{"id":4227,"date":"2025-03-21T11:37:30","date_gmt":"2025-03-21T14:37:30","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=4227"},"modified":"2025-03-21T11:37:30","modified_gmt":"2025-03-21T14:37:30","slug":"futuropresente-desextincao-de-especies-uma-conquista-ou-um-perigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/futuropresente-desextincao-de-especies-uma-conquista-ou-um-perigo\/","title":{"rendered":"#FuturoPresente &#8211; Desextin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies: uma conquista&#8230; ou um perigo?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1500\" height=\"505\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Wooly_Mammoths.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4229\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Em 1916, Charles Knight pintou o que seria uma manada de mamutes-lanosos. Cientistas querem transformar essa representa\u00e7\u00e3o em realidade por meio da desextin\u00e7\u00e3o. Fonte: Wikipedia.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em \u201cdesextin\u00e7\u00e3o\u201d?<\/strong> A palavra ainda n\u00e3o chegou ao dicion\u00e1rio, mas j\u00e1 faz parte das conversas e estudos de um grupo de cientistas ligados \u00e0 \u00e1rea biol\u00f3gica. E, nos pr\u00f3ximos anos, ela pode fazer parte da realidade \u2013 com consequ\u00eancias que ainda est\u00e3o sendo avaliadas. Vamos explorar mais o assunto? Siga conosco!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Desextin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como o pr\u00f3prio nome indica, a palavra desextin\u00e7\u00e3o se refere ao <strong>processo artificial de produzir organismos que se assemelham a esp\u00e9cies extintas<\/strong> naturalmente ou pela a\u00e7\u00e3o humana, por meio de t\u00e9cnicas como clonagem, edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica (CRISPR) ou sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De dinossauros a mamutes, de aves como o p\u00e1ssaro dod\u00f4 a mam\u00edferos como o tigre dente-de-sabre, todas essas esp\u00e9cies, EM TESE, poderiam ser \u201crevividas\u201d e at\u00e9 mesmo reintroduzidas na natureza. E essa possibilidade s\u00f3 passou a ser considerada porque, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, houve avan\u00e7os muito importantes nas \u00e1reas da gen\u00e9tica, da paleontologia e das biotecnologias. <strong>Mas, ser\u00e1 que \u00e9 uma boa ideia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O Velociraptor e o sonho da desextin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Jurassic_Park_logo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4234\" width=\"344\" height=\"253\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Fonte: Wikipedia.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Em 1993, pessoas em todo o mundo passaram a conhecer um novo tipo de dinossauro, que, de certa forma, substituiu o Tiranossauro Rex <em>(Tyrannosaurus rex)<\/em> no imagin\u00e1rio dos monstros do passado: o Velociraptor <em>(Velociraptor antirrhopus)<\/em>, fera do per\u00edodo Cret\u00e1ceo que literalmente \u201capavorou\u201d as plateias do filme <strong>\u201cJurassic Park\u201d<\/strong>, dirigido por Steven Spielberg (p\u00f4ster ao lado).<\/p>\n\n\n\n<p>Muito mais do que apresentar um novo dinossauro (e outros mais), por\u00e9m, o filme fez chegar ao grande p\u00fablico uma ideia que j\u00e1 rondava os c\u00e9rebros de um grupo de cientistas: <strong>ressuscitar esp\u00e9cies extintas usando elementos biol\u00f3gicos e alta tecnologia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A pel\u00edcula, \u00e9 claro, <strong>exagerava bastante<\/strong> as possibilidades e as conquistas cient\u00edficas (a clonagem de dinossauros ainda \u00e9 praticamente imposs\u00edvel por motivos que veremos \u00e0 frente), mas, em certa medida, deixou antever um futuro razoavelmente poss\u00edvel. Com a melhoria das t\u00e9cnicas, novas tecnologias e at\u00e9 com mudan\u00e7as legais, \u00e9 v\u00e1lido pensar que, em algumas d\u00e9cadas, teremos, de fato, animais e at\u00e9 mesmo esp\u00e9cies inteiras \u201crenascidas\u201d. Para algumas delas, as possibilidades s\u00e3o maiores; para outras, menores. Vamos saber mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Quando tudo come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Falar sobre as possibilidades de desextin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 descoberta da chamada <strong>estrutura de dupla h\u00e9lice do DNA<\/strong>, em 1953 pelos cientistas <strong>Francis Crick<\/strong> (Inglaterra) e <strong>James Watson<\/strong> (Estados Unidos). Eles, ali\u00e1s, receberam o Pr\u00eamio Nobel de 1962, em Medicina e Fisiologia, gra\u00e7as a este estudo \u2013 um reconhecimento 100% merecido! Outra cientista essencial nessa descoberta foi a qu\u00edmica inglesa <strong>Rosalind Elsie Franklin<\/strong>, cujos estudos sobre estruturas moleculares ajudaram muito na compreens\u00e3o da \u201cmol\u00e9cula da vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/cientistas.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4238\" width=\"669\" height=\"287\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Rosalind Franklin, Francis Crick e James Watson: os &#8220;pais da mat\u00e9ria&#8221; no campo dos estudos gen\u00e9ticos. Fonte: Wikipedia.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Conhecer o <strong>DNA ou \u00e1cido desoxirribonucleico<\/strong> \u2013 mol\u00e9cula que cont\u00e9m as informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de todos os seres vivos e \u00e9 respons\u00e1vel por determinar as caracter\u00edsticas individuais de cada esp\u00e9cie \u2013 abriu um campo de pesquisas gigantesco, das doen\u00e7as gen\u00e9ticas e sua cura \u00e0 criminologia. Hoje, gra\u00e7as \u00e0 gen\u00e9tica, as pessoas podem conhecer suas origens mais remotas e tamb\u00e9m algumas doen\u00e7as de que poder\u00e3o vir a sofrer no futuro. As aplica\u00e7\u00f5es desse novo campo da ci\u00eancia, por\u00e9m, v\u00e3o muito mais longe!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/GettyImages-2168491650.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4232\" width=\"644\" height=\"403\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O &#8220;segredo&#8221; da desextin\u00e7\u00e3o reside na manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica com t\u00e9cnicas de &#8220;editam&#8221;, &#8220;costuram&#8221; ou &#8220;somam&#8221; genes ao DNA. Fonte: Getty Images<\/em>.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Trabalhando com o DNA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de conhecer o DNA \u2013 e o DNA da nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie, que foi inteiramente sequenciado no ano de 2003, pelo <strong>Projeto Genoma Humano<\/strong> \u2013, os cientistas passaram a buscar formas de chegar at\u00e9 ele para corrigir eventuais configura\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pelas doen\u00e7as gen\u00e9ticas. Entre essas doen\u00e7as est\u00e3o a anemia falciforme, a fibrose c\u00edstica, a fenilceton\u00faria e a hemofilia tipo A, que afetam milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo surgiram as duas principais t\u00e9cnicas utilizadas atualmente: <strong>a terapia gen\u00e9tica e a edi\u00e7\u00e3o de genes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"700\" height=\"230\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Genome-editing_corrected.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4239\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da edi\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica. Fonte: Programa de Educa\u00e7\u00e3o Gen\u00f4mica, Departamento de Sa\u00fade do Reino Unido.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em termos simples, a <strong>terapia gen\u00e9tica<\/strong> envolve a inser\u00e7\u00e3o de genes funcionais em um organismo para substituir ou complementar genes defeituosos \u2013 isto pode ser feito por meio de v\u00edrus modificados, que funcionam como vetores para \u201centregar\u201d o DNA.<\/p>\n\n\n\n<p>E a <strong>edi\u00e7\u00e3o de genes<\/strong> envolve a modifica\u00e7\u00e3o direta do DNA existente, que \u00e9 seccionado e tem sequ\u00eancias espec\u00edficas corrigidas. O chamado <strong>CRISPR-Cas9<\/strong> \u00e9 a t\u00e9cnica mais conhecida e precisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora essas t\u00e9cnicas sejam amplamente utilizadas na medicina, elas tamb\u00e9m est\u00e3o sendo estudadas como ferramentas para um objetivo ainda mais ousado: trazer de volta esp\u00e9cies extintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c<strong>Desafio de Costura\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOperar\u201d genes adicionando pe\u00e7as ao quebra-cabe\u00e7a ou editando sequ\u00eancias n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, simples ou barata. No caso dos projetos de desextin\u00e7\u00e3o, h\u00e1, ainda, um complicador: o fato de que, com o passar do tempo, as estruturas gen\u00e9ticas \u2013 o DNA \u2013 tamb\u00e9m se alteram e decaem.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos figurativos, seria algo como recortar ou remendar uma pe\u00e7a de tecido. Se ela est\u00e1 inteira e forte, \u00e9 poss\u00edvel costurar sem grandes problemas; se, por\u00e9m, est\u00e1 fragilizada \u2013 rasgada ou apodrecida \u2013, \u00e9 muito mais dif\u00edcil! Como incorporar remendos, por exemplo? Como costurar um tecido que est\u00e1 se quase desmanchando?<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, imagine um \u201ctecido\u201d \u2013 uma sequ\u00eancia de DNA \u2013 que tenha 80 milh\u00f5es de anos (como a de um velociraptor) ou \u201capenas\u201d seis mil anos (como a de um mamute-lanoso). Ambos um dia estiveram intactos, mas, ao longo do tempo, sofreram um lento e cont\u00ednuo processo de degrada\u00e7\u00e3o que envolve fatores ambientais. Ser\u00e1 que, com as tecnologias e as metodologias dispon\u00edveis atualmente, \u00e9 poss\u00edvel \u201ccostur\u00e1-las\u201d para recuperar o \u201ctecido\u201d original \u2013 o ser vivo extinto? Essa \u00e9 a grande quest\u00e3o que intriga os cientistas da desextin\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Projetos em andamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como vimos, a integridade do DNA \u2013 do \u201ctecido da vida\u201d a que nos referimos \u2013 \u00e9 fundamental para o eventual sucesso dos projetos de desextin\u00e7\u00e3o. O que implica afirmar que, quanto mais antiga a amostra, ou quanto menos dispon\u00edvel ela estiver, mais dif\u00edcil ser\u00e1 ter sucesso no processo. O que, pensando nos dinossauros ferozes de \u201cJurassic Park\u201d, talvez seja uma boa not\u00edcia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Observado esse ponto, chegamos aos projetos que est\u00e3o em andamento. Vamos focar em um deles que \u00e9 emblem\u00e1tico porque se liga tanto \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria quanto ao papel humano na extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Antes, por\u00e9m&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos responder a uma pergunta-central: algum animal j\u00e1 foi desextinto?<\/strong> Sim. Em 2003, utilizando t\u00e9cnicas semelhantes \u00e0s usadas para a clonagem da ovelha Dolly, cientistas espanh\u00f3is e franceses conseguiram reproduzir um \u00edbex-dos-pirineus ou bucardo <em>(Capra pyrenaica pyrenaica)<\/em>, esp\u00e9cie extinta havia muito pouco tempo. Em virtude de problemas pulmonares, por\u00e9m, o filhote sobreviveu por apenas algumas horas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/960px-Celia_la_ultima_bucardo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4240\" width=\"578\" height=\"434\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>\u00cdbex-dos-pirineus, primeiro animal a ser desextinto. O sucesso do projeto, por\u00e9m, foi relativo. Fonte: Wikipedia.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A volta do mamute-lanoso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos ao projeto em andamento: ele \u00e9 desenvolvido por cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e quer reviver o mamute-lanoso <em>(Mammuthus primigenius)<\/em>, extinto h\u00e1 cerca de 4 mil anos pela a\u00e7\u00e3o dos nossos antepassados.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica utilizada, nesse caso, se baseia na edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de c\u00e9lulas do elefante asi\u00e1tico, que \u00e9 muito semelhante aos ancestrais peludos. Na medida em que existem muitos restos de mamutes-lanosos \u2013 descobertos na tundra, inclusive em virtude do aquecimento global \u2013, as chances de se encontrar de DNA preservado s\u00e3o grandes. Esse DNA, ao ser sequenciado, oferecer\u00e1 um \u201cmapa\u201d para a edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do DNA dos elefantes asi\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Colossal_Woolly_Mouse.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-4230\" width=\"608\" height=\"389\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>&#8220;Rato-lanoso&#8221;, criado em laborat\u00f3rio pela manipula\u00e7\u00e3o de genes para torn\u00e1-lo semelhante, em pelagem, aos mamutes-lanosos. Fonte: Wikipedia\/Nature.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa est\u00e1 caminhando bem. O maior desafio est\u00e1 na produ\u00e7\u00e3o de um \u00fatero artificial que possa receber os embri\u00f5es da \u201cnova-velha\u201d esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, por que clonar o mamute-lanoso? Os cientistas apontam dois motivos: 1) \u2013 ao ser reintroduzidos na natureza, os animais poderiam ajudar a proteger um bioma, a tundra, muito fragilizado atualmente; e 2) \u2013 a pesquisa tamb\u00e9m ajuda a fornecer dados sobre o elefante asi\u00e1tico, esp\u00e9cie que intriga os cientistas por apresentar uma baix\u00edssima incid\u00eancia de c\u00e2ncer \u2013 ao conhecer os fatores por tr\u00e1s desta resist\u00eancia, seria poss\u00edvel descobrir caminhos para prevenir e tratar o c\u00e2ncer entre os seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Possibilidades e desafios \u00e9ticos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a desextin\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema cient\u00edfico fascinante. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, ele gera d\u00favidas, apreens\u00f5es e quest\u00f5es \u00e9ticas. Isso porque, em certa medida, a possibilidade de fazer esp\u00e9cies voltarem \u00e0 vida coloca a nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie na condi\u00e7\u00e3o de criadora, de \u201cdivindade\u201d, algo que foi explorado magistralmente em obras liter\u00e1rias como<strong> \u201cFrankenstein\u201d, de Mary Sheeley, e \u201cA Ilha do Dr. Moreau\u201d, de H. G. Wells. <\/strong>Uma condi\u00e7\u00e3o de enorme poder \u2013 e enorme responsabilidade tamb\u00e9m!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Cuidando do mundo que existe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, o sucesso em processos de desextin\u00e7\u00e3o pode levar ao repovoamento de biomas onde as esp\u00e9cies foram extintas pela a\u00e7\u00e3o humana, mais recentemente \u2013 o que \u00e9 positivo, inclusive pela recomposi\u00e7\u00e3o das cadeias que formam a \u201cteia da vida\u201d nestes ambientes \u2013, por outro ele pode levar, tamb\u00e9m, a um desleixo da nossa esp\u00e9cie em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s esp\u00e9cies existentes. Se elas podem ser recriadas a qualquer momento, por que se preocupar em mant\u00ea-las?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/onca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4242\" width=\"572\" height=\"334\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O mundo possui milh\u00f5es de esp\u00e9cies, muitas das quais em risco de extin\u00e7\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o humana. Fonte: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso considerar, tamb\u00e9m, os custos envolvidos nos processos de desextin\u00e7\u00e3o, que se mostram muito altos nos projetos em andamento atualmente. N\u00e3o seria mais inteligente utilizar esses recursos para preservar e promover esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o pela a\u00e7\u00e3o humana?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>E as extin\u00e7\u00f5es naturais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso pensar, ainda, no fato de que a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies tamb\u00e9m \u00e9 um processo natural, estabelecido ao longo de milh\u00f5es de anos sem a interfer\u00eancia humana. Em outras palavras: o ser humano \u00e9 um agente importante de extin\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Apenas para se ter uma ideia, os cientistas estimam que, das 4 bilh\u00f5es de esp\u00e9cies que passaram pelo nosso planeta ao longo dos \u00faltimos 500 milh\u00f5es de anos, 99% (3,96 bilh\u00f5es) foram naturalmente extintas!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/GettyImages-185261431.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4241\" width=\"632\" height=\"421\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">F\u00f3ssil de um arqueopt\u00e9rix (<em><strong>Archaeopteryx lithographica<\/strong><\/em>), dinossauro voador que viveu h\u00e1 150 milh\u00f5es de anos. Fonte: Getty Images.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que esse processo tamb\u00e9m implica modifica\u00e7\u00f5es nos biomas e nas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies, pode ser muito arriscado reintroduzir esp\u00e9cies desaparecidas, em especial as que viviam em outras eras geol\u00f3gicas. O melhor aviso a esse respeito, vindo do campo da arte, \u00e9 dado pelos dinossauros de \u201cJurassic Park\u201d, que fogem ao controle de seus criadores e geram um caos total. Bem observado!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Responsabilidade pelas esp\u00e9cies<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, mas n\u00e3o menos importante, \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da nossa responsabilidade. Na medida em que a esp\u00e9cie humana consiga ressuscitar esp\u00e9cies, ela se tornar\u00e1 automaticamente respons\u00e1vel por elas, por sua presen\u00e7a no mundo e por seu bem-estar. Criar esp\u00e9cies por mero desejo de conhecimento, por exemplo, seria um erro extraordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Conclus\u00e3o: desextin\u00e7\u00e3o, sim ou n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao olhar para as ideias e para os projetos que focam no \u201crenascimento\u201d de esp\u00e9cies, podemos pensar em um tema que \u00e9 muito importante para a educa\u00e7\u00e3o: o letramento, que \u00e9 a capacidade de \u201cler o mundo\u201d, criticamente, a partir de um conhecimento pr\u00e9vio \u2013 da alfabetiza\u00e7\u00e3o. O dom\u00ednio das t\u00e9cnicas de modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, como vimos, \u00e9 cada vez maior e pode levar a grandes conquistas, das desextin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e0 cura de muitas doen\u00e7as. Isso, ali\u00e1s, j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. Com um grande conhecimento, por\u00e9m, nasce um grande poder \u2013 e uma responsabilidade equivalente! E \u00e9 a\u00ed que entram em cena o letramento, a \u00e9tica e uma percep\u00e7\u00e3o mais profunda da realidade e das consequ\u00eancias do que se est\u00e1 produzindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua opini\u00e3o, as pesquisas focadas na desextin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e3o mais ben\u00e9ficas ou mais prejudiciais ao mundo? Pense nisso!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Para ir mais longe \u2013 links e not\u00edcias interessantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa de Educa\u00e7\u00e3o Gen\u00f4mica, Departamento de Sa\u00fade do Reino Unido &#8211;<\/strong> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia\/noticia\/2025\/03\/05\/empresa-que-quer-ressuscitar-animais-extintos-anuncia-camundongos-geneticamente-modificados-com-pelos-semelhantes-aos-de-mamutes.ghtml\" target=\"_blank\">&#8220;O que s\u00e3o edi\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica e terapia gen\u00e9tica?<\/a><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.genomicseducation.hee.nhs.uk\/blog\/what-are-genome-editing-and-gene-therapy\/\" target=\"_blank\">&#8220;<\/a> (em ingl\u00eas)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Portal G1<\/strong>, <strong>Ci\u00eancia<\/strong> &#8211; <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia\/noticia\/2024\/10\/30\/cientistas-querem-trazer-especies-extintas-de-volta-ainda-nesta-decada-veja-as-promessas-e-entenda-criticas.ghtml\">\u201cCientistas querem trazer esp\u00e9cies extintas de volta ainda nesta d\u00e9cada; veja as promessas e entenda cr\u00edticas\u201d<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Portal G1, Ci\u00eancia &#8211;<\/strong> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia\/noticia\/2025\/03\/05\/empresa-que-quer-ressuscitar-animais-extintos-anuncia-camundongos-geneticamente-modificados-com-pelos-semelhantes-aos-de-mamutes.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;&#8216;Camundongo-lanoso&#8217;: empresa diz ter criado animal peludo com genes dos mamutes que quer &#8216;ressuscitar'&#8221;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CNN Brasil<\/strong> &#8211; <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/tecnologia\/ciencia-da-ressureicao-ganha-forca-estamos-proximos-de-reviver-especies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201c\u2018Ci\u00eancia da ressurrei\u00e7\u00e3o\u2019 ganha for\u00e7a: ser\u00e1 que vamos reviver esp\u00e9cies?\u201d<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Veja<\/strong> \u2013 <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/ciencia\/mamute-e-dodo-empresa-que-pretende-reviver-animais-extintos-recebe-aporte-milionario\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cMamute e Dod\u00f4: Empresa que pretende reviver animais extintos recebe aporte milion\u00e1rio\u201d<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/colossal.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Site oficial da Colossal Laboratories e Biosciences<\/a>, empresa respons\u00e1vel pelo processo de desextin\u00e7\u00e3o do mamute-lanoso (em ingl\u00eas)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Yale Environment 360, revista da Universidade de Yale (EUA) \u2013<\/strong> <a href=\"https:\/\/e360.yale.edu\/features\/de-extinction\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cApesar dos esfor\u00e7os para reviver esp\u00e9cies, a extin\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 para sempre\u201d<\/a> (em ingl\u00eas)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revista Nature <\/strong>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d42473-022-00432-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cDesextin\u00e7\u00e3o: tecnologia de laborat\u00f3rio digital d\u00e1 suporte a um \u2018projeto mamute\u2019\u201d<\/a> (em ingl\u00eas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em \u201cdesextin\u00e7\u00e3o\u201d? A palavra ainda n\u00e3o chegou ao dicion\u00e1rio, mas j\u00e1 faz parte das conversas e estudos de um grupo de cientistas ligados \u00e0 \u00e1rea biol\u00f3gica. E, nos pr\u00f3ximos anos, ela pode fazer parte da realidade \u2013 com consequ\u00eancias que ainda est\u00e3o sendo avaliadas. Vamos explorar mais o assunto? Siga conosco! 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