{"id":4531,"date":"2025-12-01T15:04:06","date_gmt":"2025-12-01T18:04:06","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=4531"},"modified":"2025-12-01T15:04:06","modified_gmt":"2025-12-01T18:04:06","slug":"na-trilha-de-hefesto-a-era-dos-robos-humanoides-ja-comecou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/na-trilha-de-hefesto-a-era-dos-robos-humanoides-ja-comecou\/","title":{"rendered":"Na trilha de Hefesto: a era dos rob\u00f4s humanoides j\u00e1 come\u00e7ou!"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"2119\" height=\"1210\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/robota.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4532\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>De brinquedo a realidade: representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica de um rob\u00f4 humanoide. Fonte: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, a imprensa divulgou uma not\u00edcia sobre a apresenta\u00e7\u00e3o de um rob\u00f4 humanoide desenvolvido por pesquisadores russos. A hist\u00f3ria j\u00e1 seria interessante por si; ela, por\u00e9m, ganhou mais destaque porque o rob\u00f4 <strong>\u201cAIDOL\u201d<\/strong>, ao tentar caminhar,<strong> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/inovacao\/noticia\/2025\/11\/13\/robo-humanoide-da-russia-leva-tombo-e-cai-de-cara-ao-ser-apresentado-veja-video.ghtml\">trope\u00e7ou e caiu literalmente de cara no ch\u00e3o<\/a><\/strong>. Mostrando a enorme dificuldade que \u00e9 reproduzir o equil\u00edbrio, o caminhar e as conex\u00f5es \u201chardware-software\u201d \u2013 ou melhor, mente-corpo \u2013 que nos tornam humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>O porqu\u00ea da recria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, por que tentar \u201crecriar\u201d os seres humanos como rob\u00f4s? <\/strong>Afora o fasc\u00ednio que o tema desperta \u2013 presente, por exemplo, nos mitos do deus inventor grego Hefesto e em obras que v\u00e3o de \u201cFrankenstein\u201d a <em>\u201cBlade Runner\u201d <\/em>\u2013, a ideia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o estranha. Nesta edi\u00e7\u00e3o de <strong>\u201cFuturo Presente\u201d<\/strong>, vamos investigar os rob\u00f4s humanoides, examinando os porqu\u00eas e o que est\u00e1 vindo por a\u00ed. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, venha com a gente e considere um futuro&#8230; com rob\u00f4s bem familiares!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>Corpo, trabalho, criar e recriar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 6 milh\u00f5es de anos, a esp\u00e9cie humana evoluiu e se especializou para ser o que \u00e9 \u2013 uma esp\u00e9cie de seres b\u00edpedes que caminha ereta, diferenciou e especializou as fun\u00e7\u00f5es dos membros superiores e inferiores, possui certo grau de for\u00e7a e flexibilidade e certo grau de acuidade dos cinco sentidos. E que, \u00e9 claro, possui um c\u00e9rebro muito sofisticado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma esp\u00e9cie moldada pela evolu\u00e7\u00e3o, <strong>mas que tamb\u00e9m moldou o mundo<\/strong>, transformando-o a favor de seus movimentos e sobreviv\u00eancia. Pense, por exemplo, nas escadas, que foram criadas para facilitar o acesso e a circula\u00e7\u00e3o de pessoas em aclives ou declives. E funcionam perfeitamente&#8230; para os seres humanos!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"788\" height=\"443\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/GettyImages-1347236300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4533\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O corpo humano \u00e9 resultado de milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo em que evoluiu, os seres humanos tamb\u00e9m transformaram o mundo para sua pr\u00f3pria corporeidade. Fonte: Getty Images.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>Na mesma pista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 aqui que encontramos a primeira justificativa para o desenvolvimento dos rob\u00f4s humanoides: <strong>eles v\u00e3o atuar naquelas \u201cpistas\u201d onde j\u00e1 atuamos<\/strong>, nas marcas que deixamos, sem a necessidade de se repensar o mundo. Em atividades tipicamente humanas: subindo escadas, girando ma\u00e7anetas, sustentando volantes, operando ferramentas feitas para m\u00e3os, por exemplo. Algo que os rob\u00f4s atuais, como aqueles bra\u00e7os gigantes e precisos que vemos nas f\u00e1bricas, n\u00e3o fazem (ou at\u00e9 fazem&#8230; se forem humanoides).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>As m\u00e1quinas-pessoa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto de interesse \u2013 e que vai pelo mesmo caminho da proximidade \u2013 \u00e9 o da <strong>\u201cpersonifica\u00e7\u00e3o\u201d das m\u00e1quinas<\/strong> em nome de uma intera\u00e7\u00e3o mais eficaz com seus criadores humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense, por exemplo, nas ferramentas de IA, que imitam a forma humana de comunicar dados. Boa parte de seu interesse reside justamente nisto: informa\u00e7\u00f5es \u00fateis, entregues em um padr\u00e3o comunicacional que n\u00e3o gera ru\u00eddos de compreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em que atividades esses rob\u00f4s \u201chuman\u00f5es\u201d seriam \u00fateis? Basicamente, <strong>naquelas que pedem empatia<\/strong> e v\u00eam crescendo em demanda, como, por exemplo, o cuidado de pessoas idosas. Mas, como assim?! Rob\u00f4s substituindo cuidadores? A ideia soa desumana, mas reflete uma quest\u00e3o real: em pa\u00edses como o Jap\u00e3o, um dos l\u00edderes da pesquisa em rob\u00f4s humanoides, <strong>a popula\u00e7\u00e3o com mais de 65 anos j\u00e1 chega a 29,1% &#8211; quase uma em cada tr\u00eas pessoas!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>O Vale do Estranhamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo, por\u00e9m, enfrenta um desafio: o do chamado <strong><em>\u201cUncanny Valley\u201d<\/em> ou \u201cvale do estranhamento\u201d<\/strong>, fen\u00f4meno detectado h\u00e1 mais de 50 anos pelo professor de rob\u00f3tica <strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Masahiro_Mori_(roboticist)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Masahiro Mori<\/a><\/strong>. Ao estudar a intera\u00e7\u00e3o pessoas-m\u00e1quinas, ele percebeu que a humaniza\u00e7\u00e3o funciona \u2013 mas s\u00f3 at\u00e9 certo ponto! As pessoas se interessam e gostam de rob\u00f4s humanoides, por\u00e9m, quando a m\u00e1quina se aproxima muito da perfei\u00e7\u00e3o, acontece uma invers\u00e3o: estranhamente, a atra\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar a repulsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno ainda n\u00e3o est\u00e1 plenamente explicado. A hip\u00f3tese mais aceita associa o desconforto \u00e0 am\u00edgdala cerebral, que \u00e9 um leitor ultrassofisticado das emo\u00e7\u00f5es. Ao \u201cler\u201d um rob\u00f4 humanoide, esse \u00f3rg\u00e3o <strong>perceberia ao mesmo tempo elementos humanos e n\u00e3o humanos<\/strong>, o que geraria desconfian\u00e7a instintiva e repulsa imediata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>O homem bi\u00f4nico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desconfian\u00e7as \u00e0 parte (o fato \u00e9 que as tecnologias podem evoluir a ponto de produzir uma mimese perfeita, que elimine o \u201cvale do estranhamento\u201d), a cria\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s humanoides tamb\u00e9m \u00e9 vista como <strong>um caminho pela medicina<\/strong>, no desenvolvimento de partes do corpo mais perfeitas, capazes de substituir membros e \u00f3rg\u00e3os sem risco de rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense, por exemplo, na evolu\u00e7\u00e3o das pr\u00f3teses de f\u00eamur-quadril ou joelho em tit\u00e2nio, que evolu\u00edram exponencialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas. O mesmo pode valer para outras articula\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os, cuja chegada depende de estudos que envolvam materiais, sensibilidade, equil\u00edbrio e caminhos de comunica\u00e7\u00e3o com o c\u00e9rebro. Ali\u00e1s, \u00e9 bem poss\u00edvel que o c\u00e9rebro \u2013 o \u00f3rg\u00e3o humano mais complexo \u2013 seja a <strong>\u00faltima fronteira<\/strong> no caminho do \u201chomem-rob\u00f4\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>O rob\u00f4 humanoide como \u201cm\u00e1quina total\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o \u00faltimo grande argumento pela pesquisa e desenvolvimento de rob\u00f4s humanoides. Uma m\u00e1quina com essas caracter\u00edsticas seria, necessariamente, <strong>multiplataforma<\/strong>, capaz de realizar uma s\u00e9rie de tarefas que, hoje, s\u00e3o realizadas por diferentes rob\u00f4s. Como, por exemplo, subir e descer escadas, carregar cargas, inspecionar zonas de desastre, mergulhar, servir caf\u00e9 e mais. Atividades que est\u00e3o dentro daquela \u201cpista\u201d a que nos referimos anteriormente, a das estruturas constru\u00eddas pela humanidade para seu pr\u00f3prio uso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso explicado, podemos chegar a exemplos de pesquisas avan\u00e7adas em rob\u00f4s humanoides. Eles est\u00e3o chegando!<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83e\udd16 <strong>O rob\u00f4 caminha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para um ser humano que goze de boa sa\u00fade, caminhar \u00e9 simples. Basta apoiar-se nas duas pernas, dar o primeiro passo e gerenciar o desequil\u00edbrio que possibilita o avan\u00e7o. E que s\u00f3 \u00e9 \u201csimples\u201d porque somos humanos, mas<strong> que implica muitas vari\u00e1veis complexas<\/strong> \u2013 dos impulsos cerebrais que levam ao movimento \u00e0 no\u00e7\u00e3o de espacialidade, da composi\u00e7\u00e3o entre as muitas articula\u00e7\u00f5es envolvidas no caminhar \u00e0 for\u00e7a necess\u00e1ria para permanecer em funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, imagine desenvolver cada uma dessas habilidades e integr\u00e1-las de forma harm\u00f4nica e humana \u2013 e, ainda por cima, perceber integralmente o espa\u00e7o ao redor. Da composi\u00e7\u00e3o do corpo ao equil\u00edbrio, da energia necess\u00e1ria ao processo \u00e0s conex\u00f5es entre as partes, esse conjunto implica um enorme desafio que aciona conhecimentos que v\u00e3o das ci\u00eancias dos materiais \u00e0 intelig\u00eancia artificial. <strong>E, \u00e9 claro, pode render novos conhecimentos que s\u00e3o um verdadeiro tesouro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>As piruetas de Atlas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se, como vimos, caminhar j\u00e1 \u00e9 suficientemente desafiador, imagine correr, pular, saltar, agachar, plantar bananeira, deitar e levantar de um pulo. Essa \u00e9 a proposta do rob\u00f4 <strong>Atlas<\/strong>, desenvolvido pela <strong><a href=\"https:\/\/bostondynamics.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Boston Dynamics<\/a><\/strong>, empresa fundada nos Estados Unidos em 1992 e comprada pela gigante industrial coreana Hyundai em 2020.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Walk, Run, Crawl, RL Fun | Boston Dynamics | Atlas\" width=\"840\" height=\"473\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I44_zbEwz_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Demonstra\u00e7\u00e3o das habilidades corporais do rob\u00f4 humanoide Atlas. Fonte: Bosto Dynamics.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A empresa, que \u00e9 l\u00edder no segmento, ficou mais conhecida pelo desenvolvimento do <strong>Spot<\/strong>, um \u00e1gil rob\u00f4 quadr\u00fapede semelhante a um c\u00e3o de corrida \u2013 com a diferen\u00e7a de que, em lugar da cabe\u00e7a, h\u00e1 um espa\u00e7o para a coloca\u00e7\u00e3o de \u201cgadgets\u201d como c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia. O \u201cbicho\u201d, ali\u00e1s, \u00e9 figura presente em feiras de tecnologia de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao Atlas, ele foi desenvolvido com financiamento inicial da Ag\u00eancia de Projetos de Pesquisa Avan\u00e7ada de Defesa dos EUA (DARPA). Apresentado oficialmente em julho de 2013, tem 1,88m de altura e <strong>\u00e9 capaz de reproduzir v\u00e1rios tipos de movimentos humanos<\/strong>. Entre suas finalidades declaradas est\u00e3o oferecer servi\u00e7os de emerg\u00eancia em opera\u00e7\u00f5es de busca e salvamento, acionar mecanismos de controle como v\u00e1lvulas em ambientes extremos e circular por locais in\u00f3spitos \u2013 o que abre a possibilidade de seu uso na<strong> explora\u00e7\u00e3o espacial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de suas origens, a Boston Dynamics tem sido p\u00fablica em afirmar que o foco do Atlas e de seus outros rob\u00f4s \u00e9 a assist\u00eancia em tarefas industriais, de log\u00edstica e de resgate. Esse posicionamento reflete um debate \u00e9tico global crucial: como garantir que tecnologias com tal potencial sejam guiadas por princ\u00edpios que priorizem a ajuda e a seguran\u00e7a, e n\u00e3o o conflito? A resposta a essa pergunta, assim como os algoritmos de equil\u00edbrio do rob\u00f4, ainda est\u00e1 em processo de constru\u00e7\u00e3o \u2013 ela depende, evidentemente, da mobiliza\u00e7\u00e3o das sociedades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>Karakuri e os rob\u00f4s japoneses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo sobre rob\u00f4s humanoides n\u00e3o ficaria completo sem uma refer\u00eancia ao <strong>Jap\u00e3o<\/strong> e sua busca por cria\u00e7\u00f5es do g\u00eanero. Os japoneses s\u00e3o fascinados por rob\u00f4s desde, pelo menos, o s\u00e9culo XVII, <strong>quando conheceram os rel\u00f3gios mec\u00e2nicos produzidos na Europa e resolveram aproveitar a tecnologia para produzir bonecos animados, os chamados <em>karakuri. <\/em><\/strong>Essas pe\u00e7as, que se transformaram em tesouros hist\u00f3ricos, s\u00e3o sensacionais. E, em certa medida, elas anteciparam muitos dos mecanismos hoje utilizados para construir os corpos rob\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Karakuri puppet - \u304b\u3089\u304f\u308a\u4eba\u5f62 - 4K Ultra HD\" width=\"840\" height=\"473\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DgIDStgaybc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exemplo de boneco Karakuri cl\u00e1ssico, que dispara flechas em um alvo. Fonte: TokyoStreetView.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XXI, essa tradi\u00e7\u00e3o de engenhosidade mec\u00e2nica se traduziu em duas grandes frentes. A primeira, e mais comentada, responde a uma necessidade social urgente: com uma das popula\u00e7\u00f5es mais idosas do mundo, o Jap\u00e3o busca parceiros rob\u00f3ticos para o cuidado. Foi nesse escopo que surgiu o <strong>Robear <\/strong>(uma jun\u00e7\u00e3o de robot e bear, &#8220;urso&#8221;). Vendido como <strong><a href=\"https:\/\/www.riken.jp\/en\/news_pubs\/research_news\/pr\/2015\/20150223_2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201co rob\u00f4 forte com toque suave\u201d<\/a><\/strong>, esta m\u00e1quina de 140 kg possui uma apar\u00eancia amig\u00e1vel \u2013 projetada para evitar o \u201cvale do estranhamento\u201d \u2013 e bra\u00e7os capazes de<strong> erguer e transportar uma pessoa com seguran\u00e7a<\/strong>, auxiliando em transi\u00e7\u00f5es entre a cama e a cadeira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"ROBEAR: The strong robot with the gentle touch\" width=\"840\" height=\"630\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J3edDaPSdY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exemplo de performance m\u00e9dico do Robear. Fonte: Riken.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas a vis\u00e3o japonesa vai al\u00e9m da assist\u00eancia. A segunda frente \u00e9 a da automa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada para sustentar a ind\u00fastria e a infraestrutura em uma sociedade com for\u00e7a de trabalho em decl\u00ednio. Projetos como o <strong><a href=\"https:\/\/robotsguide.com\/robots\/hrp5p\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">HRP-5P, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia Industrial Avan\u00e7ada (AIST)<\/a><\/strong>, s\u00e3o humanoides oper\u00e1rios. Eles utilizam percep\u00e7\u00e3o ambiental e planejamento de movimento para executar tarefas complexas de constru\u00e7\u00e3o, como instalar pain\u00e9is de drywall sozinhos em um canteiro de obras.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, dos delicados <em>karakuri<\/em> aos fortes cuidadores e aos precisos construtores, a rob\u00f3tica japonesa mant\u00e9m um princ\u00edpio: a m\u00e1quina como uma extens\u00e3o harmoniosa da sociedade, seja para cuidar, entreter ou construir. \u00c9 uma filosofia que contrasta e complementa outras vis\u00f5es ao redor do globo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udd16 <strong>Conclus\u00e3o: a humanidade no espelho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como vimos ao longo deste artigo, o desenvolvimento de rob\u00f4s humanoides \u00e9, ao mesmo tempo, uma das tarefas mais desafiadoras da engenharia e um caminho que avan\u00e7a a passos largos. N\u00f3s citamos aqui alguns dos projetos mais emblem\u00e1ticos, mas s\u00e3o dezenas ao redor do globo, de pot\u00eancias como China e Coreia do Sul<strong>.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Ameca Interaction\" width=\"840\" height=\"473\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RiTfe-ckD_g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">O &#8220;Ameca &#8211; Generation 1&#8221;, da empresa Engeneered Arts, de 20212, \u00e9 considerado o rob\u00f4 humanoide mais avan\u00e7ado j\u00e1 produzido, ao menos em n\u00edvel de express\u00f5es faciais. Fonte: Engeneered Arts.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mais do que um esfor\u00e7o t\u00e9cnico, <strong>essa jornada nos coloca diante de um espelho<\/strong>. Ao tentar criar esse &#8220;outro&#8221; mec\u00e2nico, somos for\u00e7ados a definir o que valorizamos em n\u00f3s mesmos. <strong>As quest\u00f5es \u00e9ticas s\u00e3o inevit\u00e1veis e urgentes.<\/strong> \u00c9 prov\u00e1vel, como anteciparam livros e filmes, que em algumas d\u00e9cadas vejamos humanoides em f\u00e1bricas, hospitais e nossas casas, auxiliando em tarefas f\u00edsicas e de companhia. A possibilidade de seu uso militar, <strong>com um n\u00edvel de letalidade potencialmente elevado,<\/strong> permanece como uma sombra que exige vigil\u00e2ncia constante e regula\u00e7\u00e3o robusta.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s humanoides, portanto, <strong>\u00e9 muito mais do que uma competi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. \u00c9 uma express\u00e3o profunda da curiosidade e ambi\u00e7\u00e3o humanas.<\/strong> At\u00e9 o momento \u2013 e provavelmente por muito tempo \u2013, as m\u00e1quinas n\u00e3o s\u00e3o capazes de decidir seu pr\u00f3prio prop\u00f3sito. Esse poder, e a enorme responsabilidade que vem com ele, ainda reside inteiramente conosco, seus criadores. <strong>O futuro que essas m\u00e1quinas ajudar\u00e3o a construir ser\u00e1, em \u00faltima an\u00e1lise, um reflexo das escolhas que fizermos hoje.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, a imprensa divulgou uma not\u00edcia sobre a apresenta\u00e7\u00e3o de um rob\u00f4 humanoide desenvolvido por pesquisadores russos. A hist\u00f3ria j\u00e1 seria interessante por si; ela, por\u00e9m, ganhou mais destaque porque o rob\u00f4 \u201cAIDOL\u201d, ao tentar caminhar, trope\u00e7ou e caiu literalmente de cara no ch\u00e3o. Mostrando a enorme dificuldade que \u00e9 reproduzir o equil\u00edbrio, o caminhar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[205,206,108],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4531"}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4531"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4531\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4534,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4531\/revisions\/4534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}