desenvolvimento humano, para dizer que ele precisa ter determinadas atividades que desenvolvam as formas de pensar, que estabele\u00e7am certas rela\u00e7\u00f5es de compreens\u00e3o cr\u00edtica, a pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o de que esse conhecimento foi constru\u00eddo na Hist\u00f3ria pelos pr\u00f3prios homens e que ele est\u00e1 se refazendo a cada momento. Que a ci\u00eancia, apesar de estar falando \u201ccientificamente\u201d, tamb\u00e9m passa por modifica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Ent\u00e3o, reunimos esses elementos. Por qu\u00ea? Acreditamos que o indiv\u00edduo, quando se apropria do conhecimento, consegue interpret\u00e1-lo, perceber as diferentes vis\u00f5es de mundo e atuar em fun\u00e7\u00e3o do bem comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se coloca uma proposta de vi\u00e9s humanista quanto essa em cole\u00e7\u00f5es que s\u00e3o levadas ao mercado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>Independente de se trabalhar para escolas p\u00fablicas ou privadas, o educador, que se diz e se sabe educador, tem um compromisso com o desenvolvimento humano. Ent\u00e3o, independente do lugar de onde se vem, quando voc\u00ea produz um livro, este livro deve contribuir para o desenvolvimento do aluno para o bem, seja ele da escola p\u00fablica ou privada. Consequentemente, o trato que se tem \u00e9 absolutamente o mesmo. Os profissionais que atuam tanto na escola p\u00fablica quanto na escola privada (e muitos deles ocupam as duas posi\u00e7\u00f5es) t\u00eam um compromisso com a ci\u00eancia e com a educa\u00e7\u00e3o. Eles v\u00e3o utilizar instrumentos, sejam eles produzidos por uma empresa ou n\u00e3o, da melhor forma. No caso de uma obra que j\u00e1 existia e que est\u00e1 sendo atualizada, como \u00e9 feito o trabalho de reestrutura\u00e7\u00e3o? Fazendo-se a an\u00e1lise dela em fun\u00e7\u00e3o, at\u00e9, das normas educacionais que est\u00e3o sendo discutidas agora, que \u00e9 o caso da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelecem tantos conte\u00fados e tantas metodologias, tantas compet\u00eancias e tantas habilidades. Ent\u00e3o, voc\u00ea pega uma obra e a analisa esta obra em fun\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios filos\u00f3ficos, psicol\u00f3gicos, pedag\u00f3gicos, e da\u00ed a complementa. Porque o conte\u00fado est\u00e1 a\u00ed, mesmo com a possibilidade de altera\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as que s\u00e3o naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea avalia as nossas cole\u00e7\u00f5es hoje. E para onde caminhamos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Carmen \u2013\u00a0<\/strong>As percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas partindo do que os usu\u00e1rios dizem, do que apontam. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem proposi\u00e7\u00f5es de quem usa, da base. E, como tem percep\u00e7\u00f5es dessa base, o que \u00e9 o fundamental \u2013 at\u00e9 mesmo porque, se oferecer a obra e n\u00e3o oferecer o assessoramento, a discuss\u00e3o e o di\u00e1logo, estar\u00e1 pecando \u2013, quando voc\u00ea tem esse v\u00ednculo, vai vendo que as nossas obras t\u00eam tudo para chegar l\u00e1. Porque elas provocam. E o profissional arejado, cr\u00edtico, consegue pegar essas obras, esses elementos, e transform\u00e1-los naquilo que \u00e9 necess\u00e1rio. As obras, enfim, s\u00e3o instrumentos. As obras s\u00e3o vivas porque s\u00e3o utilizadas, e a media\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelo professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos, a professora Carmen Lucia Gabardo \u2013 pedagoga, mestre em Administra\u00e7\u00e3o de Sistemas Educacionais pela PUCRS e doutora em Letras e Estudos Lingu\u00edsticos pela UFPR \u2013 se destacou como pensadora e como defensora de uma educa\u00e7\u00e3o mais cidad\u00e3, cr\u00edtica e capaz de transformar a sociedade. 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