{"id":4604,"date":"2026-03-03T16:04:51","date_gmt":"2026-03-03T19:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=4604"},"modified":"2026-03-03T16:07:26","modified_gmt":"2026-03-03T19:07:26","slug":"uma-brevissima-historia-das-mulheres-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/uma-brevissima-historia-das-mulheres-na-educacao\/","title":{"rendered":"Uma (brev\u00edssima) hist\u00f3ria das mulheres na Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"631\" height=\"332\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/llol.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4607\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea sabia que 80% dos professores da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil s\u00e3o mulheres? <\/strong>Nada menos do que <strong>1,3 milh\u00e3o de professoras e gestoras<\/strong>, segundo o <strong>Censo Educacional 2024<\/strong>. Um quadro que escancara a import\u00e2ncia das mulheres para a educa\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria, por\u00e9m, vai muito al\u00e9m e envolve desafios, nega\u00e7\u00f5es, afirma\u00e7\u00f5es e conquistas. Nesta edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie <strong>#Educa\u00e7\u00e3oHumaniza<\/strong>, vamos investigar a presen\u00e7a feminina na educa\u00e7\u00e3o. Venha com a gente!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udfdb\ufe0f<strong>No come\u00e7o&#8230; eram as mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando imaginamos em como seria a educa\u00e7\u00e3o na <strong>Gr\u00e9cia <\/strong>e em <strong>Roma<\/strong>, visualizamos grupos de homens jovens conduzidos por outros homens. Fil\u00f3sofos como os sofistas, por exemplo, ou tutores de l\u00edderes como Alexandre da Maced\u00f4nia (tutor: <strong>Arist\u00f3teles<\/strong>) e Nero (tutor: <strong>S\u00eaneca<\/strong>). <strong>A pergunta \u00e9: nesse cen\u00e1rio havia espa\u00e7o para mulheres?<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"631\" height=\"332\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/filos02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4608\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><strong>N\u00e3o e sim. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o<\/strong>, porque as atividades educacionais ligadas \u00e0 pol\u00edtica eram <strong>dirigidas aos homens<\/strong> e exercidas por eles \u2013 com o agravante de que a educa\u00e7\u00e3o chegava a uma parcela muito pequena da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E <strong>sim,<\/strong> porque <strong>houve fil\u00f3sofas-professoras na Gr\u00e9cia<\/strong>, figuras como <strong>Areta de Cirene<\/strong> (s\u00e9c. IV a.C.) e Hip\u00e1tia de Alexandria (s\u00e9c. V d.C.). Al\u00e9m disso, em <strong>Roma<\/strong> era comum que as matronas \u2013 l\u00edderes de fam\u00edlias ricas \u2013 tomassem aulas particulares com tutoras, em geral gregas escravizadas que ensinavam escrita, ret\u00f3rica e poesia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa presen\u00e7a, por\u00e9m, <strong>reafirma o reduzido acesso<\/strong> das mulheres \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de educadoras. Elas eram <strong>uma exce\u00e7\u00e3o<\/strong> e, n\u00e3o, uma regra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udff0 <strong>Mulheres e educa\u00e7\u00e3o na Europa Medieval<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos ao fim do Imp\u00e9rio Romano no Ocidente e ao in\u00edcio da Idade M\u00e9dia europeia, marcada pela rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o, intelectualidade e educa\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo, o conhecimento ficou limitado aos mosteiros e abadias, onde parte dos monges aprendia a ler e a escrever em latim tardio e transmitia estes conhecimentos a outros religiosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83e\udde0 <strong>Monjas e intelectuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo valia para os conventos, onde novi\u00e7as e monjas \u2013 especialmente, nobres \u2013 tamb\u00e9m aprendiam as letras. A difus\u00e3o dos conhecimentos estava a cargo das superioras e envolviam leitura e escrita em latim, canto lit\u00fargico e teologia. A forma\u00e7\u00e3o visava prepar\u00e1-las para a vida religiosa ou para serem <strong>esposas cultas<\/strong> dentro da aristocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale observar que, fora do ambiente religioso, a instru\u00e7\u00e3o feminina das elites era focada em habilidades manuais, pr\u00e1ticas e de gest\u00e3o. Muitas vezes, essas mulheres tamb\u00e9m assumiam um papel pol\u00edtico em seus dom\u00ednios e fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"277\" height=\"299\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Hildegard_of_bingen_and_nuns.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4609\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Entre as mulheres que se destacaram nesse per\u00edodo est\u00e3o figuras como <strong>Hildegarda de Bingen<\/strong> (monja e intelectual dos s\u00e9culos XI-XII &#8211; imagem ao lado\/Wikipedia),<strong> Tr\u00f3tula de Salerno<\/strong> (m\u00e9dica pioneira da Ginecologia no s\u00e9culo XII) e <strong>Cristina de Pisano<\/strong> (poeta, fil\u00f3sofa e cr\u00edtica do exclusivismo masculino no conhecimento, que viveu no s\u00e9c. XV).<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, na chamada <strong>Baixa Idade M\u00e9dia<\/strong> (quando a centralidade feudal perde for\u00e7a), <strong><a href=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/educacaohumaniza-a-origem-das-universidades\/\">surgem as primeiras universidades<\/a><\/strong>. Elas, por\u00e9m, n\u00e3o recebiam mulheres. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Vale observar que, para o restante da popula\u00e7\u00e3o \u2013 agricultores ou artes\u00e3os que viviam nos dom\u00ednios feudais \u2013, <strong>n\u00e3o havia educa\u00e7\u00e3o formal<\/strong>, mas a transmiss\u00e3o iletrada de conhecimentos e t\u00e9cnicas. Isso, por\u00e9m, viria a mudar no final da Idade M\u00e9dia, com <strong>o renascimento das cidades e o fortalecimento da burguesia<\/strong> (comerciantes e artes\u00e3os especializados).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83d\udd4c <strong>E no mundo isl\u00e2mico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel pensar na Europa medieval sem incluir o mundo isl\u00e2mico, que teve enorme import\u00e2ncia geopol\u00edtica e intelectual. Nele, por for\u00e7a da import\u00e2ncia do acesso e recita\u00e7\u00e3o do Alcor\u00e3o, mulheres e homens \u2013 n\u00e3o apenas os cl\u00e9rigos, que estudavam em <em>madrassas<\/em> exclusivamente masculinas \u2013 eram estimulados a aprender a ler.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/University_of_Al_Qaraouiyine.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4610\" width=\"261\" height=\"276\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Isso n\u00e3o s\u00f3 aumentava o n\u00famero de letrados, como facilitava o acesso de algumas mulheres \u00e0 doc\u00eancia. No caso das fam\u00edlias da elite, que viviam em cidades como Bagd\u00e1, C\u00f3rdoba e Damasco, elas tamb\u00e9m podiam se aprofundar em discuss\u00f5es intelectuais, filos\u00f3ficas, cient\u00edficas e art\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as intelectuais mais importantes do per\u00edodo est\u00e3o <strong>Aisha Abu Bakr<\/strong> (s\u00e9culo VII), esposa de Maom\u00e9 e iniciadora da tradi\u00e7\u00e3o intelectual isl\u00e2mica, <strong>Fatima al-Fihri<\/strong>, fundadora da primeira universidade do mundo, a <strong>Universidade de al-Qarawiyyin (foto ao lado\/Wiki)<\/strong>, no Marrocos (s\u00e9culo IX) e <strong>Lubna de C\u00f3rdoba<\/strong> (s\u00e9culo X), especialista em matem\u00e1tica e literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83d\udc69\u200d\ud83c\udf93 <strong>O Renascimento e a educa\u00e7\u00e3o das mulheres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O R<strong>enascimento (s\u00e9c. XIV-XVI) <\/strong>foi marcado pelo decl\u00ednio dos feudos, ressurgimento das cidades e forma\u00e7\u00e3o dos Estados modernos. Nesse contexto, uma nova classe social, a burguesia, se afirma. Ela era formada por comerciantes e especialistas (construtores e artes\u00e3os) que, ao circular pelas cidades, adquiriam uma vis\u00e3o de mundo mais ampla. Pessoas que, em suas profiss\u00f5es, tamb\u00e9m precisavam de letramento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o que se v\u00ea \u00e9 uma amplia\u00e7\u00e3o do acesso das mulheres ao conhecimento. Como no per\u00edodo anterior, por\u00e9m, eram poucas as que chegavam ao ensino formal \u2013 em geral, pertencentes aos grupos de poder (nobres, burgueses, religiosos). Mais do que antes, sem d\u00favida, mas menos do que o necess\u00e1rio para uma sociedade mais justa. As universidades, por exemplo, permaneciam fechadas \u00e0s mulheres, mas elas podiam ser educadas em casa por tutores que ensinavam leitura, escrita, latim e grego, m\u00fasica, pintura e filosofia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Christine_de_pisan.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4611\" width=\"260\" height=\"359\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as mulheres que se destacam no Renascimento est\u00e3o, al\u00e9m da j\u00e1 citada <strong>Cristina de Pisano<\/strong> (imagem ao lado\/Wikipedia), figuras como <strong>Laura Cereta<\/strong> (s\u00e9culo XV), defensora dos direitos das mulheres, e <strong>Cassandra Fedele<\/strong> (s\u00e9culo XV), fil\u00f3sofa e oradora. Vale observar, aqui, a presen\u00e7a massiva de mulheres de <strong>cidades mercantis italianas<\/strong>, que lideraram o Renascimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83d\udea8 <strong>Um ponto de virada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, pudemos perceber um <strong>movimento lento<\/strong> de aproxima\u00e7\u00e3o das mulheres do letramento e da doc\u00eancia, <strong>muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio<\/strong> para uma sociedade mais justa. Para al\u00e9m das <strong>quest\u00f5es de g\u00eanero<\/strong>, as mulheres tamb\u00e9m eram afetadas pela <strong>desigualdade social<\/strong>; quem estava longe do poder \u2013 salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o chegava \u00e0 escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, perguntamos: <strong>quando aconteceu o \u201cponto de virada\u201d<\/strong>? Quando as mulheres chegaram \u00e0s escolas em massa e tamb\u00e9m puderam se tornar professoras? A resposta passa por um grande evento hist\u00f3rico: a <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Francesa!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\uddeb\ud83c\uddf7 <strong>A Revolu\u00e7\u00e3o e as mulheres<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/960px-Declaration_of_the_Rights_of_Man_and_of_the_Citizen_in_1789.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4613\" width=\"242\" height=\"306\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/strong> n\u00e3o foi um \u201cpasse de m\u00e1gica\u201d que colocou as mulheres nas escolas e universidades. Mas foi essencial ao lan\u00e7ar as bases da concep\u00e7\u00e3o de cidadania, na <strong>\u201cDeclara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o\u201d<\/strong> (de 1789 &#8211; imagem ao lado\/Wiki). Ainda assim, as mulheres ficaram de fora \u2014 motivo pelo qual a intelectual e ativista francesa <strong>Olympe de Gouges<\/strong> (1748-1793) escreveu, em 1791, a <strong>\u201cDeclara\u00e7\u00e3o dos Direitos da Mulher e da Cidad\u00e3\u201d<\/strong>, reivindicando igualdade pol\u00edtica e educacional. Esse embate marcou o in\u00edcio de uma luta que, nos s\u00e9culos seguintes, abriria caminhos para a presen\u00e7a feminina em massa na educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83c\udfd7\ufe0f <strong>Mulheres para tempos industriais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a <strong>Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/strong>, que se desenrolou a partir do s\u00e9culo XVIII na esteira da Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, houve <strong>necessidade econ\u00f4mica de expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Um processo lento e incompleto, por\u00e9m mais potente que os vividos anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto \u2013 de necessidade de trabalhadores especializados, gestores e burocratas para Estados poderosos e complexos \u2013, que h\u00e1 uma abertura das escolas para as mulheres. Elas, por\u00e9m, <strong>podiam cursar apenas as etapas mais b\u00e1sicas da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>, sem acesso ao ensino superior. Esse acesso, ali\u00e1s, <strong>s\u00f3 chegou no final do s\u00e9culo XIX<\/strong>, gra\u00e7as aos esfor\u00e7os pessoais das pr\u00f3prias mulheres ou, ent\u00e3o, de movimentos sociais organizados.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil acompanhou esse processo, por\u00e9m em um ritmo mais lento por conta de sua estrutura socioecon\u00f4mica \u2013 <strong>um pa\u00eds perif\u00e9rico, agr\u00e1rio e com enorme desigualdade social<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\ud83d\udc69\u200d\ud83e\uddb0 <strong>Elas s\u00e3o professoras<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/960px-Clement_Maurice_Paris_en_plein_air_BUC_1897179_LEcole_Normale.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4614\" width=\"206\" height=\"290\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX, contudo, as mulheres come\u00e7am a participar mais \u2013 e massivamente \u2013 do magist\u00e9rio prim\u00e1rio. Um processo que ganhou for\u00e7a com o surgimento das <strong>\u201cEscolas Normais\u201d<\/strong> (ao lado, a primeira Escola Normal, fundada em Paris &#8211; foto\/Wikipedia), voltadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professoras. A primeira Escola Normal brasileira havia sido fundada pouco tempo antes em Niter\u00f3i (1835). Em tempo: \u00e0s mulheres s\u00f3 foi permitido <strong>chegar ao ensino superior no Brasil em 1879<\/strong>, com um decreto real que autorizava o ingresso. A resist\u00eancia da sociedade, por\u00e9m, foi muito grande por v\u00e1rias d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2697\ufe0f <strong>As mulheres no Brasil contempor\u00e2neo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil s\u00f3 veria uma nova onda de moderniza\u00e7\u00e3o a partir dos anos 1930, com <strong>Get\u00falio Vargas<\/strong>, e, especialmente, no p\u00f3s-guerra. O pa\u00eds ainda convivia com um n\u00famero gigantesco de analfabetos \u2013 <strong>50% da popula\u00e7\u00e3o em 1950 (IBGE)<\/strong> -, mas, aos poucos, foi fortalecendo a educa\u00e7\u00e3o como direito fundamental. Algo que se tornou definitivo em 1988, com a <strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong> (que tratou da educa\u00e7\u00e3o como direito fundamental em seu T\u00edtulo VIII).<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"630\" height=\"453\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Operarios.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4616\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>&#8220;Oper\u00e1rios&#8221;, pintura de Tarsila do Amaral (1933). Foto: Wikipedia.<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Simultaneamente, houve um crescimento da presen\u00e7a das mulheres nas universidades; logo no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, ali\u00e1s, <strong>elas superaram os homens em n\u00famero de matr\u00edculas<\/strong> (hoje, representam cerca de <strong>60% das matr\u00edculas<\/strong>). Nas licenciaturas, que s\u00e3o os cursos voltados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professores, elas chegam a <strong>70% do total de matriculados<\/strong>, o que refor\u00e7a sua presen\u00e7a no conjunto dos educadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u27a1\ufe0f <strong>Conclus\u00e3o: presen\u00e7a consolidada, desafios persistentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria das mulheres na educa\u00e7\u00e3o revela <strong>avan\u00e7os significativos<\/strong>, mas tamb\u00e9m <strong>perman\u00eancias<\/strong> que n\u00e3o podem ser ignoradas. Da exclus\u00e3o quase total na Antiguidade e na Idade M\u00e9dia, passando pelas reivindica\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e pela lenta abertura das escolas no s\u00e9culo XIX, at\u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX e XXI, <strong>o caminho foi longo e marcado por resist\u00eancia social e institucional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, as mulheres s\u00e3o protagonistas da educa\u00e7\u00e3o brasileira: representam 80% dos docentes da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e quase 60% das matr\u00edculas no ensino superior. No entanto, sua presen\u00e7a ainda n\u00e3o se traduz em igualdade plena. No magist\u00e9rio superior, elas s\u00e3o menos da metade dos docentes; nas \u00e1reas t\u00e9cnico\u2011cient\u00edficas, embora j\u00e1 sejam maioria, enfrentam barreiras de reconhecimento e ascens\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade se torna ainda mais evidente quando se considera aspectos sociais e raciais: <strong>mulheres negras e perif<\/strong><strong>\u00e9ricas continuam a enfrentar obst\u00e1culos adicionais de acesso e perman\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a hist\u00f3ria da presen\u00e7a feminina na educa\u00e7\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, uma narrativa de conquistas e uma agenda de desafios. Reconhecer esse percurso \u00e9 essencial para compreender que a educa\u00e7\u00e3o, enquanto direito fundamental, s\u00f3 se realiza plenamente quando garante igualdade de oportunidades e valoriza\u00e7\u00e3o para todas e todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que 80% dos professores da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no Brasil s\u00e3o mulheres? Nada menos do que 1,3 milh\u00e3o de professoras e gestoras, segundo o Censo Educacional 2024. Um quadro que escancara a import\u00e2ncia das mulheres para a educa\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria, por\u00e9m, vai muito al\u00e9m e envolve desafios, nega\u00e7\u00f5es, afirma\u00e7\u00f5es e conquistas. 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