{"id":4216,"date":"2025-03-13T16:20:18","date_gmt":"2025-03-13T19:20:18","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=4216"},"modified":"2025-03-13T16:21:34","modified_gmt":"2025-03-13T19:21:34","slug":"525-anos-depois-a-presenca-indigena-que-molda-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/525-anos-depois-a-presenca-indigena-que-molda-o-brasil\/","title":{"rendered":"525 anos depois: a presen\u00e7a ind\u00edgena que molda o Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/indigenas01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4217\" width=\"731\" height=\"385\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea fecha os olhos e, de repente, se imagina <strong>525 anos<\/strong> no passado. Mais exatamente no territ\u00f3rio que futuramente seria o Brasil, a exatos tr\u00eas dias antes da chegada das naus de <strong>Pedro \u00c1lvares Cabral<\/strong> (22 de abril de 1500). Naquele vasto territ\u00f3rio viviam muitas pessoas \u2013 entre <strong>2 e 10 milh\u00f5es<\/strong>, segundo diferentes estimativas de pesquisadores. Na \u00e9poca, ali\u00e1s, a popula\u00e7\u00e3o do reino de Portugal era de cerca de 1,5 milh\u00e3o de pessoas. Ou seja: na terra \u201cdo lado de c\u00e1\u201d do oceano, havia mais gente do que no pa\u00eds dos \u201cconquistadores\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Onde voc\u00ea estaria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora, pense: voc\u00ea \u00e9 um ind\u00edgena brasileiro daquele momento. Em que lugar estaria? Na floresta amaz\u00f4nica, na caatinga, no cerrado, em nosso vasto litoral? Ou nos campos mais frios do Sul? E o que estaria fazendo? Uma coisa \u00e9 certa: voc\u00ea pertenceria a uma das centenas de etnias origin\u00e1rias, herdeiras de grupos que chegaram ao nosso territ\u00f3rio h\u00e1 incr\u00edveis <strong>12 mil anos ou mesmo antes<\/strong>! Com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, h\u00e1bitos, l\u00edngua, cren\u00e7as, pensamentos e conhecimentos sobre muitas coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos a 22 de abril de 1500, no sul da Bahia: ao longe no mar, avista-se uma imensa e estranha embarca\u00e7\u00e3o. Dela parte um barco menor \u2013 uma canoa \u2013 com pessoas magras em vestimentas estranhas. <strong>Portugueses!<\/strong> A partir daquele momento, nada mais seria igual: <strong>as pessoas, rela\u00e7\u00f5es, objetos, cren\u00e7as e at\u00e9 mesmo o territ\u00f3rio, transformado em Col\u00f4nia e, depois, em pa\u00eds. Nascia o Brasil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma era de contato e trocas culturais entre europeus, ind\u00edgenas e africanos escravizados. Mas tamb\u00e9m uma era de <strong>viol\u00eancia, resist\u00eancia e luta por direitos e cidadania<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1913\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/1913px-Oscar_Pereira_da_Silva_-_Desembarque_de_Pedro_Alvares_Cabral_em_Porto_Seguro_1500_Acervo_do_Museu_Paulista_da_USP.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4218\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>&#8220;Desembarque de Pedro \u00c1lvares Cabral em Porto Seguro, 1500&#8221;. A tela pintada em 1900 por Oscar Pereira da Silva traz uma representa\u00e7\u00e3o her\u00f3ica da chegada dos portugueses ao Brasil. Fonte: Wikipedia.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Os ind\u00edgenas no Brasil hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora, <strong>voltemos ao presente<\/strong>: em 2025, quem s\u00e3o os povos origin\u00e1rios brasileiros? Como podemos honrar e preservar essa heran\u00e7a e essa presen\u00e7a t\u00e3o ricas e essenciais para a nossa identidade? \u00c9 isso que vamos explorar agora.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo \u00e9 reconhecer a import\u00e2ncia dessa contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense, por exemplo, na quantidade de <strong>lugares do Brasil com nomes ind\u00edgenas<\/strong>. S\u00f3 munic\u00edpios, s\u00e3o <strong>2.085<\/strong> \u2013 37,4% dos 5.570 existentes em todo o pa\u00eds \u2013, sem contar Estados, rios, montanhas, lagos, ba\u00edas, bairros e mais. Nomes de origem ind\u00edgena tamb\u00e9m est\u00e3o nas certid\u00f5es de nascimento de muita gente: Iara, Jaci, Cau\u00e3, Cau\u00ea, Guaraci e Ubirajara&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>E os povos origin\u00e1rios ainda compartilharam conhecimentos preciosos sobre a natureza (come\u00e7ando pelas ervas medicinais), agricultura e alimentos (batata, milho, mandioca, tomate&#8230;), animais, objetos (como a rede de dormir), h\u00e1bitos, t\u00e9cnicas, rem\u00e9dios e palavras do nosso vocabul\u00e1rio (como abacaxi, mandioca, pipoca, a\u00e7a\u00ed, cumbuca, capivara e peteca).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Passado e presente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAh, mas tudo isso faz parte do passado&#8230;\u201d<\/em> \u2013 sim e n\u00e3o! S\u00e3o componentes hist\u00f3ricos do nosso patrim\u00f4nio cultural, mas seguem fortes conosco \u2013 e a melhor prova disto \u00e9 sua presen\u00e7a na nossa linguagem de todos os dias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/indigenas05.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4222\" width=\"203\" height=\"254\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ailton Krenak, l\u00edder ind\u00edgena e intelectual. Fonte: Wikipedia<\/em>.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em todos os ambientes onde vivem e atuam, os ind\u00edgenas participam ativamente da vida brasileira. Eles cumprem um papel estrat\u00e9gico, por exemplo, na conserva\u00e7\u00e3o e manejo sustent\u00e1vel das florestas, uma demanda cada vez mais importante em um mundo que vive uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m est\u00e3o nos ajudando a pensar o mundo de uma forma diferente, nas universidades e em f\u00f3runs de reflex\u00e3o. Um exemplo? <strong>Ailton Krenak<\/strong>, l\u00edder ind\u00edgena, fil\u00f3sofo, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e professor reconhecido internacionalmente. Em suas obras, ele prop\u00f5e, por exemplo, a necessidade de se transformar nossa <strong>rela\u00e7\u00e3o com a natureza<\/strong>, de modo <strong>a torn\u00e1-la mais harm\u00f4nica, mais respeitosa, e menos destrutiva<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Mas, quem s\u00e3o os povos origin\u00e1rios do Brasil hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma de valorizar os povos origin\u00e1rios passa por perceb\u00ea-los como s\u00e3o: uma popula\u00e7\u00e3o numericamente significativa, crescente e influente. E eles n\u00e3o est\u00e3o \u201clonge\u201d; est\u00e3o conosco e devem ser mais visibilizados!<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados mais recentes publicados pelo Censo(2022), o Brasil possui <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c6pw10g6w4xo\"><strong>cerca de 1,7 milh\u00e3o de ind\u00edgenas autodeclarados<\/strong><\/a> (0,83% da popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds), pertencentes a <strong>305 etnias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma popula\u00e7\u00e3o menor que a que existia quando da chegada dos portugueses h\u00e1 cinco s\u00e9culos, \u00e9 certo, mas que, nos \u00faltimos anos, vem registrando recupera\u00e7\u00e3o, motivada, inclusive, por um processo de autoafirma\u00e7\u00e3o (a t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o: no Censo de 2010, eram 897 mil os brasileiros autodeclarados ind\u00edgenas).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse n\u00famero n\u00e3o abrange os brasileiros que n\u00e3o se autodeclaram, mas t\u00eam ancestrais entre os povos origin\u00e1rios \u2013 este grupo, para o qual n\u00e3o existe uma estimativa oficial, chegaria a muitos milh\u00f5es de pessoas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>E onde eles vivem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os ind\u00edgenas brasileiros vivem em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, nas cidades, no campo e nos chamados <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/funai\/pt-br\/atuacao\/terras-indigenas\/geoprocessamento-e-mapas\/painel-terras-indigenas\">\u201cTerrit\u00f3rios Ind\u00edgenas\u201d<\/a><\/strong>, que s\u00e3o terras ocupadas tradicionalmente e de modo permanente pelos grupos. Essas terras, pertencentes aos bens da Uni\u00e3o, s\u00e3o demarcadas legalmente pelo Estado (com base na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988) para uso exclusivo por seus moradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (FUNAI), o pa\u00eds possui 631 \u00e1reas que constituem terras ind\u00edgenas, que equivalem a 13,8% do territ\u00f3rio nacional. Nelas, tamb\u00e9m segundo o Censo, cerca de 690 mil pessoas. Na medida em que a ocupa\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios segue um modo tradicional \u2013 ou seja, sem a explora\u00e7\u00e3o extensiva dos recursos naturais \u2013, eles tamb\u00e9m funcionam como \u00e1reas importantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/indigenas03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4220\" width=\"661\" height=\"403\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas em mapa da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, pouco mais da metade da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena brasileira (51,25%) se concentra na Amaz\u00f4nia Legal (Acre, Amap\u00e1, Amazonas, norte do Mato Grosso, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima, norte de Tocantins e oeste do Maranh\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>O maior grupo \u2013 de 490,9 mil pessoas \u2013 reside no Estado do Amazonas. O segundo grupo, em termos num\u00e9ricos, est\u00e1 na Bahia (229,1 mil pessoas), a mesma regi\u00e3o onde, em 1500, o grupo de Pedro \u00c1lvares Cabral fez o primeiro contato, com os <strong>tupiniquins<\/strong> (povo pertencente ao subgrupo tupi). Em tempo: juntas, as regi\u00f5es Norte e Nordeste concentram <strong>75,70%<\/strong> de toda a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/indigenas04.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4221\" width=\"680\" height=\"308\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Oca tradicional de etnias da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Foto: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Os maiores grupos e as l\u00ednguas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 express\u00e3o em termos num\u00e9ricos (os dados s\u00e3o do <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/P%C3%A1gina_principal\"><strong>Instituto Socioambiental<\/strong><\/a>), as maiores etnias ind\u00edgenas brasileira s\u00e3o as dos <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Ticuna\"><strong>Tikuna<\/strong><\/a> (Amaz\u00f4nia), <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1\"><strong>Guarani Kaiow\u00e1<\/strong><\/a> (atualmente, concentrada no Mato Grosso do Sul), <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Kaingang\"><strong>Kaingang<\/strong><\/a> (Regi\u00e3o Sul e S\u00e3o Paulo), <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Macuxi\"><strong>Makuxi<\/strong><\/a> (Roraima) e <a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/Povo:Terena\"><strong>Terena<\/strong><\/a> (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>E quais as l\u00ednguas mais faladas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de chegar a essa informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante destacar que o nosso pa\u00eds possui entre <strong>170 e 274 l\u00ednguas ind\u00edgenas<\/strong>, que s\u00e3o faladas pelas 305 etnias.Essa contagem do n\u00famero de idiomas, vale observar, varia de acordo com a metodologia adotada para classifica\u00e7\u00e3o \u2013 algumas vezes, l\u00ednguas mais pr\u00f3ximas s\u00e3o interpretadas como uma s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas principais fam\u00edlias (ou troncos) lingu\u00edsticas <strong>s\u00e3o o tupi e o macro-j\u00ea<\/strong>. Nelas se inscrevem muitas das l\u00ednguas ind\u00edgenas faladas no Brasil. H\u00e1, por\u00e9m, outras fam\u00edlias numericamente significativas, como <strong>pano, caribe e arauak<\/strong>. H\u00e1, ainda fam\u00edlias menores e l\u00ednguas isoladas ou de contato recente (que ainda est\u00e3o sendo estudadas).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"3690\" height=\"2004\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/indigenas06.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4223\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>M\u00e3e e filha da etnia <strong>Meb\u00eang\u00f4kre<\/strong> (Kayap\u00f3). Fonte: Getty Image<\/em>s. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>As mais faladas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos, ent\u00e3o, \u00e0s l\u00ednguas mais faladas: s\u00e3o elas o <strong>guarani<\/strong> (kaiow\u00e1, \u00f1andeva e mbya; 51 mil), o <strong>tikuna<\/strong> (cerca de 50 mil falantes), o <strong>macuxi<\/strong> (30 mil), o <strong>kaingang<\/strong> (22 mil), o <strong>terena<\/strong> (16 mil), o <strong>xavante<\/strong> (13 mil), o <strong>yanomami<\/strong> (12 mil), o <strong>munduruku<\/strong> (11 mil), o <strong>sater\u00e9-maw\u00e9<\/strong> (10 mil) e o <strong>nheengatu<\/strong> (l\u00edngua geral amaz\u00f4nica \u2013 8 mil).<\/p>\n\n\n\n<p>E, ainda que o portugu\u00eas seja a \u00fanica l\u00edngua oficial do Brasil, h\u00e1 v\u00e1rios casos de munic\u00edpios que adotam l\u00ednguas ind\u00edgenas cooficiais. Alguns exemplos: <strong>S\u00e3o Gabriel da Cachoeira<\/strong>, no Amazonas (nheengatu, tukano e baniwa), <strong>Tacuru<\/strong>, em Mato Grosso do Sul (guarani), e <strong>Japur\u00e1<\/strong>, tamb\u00e9m no Amazonas (tikuna).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nem todas as l\u00ednguas ind\u00edgenas faladas atualmente no Brasil possuem a mesma \u201csa\u00fade\u201d. H\u00e1 casos de estabilidade e at\u00e9 de crescimento do n\u00famero de falantes, mas h\u00e1 muitos mais casos em que as gera\u00e7\u00f5es mais novas est\u00e3o falando apenas o portugu\u00eas. E existem situa\u00e7\u00f5es em que as l\u00ednguas est\u00e3o desaparecendo. Isso, evidentemente, n\u00e3o ocorre porque os pr\u00f3prios ind\u00edgenas est\u00e3o \u201cabandonando\u201d seu idioma e cultura, mas porque, em muitos casos, eles s\u00e3o superexpostos \u00e0 l\u00edngua e cultura dominantes \u2013 na escola, no trabalho, nas rela\u00e7\u00f5es sociais mais amplas, no contato permanente com as m\u00eddias.<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que cada l\u00edngua \u00e9 um reposit\u00f3rio cultural e de transmiss\u00e3o de conhecimentos \u00fanico, esse fen\u00f4meno marca um empobrecimento da cultura geral e deve ser combatido. H\u00e1 v\u00e1rias iniciativas desse tipo, que v\u00e3o de programas governamentais a f\u00f3runs universit\u00e1rios, passando por uma importante contribui\u00e7\u00e3o de comunicadores \u2013 influenciadores digitais ind\u00edgenas ou pesquisadores apaixonados por sua cultura. A <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/educacao-escolar-indigena\">Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena<\/a><\/strong> tamb\u00e9m cumpre um papel fundamental no sentido de compartilhar, fortalecer e transmitir os conhecimentos lingu\u00edsticos de uma gera\u00e7\u00e3o a outra, em um contexto que contemple a interface com a sociedade vista em termos mais amplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos esses canais, a luta \u00e9 pela promo\u00e7\u00e3o e pela valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas, das contribui\u00e7\u00f5es culturais, do pensamento e da religiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"527\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/indigenas02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4219\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Menino ind\u00edgena amaz\u00f4nico. Foto: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Dia dos Povos Ind\u00edgenas \u2013 conhecer, celebrar, valorizar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 19 de abril foi oficialmente escolhido para celebrar o <strong><a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/declei\/1940-1949\/decreto-lei-5540-2-junho-1943-415603-publicacaooriginal-1-pe.html\">Dia dos Povos Ind\u00edgenas<\/a><\/strong> em 1943, durante o governo de <strong>Get\u00falio Vargas<\/strong>. A data faz refer\u00eancia ao <strong>Primeiro Congresso Indigenista Interamericano<\/strong>, realizado em 19 de abril de 1940 na cidade de <strong>P\u00e1tzcuaro<\/strong>, M\u00e9xico. Esse congresso foi considerado um marco porque, pela primeira vez, l\u00edderes ind\u00edgenas e representantes de governos do continente se sentaram juntos para discutir pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o e respeito aos direitos dos povos origin\u00e1rios. O objetivo era promover a integra\u00e7\u00e3o e o bem-estar das comunidades ind\u00edgenas, al\u00e9m de garantir o reconhecimento de suas culturas e tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A data foi chamada oficialmente de \u201cDia do \u00cdndio\u201d at\u00e9 2022, quando uma <strong><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2022\/lei\/L14402.htm\">lei federal<\/a><\/strong> modificou para \u201cDia dos Povos Ind\u00edgenas\u201d. Essa mudan\u00e7a atende a uma reivindica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios povos origin\u00e1rios. O termo \u201c\u00edndio\u201d <strong>nasce de um equ\u00edvoco de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo<\/strong>, que acreditava ter chegado \u00e0s \u201c\u00cdndias\u201d (o Oriente) e encontrado seus habitantes \u2013 os \u201c\u00edndios\u201d; al\u00e9m disto, \u00e9 uma palavra gen\u00e9rica, que n\u00e3o espelha a diversidade \u00e9tnica e cultural dos habitantes origin\u00e1rios das Am\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 \u201cind\u00edgena\u201d (ou \u201cpovo ind\u00edgena\u201d) passou a ser adotado justamente por sua precis\u00e3o: em latim o termo significa, literalmente, <strong>\u201cnascido <em>(genus)<\/em> dentro <em>(indus)<\/em>\u201d<\/strong>, indicando as pessoas que estavam em um lugar antes da chegada de outros povos. Outro termo identificador dos povos ind\u00edgenas \u00e9 \u201cpovos origin\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Para ir mais longe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Refer\u00eancias interessantes para voc\u00ea expandir seus conhecimentos e discutir com seus estudantes:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/museudoindio\/pt-br\">Museu Nacional dos Povos Ind\u00edgenas, da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas<\/a><\/strong> \u2013 Not\u00edcas, exposi\u00e7\u00f5es, materiais educativos e informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pib.socioambiental.org\/pt\/P%C3%A1gina_principal\">P<strong>ovos Ind\u00edgenas do Brasil, do Instituto Socioambiental<\/strong><\/a> \u2013 Informa\u00e7\u00f5es importantes sobre todos os povos ind\u00edgenas do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.etnolinguistica.org\/\">Biblioteca Digital Curt Nimuendaju<\/a><\/strong> \u2013 Reposit\u00f3rio de recursos sobre l\u00ednguas e culturas ind\u00edgenas sul-americanas, incluindo livros raros, artigos, disserta\u00e7\u00f5es e teses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/cpisp.org.br\/\">Comiss\u00e3o Pr\u00f3-\u00cdndio de S\u00e3o Paulo (CPI-SP)<\/a><\/strong> \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o que atua na defesa dos direitos ind\u00edgenas e quilombolas, com foco no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.survivalinternational.org\/info\">Povos Ind\u00edgenas do Brasil<\/a><\/strong> \u2013 Site da Survival International, uma das principais organiza\u00e7\u00f5es globais dedicadas \u00e0 defesa dos direitos dos povos ind\u00edgenas e tribais ao redor do mundo (em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/iwgia.org\/en\/\">The International Work Group for Indigenous Affairs (IWGIA)<\/a><\/strong> \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o global sem fins lucrativos que trabalha para promover, proteger e defender os direitos dos povos ind\u00edgenas. Possui status consultivo no Conselho Econ\u00f4mico e Social das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ECOSOC). Em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/bndigital.bn.gov.br\/dossies\/povos-originarios\/indios-indigenas-e-povos-originarios\/\">\u00cdndios, Ind\u00edgenas e Povos Origin\u00e1rios<\/a><\/strong> \u2013 Conte\u00fado especial produzido pela Biblioteca Nacional do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/educacao-escolar-indigena\">Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena<\/a><\/strong>, site do MEC com todas as informa\u00e7\u00f5es sobre a Educa\u00e7\u00e3o Escolar Ind\u00edgena no Brasil. Fundamentos, metas, objetivos, organiza\u00e7\u00e3o, resultados etc.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea fecha os olhos e, de repente, se imagina 525 anos no passado. Mais exatamente no territ\u00f3rio que futuramente seria o Brasil, a exatos tr\u00eas dias antes da chegada das naus de Pedro \u00c1lvares Cabral (22 de abril de 1500). 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