{"id":4308,"date":"2025-06-09T14:28:00","date_gmt":"2025-06-09T17:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=4308"},"modified":"2025-06-09T14:28:00","modified_gmt":"2025-06-09T17:28:00","slug":"futuropresente-oceanos-em-risco-ciencia-em-acao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/futuropresente-oceanos-em-risco-ciencia-em-acao\/","title":{"rendered":"#FuturoPresente: oceanos em risco, ci\u00eancia em a\u00e7\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"724\" height=\"483\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/GettyImages-533253014.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4309\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Mergulhadora mede di\u00e2metro de coral marinho. Foto: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Uma linha perfeita, coroada no horizonte pelo sol que come\u00e7a a nascer. Uma vasta curva que toma conta de quase todo o planeta e faz com que, do espa\u00e7o, a Terra seja vista como o que ela \u00e9: um planeta azul. A causa? Os oceanos. Que nos separam, conectam e desafiam; que nos alimentam, fascinam e assustam. E que, infelizmente, est\u00e3o em risco, ao mesmo tempo em que seguem revelando seus segredos para a ci\u00eancia \u2013 e continuam guardando muitos mist\u00e9rios!<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o de #FuturoPresente, vamos conhecer algumas das pesquisas mais recentes no campo dos oceanos! Navegue conosco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>\u201cUm continente oce\u00e2nico\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vista do espa\u00e7o, a Terra \u00e9 uma \u201cbola\u201d azul com manchas amarronzadas, esverdeadas e brancas, das terras, geleiras e bancos de nuvens. A predomin\u00e2ncia de cor est\u00e1 relacionada a algo que voc\u00ea, mesmo morando longe da praia, conhece: os oceanos, que ocupam cerca de 71% da superf\u00edcie do planeta. Uma superf\u00edcie enorme, mas proporcionalmente muito fina \u2013 quase uma \u201cpel\u00edcula\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/GettyImages-1189556235.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4310\" width=\"667\" height=\"375\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Os oceanos cobrem 70% da superf\u00edcie terrestre. Foto: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Imagine que, em m\u00e9dia, a crosta oce\u00e2nica possui <strong>7 km de espessura<\/strong> e que o di\u00e2metro m\u00e9dio do nosso planeta \u00e9 de <strong>12.742 km<\/strong>. Ou seja: a crosta oce\u00e2nica equivale a apenas 0,055% do di\u00e2metro total da Terra; se o planeta \u201cmedisse\u201d um metro, a crosta oce\u00e2nica teria 0,5 mil\u00edmetro! Nesse min\u00fasculo intervalo, por\u00e9m, reside a chave para o clima do planeta e para algo que \u00e9 muito raro em termos siderais: a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que apenas mostrar propor\u00e7\u00f5es \u2013 os limites, a grandeza e at\u00e9 a fragilidade dos oceanos \u2013, esses n\u00fameros sinalizam que a esp\u00e9cie humana se aproximou e passou a desvend\u00e1-los. E isso tem nome: cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>O oceano e a cultura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil estabelecer quando come\u00e7ou a rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas e os oceanos. Afinal, de uma forma ou outra, a vida se liga desde sempre aos oceanos. Fiquemos, ent\u00e3o, apenas nas rela\u00e7\u00f5es culturais, que s\u00e3o t\u00e3o antigas quanto o assentamento de seres humanos pr\u00f3ximo a \u00e1reas mar\u00edtimas, h\u00e1 cerca de 16 mil anos. \u00c9 poss\u00edvel, inclusive, que essa data\u00e7\u00e3o recue ainda mais, em especial porque, hoje, muitos dos antigos s\u00edtios est\u00e3o submersos por conta de mudan\u00e7as naturais no relevo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/960px-AssyrianWarship.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4312\" width=\"581\" height=\"424\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Representa\u00e7\u00e3o de navio fen\u00edcio com duas filas de remos. No mar, est\u00e3o representados peixes e crust\u00e1ceos. Foto: Wikimedia Commons.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Essa proximidade, \u00e9 claro, gerou religiosidade, mitos, tecnologia, conhecimentos associados \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o e muito mais. Uma rela\u00e7\u00e3o que se aprofundou com o in\u00edcio da navega\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica, h\u00e1 cerca de 5 mil anos pelos eg\u00edpcios e tamb\u00e9m pelos polin\u00e9sios, malaio-indon\u00e9sios e outros povos do sudeste asi\u00e1tico. Os mares, que at\u00e9 ent\u00e3o separavam por\u00e7\u00f5es de terra, passaram a uni-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, fomos acumulando informa\u00e7\u00f5es sobre os oceanos, em um processo que se acelerou com a Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, a partir do s\u00e9culo XVIII. Registramos e descrevemos esp\u00e9cies mar\u00edtimas, conhecemos as correntes e seus regimes, descobrimos a rela\u00e7\u00e3o entre os oceanos e o clima, cartografamos o fundo dos mares.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, esse azul todo segue revelando novidades, inclusive relativas \u00e0 sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia em um tempo de enorme press\u00e3o causada pela pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>As esp\u00e9cies que habitam o grande azul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dia fant\u00e1stico no mar: o pescador puxa a rede e ela vem pesada de peixes e crust\u00e1ceos. Pequenos, grandes, coloridos, cinzentos, lisos e espinhosos. Um espet\u00e1culo de abund\u00e2ncia para os olhos e para a cozinha. E que nos convida a perguntar: afinal, quantas esp\u00e9cies existem nos oceanos?<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o s\u00e9culo XVIII, quando come\u00e7ou a classifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, foram catalogadas cerca de 250 mil esp\u00e9cies. Esse n\u00famero gigantesco \u2013 que inclui peixes, moluscos, crust\u00e1ceos, mam\u00edferos marinhos, algas, corais e pl\u00e2ncton, entre outros \u2013 \u00e9 bem menor, por\u00e9m, que o estimado pelos cientistas. Eles acreditam que existam entre <strong>500 mil e 1 milh\u00e3o de esp\u00e9cies nos oceanos<\/strong>, muitas delas ainda desconhecidas por conta da dificuldade de acesso a certas regi\u00f5es, como os fundos abissais, fontes hidrotermais marinhas ou sob camadas de gelo nos polos. Estamos falando, enfim, em algo como 50% e 75% de esp\u00e9cies ainda desconhecidas!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Skeleton_panda_ascidian.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4313\" width=\"235\" height=\"205\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>\u201cPanda-esqueleto-do-mar\u201d. Foto: Wikimedia.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>De vez em quando, por\u00e9m, alguns desses \u201cbichos novos\u201d acabam se mostrando ou, ent\u00e3o, s\u00e3o contatados por pesquisadores mais audaciosos. Um exemplo interessante \u00e9 o do <strong>\u201cpanda-esqueleto-do-mar\u201d<\/strong> (<em>Clavelina ossipandae<\/em>), um peixe muito peculiar, de 2 cm de comprimento, descoberto e classificado por cientistas japoneses em 2023 na ilha de Kumejima.<\/p>\n\n\n\n<p>Um animal transparente, com uma rede de vasos sangu\u00edneos aparentes e semelhantes, em sua estrutura, a um esqueleto! Detalhe: o panda-esqueleto foi encontrado a apenas 20 metros de profundidade, em um ambiente alcan\u00e7ado pela luz solar, o que mostra que as novas esp\u00e9cies n\u00e3o vivem apenas nos abismos oce\u00e2nicos; elas tamb\u00e9m podem estar bem perto!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>Agora, imagine s\u00f3 o que vive nos abismos&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, esses lugares in\u00f3spitos para os seres humanos tamb\u00e9m guardam um verdadeiro tesouro de vida que, aos poucos, vai sendo revelado. Na medida em que as tecnologias avan\u00e7am, \u00e9 poss\u00edvel mergulhar mais fundo nas fossas submarinas, ambientes extremos por conta da enorme press\u00e3o exercida sobre os seres e objetos (um exemplo: no fundo das Fossas Marianas, a 11 km de profundidade, a press\u00e3o \u00e9 1.100 vezes maior que no n\u00edvel do mar!).<\/p>\n\n\n\n<p>Pois foi em um desses abismos \u2013 a <strong>Fossa de Atacama<\/strong>, localizada entre o Peru e o Chile, a 7 km de profundidade \u2013 que em 2022 os cientistas descobriram uma nova esp\u00e9cie, batizada de <strong><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/multimedia\/961155\">\u201cpeixe-caracol azul do Atacama\u201d<\/a><\/strong> (ou, no registro cient\u00edfico, <em>Paraliparis selti<\/em>).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Low-Res_Paraliparis-selti.jpg.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4314\" width=\"340\" height=\"276\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Peixe-caracol-azul-do-Atacama. Foto: American Association for the Advancement of Science (AAAS)<\/em>.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O pequeno peixe, de pouco menos de um cent\u00edmetro, \u00e9 parente de outros peixes carac\u00f3is comuns nas \u00e1guas rasas da regi\u00e3o. Contudo, a esp\u00e9cie evoluiu e se desenvolveu nas profundezas, um ambiente invi\u00e1vel para quase todas as esp\u00e9cies que vivem no planeta. Basta pensar que, para chegar l\u00e1, os seres humanos usam rob\u00f4s blindados ou, ent\u00e3o, sinos de mergulho poderos\u00edssimos, capazes de resistir \u00e0 press\u00e3o intensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como ele consegue? A resposta est\u00e1 na adapta\u00e7\u00e3o e na evolu\u00e7\u00e3o, que fez com que seu corpo se tornasse gelatinoso e resistente \u00e0 press\u00e3o brutal; al\u00e9m disto, ele n\u00e3o possui bexiga natat\u00f3ria, \u00f3rg\u00e3o comum aos peixes (ele regula a profundidade), mas que, em um contexto abissal, \u00e9 totalmente in\u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos peixes-carac\u00f3is do Atacama, esp\u00e9cies como o <a href=\"https:\/\/www.bioicos.org.br\/post\/polvo-dumbo-um-animal-fofo-de-grandes-profundidades\">polvo-dumbo<\/a> (do g\u00eanero <em>Grimpoteuthis<\/em>) ou os <a href=\"https:\/\/www.mbari.org\/animal\/pompeii-worm\/\">vermes de Pompeia<\/a> (<em>Alvinella pompejana<\/em>), que sobrevivem perto de fontes marinhas hidrotermais superquentes, mostram como a vida se adapta a ambientes in\u00f3spitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>Dois exemplos, grandes li\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As esp\u00e9cies que citamos \u2013<strong> apenas duas, entre dezenas descobertas e classificadas a cada m\u00eas<\/strong> \u2013 reservam algumas li\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de que o oceano n\u00e3o \u00e9, apenas, um grande bioma; ele, na verdade, forma um universo riqu\u00edssimo, de semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as significativas, dadas pela profundidade e por muitos outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda li\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que as novas esp\u00e9cies s\u00e3o promissoras em termos de conhecimento sobre a vida e, tamb\u00e9m, sobre caminhos para a pr\u00f3pria ci\u00eancia. Imagine, por exemplo, o que os peixes carac\u00f3is azuis do Atacama podem nos revelar sobre materiais resistentes a grandes press\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, mas n\u00e3o menos importante: as novas descobertas nos lembram de nossa pr\u00f3pria responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o aos oceanos e a toda a vida. Estamos, enfim, diante de uma teia extraordin\u00e1ria (da qual fazemos parte), antiga, poderosa e resiliente, mas, ao mesmo tempo, muito fr\u00e1gil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>As novas tecnologias nos oceanos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Grandes desafios implicam grandes solu\u00e7\u00f5es, que implicam estudo e conex\u00f5es entre conhecimentos e tecnologias j\u00e1 existentes. Pois \u00e9 exatamente esse o caminho das novas tecnologias que est\u00e3o ajudando a revelar mais e mais sobre os oceanos. Uma fronteira que, como j\u00e1 afirmamos, \u00e9 enorme, complexa e, muitas vezes, de dif\u00edcil acesso. Mas que, aos poucos, vai sendo cartografada e analisada em diferentes aspectos \u2013 geogr\u00e1ficos, biol\u00f3gicos, fisioqu\u00edmicos, geol\u00f3gicos, meteorol\u00f3gicos etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomemos como exemplo desse avan\u00e7o duas tecnologias recentes, come\u00e7ando pela dos rob\u00f4s submarinos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, os chamados AUVs, que mapeiam o fundo dos oceanos com ajuda da intelig\u00eancia artificial. Um exemplo emblem\u00e1tico \u00e9 o do ve\u00edculo de opera\u00e7\u00e3o remota <strong>ROV SuBastian<\/strong>, do <em>Schmidt Ocean Institute<\/em> (dos Estados Unidos), capaz de mergulhar a 4.500 metros levando equipamentos de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"ROV SuBastian Animated Tour\" width=\"840\" height=\"473\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A4BzW5PGjgU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Cr\u00e9dito: Schmidt Ocean Institute.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em suas jornadas, at\u00e9 o momento esse \u201crob\u00f4 marinho\u201d (e outros equipamentos do Instituto) descobriu <strong>nada menos do que 20 esp\u00e9cies<\/strong>. Eles tamb\u00e9m podem encontrar naufr\u00e1gios, mapear dep\u00f3sitos de minerais de interesse comercial no leito marinho e mensurar \u00e1reas oce\u00e2nicas em risco (como certas zonas de corais).<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda tecnologia de alto impacto vem das alturas: falamos do SWOT (<em>Surface Water and Ocean Topography \u2013 <\/em>Topografia da \u00c1gua Superficial e do Oceano), miss\u00e3o de sat\u00e9lite lan\u00e7ada em 2022 pela Ag\u00eancia Espacial dos Estados Unidos (NASA) e pela Ag\u00eancia Espacial Francesa (CNES).<\/p>\n\n\n\n<p>Sua meta \u00e9 \u201colhar\u201d para os cursos de \u00e1gua (rios, que s\u00e3o tribut\u00e1rios dos mares) e estabelecer o n\u00edvel exato dos oceanos; e, de quebra, conhecer a fundo o ciclo da \u00e1gua e mapear as correntes mar\u00edtimas. Com isso, em breve ser\u00e1 poss\u00edvel construir modelos clim\u00e1ticos ainda mais precisos, que auxiliem a humanidade a responder melhor \u00e0 crise clim\u00e1tica, e promover rotas de navega\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>A humanidade no centro do problema<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"808\" height=\"432\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/GettyImages-1418267688.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4311\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O desenvolvimento tecnol\u00f3gico trouxe uma sobrecarga aos oceanos, como a provocada pelos transportes oce\u00e2nicos. Foto: Getty Images<\/em>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos s\u00e9culos, em especial a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, a humanidade passou a exercer uma press\u00e3o enorme sobre os oceanos, com consequ\u00eancias como o desaparecimento de esp\u00e9cies (o exemplo mais conhecido \u00e9 o das baleias, que tiveram 4 esp\u00e9cies extintas ou levadas a um decl\u00ednio irrevers\u00edvel pela ca\u00e7a), a ruptura de cadeias alimentares (pela sobrepesca e pela pesca de arrasto), o surgimento de <strong>\u201cilhas de pl\u00e1stico\u201d<\/strong> provocadas pelo ac\u00famulo de detritos (que j\u00e1 cobrem uma \u00e1rea de 1,6 milh\u00e3o de km\u00b2 &#8211; <strong>mil vezes a \u00e1rea da cidade de S\u00e3o Paulo!<\/strong>) e, mais recentemente, o aquecimento e a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel das \u00e1guas oce\u00e2nicas (atualmente, em 4,5 mm ao ano) em virtude do efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>O que pode vir por a\u00ed<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas, \u00e9 claro, conhecem a maior parte das causas e podem testemunhar e antecipar muitos de seus efeitos. Um deles, sist\u00eamico e muito poderoso, \u00e9 justamente o associado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre os oceanos e o efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201caprisionamento\u201d do calor na superf\u00edcie terrestre j\u00e1 est\u00e1 provocando consequ\u00eancias como o derretimento de geleiras e a redu\u00e7\u00e3o da salinidade das \u00e1guas, que desregula o mecanismo das correntes oce\u00e2nicas, que s\u00e3o dependentes da diferen\u00e7a de densidade entre \u00e1gua salgada e doce. Com menor salinidade, a \u00e1gua doce n\u00e3o afunda, enfraquecendo ou at\u00e9 paralisando a circula\u00e7\u00e3o do oceano.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso espec\u00edfico do Atl\u00e2ntico Norte, os cientistas perceberam que, desde os anos 1950, a <strong>Circula\u00e7\u00e3o de Revolvimento Meridional do Atl\u00e2ntico (AMOC)<\/strong>, que inclui a Corrente do Golfo, perdeu 15% de sua for\u00e7a, e que <strong><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-021-01097-4\">pode estar perto de um ponto de virada<\/a><\/strong>. Se essa circula\u00e7\u00e3o acabar, as consequ\u00eancias ser\u00e3o dram\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o ao clima da Europa Ocidental, que \u00e9 mais ameno gra\u00e7as \u00e0s correntes oce\u00e2nicas quentes. Ele passaria a ser muito mais frio, afetando todas as formas de vida na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>O conhecimento como caminho para salvar os oceanos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 complexo e mesmo tr\u00e1gico perceber que a ci\u00eancia e a tecnologia, respons\u00e1veis pelos maiores avan\u00e7os da humanidade, tenham sido as mesmas que aceleraram o colapso dos oceanos e dos ecossistemas. Nessa mesma fonte, por\u00e9m, est\u00e1 a chave para a revers\u00e3o \u2013 desde que aplicada com <strong>urg\u00eancia, \u00e9tica e um compromisso inadi\u00e1vel<\/strong> com o futuro da vida marinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por exemplo, uma <strong>morat\u00f3ria internacional \u00e0 ca\u00e7a da baleia<\/strong> fez com que muitas esp\u00e9cies de cet\u00e1ceos come\u00e7assem a recuperar suas popula\u00e7\u00f5es. Para isso, por\u00e9m, foi necess\u00e1rio chegar a um consenso pol\u00edtico constru\u00eddo gra\u00e7as aos aportes de conhecimentos cient\u00edficos e \u00e0 press\u00e3o de uma sociedade sensibilizada para o problema. As pessoas, enfim, perceberam que a ca\u00e7a \u00e0s baleias trazia mais preju\u00edzos do que benef\u00edcios \u2013 e decidiram agir, cobrando a\u00e7\u00f5es de seus representantes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/GettyImages-1303598690.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4315\" width=\"612\" height=\"408\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Baleia-corcunda fotografada em Vit\u00f3ria, Esp\u00edrito Santo. Foto: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A mesma <strong>intencionalidade pela mudan\u00e7a<\/strong>, a mesma press\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 essencial para ir al\u00e9m do salvamento das baleias. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, pensar em termos de consumo mais racional (de alimentos, roupas, tecnologias), de apoio \u00e0s energias renov\u00e1veis, de redu\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e de elimina\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios. De fortalecimento, enfim, de uma consci\u00eancia ambiental que cresce na sociedade a partir do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udf0a <strong>Para ir mais longe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns links interessantes sobre o tema dos oceanos:<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf0a D\u00e9cada da Ci\u00eancia Oce\u00e2nica (ONU)<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciativa global da ONU para promover a pesquisa e a prote\u00e7\u00e3o dos oceanos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-ocean-decade wp-block-embed-ocean-decade\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"b9VPsRlCTs\"><a href=\"https:\/\/oceandecade.org\/\">Ocean Decade \u2013 The Science We Need For The Ocean We Want<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Ocean Decade \u2013 The Science We Need For The Ocean We Want&#8221; &#8212; Ocean Decade\" src=\"https:\/\/oceandecade.org\/embed\/#?secret=fHzB3fhwPW#?secret=b9VPsRlCTs\" data-secret=\"b9VPsRlCTs\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\ud83e\uddec Ocean Biodiversity Information System (OBIS)<\/p>\n\n\n\n<p>Base de dados internacional que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre a biodiversidade marinha.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/obis.org\">https:\/\/obis.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\ude80 Miss\u00e3o SWOT (NASA\/CNES)<\/p>\n\n\n\n<p>Detalhes sobre o sat\u00e9lite que est\u00e1 mapeando a topografia da \u00e1gua na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/swot.jpl.nasa.gov\">https:\/\/swot.jpl.nasa.gov<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udc1f Schmidt Ocean Institute \u2013 Descobertas recentes do rob\u00f4 SuBastian<\/p>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rios e v\u00eddeos sobre as explora\u00e7\u00f5es e esp\u00e9cies descobertas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-schmidt-ocean-institute wp-block-embed-schmidt-ocean-institute\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"lDEXIUc314\"><a href=\"https:\/\/schmidtocean.org\/\">Homepage<\/a><\/blockquote><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Homepage&#8221; &#8212; Schmidt Ocean Institute\" src=\"https:\/\/schmidtocean.org\/embed\/#?secret=3hEkJdKDw2#?secret=lDEXIUc314\" data-secret=\"lDEXIUc314\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>\ud83d\udc0b International Whaling Commission \u2013 Prote\u00e7\u00e3o das baleias<\/p>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es sobre a morat\u00f3ria da ca\u00e7a \u00e0s baleias e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/iwc.int\">https:\/\/iwc.int<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83e\uddea Revista Science \u2013 Artigos sobre biologia marinha e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas recentes e revisadas por pares sobre oceanos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.science.org\/journal\/science\">https:\/\/www.science.org\/journal\/science<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma linha perfeita, coroada no horizonte pelo sol que come\u00e7a a nascer. Uma vasta curva que toma conta de quase todo o planeta e faz com que, do espa\u00e7o, a Terra seja vista como o que ela \u00e9: um planeta azul. A causa? Os oceanos. Que nos separam, conectam e desafiam; que nos alimentam, fascinam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[198,2,130,196,154,3,146,150,140],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4308"}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4316,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4308\/revisions\/4316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}