{"id":4883,"date":"2026-08-31T14:05:32","date_gmt":"2026-08-31T17:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/?p=4883"},"modified":"2026-08-31T14:06:18","modified_gmt":"2026-08-31T17:06:18","slug":"navegar-e-preciso-o-dia-do-mar-e-o-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/navegar-e-preciso-o-dia-do-mar-e-o-conhecimento\/","title":{"rendered":"\u201cNavegar \u00e9 preciso\u201d: o Dia do Mar e o conhecimento!"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"734\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/oceano_01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4885\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um oceano azul profundo, vast\u00edssimo.<\/strong> Ou ent\u00e3o, de \u00e1guas verdes semitransparentes, brilhando contra o c\u00e9u limpo. Ou, ainda, de \u00e1guas embarradas de um estu\u00e1rio repleto de vida. \u00c1guas quentes, \u00e1guas frias, agitadas ou serenas. Todas essas frases falam do mar, essa grande fronteira que, ao mesmo tempo, divide e une a humanidade. Nesta edi\u00e7\u00e3o de <strong>#EDUCA\u00c7\u00c3OHUMANIZA<\/strong>, vamos celebrar o <strong>Dia Mundial do Mar <\/strong>(26 de setembro) de uma forma diferente \u2013 mostrando a sua import\u00e2ncia para a humanidade a partir de dados curiosos que mostram como as \u00e1guas e a cultura se misturam. Como diria <strong>Fernando Pessoa<\/strong>: navegar \u00e9 preciso. Ent\u00e3o, navegue com a gente!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Os primeiros navegantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em navega\u00e7\u00e3o de <strong>cabotagem<\/strong>? Historicamente, em rela\u00e7\u00e3o ao mar, \u00e9 a navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima em<strong> trechos de costa<\/strong> ou, ent\u00e3o, da <strong>zona continental para alguma ilha pr\u00f3xima<\/strong> \u2013 uma forma de circula\u00e7\u00e3o em que o navegante se afasta pouco da terra. Hoje em dia, o termo tamb\u00e9m identifica viagens que ocorrem dentro de \u00e1guas jurisdicionais (ou seja, pertencente a um pa\u00eds) cont\u00ednuas, ainda que de longa dist\u00e2ncia \u2013 como a que liga a Espanha continental \u00e0s Ilhas Can\u00e1rias (que s\u00e3o parte da Espanha).<\/p>\n\n\n\n<p>As navega\u00e7\u00f5es de cabotagem s\u00e3o bem antigas: os registros mais remotos anotados pelos arque\u00f3logos datam de cerca de <strong>2.000 a.C. na regi\u00e3o do Mar Mediterr\u00e2neo<\/strong>. Os navegantes? <strong>Eg\u00edpcios<\/strong> e, por volta de 1.500 a.C.,<strong> fen\u00edcios<\/strong> (que habitavam a regi\u00e3o do atual L\u00edbano), circulando entre portos e col\u00f4nias em barcos de madeira.<\/p>\n\n\n\n<p>As n<strong>avega\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas <\/strong>\u2013 muito mais complexas, arriscadas e longas \u2013 come\u00e7aram com os <strong>polin\u00e9sios <\/strong>por volta de <strong>1.000 a.C.<\/strong> Al\u00e9m de excepcionais navegantes, eles eram engenheiros geniais, cortando os oceanos com canoas de casco duplo (que hoje chamamos catamar\u00e3s) e canoas simples com estabilizados laterais, as chamadas \u201cbatangas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com barcos leves e resistentes \u2013 e dominando muitas das \u201cb\u00fassolas\u201d naturais, como as estrelas, correntes oce\u00e2nicas e at\u00e9 a dire\u00e7\u00e3o das aves marinhas \u2013, ao longo dos s\u00e9culos eles ocuparam ilhas <strong>(como o arquip\u00e9lago havaiano, a ilha da P\u00e1scoa e a Nova Zel\u00e2ndia)<\/strong> em uma \u00e1rea equivalente em tamanho \u00e0 \u00c1frica! E \u00e9 bem prov\u00e1vel, inclusive, que tenham chegado \u00e0 Am\u00e9rica dois ou tr\u00eas s\u00e9culos antes de Colombo \u2013 hip\u00f3tese apoiada, por exemplo, pela presen\u00e7a de f\u00f3sseis de plantas de batata-doce, esp\u00e9cie natural da Am\u00e9rica do Sul, em ilhas da Polin\u00e9sia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"800\" height=\"506\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/oceano_02.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4886\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Gravura do final do s\u00e9culo XVIII mostrando um catamar\u00e3 &#8211; barco de dois cascos &#8211; havaiano. Fonte: Wiki.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Correntes oce\u00e2nicas: as \u201cestradas do mar\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a gente v\u00ea aquele \u201cmarz\u00e3o\u201d, aquela massa de \u00e1gua infinita, n\u00e3o se d\u00e1 conta de que ela abriga correntes oce\u00e2nicas que, por muito tempo, governaram as navega\u00e7\u00f5es. Em certa medida, elas participam at\u00e9 hoje da economia oce\u00e2nica, uma vez que, mesmo com motor, \u00e9 poss\u00edvel navegar a favor da corrente e contra a corrente, e isto implica gasto ou economia de combust\u00edvel. Sem contar que a \u00e1gua transporta uma enormidade de vida, com efeitos sobre o ritmo da pesca, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do tempo, seja pela pr\u00e1tica da pr\u00f3pria navega\u00e7\u00e3o ou de estudos cient\u00edficos (oceanogr\u00e1ficos), a humanidade identificou dezenas de correntes oce\u00e2nicas. Elas se dividem em sistemas que os cientistas chamam de \u201cgiros\u201d, que, como o nome indica, promovem grandes movimentos circulares.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"505\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/oceano_03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4887\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Existem cinco grandes \u201cgiros oce\u00e2nicos\u201d: Atl\u00e2ntico Norte, Atl\u00e2ntico Sul, Pac\u00edfico Norte, Pac\u00edfico Sul e \u00cdndico. E, dentro deles, muitas correntes espec\u00edficas, dentre as quais algumas s\u00e3o especialmente importantes para a navega\u00e7\u00e3o e o clima \u2013 como as correntes do Golfo, Kuroshio, do Brasil, Humboldt e das Malvinas. Uma curiosidade: no Hemisf\u00e9rio Norte, os giros s\u00e3o em sentido hor\u00e1rio; no Hemisf\u00e9rio Sul, em sentido anti-hor\u00e1rio (e \u00e9 claro que isto fez toda a diferen\u00e7a no per\u00edodo das Grandes Navega\u00e7\u00f5es, quando os navios eram impulsionados pela soma entre ventos e correntes oce\u00e2nicas).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, o que faz com que o oceano forme essas \u201cesteiras de transporte\u201d? S\u00e3o muitos os fatores: uma combina\u00e7\u00e3o de ventos (que afetam as \u00e1guas superficiais), a rota\u00e7\u00e3o da Terra (que gera o chamado \u201cEfeito Coriolis\u201d), diferen\u00e7as de temperatura e salinidade (que afetam a densidade das \u00e1guas) e at\u00e9 os limites f\u00edsicos impostos pelos continentes. Somado, esse conjunto recebe o nome de circula\u00e7\u00e3o termoalina.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito bem: o oceano \u00e9 enorme e n\u00f3s somos pequenos. Temos o poder de alterar os giros e as correntes oce\u00e2nicas? A resposta \u00e9: sim! Isso porque, em virtude do efeito estufa \u2013 com um aumento das temperaturas m\u00e9dias no planeta por conta do aprisionamento do CO2 na atmosfera \u2013, est\u00e1 acontecendo um derretimento acelerado e anormal das geleiras nas regi\u00f5es polares. Um maior volume de \u00e1gua doce chegando aos oceanos significa mudan\u00e7as na densidade da \u00e1gua, o que afeta diretamente as trocas aqu\u00e1ticas \u2013 com resultados potencialmente s\u00e9rios. Os cientistas temem, por exemplo, que a Corrente do Golfo (<em>Gulf Stream<\/em>), que leva calor \u00e0 Europa Ocidental, colapse justamente por isso. Nesse caso, cidades europeias, que n\u00e3o sofrem com invernos t\u00e3o rigorosos, possam registrar temperaturas muito mais baixas no inverno. Apenas para se ter uma ideia: Nova Iorque e Madrid se situam aproximadamente na mesma latitude; no entanto, os invernos nova-iorquinos s\u00e3o muito mais rigorosos que os madrilenos, o que tem tudo a ver com o transporte de calor oeste-leste propiciado pela Corrente do Golfo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Os oceanos e a cultura: quem conhece e quem n\u00e3o conhece<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, \u00e9 dif\u00edcil imaginar que haja pessoas que n\u00e3o conhe\u00e7am os oceanos. No entanto, basta trazer um exemplo concreto para descobrir que h\u00e1 pessoas que, de fato, sequer suspeitam da exist\u00eancia dos oceanos. Pense, por exemplo, nos cerca de <strong>115 grupos ind\u00edgenas isolados<\/strong> e n\u00e3o contatados que vivem em outro \u201coceano\u201d, o \u201coceano verde\u201d de floresta da Amaz\u00f4nia brasileira. A maioria absoluta deles est\u00e1 em por\u00e7\u00f5es muito interiores do territ\u00f3rio, <strong>afastadas do litoral<\/strong>. Eles conhecem, \u00e9 claro, os rios amaz\u00f4nicos \u2013 alguns deles, muito largos \u2013, mas n\u00e3o o mar, ao menos diretamente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"424\" src=\"https:\/\/editoraopet.com.br\/blog_opet\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/oceano_04.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4889\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta \u00e9: <strong>se eles nunca viram o mar, podem ter criado palavras que o identifiquem?<\/strong> Podem situ\u00e1-lo dentro de um horizonte de cultura com mitos e narrativas? A resposta \u00e9: muito provavelmente, n\u00e3o! Sem ter visto o mar diretamente, \u00e9 dif\u00edcil \u201ctransport\u00e1-lo para dentro\u201d da mente e da cultura. Ah, e se eles efetivamente disp\u00f5em de palavras, isto pode significar que, um dia, viveram em lugares perto do mar!<\/p>\n\n\n\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o ajudou os linguistas e os arque\u00f3logos a detectarem e documentar as grandes migra\u00e7\u00f5es humanas, em especial em tempos mais recuados da Hist\u00f3ria e da pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo, mas que ainda segue em grande parte envolto em mist\u00e9rio, \u00e9 o dos <strong>povos e l\u00ednguas que formaram a civiliza\u00e7\u00e3o grega<\/strong>, marcada pelo encontro (nem sempre pac\u00edfico) de povos \u201cdo mar\u201d \u2013 a <strong>civiliza\u00e7\u00e3o minoica<\/strong>, que vivia nas ilhas gregas e tinha grande conhecimento de navega\u00e7\u00e3o \u2013 e \u201cdo interior\u201d, no caso, grupos<strong> indo-europeus<\/strong> que se deslocaram do sul da R\u00fassia para a pen\u00ednsula balc\u00e2nica entre <strong>2.000 e 1.600 a.C.<\/strong> Ainda que n\u00e3o tenham decifrado parte dos sistemas de escrita desses antigos povos, os pesquisadores sup\u00f5em fortemente que os termos ligados ao mar \u2013 e tamb\u00e9m as divindades e os mitos \u2013 v\u00eam, via de regra, da \u201cheran\u00e7a minoica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o: n\u00f3s somos o mar!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, trouxemos algumas curiosidades sobre o mar para celebrar um dia mundial que abarca, tamb\u00e9m, os oceanos. <strong>Mar que se liga de muitas maneiras \u00e0 nossa vida:<\/strong> nos pescados e frutos do mar que consumimos, nas compras que fazemos e recebemos de longe, na ideia que fazemos da praia como um lugar de descanso e at\u00e9 na arte ligada \u00e0s imagens do mar, em m\u00fasicas como as de <strong>Dorival Caymmi <\/strong>e poemas de <strong>Fernando Pessoa<\/strong>. Mar que somos n\u00f3s e que, como alertam os cientistas, tamb\u00e9m s\u00e3o de nossa responsabilidade. Refletir a respeito, saber mais, conhecer, \u00e9 essencial. <strong>Para os pr\u00f3prios mares e para a vida!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um oceano azul profundo, vast\u00edssimo. Ou ent\u00e3o, de \u00e1guas verdes semitransparentes, brilhando contra o c\u00e9u limpo. Ou, ainda, de \u00e1guas embarradas de um estu\u00e1rio repleto de vida. \u00c1guas quentes, \u00e1guas frias, agitadas ou serenas. Todas essas frases falam do mar, essa grande fronteira que, ao mesmo tempo, divide e une a humanidade. 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