As raízes africanas do Carnaval brasileiro

Carnaval Brasileiro. Fonte: Getty Images.

Multidões nas ruas, música, alegria, calor, brilho, criatividade e muito trabalho conjunto. Só quem vive no “país do Carnaval” tem a dimensão da importância sociocultural que a festa pode alcançar. Outros países, é claro, também festejam o Carnaval – uma celebração de origem europeia relacionada ao calendário da Igreja desde a Idade Média, há pelo menos mil anos –, mas só no Brasil houve essa fusão criativa de culturas com resultados tão brilhantes.

Nesta edição momesca de #EducaçãoHumaniza, vamos investigar as origens africanas do Carnaval brasileiro. Aqueça os tamborins… e venha com a gente!

A busca por uma origem

Quando buscamos as raízes africanas do Carnaval brasileiro, a pergunta a se fazer é: como se deu essa aproximação? Afinal, como apontamos acima, a festa está diretamente ligada ao catolicismo europeu. O Carnaval é uma “compensação prévia”, feita de excessos e alegria, antes da quaresma, período de observância de jejuns, abstinência e oração.

Dito isso, vem a pergunta: o que, afinal, os povos africanos – muitos dos quais, originalmente seguidores de religiões tradicionais próprias ou, então, muçulmanos – tinham a ver com esse calendário?

A resposta passa pela política colonial portuguesa, que somava a violência da escravização, a economia transatlântica e a imposição religiosa. Vamos saber mais.

Representação de Carnaval medieval por Pieter Bruegel, o Velho (1559). Fonte: Wikipedia.

Um drama em dois continentes

Só de imaginar o processo de escravização aplicado pelos portugueses (e por outros povos europeus) entre o século XVI e a primeira metade do século XIX, a gente já se arrepia. Não é caso, porém, de só imaginar, uma vez que ele está bem documentado em obras como “O Navio Negreiro”, de Castro Alves, a trilogia “Escravidão”, de Laurentino Gomes, e em “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre. É, sim, caso de indignar-se – e de tentar acrescentar uma camada extra de compreensão sobre a história do nosso país.

No tráfico transatlântico, mulheres, homens e crianças eram arrancados de sua terra natal na Costa Ocidental Africana (Golfo de Benin, Angola, Congo, Moçambique) –, sequestrados ou, então, vendidos como prisioneiros para mercadores de pessoas – e enviados ao Brasil.

Aqui, se sobrevivessem às condições duríssimas da travessia, eram revendidos e empregados na lavoura extensiva de culturas como a cana-de-açúcar e café (o chamado “eito”), atividades domésticas e obras públicas.

Nesse processo, em nome do controle por seus dominadores, eram convertidos à força ao catolicismo, religião oficial do império português. Tinham suas práticas religiosas originais proibidas, eram batizados com nomes cristãos (muitas vezes, os sobrenomes de seus “senhores” ou, então, de ordens religiosas) e eram obrigados a participar de cerimônias e rituais do calendário litúrgico. E é justamente esse o ponto de intersecção, o ponto de partida da relação entre o Carnaval e as culturas africanas.

Plano construtivo do navio negreiro inglês “Brooks” (séc. XIX). Fonte: Wikipedia.

Espaços de resistência

Movimentos de resistência à dominação passam, muitas vezes, pela percepção daqueles espaços em que é possível entrar e afirmar a própria identidade. Foi exatamente isso que aconteceu em relação ao Carnaval, festa popular que, por seu caráter disruptivo e irreverente, abriu espaço para manifestações culturais africanas. Uma festa de ruídos, bulha e inversão criativa, como bem observou o filósofo Mikhail Bakhtin, grande especialista no tema e em sua relação com a cultura.

Nesse momento tão interessante, tão peculiar, essas manifestações negras – que, por sua relação com a quaresma, se ligavam à “aceitação” da fé católica – surgiam e, aos poucos, também iam sendo incorporadas e transformadas em algo novo.

É nesse encontro entre repressão e criatividade, entre opressão e resistência, que surgem os batuques, os cortejos e os ritmos que moldaram o Carnaval brasileiro. Ou seriam “os Carnavais brasileiros”? É o que vamos ver agora.

“O Berimbau”, desenho de Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Fonte: Wikipedia.

A presença negra nos muitos carnavais brasileiros

Antes de avançar para as contribuições africanas ao carnaval brasileiro, é interessante observar que o nosso país não possui apenas um carnaval, mas carnavais. A festa é uma só, mas com características culturais locais.

É bem verdade que, nas últimas décadas, essa diversidade cedeu terreno a uma festa mais uniforme, mediada pelos meios de comunicação; mesmo assim, em várias regiões ainda há festas bem características, bem tradicionais, como os afoxés da Bahia e os Papangus do Carnaval de Bezerros (Pernambuco).

Nesse contexto, as fontes culturais que formam o nosso carnaval – europeias, indígenas e africanas – podem aparecer com maior ou menor prevalência. A presença africana, porém, é sempre muito poderosa, em especial na sonoridade da celebração.

Papangus do Carnaval de Olinda, Pernambuco. Fonte: Wikipedia.

Do barulho aos ritmos carnavalescos

Bumbos, pratos, cornetas, matracas e gritos sempre fizeram parte do Carnaval. A “barulheira” era uma das características da celebração medieval, que se opunha justamente ao silêncio que deveria ser guardado a seguir, na Quaresma.

Foi esse o contexto de entrada dos instrumentos musicais africanos tradicionais; eles não vieram, porém, apenas como “máquinas de fazer barulho”, mas chegaram trazendo ritmos, marcações e um sentido musical, o que contribuiu de forma decisiva para a musicalidade do Carnaval brasileiro em todas as suas vertentes – dos afoxés ao “partido alto”, do frevo ao axé. Ou seja: boa parte da música carnavalesca tem, sim, suas raízes na África.

Tocadores de tambor de Gana, África Ocidental. Fonte: Wikipedia.

E que instrumentos africanos – ou herdeiros deles – encontramos no nosso Carnaval?

O mais célebre deles é o pandeiro, cuja origem não é apenas africana, mas que chegou a partir da África com os próprios escravizados ou, então, com os portugueses sob influência dos povos árabes do Norte da África.

Pandeiro. Fonte: Getty Images.

Outra “figurinha carimbada” é a cuíca, instrumento originalíssimo, comum no Carnaval carioca, herdeiro dos instrumentos africanos de fricção. Sua ideia é interessante: materiais distintos são friccionados junto a uma caixa de ressonância, gerando um “gemido” muito peculiar. E, com habilidade, o sambista consegue fazer o instrumento “falar”!

Protagonistas nas cerimônias das religiões de matriz africana, os atabaques – tambores altos em forma de pinhão – estão muito presentes nos blocos afro e afoxés, imprimindo uma cadência poderosa às músicas.

No caso do agogô, o próprio nome indica a origem do instrumento. É uma palavra de origem iorubá, de povos que vivem no oeste da África (Nigéria, Benin e Togo) e têm uma cultura musical muito rica – uma das grandes matrizes da nossa música carnavalesca. O agogô é um tipo de sino normalmente metálico que, quando percutido com uma haste, gera um som agudo que participa diretamente da marcação do ritmo.

Agogô. Fonte: Getty Images.

“Bum-bum, bum-bum, bum-bum…” – quando você está acompanhando um samba-enredo e percebe aqueles “batidões” lá no fundo, graves e poderosos, pode ter certeza de que está escutando um ou mais surdos em ação. Esses grandes tambores, cujas dimensões e profundidades podem variar, são essenciais no Carnaval brasileiro. E, é claro, têm origem nos tambores cerimoniais africanos.

Conclusão: a mão que toca o tambor

Instrumentos musicais não chegam sozinhos a uma festa e, evidentemente, também não tocam sozinhos. Por trás deles há pessoas e intencionalidade, conhecimentos prévios e cultura. Dito isso, podemos retomar uma ideia colocada alguns parágrafos acima, de que os povos africanos não apenas trouxeram instrumentos, mas colaboraram de forma decisiva para os ritmos e para a riqueza da música de carnaval – e, é claro, para a própria Música Popular Brasileira (MPB). Com inteligência sonora, criatividade e sensibilidade.

Não se pode esquecer, também, que a presença negra – africana e afro-brasileira – também colaborou e colabora muito para a estética do Carnaval do Brasil e para a sua temática. Nas danças, na corporeidade e nos enredos – sobre suas lutas, desafios, saudades, referências às culturas, religiões e religiosidades da África. E é justamente isso que faz do Carnaval Brasileiro um espetáculo de alcance global.

Para saber mais

Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), Salvador – O MUNCAB é um museu com ênfase na valorização de aspectos da cultura de matriz africana, destacando a sua influência sobre a cultura brasileira.

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, São Paulo – Fundado em 2004, é uma instituição da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Localizado no Parque Ibirapuera, ocupa 12 mil m² e abriga um acervo com mais de 8 mil obras.

Museu do Samba, Rio de Janeiro – O Museu do Samba nasceu como Centro Cultural Cartola, fundado em 2001 pelos netos de Cartola e Dona Zica, lideranças da comunidade onde a instituição está sediada, na cidade do Rio de Janeiro, RJ. Desde 2007, é responsável pela salvaguarda das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro registradas como patrimônio imaterial pelo IPHAN.

Instrumentos Musicais Tradicionais Afro-Brasileiros e Africanos – Da coleção do Centro Cultural Solar Ferrão, de Salvador, Bahia.

Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira – Único dicionário brasileiro dedicado exclusivamente à Música Popular Brasileira, iniciado em 1995 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), por meio do Departamento de Letras, e pela Editora Francisco Alves, com o apoio técnico do IES – Engenharia de Informática e Sistemas. Em 1999, o Ministério da Cultura retomou o projeto do Dicionário por meio da Fundação Biblioteca Nacional.

#EducaçãoHumaniza: a origem das universidades

“Universidade”: quando a gente lê a palavra, pensa imediatamente em ensino superior. E é isso mesmo: ela é o lugar para a formação especializada em uma infinidade de áreas, da Geologia à Medicina, da TI à Pedagogia, e até em “zonas do conhecimento” que, neste exato momento, estão sendo imaginadas!

Universidade também é o lugar do encontro de pessoas para a troca e a construção de conhecimentos, de olho no desenvolvimento da civilização. Uma criação humana notável, que tem tudo a ver com a ideia de que a Educação Humaniza, mote da Editora Opet para 2026. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, investigamos o surgimento das universidades. Venha com a gente!

O nome universidade tem a ver com universo?

A resposta é sim: universidade vem do termo latino universus, formado por unus (um) e versus (voltado para), gerando a ideia de algo “voltado para o todo”, capaz de abranger o conjunto das coisas.

Ou seja, universo é o conjunto de tudo o que existe e que é percebido assim, em conjunto, em suas conexões. E isso nos permite entender porque, na Astronomia, ele é usado para identificar o espaço sideral, a matéria, a energia e o tempo.

Esse é um começo instigante. Mas, como a palavra acabou identificando o que, hoje, conhecemos como universidade? A ideia de um lugar voltado a todos os saberes é boa e faz muito sentido. Para chegar mais perto de uma conexão com seu início histórico, porém, é preciso voltar no tempo, mais exatamente para a Idade Média ocidental, que é quando o termo começou a ser utilizado nesse sentido. 

“Universitas magistrorum et scholarium”

Essa é a resposta! Na Europa, por volta do século XI – na passagem da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média, em áreas de países como França, Itália e Alemanha – essa expressão era utilizada para identificar os primeiros grupos modernos ocidentais especializados em trocar e produzir conhecimentos.

“Universitas magistrorum et scholarium” significa, exatamente, o “conjunto (universitas) de professores (magistrorum) e estudantes (scholarium). Eureka! 

Mas, voltemos a esses grupos. Por que eles se reuniam? E como eles conseguiam se manter?

A ideia de um grupo de especialistas transmitindo conhecimentos tem suas raízes na própria Baixa Idade Média – período que antecedeu a Idade Moderna – e no ressurgimento das cidades e do comércio. 

Um começo “corporativo”

Ela tem tudo a ver com as corporações de ofício (de alfaiates, sapateiros, ferreiros, carpinteiros, pedreiros, marceneiros, padeiros, etc.), mas com um objeto um pouco diferente. Se as corporações se organizavam para fornecer conhecimentos técnicos e padrões para a produção de bens materiais e serviços, no caso das universidades o foco era outro. Mais exatamente, os do Direito, Medicina, Filosofia e Teologia – áreas de saberes “imateriais”, mas tremendamente relevantes para a vida das sociedades porque conectadas à organização e à gestão do Estado (naquele momento, os Estados modernos estavam começando a aparecer).

​A arte da gestão

O valor do que esses grupos produziam, a importância que possuíam, nos permite entender quem os financiava. Vale lembrar que seus conhecimentos não geravam ganhos diretos como os produzidos pela venda de uma espada ou a construção de uma igreja; porém, eram muito importantes porque permitiam aos mandatários fortalecer a arrecadação de impostos, armar exércitos para financiar guerras, relacionar-se com as grandes casas bancárias (que já existiam), firmar acordos diplomáticos e de casamentos reais, encontrar dinheiro para os gastos pessoais dos reis, justificar estes gastos…

As universidades eram bancadas pelas próprias cidades (burgos), pelos reis que começavam a aparecer depois de um longo período de feudalismo, pela Igreja (que detinha a maior parte do conhecimento letrado no Ocidente) e, também, por pessoas de posses – burgueses e pequenos nobres – que, estrategicamente, queriam formar seus filhos para as “profissões do futuro” daquele momento.

Mas, quais foram as primeiras universidades?

Resposta na ponta da língua: as primeiras universidades são as de Bolonha, na Itália (fundada em 1088), Oxford, na Inglaterra (cerca de 1096), e Paris (cerca de 1150).

Ótimo! Só que não! Isso porque elas são as primeiras e, ao mesmo tempo, não são! 

Como assim?! Elas foram, efetivamente, as primeiras, porém dentro dos limites da cristandade de então, ou seja, nos territórios do Velho Mundo de maioria cristã – mais exatamente, as Europas Ocidental e Central. 

Dito isso, podemos chegar a universidades ainda mais antigas, que funcionam até hoje. São duas: as de Al-Qarawiyyin, situada em Fez, no Marrocos (fundada em 857), e Al-Azhar, no Cairo, Egito (fundação: 988). 

O que essas instituições têm em comum? Elas nasceram em países de maioria islâmica. Na Idade Média, vale observar, boa parte dos conhecimentos antigos – gregos e latinos –, assim como novas investigações (nos campos que viriam a produzir a Química, a Biologia, a Astronomia e a Medicina), foram preservados e cultivados pelos povos islâmicos. 

No caso dos conhecimentos religiosos, é interessante pontuar que, no Islã, eles se aproximam das leis civis; o que significa dizer que, neste contexto, as figuras e o papel do clérigo e do advogado muitas vezes se misturavam.

As universidades, porém, não ficaram só nos limites das ciências “imateriais”. É o que vamos ver a seguir.

Reis, fortalezas… conhecimento e poder

A chegada da Idade Moderna – marcada, em termos esquemáticos, pela conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos no ano de 1453 – trouxe à Europa o fim do feudalismo e o nascimento dos Estados Modernos. 

Iam saindo de cena os feudos e entrando em cena os reinos (e, depois, os impérios). Com eles, nesse grande movimento, também vieram tecnologias decisivas como as da pólvora e da bússola, vindas da China e convertidas em grandes ferramentas de poder. Os interesses de comércio “destravaram” as navegações, aumentando muito seu alcance e gerando a Era Colonial ou “dos Impérios” (Portugal, Espanha, Reino Unido, França).

As universidades, então, se expandem para outras áreas bem mais “materiais”, como as de Engenharia de Fortificações, Metalurgia e Balística (para se alcançar o uso mais eficiente dos canhões), Astronomia e Cartografia

Muitas vezes, inclusive, esses centros de ensino eram exclusivamente voltados a essas áreas, e se aproximavam de exércitos que também iam se profissionalizando. Três exemplos: a Academia Militar de Turim, Itália, fundada em 1678, a École du Génie de Mézières, nas Ardenas, França (de 1748), e a Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, em Lisboa, Portugal (1790). 

​Em certa medida, é possível afirmar que muitos dos atuais centros de pesquisa associados à formação de oficiais – como os nossos Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e Instituto Militar de Engenharia (IME) – são herdeiros diretos dessas instituições pioneiras. 

Da mesma forma, também é possível associar as antigas “universidades militares” às atuais universidades politécnicas, voltadas à formação de engenheiros e outros profissionais de ciências exatas. O saber técnico-militar abriu caminho para o saber científico-industrial. A primeira universidade politécnica, aliás, nasceu no calor da Revolução Francesa, na passagem para a Idade Contemporânea: estamos falando da École Polytechnique de Paris, fundada em 1794 para formar engenheiros e cientistas em áreas aplicadas.

O sucesso político, econômico e militar global das potências europeias ao longo de boa parte dos últimos quinhentos anos teve nas universidades (e no conhecimento gerado por elas) uma de suas bases. E, é claro, ajudou a espalhar o modelo de universidades pelo mundo – Américas, África, Ásia, Oceania. 

E isso significa dizer que, em outros lugares, não existiam iniciativas semelhantes? 

Sim e não! Sim, porque as “universidades” em um sentido europeu (e eurocentrado) nasceram, mesmo, na Europa, dos contextos e configurações próprias da região – como as decorrentes do poder da Igreja, do mundo feudal, do renascimento das cidades e do comércio etc. Esse modelo acabou prevalecendo em todo o mundo.

não, porque outras civilizações possuíam demandas semelhantes por profissionais ligados à administração pública e às ciências aplicadas – e criaram suas próprias instituições. 

O caso mais ilustrativo, aqui, é o da China, que viu sua primeira universidade – a de Beijing – ser fundada apenas no final do século XIX, em 1898. No entanto, a mesma China possuía academias imperiais desde, pelo menos, o século II. Essas instituições eram encarregadas de formar burocratas para a enorme máquina administrativa chinesa – e também se ocupavam de pesquisas científicas e temas filosóficos. Ou seja: cumpriam boa parte do que entenderíamos, deste lado do mundo, como universidade… só que eram muito mais antigas! 

As primeiras universidades americanas

O poder colonial europeu nos séculos XVI-XVII gerou vastos impérios que tinham entre seus territórios toda a América, repartida entre Espanha, Portugal, França e Reino Unido. Esse domínio incluiu, também, a fundação de escolas de ensino superior, muitas das quais eram diretamente relacionadas à Igreja. Enquanto os portugueses não autorizavam universidades fora da “metrópole” – o que forçava as elites das colônias a se formarem em Portugal, reforçando seus laços com o poder central –, espanhóis e ingleses não pensavam da mesma maneira. 

As primeiras universidades americanas são a Universidade de Santo Domingo, na República Dominicana (1538), a Universidade Nacional Maior de São Marcos, no Peru (1551), a Universidade Nacional Autônoma do México (1553), a Universidade São Tomás, na Colômbia (1580), a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (1636), a Universidade Nacional de San Antonio Abad del Cusco, no Peru (1692), e a Universidade de Havana, Cuba (1728). 

No Brasil, as primeiras faculdades nasceram no início do século XIX, com a chegada da família imperial portuguesa, e as primeiras universidades surgiram a partir de então. Há quem aponte que a Escola Politécnica da UFRJ nasceu da antiga Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, fundada em 1792 pelos portugueses – o que situaria a instituição carioca, em definitivo, como a mais antiga do Brasil.

Conclusão: a universidade… universal!

Neste artigo, abordamos a etapa inicial das universidades, que se conecta a uma fantástica jornada humana relacionada ao conhecimento, à ciência, ao fim das superstições e ao poder político. Em 2026, segundo dados do QS World University Rankings, há entre 25 mil e 30 mil universidades em todo o mundo, sem contar faculdades isoladas e centros universitários. Esses números demonstram a relevância dessas instituições, que, a cada ano, formam incríveis 45 milhões de pessoas, segundo estimativa do UNESCO (os matriculados chegam a 264 milhões).

Em um momento de aceleração tecnológica e alta especialização dos conhecimentos, as universidades são forçadas a encarar grandes mudanças, como a de oferta de novos cursos ou, mesmo, de novos formatos de ensino que permitam, por exemplo, formações “híbridas”. E fazem isso com o mesmo espírito que as fundou – o de universitas, ou seja, de um olhar amplo sobre um todo vivo, complexo e vibrante. 

“Viagem Fantástica”: a era dos nanorrobôs já começou!

Representação artística de um nanorrobô produzida por IA.

Não há quem não saiba o que são robôs, não é verdade? Robôs são máquinas programadas e que executam tarefas de forma automática. O termo, surgido há cerca de cem anos em uma obra de ficção científica do escritor checo Karel Čapek, também serve para identificar máquinas “com cara de gente”, como as que vemos nos filmes.

Karel Čapek. Fonte: Wikipedia.

Mas, você sabe o que são nanorrobôs? Devem ser robôs bem pequenininhos, certo? Certo! Nanorrobôs são máquinas espetaculares, que passaram a ser desenvolvidas e aprimoradas nos últimos anos para missões bem especiais. Vamos conhecê-las? Seja bem-vindo a mais uma edição de “Futuro Presente”!

Pequenininhos, mesmo!

Tudo o que começa com o prefixo “nano”, quando o assunto é ciência e tecnologia, é bem pequeno. E bota pequeno nisso! Para se ter uma ideia, um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro (1 nm = 10⁻⁹ metros). Se esse número não diz muita coisa, basta imaginar a espessura de um fio de cabelo… e dividi-la por cem mil! É muito pequeno, atômico mesmo! Tanto, que só pode ser visto com microscópios eletrônicos, que são os mais potentes. Aliás, se usamos átomos como referência, 1 nm equivale a algo entre 3 a 5 átomos alinhados.

Com essa medida em mente, podemos pensar, de modo geral, em nanorrobôs: são máquinas construídas em escala nano, ou seja, com porções muito reduzidas, atômicas, de matéria. E, mesmo assim, são capazes de realizar tarefas complexas, como transportar medicamentos para dentro de células cancerosas, por exemplo. Elas são compostas por um motor, que possibilita seus movimentos, e por um sensor, que permite uma resposta diante de determinadas situações.

E, ao contrário do que manda a nossa imaginação (não há como não imaginá-los como aquelas máquinas humanoides dos filmes), eles, de modo geral, são mais parecidos com um pedaço de tecido com capacidade de reação: quando “percebem” um alvo (uma célula cancerosa, por exemplo), podem mudar de forma, catalisar (ou seja, acionar uma reação) e “disparar” uma substância.

Viagem Fantástica

Fonte: Wikipedia.

Em 1966, o filme “Viagem Fantástica” (“Fantastic Voyage” – cartaz do filme ao lado), um grande sucesso do cinema de ficção científica, trouxe uma ideia instigante: na história, cientistas conseguem miniaturizar objetos e seres vivos em uma escala muito reduzida. Então, eles miniaturizam uma “nave”, com tripulação e tudo, e a injetam na corrente sanguínea de uma pessoa com um coágulo no cérebro; a missão dos “organismautas” – se podemos batizá-los assim – seria drenar este coágulo e salvar a vida do paciente. Legal, né? Legal e engenhoso!

Ainda não conseguimos criar uma tecnologia que reduza o tamanho de um objeto; porém, já temos nas lâminas dos microscópios muitos nanorrobôs especialmente criados para missões semelhantes à do filme. Vamos descobrir quando tudo começou.

Entram em cena os “nanobots”

Richard Feynman. Fonte: Wikipedia.

O ano era 1959. Em uma conferência nos Estados Unidos, o físico Richard Feynman, vencedor do Prêmio Nobel em 1965, usou pela primeira vez a expressão “nanobots” (em português, “nanorrobôs”) para se referir a futuras máquinas, em escala nanométrica, capazes de curar doenças cardíacas com intervenções ao mesmo tempo muito reduzidas e precisas. Alguns anos depois, outro cientista, Eric Drexler, aproveitou a ideia para escrever um livro em que falava da possibilidade de construção de máquinas em escala molecular, para uso em aplicações no campo da biologia celular.

Em 1999, o físico Robert Freitas Jr. lançou o primeiro estudo com foco na viabilidade e no desenvolvimento desses aparelhos. Ele propôs a criação de nanorrobôs médicos, a que batizou “respirócitos” – sua função seria semelhante à dos glóbulos vermelhos. A partir de então, os estudos e as invenções não pararam mais!

Desafios

Tendo em mente o tamanho das máquinas, podemos concluir que sua produção implique porções minúsculas de materiais e ferramentas igualmente nanoscópicas – o que pede investimentos altos e muito conhecimento. E é isso mesmo! Em nosso tempo, os nanorrobôs são produzidos a partir de materiais orgânicos, como proteínas e polinucleotídeos (moléculas formadas por nucleotídeos, que são os blocos básicos do DNA e RNA), e também a partir de materiais inorgânicos como metais (como a prata e o ouro) ou diamante.

Nanomotor helicoidal coberto por um filme de ferro. Fonte: Wikipedia.

A coisa, porém, é bem complexa. Como observamos alguns parágrafos acima, essas máquinas possuem sensores e propulsores, e podem até contar com depósitos para o transporte de outros materiais em escala nano. Muitas vezes, inclusive, seu desenho foge à ideia que temos do que seria uma máquina – com engrenagens e braços, por exemplo, comuns aos equipamentos mecânicos que fazem parte do nosso dia a dia.

Essa complexidade torna o desenvolvimento dos nanorrobôs muito desafiador. Como construir componentes tão pequenos? Como energizá-los? Como, enfim, comunicar-se com eles? E é necessário pensar, também, em como o ambiente em que vão atuar reage à sua presença – poderá ocorrer, por exemplo, algum tipo de contaminação? E, depois que a tarefa for cumprida, o organismo ou ambiente hospedeiro precisará “expulsar” os nanorrobôs? Os cientistas estão buscando respostas a essas e outras perguntas. Eles buscam soluções em um maior conhecimento da própria natureza (do funcionamento dos tecidos humanos, por exemplo), em técnicas ainda mais refinadas para a construção das máquinas, para a comunicação com os “nanos” e para o controle das substâncias que podem ser transportadas por eles.

Mesmo com tantos desafios, o campo da nanorrobótica está crescendo. Um exemplo recente – do segundo semestre de 2024 – vem do Instituto Karolinska, da Suécia. Lá, pesquisadores criaram nanorrobôs que matam células cancerosas e reduzem o crescimento de tumores. Ao “ler” o tecido celular onde estão mergulhados – a partir do contato com substâncias químicas e até de respostas eletromagnéticas associadas ao metabolismo –, eles são capazes de identificar as células doentes, que, então, são atacadas e destruídas, sem prejuízo às células saudáveis.

Outras aplicações

Se os usos e o potencial da nanorrobótica na Medicina são apaixonantes, imagine que os “nanos” também podem ser usados em muitas outras áreas. Quer alguns exemplos?

  • Na restauração e limpeza de obras de arte e peças arqueológicas, que pedem, sempre, intervenções muito cuidadosas;
  • Na montagem e reparação de componentes eletrônicos em escala microscópica;
  • Na despoluição de rios e no tratamento da água;
  • No monitoramento e na nutrição de zonas de cultivo.

Para todos esses casos, vale observar, não estamos falando de nanorrobôs isolados, mas de verdadeiros “exércitos” de nanomáquinas.

Representação artística, gerada por IA, de um robô restaurando uma obra de arte. No caso dos “nanos”, a escala é infinitamente menor!

E o Brasil?

Em nosso país, há várias iniciativas no campo da nanotecnologia, inclusive algumas que trabalham com nanorrobôs. Na medida, porém, em que esse é um campo que exige grande investimento, muita especialização e interdisciplinaridade, o Brasil não está na vanguarda – caso de países como Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Coreia e Suíça. Esse “clube”, aliás, é bem restrito!

Mas, onde estão os nossos “nanoexperts”?

Entre os centros acadêmicos de pesquisa e formação na área de nanotecnologia – que abrange a nanorrobótica -, podemos citar as seguintes instituições: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Universidade de São Paulo (USP); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Da ficção… para a sua vida!

O caminho dos nanorrobôs é longo e está só começando (e olhe, que já são muitas as conquistas!). E, com o aporte de novas tecnologias às pesquisas – como as de novos materiais e, certamente, a da IA –, é de se esperar que, nos próximos anos, tenhamos muitas notícias sobre essas “maquininhas” tão instigantes. Um dos campos mais promissores, sem dúvida, é o da saúde, no tratamento de tumores, na reconstrução de tecidos, no ataque a vírus e no tratamento de aneurismas, por exemplo. Em síntese: é Futuro Presente!

#DESAFIO:

Agora, pare e pense: se você fosse um cientista, que tipo de solução você criaria usando nanorrobôs?

Uma pequena história da tecnologia dos livros

Em argila, papiro, pergaminho, papel ou, mais recentemente, em formato digital, os livros estão entre as maiores conquistas – e, certamente, as maiores expressões – da humanidade. Eles guardam as leis civis e os princípios religiosos, as ideias, a ciência e muitas histórias. São tão importantes e estão tão presentes que, muitas vezes, a gente nem imagina quando começaram. Afinal, quem escreveu os primeiros livros? E quando os livros impressos ganharam a “cara” que têm hoje, de um conjunto de folhas impressas e reunidas em um volume encadernado? É o que vamos saber neste artigo especial – boa leitura!

Escrita, acesso e mobilidade

Quando falamos em livros, a imagem que naturalmente vem à mente é a dos livros que conhecemos hoje: produzidos em papel, com capa, páginas internas e o formato de caderno. Um modelo perfeito para armazenar, transportar e acessar informações, que se tornou cada vez mais popular graças à descoberta e ao domínio das tecnologias de produção do papel (séc. II, China) e da impressão em tipos móveis (séc. XI, China e séc. XVI, Europa). E experimentou um salto a partir do século XIX, com avanços na indústria gráfica que culminaram, em nossa época, em tecnologias como a da impressão digital e a produção em larga escala.

Os primeiros livros da humanidade, porém, não reuniam toda essa praticidade! Ou melhor, reuniam, mas à sua maneira! E davam conta totalmente do recado – tanto, que muitos sobreviveram por mais de cinco mil anos! Estamos falando das tábuas de escrita cuneiforme, produzidas em argila cozida pelos sumérios, civilização que existiu na Mesopotâmia, em áreas dos territórios do atual Iraque e Síria, por volta de 3.200 a.C.; nelas, a escrita era feita usando-se espátulas com ponta em forma de cunha – daí o nome “cuneiforme”.

Tábua de argila com registro de escrita cuneiforme.

As tabuinhas, aliás, prenunciam o uso que damos hoje ao papel: no caso daqueles documentos que precisavam ser guardados, como leis, tratados e textos sagrados, elas eram queimadas e, assim, adquiriam grande resistência, sendo então guardadas nas primeiras bibliotecas; no caso de escritas do dia a dia – contas, recibos, recados, exercícios –, elas eram registradas em argila e postas a secar no sol. Quando necessário, a escrita podia ser apagada com água, permitindo que a placa fosse reutilizada para novos registros.

Outros suportes geniais para a produção de livros, ainda que um pouco mais recentes – mas, mesmo assim, muito antigas – vêm da China e, é claro, do nosso conhecido Egito Antigo. Na China, há cerca de quatro mil anos, os primeiros textos eram literalmente riscados em ossos e cascos de tartaruga. Pelo século VI a. C., porém, os redatores já usavam tiras de bambu costuradas em formato de esteira, onde escreviam usando pincel e tinta. Curiosamente, o bambu seria a base para uma das maiores invenções da história: o papel – sobre o qual falaremos daqui a pouco.

Quanto ao Egito, é impossível separar esta incrível civilização de uma palavra: papiro. O papiro, uma planta aquática (Cyperus papyrus), tornou-se essencial porque, por séculos, foi o principal suporte para a escrita. Não apenas no próprio Egito, onde era utilizado desde o século XXV a.C., mas também em Roma, que conquistou a civilização dos faraós (no séc. I a.C.) e disseminou seu uso por todo o império.

Rolos de papiro. Invenção egípcia se tornou muito popular no Império Romano.

Outras civilizações importantes da Antiguidade, como a indiana, usavam suportes vegetais para a escrita. Muitos textos clássicos do hinduísmo, como o “Mahabharata”, eram registrados em folhas de palmeira tratadas. As folhas, aliás, apresentam uma vantagem e uma desvantagem em comparação às tábuas sumérias de argila: são mais leves e fáceis de armazenar, mas, ao mesmo tempo, mais frágeis, podendo ser facilmente destruídas, rasgadas ou queimadas.

Códice: livro “com cara” de livro

Como vimos, os livros estão entre nós há muito tempo e são quase tão antigos quanto a própria escrita, que, aliás, foi inventada pelos sumérios. A escrita, vale observar, foi criada diversas vezes, por civilizações distintas e em épocas diferentes: mesopotâmicos, chineses, fenícios, maias… criações originais, que demonstram a inteligência humana!

Mas, quando foi que esses documentos ganharam “cara de livro”? Ou melhor: quando foi que eles ficaram mais parecidos com os livros impressos que conhecemos hoje?

A resposta está em Roma. Foi lá que nasceu o “Codex” ou códice – do latim, “casca de árvore” –, um caderno produzido a partir de folhas costuradas, muito usado por comerciantes. No início, os códices eram considerados menos nobres que os rolos de papiro, porém, pela praticidade de armazenamento e até de uso, acabaram prevalecendo.

Códice grego do século X, com trecho do Evangelho.

Duas curiosidades aqui: 1) – os primeiros textos cristãos, escritos no século I, foram assentados em códices e não em rolos de papiro; 2) – outra civilização, totalmente separada de Roma, também inventou o códice: os maias, que, por volta do século XII, começaram a publicar livros em folha de figueira chamados por eles de “huun”. Infelizmente, a maioria desses documentos acabou destruída quando da chegada dos espanhóis à península mexicana.

Lâminas 8 e 9 do Códice Maia de Dresden.

E o pergaminho?

Antes de avançar para um momento muito especial da história do livro, é interessante falar sobre um outro material importante para sua confecção: o pergaminho, cujo nome deriva do nome da cidade grega de Pérgamo, onde teria surgido por volta do século II a.C (na verdade, seu uso é mais antigo, mas o nome “pegou”). O pergaminho nada mais é do que uma pele animal – normalmente, de cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha – especialmente tratada para receber a escrita. Documentos mais luxuosos, produzidos em pele de bezerros, eram chamados “velinos”.

Os pergaminhos competiam com os papiros e até os substituíam. Como na Idade Média europeia, quando os monastérios cristãos produziram e reproduziram milhares de textos usando pergaminhos – isto porque o couro estava muito mais à mão que os papiros do agora distante Egito. Se bem conservado, o pergaminho é um material durável, o que também justifica a preferência.

Documento oficial de 1329 redigido sobre um velino.

Papel e impressão

É curioso: nossos livros atuais são, ao mesmo tempo, muito diferentes e muito semelhantes aos livros de 500 anos atrás. São diferentes porque, hoje, as tecnologias de impressão e montagem são muito mais avançadas – elas, aliás, passaram por várias revoluções ao longo do tempo, com a indústria e os computadores –, e também porque em nossa época a variedade de papéis de impressão é muito grande. E são iguais por conta, justamente, do papel e da impressão!

Ambas as tecnologias vêm da China, com a observação de que, no caso da impressão de tipos móveis, ela também foi criada no Ocidente, em um processo semelhante ao que já observamos em relação à escrita – a mesma invenção, em tempos diferentes.

Da China para o mundo

No caso do papel, ele foi criado na China por volta do século II a.C., quando seus inventores começaram a usar fibras vegetais trituradas (de bambu, cânhamo, amoreira, restos de tecido e redes). Essas fibras eram mergulhadas em tanques e filtradas em telas bem finas, em que ficavam depositadas e formavam camadas; depois de secas, estas camadas se transformavam em folhas de papel que eram, então, recortadas. Por volta do século I d.C., usando fibras de bambu, um inventor chinês chamado C’ai Lun aprimorou a técnica de produção do papel. A partir de então, ele ganhou o mundo, chegando a outras regiões da Ásia, à África e à Europa, pela Rota da Seda. E, com a difusão da tecnologia pelo mundo, gradativamente tornou-se mais barato e popular. E, como funcionava muito melhor que o papiro e o pergaminho – pela regularidade, cor e oferta –, acabou prevalecendo. Em tempo: a produção do papel, atualmente, segue a mesma lógica da técnica inicial; a matéria-prima, porém, é a celulose (principal componente da parede celular das plantas), extraída de árvores de reflorestamento.

Impressão lá e cá

Chegamos, então, à impressão, que possui vários antecedentes, a começar pelo carimbo e o decalque, que já eram conhecidos e utilizados por várias civilizações em todo o mundo. No entanto, foi apenas por volta do século XI, na China, que se pensou em imprimir textos usando tipos – no caso chinês, com ideogramas – para compor as frases. São os chamados “tipos móveis”, ou seja, tipos que podem ser reaproveitados.

De forma simples, na impressão tradicional, podemos dizer que cada tipo é como um pequeno carimbo, que é alinhado com outros tipos dentro de uma estrutura para formar as frases. Depois de ser devidamente “enquadrada”, cada página recebe uma camada de tinta e, então, é aplicada sobre uma folha de papel com uma certa pressão. Nesse sistema, para que os ideogramas (ou letras) fossem impressos corretamente, era preciso produzir os tipos invertidos.

E foi exatamente essa a técnica desenvolvida na Europa, no século XV, por Johannes Gutenberg, um relojoeiro alemão que se dedicou à produção de livros e, neste processo, acabou “virando a chave” para a popularização dos livros – e, de quebra, ajudou a impulsionar grandes transformações como o Renascimento e a Reforma. Pense, por exemplo, na popularização das Bíblias (que passaram a ser traduzidas para vários idiomas), nos manuais técnicos, nas obras filosóficas e científicas. Bingo!

Ateliê europeu de impressão. Observe-se a composição da chapa tipos móveis, à direita, e a chamada “entintagem” dos tipos à esquerda.

Em termos gerais, ambas as técnicas, a chinesa e a de Gutenberg, partiam da mesma premissa. Contudo, o alfabeto latino, por seu número limitado de letras, facilitava a composição de textos (naquela época, a escrita chinesa possuía dezenas de milhares de ideogramas!). Além disso, a tecnologia de Gutemberg utilizava tipos metálicos, mais duráveis, enquanto a chinesa se baseava em tipos de madeira ou cerâmica, mais frágeis.

Livro coreano (escrito em chinês) impresso em tipos móveis. Século XIII.

Revolução e livros

No século XVIII, a Inglaterra liderou um movimento de profunda transformação da produção – a Revolução Industrial. Os artesãos, pessoas altamente especializadas, deram lugar a operários e máquinas, que produziam mais em menos tempo. Esse processo, que está muito relacionado com a própria Revolução Científica, promoveu grandes mudanças na sociedade, com reflexos sobre os livros e a leitura.

As técnicas de impressão melhoraram sensivelmente em qualidade e escala (como, por exemplo, com a impressora movida a vapor), ao mesmo tempo em que as pessoas, que passaram a se concentrar nas cidades, foram tendo mais acesso à educação e à alfabetização. E vieram os jornais populares, as novelas de detetives e os romances, os tratados filosóficos e de política, os panfletos, os livros técnicos, os livros didáticos… livros à mancheia, como diria Castro Alves em “O Livro e a América”!

No século XIX, os jornais populares impulsionaram o interesse pela leitura.

No final do século XX houve um novo salto no segmento editorial. Tecnologias de impressão consagradas, como a offset com fotolito, deram lugar à impressão digital. Os livros passaram a ser escritos e diagramados com uso de softwares e apoio de recursos avançados de fotografia digital e envio de dados. A escala também cresceu muito, e o preço das impressões caiu. Além disso, a logística envolvida na compra e envio dos livros também melhorou muito.

Apenas para se ter uma ideia, o Brasil imprime, em média, 300 milhões de livros por ano – muitos, destinados diretamente ao setor educacional (livros didáticos); nos Estados Unidos, este número chega perto de um bilhão de exemplares. Uma enormidade!

O futuro nas páginas

A apresentação de livros em formato digital, em suportes eletrônicos como os computadores pessoais e o Kindle, abriu uma nova frente para os leitores. E, antecipamos o futuro aqui, vai facilitar a vida das futuras gerações em suas andanças pelo universo com suas “bibliotecas de bolso”!

O mais importante é que os livros – estes velhos e queridos companheiros, tão humanos, tão nossos – vão continuar revolucionando o mundo. Com conhecimento, sentimento, sabedoria e informação.

Tecnologias como a do E-book ampliaram ainda mais o acesso aos livros. Mas, elas representam o futuro?

Para pensar a Água! Dados e reflexões sobre um bem essencial

Você já pensou na ideia de educar alguém para a água? A ideia pode soar até um pouco estranha – afinal, a água é a companheira de todas as formas de vida do nosso planeta desde sempre –, mas ela é cada vez mais necessária!

Com o aumento do consumo de água por setores como a indústria, a pecuária e a agricultura, a pressão sobre rios, lagos e reservatórios subterrâneos cresce significativamente.

Além disso, eventos extremos, como as recentes enchentes no Rio Grande do Sul, mostram que as mudanças climáticas já estão impactando diretamente o regime das águas. Períodos de chuva intensa e estiagens prolongadas têm se tornado cada vez mais comuns, em um fenômeno que pesquisadores chamam de “emergência climática”.

“Um copo d’água, Sr. Lavoisier”

Por volta de 1775, na França, o químico Antoine Lavoisier publicou uma frase que se tornaria célebre no campo da ciência. Essa observação, que ganhou o nome de “Lei da Conservação das Massas” (ou “Lei de Lavoisier”), afirmava que, “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Essa lei vale para os compostos químicos e para a água – porque, independentemente das transformações químicas ou físicas pelas quais ela passe, ao fim do processo sua massa total sempre será conservada.

O que significa dizer que, salvo pela chegada de “água do espaço sideral” em meteoros/meteoritos – algo que é muito raro e insignificante em termos de volume, ao menos na nossa época –, a quantidade da substância é a mesma há muitos milhões de anos. E ela apenas vai se transformando em um eterno ciclo de “sólido, líquido e gasoso”.

🌊 Transformações complicadas

Diante disso, não haveria por que se preocupar, certo? Errado! Porque, se nós não temos a capacidade de “fazer desaparecer” a massa total de água do planeta, reunimos todas as condições – e fazemos isso constantemente – de transformá-la. Não apenas dentro de seus estados físicos, mas também por meio da poluição e de alterações no relevo terrestre (com a construção de represas e o desmatamento, por exemplo).

Essas mudanças comprometem a qualidade da água para todas as formas de vida, e podem demandar esforços gigantescos – muitas vezes, inviáveis – de recuperação ou recomposição. Em síntese: dispomos de toda a água do mundo, mas não estamos sabendo como cuidar dela. E os resultados são preocupantes!

 

🌧️ Algumas informações interessantes

Você já ouviu falar em “superfície terrestre”, certo? Ela é aquela camada do nosso planeta, aquela “capa” – apesar de enorme, muito fina na comparação com o diâmetro do planeta – onde a vida acontece. Ela é formada pela litosfera (camada sólida), pela hidrosfera (oceanos, mares, lagos, rios e reservatórios subterrâneos) e pela atmosfera (a camada gasosa).

E é justamente nela que está toda a água; aliás, cerca de 71% da superfície terrestre é coberta por água. Nesse ambiente ela circula sem parar, seguindo o chamado “ciclo da água” – circulação em estado líquido, evaporação, congelamento, retorno em forma de chuva e assim por diante. E pode até acabar “estocada”, na forma líquida, em lençóis subterrâneos e reservatórios conhecidos como aquíferos, que são tremendamente importantes para a regulagem dos próprios rios; e em geleiras, situadas nas zonas mais altas do planeta e, também, próximo dos polos.

Detalhe crucial: como os seres vivos são formados e dependem totalmente da água, é possível afirmar, sem errar, que eles entram no mesmo ciclo: nós, por exemplo, bebemos água, consumimos alimentos, vamos ao banheiro, respiramos, transpiramos… ou seja, também estamos “trocando água” com o mundo o tempo todo!

A quantidade de água, como observamos, é grande – algo como 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos (se colocássemos toda ela em uma esfera, esta teria um pouco menos da metade do tamanho da Lua!). O que não significa dizer que estamos com a “caixa cheia”! Isso porque 97,3% dela é salgada; 77,2% está congelada (doce ou salgada, em montanhas, icebergs e banquisas); 22,4% está guardada sob a terra, em lençóis e aquíferos; e apenas 2,7% é doce. Só que nem toda a água doce é potável – ou seja, própria para o consumo humano.

Quanto ao uso da água pelas sociedades, em uma média ele está dividido da seguinte maneira: 70% na agricultura e pecuária, 20% na indústria (em processos de fabricação, resfriamento, produção de energia e limpeza) e 10% no uso doméstico (alimentação, limpeza, sistemas de esgoto etc.). Vale observar que esses percentuais variam entre os países – o Brasil, por exemplo, utiliza mais água no setor agropecuário do que outros países.

Vale observar que todos esses usos são humanos e se situam dentro de um universo muito mais complexo, que compreende os demais componentes da biosfera. O que significa dizer que, além de “nos atender”, a água também deve nutrir todos os demais seres vivos dentro de um sistema repleto de variáveis (como, por exemplo, as estações do ano).

🚱 “Ah, mas se faltar a gente dá um jeito…”

Depende! Se, por um lado, em tese é possível recuperar e potabilizar águas contaminadas, salobras, salgadas ou “escondidas” – e há uma corrida tecnológica em busca de meios mais interessantes para isso –, por outro lado estes processos todos são, sempre, muito caros.

Para ter acesso a uma fonte de água subterrânea, por exemplo, é preciso cavar um poço, que pode ser muito profundo; muitas vezes, a água dos poços precisa ser tratada, resfriada e até desmineralizada para, então, estar disponível para o consumo.

E há um outro fator muito importante: o tempo. Há um antigo ditado chinês que afirma que “uma pessoa não deve começar a cavar um poço quando já está com sede”; esta regra parece funcionar perfeitamente para a questão de que estamos tratando. Visto em termos muito gerais, o mundo ainda não está “com sede” – ela, porém, já afeta muitas pessoas e causa muitas mortes.

Dados da ONU (2023) mostram que cerca de 2 bilhões de pessoas (26% da população global) não têm acesso a água potável segura; destas, cerca de 1,7 bilhão utiliza fontes contaminadas por fezes ou produtos químicos; e cerca de 4 bilhões de pessoas (quase metade da população mundial) enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano.

A maior parte das pessoas afetadas vive nos países mais pobres, que não possuem meios de solucionar a questão. À medida, porém, que a emergência climática se acelera, esse número vai crescer e chegar, também, aos países mais fortes economicamente. Há, inclusive, quem afirme que já estamos em uma etapa de “guerras da água”, quando países lutarão pelo controle e pelo uso deste recurso. Nesse sentido, o futuro não é nada promissor…

🛡️ Então, como fazer?

Promissor, mesmo, é investir em caminhos sustentáveis para o uso e a conservação das águas disponíveis. Ao invés de explorar aquíferos, proteger as nascentes e os rios; ao invés de dessalinizar a água do mar, proteger as florestas e recompor o meio ambiente em regiões degradadas para “plantar água” (regulando os lençóis e protegendo os rios do assoreamento). Ao invés de consumir alimentos e produtos cuja produção implica um gasto extremo de água, olhar com cuidado para os próprios hábitos em busca de equilíbrio.

Pausa para um exemplo: a produção de 1 kg de carne bovina envolve, em média, o consumo de 15 mil litros de água (os dados são do Water Footprint Network e do Instituto Akatu); tomando como referência o valor recomendado pela ONU de consumo de água por pessoa/dia, que é de 110 litros, chegamos à conclusão de que o volume de água investido na produção de 1 kg de carne poderia suprir as necessidades diárias de uma pessoa por mais de 4 meses!

Não estamos falando, evidentemente, em eliminar o consumo de carne bovina, que é um hábito nutricional, cultural e de saúde de bilhões de pessoas em todo o mundo; o importante, aqui, é refletir sobre os hábitos e a responsabilidade em relação aos impactos do consumo.

🚰 Dia Mundial da Água

Essa, aliás, é uma ideia central do Dia Internacional da Água, proposto pela Organização das Nações Unidas em 1992. A data, que é comemorada no dia 22 de março, funciona como um mobilizador de pessoas, empresas e sociedade para conhecer os problemas da água, conscientizar sobre o uso consciente de um recurso que é precioso e escasso.

Na medida em que esse é um processo civilizatório – ou seja, ele implica uma mudança de hábitos e de olhar de longa duração, que envolve toda uma comunidade –, ele deve, necessariamente, envolver a educação e a escola, já na Educação Básica. E é aí que entra em cena a Educação Ambiental, prevista, no caso brasileiro, de forma transversal (pela BNCC). E que, evidentemente, pode ser trabalhada de muitas maneiras, integrando colocações mais teóricas – como a que diz respeito, por exemplo, à compreensão esquemática do ciclo da água – e metodologias ativas que trabalhem com observação de campo, ação e protagonismo dos estudantes.

É possível, por exemplo, envolver os estudantes no conhecimento dos rios da cidade/bairro onde eles moram, do papel das águas para o desenvolvimento da civilização naquele local e a forma como estes cursos estão sendo tratados na atualidade. Perguntas como “Onde está o rio que passava ali?” ou “Quais são e onde ficam os rios do seu bairro?” podem dar início a belos projetos de pesquisa com impacto na comunidade.

É possível envolver os estudantes na compreensão dos custos de tratamento do esgoto em uma visita às estações e estruturas associadas. É possível, enfim, fazer com que eles percebam a relação entre água e os hábitos de consumo de diferentes maneiras. E levá-los a conhecer os caminhos para a conservação e o uso racional e sustentável.

Essa lista de possibilidades, evidentemente, é muito maior, e pode levar em conta os muitos cenários onde as escolas e as comunidades estão inseridas. O essencial, em todos os casos, é o letramento das novas gerações para uma questão fundamental.

💦 Quero encontrar mais fontes:

Legal! Vamos listar alguns links importantes para o trabalho sobre a temática da água na escola:

Organização das Nações Unidas (ONU) – Água (UN Water): Portal que mostra o trabalho da ONU em relação à água e ao saneamento. Traz notícias, relatórios e infográficos. Disponivel em português.

UNESCO – Programa Hidrológico Internacional (PHI): A UNESCO promove pesquisas e educação sobre gestão sustentável da água. O Programa Hidrológico Internacional (PHI) é uma referência global em estudos sobre recursos hídricos. Em inglês e espanhol.

Water Footprint Network (Rede de Pegada Hídrica): Esta organização internacional calcula a “pegada hídrica” de produtos, países e indivíduos, mostrando o consumo de água em diferentes atividades. Em inglês.

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA): O portal da agência reguladora de recursos hídricos no Brasil traz notícias e materiais educacionais interessantes. Em português.

Portal Trata Brasil: O portal do Instituto Trata Brasil traz informações relevantes e materiais educativos sobre o saneamento básico no país. Em português.

Há, também, espaços físicos dedicados à educação para a água. Destacamos o Museu Planeta Água, mantido pela Companhia de Saneamento Básico do Paraná, a Sanepar, em Curitiba, e o Museu Água, mantido em São Paulo pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESABESP).

“De outros carnavais”: a origem da maior festa brasileira!

O Carnaval é a grande festa brasileira. Ela, porém, é bem mais antiga que o próprio Brasil!

Todos os anos, para a alegria de muita gente (e até para o desgosto de quem não gosta da festa), tem Carnaval: é tempo de bloco na rua, fantasia, samba enredo, confete, escola de samba, pandeiro, cuíca, maracatu, brincadeira, marchinha, trio elétrico, ala das baianas, abadá e muita dança. No caso do Brasil, é tempo de colocar na rua toda a alegria e toda a criatividade que fazem nosso povo conhecido em todo o mundo.

E é interessante: há poucas festas no mundo que, apesar de repetir um padrão, se renovam tanto. Todo ano tem Carnaval e, mesmo assim, cada Carnaval é único. Uma festa extraordinária!

A “jovialidade” do Carnaval faz até com que a gente se esqueça que a festa é muito antiga. Mas, você sabe quando começou o Carnaval?

“A Luta entre o Carnaval e a Quaresma”, pintura de 1559 do artista neerlandês Pieter Bruegel.

Uma festa católica e romana

Antes de chegar à origem histórica do Carnaval, é interessante a gente saber o motivo da festa. Por que, afinal, isso de “carnaval”, uma festa que aposta na alegria, na desinibição e até na inversão dos elementos conhecidos? O que a “carne”, que aparentemente aparece no nome da festa, tem a ver com o reco-reco e o pandeiro? Vamos descobrir!

O Carnaval é uma celebração originalmente católica, diretamente relacionada à Quaresma, o intervalo de 40 dias que antecede a Páscoa estabelecido pela Igreja. Nesse período, em respeito ao suplício e à ressurreição de Jesus – o elemento mais importante do mistério cristão –, os fiéis se abstinham de consumir carne.

Aliás, o termo “carnaval” vem daí: da expressão latina “carnis levale” ou “carnem levare”, que significa, literalmente, “tirar a carne”. E também trocar outros hábitos “mundanos” por reflexões, orações e presença mais assídua à missa.

Então, antes que chegasse esse período de apaziguamento, as pessoas faziam uma despedida “em grande estilo” dos velhos hábitos. Com dança, comida, bebida e brincadeiras.

A civilização e os festivais romanos, como a Saturnália, são uma grande inspiração do Carnaval.

Mas, quando começou?

Localizado o contexto, podemos buscar o início da festa. Os primeiros movimentos no sentido de se guardar um período antes da Páscoa datam do século 2 d.C. e vêm de Roma. Ou seja: se a Quaresma nasceu nesse contexto, é bem possível que o Carnaval tenha surgido na mesma época. E a coisa foi se organizando – tanto para a Quaresma quanto para o Carnaval. Na Idade Média, ambos os momentos já estavam mais do que consolidados. E chegaram ao Brasil no século XVI com o catolicismo português.

Vale observar que, se o Carnaval como data associada à religião nasce nos primeiros séculos da Era Cristã, seus componentes – festa, dança, música, comilança e brincadeiras – são ainda mais antigos.

Os bonecos gigantes de Olinda são uma atração à parte no Carnaval do Nordeste!

Em Roma, como os romanos

Algumas linhas acima, localizamos a origem da festa entre os cristãos primitivos de Roma, capital de um Império muito poderoso cujo calendário religioso estava repleto de celebrações. Havia muitas religiões e divindades “disponíveis” – além de seus próprios deuses, os romanos podiam venerar livremente e participar de rituais e festas. E eles, por sua vez, podiam ser generosos em termos do que chamaríamos de “excessos”, em especial quando associadas a deuses como Baco (Dionísio, para os gregos), relacionado ao vinho, à festa, ao teatro e ao êxtase.

Ao chegar em Roma e fazer seguidores entre os moradores da cidade, o Cristianismo incorporou hábitos e condutas locais, que se somaram para formar a grande festa do início do ano.

Brasil: um Carnaval ainda mais rico

No Brasil, ao longo de mais de 500 anos, a festa ganhou uma quantidade enorme de elementos culturais, significados e formatos em diferentes regiões do país. Começando por um distanciamento em relação à religião. Hoje em dia, muita gente já não vê e nem sabe que existe uma ligação entre o Carnaval e a Quaresma. Tanto, que estamos falando a respeito neste artigo!

O contato dos portugueses com os povos originários indígenas e com os povos oriundos de diferentes partes da África no período da escravidão somou ao Carnaval brasileiro características únicas. Se a celebração cristã europeia incorporava elementos pré-cristãos, a celebração brasileira somou os elementos europeus aos de outras culturas antigas e ricas – e isto aparece nos temas, roupas, instrumentos e estilos musicais. O Carnaval brasileiro tem muitas referências, do Amazonas a Veneza, do Egito ao Japão!

“Marimba. Passeio de domingo à tarde”. Aquarela de Jean-Baptiste Debret, de 1826. Observe os instrumentos musicais e as roupas dos participantes, que são negros brasileiros.

Um mundo de instrumentos

Pense apenas, por exemplo, nos instrumentos de percussão que constroem a sonoridade carnavalesca das nossas avenidas e ladeiras. Lá estão, entre outros instrumentos, o surdo (um grande bumbo de marcação, universal), o pandeiro (português), a cuíca (bantu/africano), a caixa (europeia), o agogô (iorubá/africano) e daí por diante. Aliás, convidamos você a descobrir a origem de outros instrumentos – segue a lista: tamborim, repinique, agogô, reco-reco, chocalho, ganzá, repique de mão, alfaia, timbal, xequerê e triângulo. Você vai se surpreender!

Você conhece o agogô? É um instrumento de Carnaval que nasceu com o povo Yourubá, na Nigéria, e veio ao Brasil com os povos escravizados.

O Carnaval no Brasil moderno

Seguindo daqui: a festa foi se organizando, se conformando, até chegar aos séculos 19 e 20. Em um Brasil independente e cada vez mais urbano, com acesso a novas tecnologias comunicacionais – o rádio, o disco, a tevê –, o carnaval cresceu e os sambistas começaram a ter mais reconhecimento.

Muitos deles, mulheres e homens negros oriundos de comunidades carentes economicamente. Outros, vindos de uma classe média urbana. Uma lista que inclui nomes como Cartola, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Clara Nunes, Alcione, Paulinho da Viola, Candeia, Batatinha, Beth Carvalho, Adoniram Barbosa, Martinho da Vila, Nelson Sargento, Clementina de Jesus, Jamelão, Elza Soares, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e muitos outros!

A valorização do samba e dos demais ritmos carnavalescos (como o coco, o frevo, o maracatu e o carimbó) não foi, evidentemente, um processo simples ou pacífico – ela foi possível, na verdade, graças ao enorme valor cultural envolvido. Por muito tempo, especialmente as manifestações associadas às raízes não europeias foram vistas com suspeição e preconceito. Aos poucos, porém, esse preconceito vem sendo superado.

O artista francês Jean Baptiste Debret registrou muitas festas e folguedos no Brasil. Como esses “Meninos brincando de Soldados”, de 1827.

Um Brasil de muitos carnavais

Se você fechasse os olhos e pensasse no Carnaval brasileiro, que imagem viria à sua cabeça? A das escolas de samba do Rio e de São Paulo? Das ruas de Salvador? Do frevo das ladeiras de Olinda e Recife? Dos maracatus de Pernambuco? Dos blocos do Rio e de muitas capitais brasileiras? Do boi-bumbá do Norte e Nordeste? Dos desfiles de fantasia? Qualquer uma delas é perfeita! Isso porque o Carnaval brasileiro é multifacetado – são muitos carnavais, com atrações para todos os gostos, até mesmo para pessoas de outros países!

No século 21, em nosso tempo, o Carnaval brasileiro é uma festa de alcance internacional. Com a chegada de tecnologias digitais ainda mais poderosas – e um investimento pesado de empresas e do poder público –, propaga suas músicas, artistas e modas com uma velocidade impressionante.

Ao mesmo tempo, porém, em especial na área rural e em comunidades mais afastadas e/ou mais tradicionais, cultiva antigas danças, ritmos e fantasias. Em síntese: é um Carnaval poderoso, que pode ser visto, lido e curtido em diferentes formatos.

Assim, esquente o seu pandeiro (ou não!) e bom Carnaval!

O bloco e o trio elétrico – criações do Carnaval brasileiro!

Para ir mais longe – sites que trazem conteúdos históricos e educativos sobre o Carnaval

Enciclopédia Itaú Cultural

Museu Afro Brasil

O Frevo e sua História – Google Arts & Culture

Museu do Samba (RJ)

Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Para redescobrir a Matemática na Educação: desafios e caminhos

Inteligência artificial, viagens espaciais, Física, Química, Engenharias, Biotecnologia… todas estas áreas estão “bombando” em 2025 e seguirão assim. E todas elas compartilham um elemento: o uso extensivo da Matemática, em cálculos, algoritmos, medidas, projeções e mais. O que significa que o domínio desse componente curricular é, mais do que nunca, estratégico. Para os países, ele representa desenvolvimento e poder; para as pessoas, possibilidades de crescimento profissional e pessoal.

✔️ DESAFIO EM TEMPO DE DECLÍNIO DA APRENDIZAGEM

E aqui está o paradoxo: embora a Matemática tenha sido essencial ao longo de toda a História, seu domínio se torna cada vez mais crucial no mundo moderno. No entanto, observa-se um declínio global na aprendizagem do conteúdo curricular, inclusive em países que por muito tempo se destacaram como líderes globais em educação, como a Finlândia. Isso indica que os estudantes de hoje dominam menos conceitos matemáticos do que as gerações anteriores.

Avaliações internacionais como o PISA (Programme for International Student Assessment), promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), e o TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study), da IEA (International Association for the Evaluation of Educational Achievement), mostraram que, salvo no caso de alguns países da Ásia, houve uma queda significativa no nível de acerto dos estudantes, o que indica uma aprendizagem deficiente.

✔️ E O BRASIL NESSA HISTÓRIA?

No caso específico dos estudantes brasileiros que participaram da última edição do PISA, em 2022 (a próxima edição acontece neste ano), apenas 27% (pouco mais de um a cada quatro) alcançaram o nível 2 de proficiência, considerado adequado – nele, a pessoa tem capacidade de usar conceitos de Matemática no dia a dia. A média dos países da OCDE, nesse nível, chegou a 69%.

No caso dos níveis 5 e 6 de proficiência – considerados os mais altos de domínio do conhecimento –, apenas 1% dos estudantes brasileiros chegou lá; a média dos países da OCDE foi de 9%.

✔️O QUE ESTARIA PROVOCANDO ESSA RETRAÇÃO NA APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA?

Não há uma resposta fechada. Há, sim, a percepção de elementos que podem ajudar professores e gestores em relação aos objetivos que pretendem alcançar e, também, às habilidades e competências que devem ser desenvolvidas, nos estudantes e nos docentes, para a melhoria da aprendizagem da Matemática na prática.

✔️ VAMOS DESTACAR ALGUNS DELES

📌 A pandemia da Covid-19 provocou um impacto duradouro na Educação Básica, enfraquecendo a aprendizagem de muitos estudantes, prejudicando o ensino presencial e reforçando as desigualdades educacionais em todos os países. Esse impacto pode e deve ser percebido por meio de avaliações diagnósticas da aprendizagem e revertido a partir da aplicação de planos de intervenção que foquem as lacunas de aprendizagem e atuem individualmente, estudante a estudante.

📌 Em muitos países – entre eles, o Brasil – há falhas na formação dos docentes de Matemática. O “remédio” essencial para essa situação é investir de forma permanente em formação continuada, com recursos que valorizem o entendimento do componente curricular dentro da realidade vivida, invistam no interesse e na criatividade dos professores e lhes forneçam meios para planejar e desenvolver aulas que animem, aproximem, engajem e atraiam os estudantes – e que tenham como resultado a aprendizagem verdadeira.

📌 No caso brasileiro, o fortalecimento da formação docente passa, também, por buscar caminhos para estimular os estudantes das licenciaturas em Matemática. Apenas para se ter uma ideia, a licenciatura em Matemática é a segunda com maior percentual de desistências no país – 68% dos estudantes abandonam a graduação –, ficando atrás, apenas, da graduação/licenciatura em Física (72%). Isso implica uma carência crítica de professores graduados em Matemática nas redes de ensino. Ainda que esses docentes não sejam os únicos autorizados a dar aulas de Matemática na Educação Básica, eles podem colaborar muito, também em relação ao aporte de recursos de ensino nos próprios contextos formativos.

📌 O ensino da Matemática deve ser modernizado, com metodologias e recursos que caminhem no sentido do protagonismo do estudante e da aplicabilidade. Alguns exemplos interessantes: metodologias ativas, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem por projetos e gamificação. Isso não significa enfraquecer os currículos (muito pelo contrário!), mas fortalecer o ensino – começando pela Matemática básica, que é essencial – a partir de exemplos práticos e aplicações.

📌 As recentes limitações ao uso de tecnologias digitais em sala de aula no Brasil, estabelecidas pela Lei 15.100/2025, trouxeram desafios aos professores e aos gestores; desafios que também se relacionam ao ensino e aprendizagem da Matemática. Afinal, elas gerariam uma oportunidade para a promoção de outros recursos que estimulem o raciocínio matemático básico?

Aqui, é interessante fazer uma análise mais crítica do momento e da lei. Ela não veio para “banir” a tecnologia – algo que seria improdutivo e impossível –, mas para regular seu uso a partir de critérios de intencionalidade pedagógica e papel na aprendizagem. Isso, aliás, está na letra da lei:

“Art. 2º – Fica proibido o uso, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante a aula, o recreio ou intervalos entre as aulas, para todas as etapas da educação básica.

§ 1º – Em sala de aula, o uso de aparelhos eletrônicos é permitido para fins estritamente pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos profissionais de educação”.

Ou seja: o poder pedagógico das tecnologias digitais está mantido e é até realçado, inclusive em relação à Matemática. Falando sobre esse componente curricular, autores como Ferreira, Campos e Wodewotzki (2013, p. 162) observam que a tecnologia deve ser vista “como parte de uma estratégia colaboradora na medida em que, graças à implementação de algoritmos, viabiliza o trabalho com problemas diversos que envolvem diferentes níveis de complexidade algébrica e grande quantidade de dados”.

Eles também destacam o papel da tecnologia na facilitação do contato com os elementos que compõem a Matemática, uma vez que ela permite a visualização de imagens e pode converter conceitos e ideias abstratas em tarefas, desafios e jogos que engajam e geram sentido. O lúdico, aqui, cumpre um papel muito importante. Além de ser um objeto sociocultural em que a Matemática está presente, o jogo é uma atividade natural no desenvolvimento dos processos psicológicos básicos; supõe um “fazer sem obrigação externa e imposta”, embora demande exigências, normas e controle (Brasil, 1998, p. 47).

O que significa que propostas tecnológicas – e também analógicas, com o resgate de formas tradicionais (desde que não “engessadas” ou desprovidas de sentido para quem aprende) – são primordiais para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático.

Portanto, não é o “limitar” do uso da tecnologia que contribui para esse desenvolvimento, mas a intencionalidade em cada proposta diversificada, que é desenhada a partir de uma avaliação diagnóstica clara e precisa e de um planejamento que (re)dimensione as práticas pedagógicas.

📌 O olhar dos professores e dos gestores para eventos que promovem o interesse e o engajamento em relação à Matemática – como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e a Olímpiada Brasileira de Matemática (OBM) – também é algo muito interessante. Eventos como esses possuem a capacidade de, ao mesmo tempo, valorizar a área do conhecimento, promover os estudantes individualmente, fortalecer os laços do grupo e elevar o nome da instituição ou rede de ensino.

📌 E os sistemas de ensino? O papel dos sistemas de ensino – como o da Editora Opet – é fundamental para fortalecer o aprendizado da Matemática. Começando pela oferta de materiais didáticos – as coleções e suas expansões em objetos digitais educacionais (ODEs) –, passando pela metodologia de ensino moderna, pelo apoio à formação continuada dos professores (com recursos que os estimulam e inspiram) e pela avaliação diagnóstica precisa e de alta qualidade na Educação Básica.

No caso das coleções da Editora Opet, elas oferecem – por exemplo – jogos matemáticos que trazem o lúdico à aprendizagem, situando os estudantes no centro deste processo, como protagonistas.

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REFERÊNCIAS:

BRASIL. MEC. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares NacionaisMatemática. Brasília: MEC/SEF, 1998.

CAMPOS, C. R.; JACOBINI, O. R.; WODEWOTZKI, M. L. L.; FERREIRA, D. H. L. Educação estatística no contexto da Educação crítica. Revista Bolema, v. 24, nº 39, p. 473- 494, ago. 2011.

Educação Pública: desafios e estratégias no novo ciclo de gestão

Para todos os 5.570 municípios brasileiros, 2025 marca o início de um novo ciclo de governança. Um tempo marcado pela renovação ou, então, pela continuidade administrativa, com reflexos sobre todas as áreas, especialmente a da Educação. Neste momento de arrancada, porém, o caso das escolas é especial: como o calendário letivo começa em menos de um mês – de modo geral, nas primeiras semanas de fevereiro – prefeitos, secretários e equipes de gestão devem estar prontos para garantir uma transição segura, de olho na evolução dos estudantes pelos próximos quatro anos e além.

Planejamento, formações pedagógicas, recursos didático-pedagógicos, mobilização da comunidade escolar e conexão com os grandes temas da atualidade são alguns dos componentes dessa missão.

Os sistemas de ensino são grandes aliados das escolas públicas

Neste momento, aliás, ter um sistema de ensino como apoiador do trabalho pode representar um diferencial estratégico. Saiba por quê!

Quem responde é a gerente pedagógica da Editora Opet, Cliciane Augusto, que acompanha o trabalho pedagógico desenvolvido pelo selo educacional Sefe em parcerias com redes municipais de todas as regiões país.

“Neste momento, os gestores municipais – prefeitos e seus secretários de Educação – têm um enorme desafio, de transformar a educação em prioridade real. E isso é algo que concretiza e vai além das propostas apresentadas em campanha. É ação prática, que precisa de organização, apoio e parcerias”, observa.

A principal preocupação dos gestores deve ser a garantia de uma transição segura, acompanhada de uma série de ações: o planejamento do ano letivo, a organização de metas e o domínio das estratégias para garantir educação de fato, que garanta o acesso e a aprendizagem dos estudantes.

“Isso tudo começa com um diagnóstico inicial da rede, que permite aos prefeitos – em especial, aos que assumiram agora – entender a infraestrutura, identificar os resultados da aprendizagem e os desafios mais críticos”, avalia Cliciane. Um conjunto de ações que está diretamente conectado à formação continuada dos professores – “lembrando que são eles que fazem com que as propostas e os projetos pedagógicos aconteçam, na formação dos estudantes”.

O apoio dos sistemas de ensino

Diante dessa soma entre demandas fundamentais e urgência para atendê-las, os sistemas de ensino cumprem um papel estratégico. “Sistemas de ensino bem estruturados, como é o caso do oferecido pela Editora Opet, representam um diferencial prático e podem ser colocados em prática imediatamente.” Mas, com quê?

  • Com um planejamento pedagógico estruturado padrão, alinhado à Base Nacional Comum Curricular, a BNCC, e à legislação educacional para organizar o ano letivo dos municípios.
  • Com materiais didáticos – coleções estruturadas para todas as etapas da Educação Básica – e recursos educacionais digitais (REDs) associados.
  • Com formações pedagógicas continuadas que oferecem soluções práticas aos professores: contato, conhecimento e ampliação do uso dos recursos didático-pedagógicos, orientações, discussões sobre os grandes temas da atualidade, práticas efetivas de alfabetização, letramento e avaliação formativa.
  • Com avaliações diagnósticas da aprendizagem, que permitem o desenvolvimento de planos de intervenção e a recomposição da aprendizagem. No caso da Editora Opet, elas são oferecidas por meio do Programa inDICA de Gestão da Educação.

A grande missão dos gestores

Para Cliciane, neste início de mandato, os gestores municipais que assumem a sua carga em 2025 enfrentam desafios estratégicos e inadiáveis ​​para garantir uma educação pública de qualidade e equitativa. Entre as prioridades, é preciso garantir o acesso e a permanência de todas as crianças e jovens na escola, especialmente na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, etapas cruciais para o desenvolvimento das futuras gerações.

Também é essencial promover a alfabetização na idade certa e desenvolver as competências da BNCC, reforçando o aprendizado como foco central das políticas educacionais. Trata-se de uma alfabetização que potencializa o verdadeiro letramento para a vida, possibilitando o desenvolvimento de cidadãos críticos, participativos e capazes de tomar decisões conscientes.

Nós, da Editora Opet, estamos prontos para participar dessa grande missão! Conheça nosso trabalho e conte conosco!

Halloween: uma oportunidade intercultural!

A cada ano, as celebrações de Halloween são mais comuns no Brasil. Com fantasias, histórias, brincadeiras, doces, travessuras… e possibilidades de conhecimento!

O Halloween é uma festa intercultural – ou seja, ela nasce da articulação de conhecimentos de diferentes culturas. No passado e nos dias de hoje!

Com o passar do tempo, especialmente nas últimas décadas, muitos países passaram a celebrá-la, o que faz com que, em cada lugar, o Halloween seja um pouco diferente. Do México ao Japão, da China ao Brasil, com muitas coisas em comum – e com coisas muito diferentes, próprias, também! Essa, aliás, é a grande “sacada” da festa, que pode ser trabalhada no contexto educacional.

🎃 Os componentes do Halloween

No Brasil, como aconteceu com outros países, nós conhecemos o Halloween a partir da cultura dos Estados Unidos. Pelo cinema, séries, quadrinhos, animações e redes sociais.

Os principais componentes da festa, porém, são bem mais antigos. Eles chegaram à América do Norte com os imigrantes irlandeses, que no século 19 trouxeram elementos da tradição celta (o Samhain, festival que marcava o fim do verão) e do cristianismo medieval (a vigília que antecedia o Dia de Todos os Santos).

A eles foram se somando outros conhecimentos, como a das lanternas de abóbora e as piñatas (indígenas), e, também, as histórias de fantasmas da tradição alemã.

👻 Possibilidades em Educação

O Halloween é aberto a muitas possibilidades na educação, em temas que vão da Arte à Língua Inglesa, da História ao Folclore. É possível trabalhar, por exemplo, com investigações, rodas de leitura, contação de histórias, debates, desfiles, peças, construção de fantasias, podcasts, etc.

A intenção é conhecer as origens de uma rica tradição, analisando seus componentes e verificando o caráter intercultural da festa. Vale observar que o Halloween permite a incorporação de elementos do nosso próprio folclore, que tornam a festa ainda mais colorida e cheia de significado. Por falar nisso, no Brasil, o 31 de outubro também marca o Dia do Saci, que pode ser comemorado junto (com direito a Cuca, Curupira, Iara e muito mais!).

O Halloween também permite exercitar a sociabilidade dos estudantes, assim como sua capacidade de planejamento e organização para a realização de um evento.

🪅 No mais, é festejar! E que o seu Halloween seja muito animado!

Prêmio Ação Destaque: a etapa dos pareceristas

Recentemente, a Editora Opet divulgou a lista dos 279 trabalhos aprovados para leitura pelos pareceristas do 14º Prêmio Ação Destaque. Esses profissionais são os responsáveis pela atribuição das pontuações a cada um dos projetos. As pontuações definem os finalistas que virão a Curitiba para a etapa final do prêmio.

Mas, quem são os pareceristas e como eles julgam os trabalhos? E, não menos importante: quando a lista dos finalistas será divulgada?

🕵️‍♀️ Uma etapa envolvente

A gerente pedagógica da Editora, Cliciane Élen Augusto, é organizadora do Ação Destaque há vários anos. Ela conta que a leitura avaliativa dos trabalhos é uma das etapas mais envolventes do prêmio.

“É uma fase que começa assim que a lista dos trabalhos aprovados para leitura é divulgada. Nós chamamos especialistas em educação parceiros da Editora e que tenham conhecimentos específicos da categoria que vão avaliar. São profissionais que conseguem fazer uma análise consistente da relação entre teoria e prática pedagógica”, observa.

📝 Leitores e pontuações

Cada trabalho é lido por nada menos do que três pareceristas – o que, para um universo de 279 trabalhos, significa um total de 837 leituras. Nelas, os pareceristas atribuem uma pontuação ao projeto.

Essa pontuação é construída a partir de referenciais rigorosos. “Os critérios de avaliação são bem claros. Na verdade, estão descritos no regulamento do Ação Destaque”, explica Cliciane. “Ou seja, o participante que leu o regulamento e construiu seu projeto observando esses critérios alcançará, com certeza, uma pontuação mais próxima da pontuação máxima”.

A construção da nota também se apoia em rubricas, que são detalhamentos dos critérios. Essas rubricas permitem aos pareceristas refinarem as notas. E é justamente por isso que as pontuações dos projetos não são notas cheias.

“A nota de cada projeto é construída a partir das respostas a estas três perguntas: ele conversa com o critério? Ele é significativo? Ele, enfim, se destaca dentro da educação?”, sintetiza Cliciane.

E quando sai a lista dos finalistas?

Chegamos, então, à pergunta crítica: quando o resultado final, com a divulgação dos trabalhos finalistas, será publicado? “Os pareceristas têm até o final deste mês para fazer as leituras. Eles, aliás, estão trabalhando a todo vapor nisso neste exato momento”, informa Cliciane. 

Essa etapa inclui, além da leitura e da construção da pontuação, um momento de comparação de todas as notas dos projetos. Ele permite identificar trabalhos que somaram a mesma pontuação em uma mesma categoria e, a partir de critérios técnicos ainda mais refinados, definir um desempate.

🤴 A “cara” dos projetos deste ano

Ao examinar os projetos de 2024 em uma primeira leitura, Cliciane identificou um perfil ao mesmo tempo consciente e propositivo. Ou seja: os professores e gestores aprovados na etapa de ingresso souberam indicar exatamente o que pretendiam com seus projetos.

“Isso é muito bom porque denota a intencionalidade que norteia esses trabalhos. Porém, ainda identificamos algumas fragilidades em relação aos critérios e à percepção do papel da relação família-escola, que é um dos fundamentos do Prêmio Ação Destaque e do trabalho da Editora. Alguns projetos não trazem ou trazem esse elemento de forma insuficiente, enquanto outros trabalham bem com a questão”, pondera.

Cliciane ainda observa que, em razão das regras do Prêmio que passaram a vale neste ano – e que incluem a impossibilidade de participação de finalistas da edição de 2023 –, observou-se um processo de renovação. “Está nascendo uma nova geração de participantes do Ação Destaque, que traz uma perspectiva de construção e de reconstrução. E a gente cresce junto, nas dúvidas e nos acertos. A todos os participantes aprovados para leitura, só posso desejar boa sorte – seus trabalhos estão sendo avaliados com todo cuidado por um time de primeira qualidade. Assim, boa sorte!”.

Fique ligado! Em breve, traremos mais novidades sobre o 14º Prêmio Ação Destaque!