As primeiras formações de setembro!

Muitas horas de planejamento, milhares de quilômetros percorridos e milhares de pessoas contatadas, entre professores, gestores e familiares dos estudantes. A jornada formativa da Editora Opet não para! Nos primeiros dias de setembro, estivemos em redes de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina para formações pedagógicas, reuniões técnicas e visitas técnicas de acompanhamento pedagógico, além dos EFAM – os encontros com familiares. Confira!

🗨️ MG: Encontro com gestores em Varginha

Varginha, um dos municípios mais conhecidos do sul de Minas Gerais, é, também, um dos parceiros estratégicos da Editora Opet no Estado. Lá, nos dias 31 de agosto, 01º e 02 de outubro, aconteceu uma reunião técnica com o time da Secretaria Municipal de Educação e, também, uma formação que envolveu as equipes gestoras das unidades escolares da rede municipal.

Conduzido pela gerente pedagógica Rubia Cristina dos Santos, o evento com os gestores foi o segundo de um ciclo que prevê quatro encontros ao longo de 2026. O foco, como destaca a prefeitura de Varginha, está no aprimoramento das práticas de liderança e no fortalecimento da gestão escolar, contemplando especialmente os diretores que assumiram a gestão neste ano, além de supervisores pedagógicos e orientadores educacionais.

A gerente pedagógica Rubia Cristina conversou com os gestores sobre a conduta do líder na Educação Básica. Crédito/foto: Prefeitura de Varginha.

Durante os trabalhos, os diretores escolares abordam o tema “Identidade, atribuições e conduta do líder na educação básica”. Simultaneamente, supervisores pedagógicos e orientadores educacionais aprofundaram os estudos sobre “Gestão democrática, documentação pedagógica e organização do trabalho”, fortalecendo a rotina pedagógica nas instituições.

O prefeito de Varginha, Leonardo Ciacci, prestigiou a formação e destacou a importância do investimento permanente do município no desenvolvimento dos gestores para assegurar a qualidade da educação municipal. A secretária Municipal de Educação, Juliana de Paula Mendonça, reforçou o compromisso da gestão com o suporte técnico e pedagógico às equipes, garantindo que o aprendizado e o bem-estar dos estudantes permaneçam no centro das ações educacionais. (*)

✍️ PR: uma formação especial em Jaboti

Localizado no Norte Pioneiro paranaense, o município de Jaboti é um importante parceiro da Editora Opet. E, nos dias 01º e 02 de setembro, realizou a formação para os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. O trabalho, coordenado pelo supervisor regional Fernando Corrêa, foi desenvolvido em oito oficinas (quatro para cada segmento). Entre os temas, “As plantas também têm nome”, “Infâncias Digitais: pensar, criar e explorar na Educação Infantil”, “A heterogeneidade em sala de aula e Produção de textos: um olhar social e computacional”.

Formação foi realizada em formato de oficina. Crédito/foto: Editora Opet.

“Somos parceiros da Opet há três anos e, neste ano, iniciamos o trabalho com a Educação Infantil 3, 4 e 5”, conta a secretária municipal de Educação de Jaboti, Juliane Aparecida de Melo Silva. “E a formação pedagógica foi excelente. Ela trouxe experiência para os nossos professores no sentido de explorar o que a criança pode construir de de vivência alinhada ao ensino-aprendizagem. Como o professor vai conduzir, principalmente o material didático-pedagógico, para desenvolver a capacidade de aprendizagem do nosso aluno.”

A secretária também destacou o trabalho realizado com os professores dos Anos Iniciais, em que houve enfoque em temas críticos como leitura, escrita, equidade e pensamento computacional. “Foi uma das melhores capacitações que nós tivemos, tanto na Educação Infantil quanto no Ensino Fundamental”.

Professores de Jaboti: as formações da Editora envolvem, sempre, o diálogo e a contrução conjunta do conhecimento. Crédito/foto: Editora Opet.

Conduzido pela assessora pedagógica Daniele Pires, o encontro com os familiares dos estudantes (EFAM) teve como tema “Família e Mundo Digital: a importância das relações saudáveis”. “As mães e pais acharam o tema muito pertinente. Ele trouxe uma reflexão importante sobre temas como o tempo de uso de tela pela criança, os conteúdos acessados e o monitoramento pela família, assim como os impactos do uso excessivo na educação e no próprio desenvolvimento. Foi muito interessante”, observa a secretária Juliane.

🇺🇸 SC: Em Meleiro, atenção total à Língua Inglesa

Em Santa Catarina, estivemos em Meleiro, município parceiro na região sul do Estado. Lá, o trabalho formativo envolveu os professores que utilizam a Coleção Joy, de Língua Inglesa (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental), e foi conduzido pela autora do material, a professora Vera Rauta, com a supervisão regional de Glaylson Rodrigues. Além da formação, ela fez visitas técnicas para o assessoramento direto do trabalho com o Inglês nas escolas.

(*) – Com informações da SEDUC Varginha.

“Navegar é preciso”: o Dia do Mar e o conhecimento!

Um oceano azul profundo, vastíssimo. Ou então, de águas verdes semitransparentes, brilhando contra o céu limpo. Ou, ainda, de águas embarradas de um estuário repleto de vida. Águas quentes, águas frias, agitadas ou serenas. Todas essas frases falam do mar, essa grande fronteira que, ao mesmo tempo, divide e une a humanidade. Nesta edição de #EDUCAÇÃOHUMANIZA, vamos celebrar o Dia Mundial do Mar (26 de setembro) de uma forma diferente – mostrando a sua importância para a humanidade a partir de dados curiosos que mostram como as águas e a cultura se misturam. Como diria Fernando Pessoa: navegar é preciso. Então, navegue com a gente!

Os primeiros navegantes

Você já ouviu falar em navegação de cabotagem? Historicamente, em relação ao mar, é a navegação marítima em trechos de costa ou, então, da zona continental para alguma ilha próxima – uma forma de circulação em que o navegante se afasta pouco da terra. Hoje em dia, o termo também identifica viagens que ocorrem dentro de águas jurisdicionais (ou seja, pertencente a um país) contínuas, ainda que de longa distância – como a que liga a Espanha continental às Ilhas Canárias (que são parte da Espanha).

As navegações de cabotagem são bem antigas: os registros mais remotos anotados pelos arqueólogos datam de cerca de 2.000 a.C. na região do Mar Mediterrâneo. Os navegantes? Egípcios e, por volta de 1.500 a.C., fenícios (que habitavam a região do atual Líbano), circulando entre portos e colônias em barcos de madeira.

As navegações oceânicas – muito mais complexas, arriscadas e longas – começaram com os polinésios por volta de 1.000 a.C. Além de excepcionais navegantes, eles eram engenheiros geniais, cortando os oceanos com canoas de casco duplo (que hoje chamamos catamarãs) e canoas simples com estabilizados laterais, as chamadas “batangas”.

Com barcos leves e resistentes – e dominando muitas das “bússolas” naturais, como as estrelas, correntes oceânicas e até a direção das aves marinhas –, ao longo dos séculos eles ocuparam ilhas (como o arquipélago havaiano, a ilha da Páscoa e a Nova Zelândia) em uma área equivalente em tamanho à África! E é bem provável, inclusive, que tenham chegado à América dois ou três séculos antes de Colombo – hipótese apoiada, por exemplo, pela presença de fósseis de plantas de batata-doce, espécie natural da América do Sul, em ilhas da Polinésia.  

Gravura do final do século XVIII mostrando um catamarã – barco de dois cascos – havaiano. Fonte: Wiki.

Correntes oceânicas: as “estradas do mar”

Quando a gente vê aquele “marzão”, aquela massa de água infinita, não se dá conta de que ela abriga correntes oceânicas que, por muito tempo, governaram as navegações. Em certa medida, elas participam até hoje da economia oceânica, uma vez que, mesmo com motor, é possível navegar a favor da corrente e contra a corrente, e isto implica gasto ou economia de combustível. Sem contar que a água transporta uma enormidade de vida, com efeitos sobre o ritmo da pesca, por exemplo.

Ao longo do tempo, seja pela prática da própria navegação ou de estudos científicos (oceanográficos), a humanidade identificou dezenas de correntes oceânicas. Elas se dividem em sistemas que os cientistas chamam de “giros”, que, como o nome indica, promovem grandes movimentos circulares.

Existem cinco grandes “giros oceânicos”: Atlântico Norte, Atlântico Sul, Pacífico Norte, Pacífico Sul e Índico. E, dentro deles, muitas correntes específicas, dentre as quais algumas são especialmente importantes para a navegação e o clima – como as correntes do Golfo, Kuroshio, do Brasil, Humboldt e das Malvinas. Uma curiosidade: no Hemisfério Norte, os giros são em sentido horário; no Hemisfério Sul, em sentido anti-horário (e é claro que isto fez toda a diferença no período das Grandes Navegações, quando os navios eram impulsionados pela soma entre ventos e correntes oceânicas).

Mas, o que faz com que o oceano forme essas “esteiras de transporte”? São muitos os fatores: uma combinação de ventos (que afetam as águas superficiais), a rotação da Terra (que gera o chamado “Efeito Coriolis”), diferenças de temperatura e salinidade (que afetam a densidade das águas) e até os limites físicos impostos pelos continentes. Somado, esse conjunto recebe o nome de circulação termoalina.

Muito bem: o oceano é enorme e nós somos pequenos. Temos o poder de alterar os giros e as correntes oceânicas? A resposta é: sim! Isso porque, em virtude do efeito estufa – com um aumento das temperaturas médias no planeta por conta do aprisionamento do CO2 na atmosfera –, está acontecendo um derretimento acelerado e anormal das geleiras nas regiões polares. Um maior volume de água doce chegando aos oceanos significa mudanças na densidade da água, o que afeta diretamente as trocas aquáticas – com resultados potencialmente sérios. Os cientistas temem, por exemplo, que a Corrente do Golfo (Gulf Stream), que leva calor à Europa Ocidental, colapse justamente por isso. Nesse caso, cidades europeias, que não sofrem com invernos tão rigorosos, possam registrar temperaturas muito mais baixas no inverno. Apenas para se ter uma ideia: Nova Iorque e Madrid se situam aproximadamente na mesma latitude; no entanto, os invernos nova-iorquinos são muito mais rigorosos que os madrilenos, o que tem tudo a ver com o transporte de calor oeste-leste propiciado pela Corrente do Golfo.

Os oceanos e a cultura: quem conhece e quem não conhece

Hoje em dia, é difícil imaginar que haja pessoas que não conheçam os oceanos. No entanto, basta trazer um exemplo concreto para descobrir que há pessoas que, de fato, sequer suspeitam da existência dos oceanos. Pense, por exemplo, nos cerca de 115 grupos indígenas isolados e não contatados que vivem em outro “oceano”, o “oceano verde” de floresta da Amazônia brasileira. A maioria absoluta deles está em porções muito interiores do território, afastadas do litoral. Eles conhecem, é claro, os rios amazônicos – alguns deles, muito largos –, mas não o mar, ao menos diretamente.

A pergunta é: se eles nunca viram o mar, podem ter criado palavras que o identifiquem? Podem situá-lo dentro de um horizonte de cultura com mitos e narrativas? A resposta é: muito provavelmente, não! Sem ter visto o mar diretamente, é difícil “transportá-lo para dentro” da mente e da cultura. Ah, e se eles efetivamente dispõem de palavras, isto pode significar que, um dia, viveram em lugares perto do mar!

Essa percepção ajudou os linguistas e os arqueólogos a detectarem e documentar as grandes migrações humanas, em especial em tempos mais recuados da História e da pré-história.

Um exemplo, mas que ainda segue em grande parte envolto em mistério, é o dos povos e línguas que formaram a civilização grega, marcada pelo encontro (nem sempre pacífico) de povos “do mar” – a civilização minoica, que vivia nas ilhas gregas e tinha grande conhecimento de navegação – e “do interior”, no caso, grupos indo-europeus que se deslocaram do sul da Rússia para a península balcânica entre 2.000 e 1.600 a.C. Ainda que não tenham decifrado parte dos sistemas de escrita desses antigos povos, os pesquisadores supõem fortemente que os termos ligados ao mar – e também as divindades e os mitos – vêm, via de regra, da “herança minoica”.

Conclusão: nós somos o mar!

Neste artigo, trouxemos algumas curiosidades sobre o mar para celebrar um dia mundial que abarca, também, os oceanos. Mar que se liga de muitas maneiras à nossa vida: nos pescados e frutos do mar que consumimos, nas compras que fazemos e recebemos de longe, na ideia que fazemos da praia como um lugar de descanso e até na arte ligada às imagens do mar, em músicas como as de Dorival Caymmi e poemas de Fernando Pessoa. Mar que somos nós e que, como alertam os cientistas, também são de nossa responsabilidade. Refletir a respeito, saber mais, conhecer, é essencial. Para os próprios mares e para a vida!

Formação continuada e articulação entre redes marcam ações da Editora em MG, SC e PR

O mês de agosto foi de muito trabalho para a equipe da Editora Opet. Um tempo voltado a formações pedagógicas, apresentação de novos recursos educacionais, diálogo, conhecimento – e muitos avanços na educação pública! Confira:

MG: formação e encontro de gestores fortalecem a articulação entre redes no Circuito das Águas

A gerente pedagógica da Editora Opet, Rúbia Cristina dos Santos, falou aos gestores municipais de São Lourenço, Caxambu e Pouso Alto.

Nos dias 11 e 12 de agosto, a Editora Opet esteve em São Lourenço (MG) para uma agenda formativa que reuniu profissionais da rede municipal de ensino e gestores de municípios parceiros do Circuito das Águas. Durante os dois dias, foram realizadas formações destinadas aos professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – Anos Iniciais de São Lourenço, promovendo momentos de estudo, reflexão e troca de experiências voltados ao fortalecimento das práticas pedagógicas e à aprendizagem das crianças e dos estudantes.
Paralelamente à formação dos professores, São Lourenço sediou o Encontro Multirregional de Gestores Municipais do Circuito das Águas, reunindo 53 gestores de São Lourenço, Caxambu e Pouso Alto. Conduzido pela gerente pedagógica da Editora Opet, Rúbia Cristina dos Santos, o encontro teve como tema “Identidade, Papel e Postura do Gestor da Educação Básica”.
A proposta partiu da compreensão de que, diante dos desafios contemporâneos da educação, o papel da gestão vai além da organização administrativa: envolve liderança pedagógica, capacidade de articulação, tomada de decisões e construção coletiva de caminhos para qualificar o trabalho das redes de ensino.
“Esse senso de pertencimento, esse olhar para dentro e para o grupo, é muito importante para os gestores. No caso dos três municípios, eles são próximos e compartilham muitos desafios e possibilidades. Momentos como esse favorecem a reflexão sobre a prática, a troca de experiências e a construção conjunta de estratégias que podem contribuir para o trabalho das equipes e para a qualidade da educação”, avalia a supervisora regional da Editora, Jéssica Soares, responsável pela mobilização dos gestores para o encontro.
O prefeito de São Lourenço, Walter José Lessa, prestigiou o encontro. Em sua fala aos participantes, destacou os atendimentos realizados pela Editora Opet e a importância da parceria para o desenvolvimento da educação no município.

SC: Chapecó reúne mais de mil profissionais em formação continuada

Nos dias 17 e 18 de agosto, o segundo ciclo formativo de 2026 da Editora Opet em Chapecó (SC) reuniu cerca de cerca de 1.100 profissionais que atuam com crianças da Educação Infantil e com estudantes do Ensino Fundamental. A programação foi organizada em diferentes polos educacionais e contou com oficinas direcionadas, criando espaços para estudo, diálogo e troca de experiências entre os profissionais. As propostas buscaram aproximar conhecimentos das práticas cotidianas das unidades educativas, fortalecendo o desenvolvimento profissional e as vivências pedagógicas da rede.
Para a secretária de Educação de Chapecó, Astrit Tozzo, a formação continuada é um importante espaço de desenvolvimento profissional e construção coletiva.
“Esses momentos são muito importantes, pois possibilitam a troca de experiências, o esclarecimento de dúvidas, a interação com profissionais de diferentes espaços, o diálogo com a nossa equipe de articuladores e com formadores. Nosso objetivo é proporcionar sempre o melhor aos nossos estudantes, e a formação continuada dos professores é parte fundamental para alcançarmos esse propósito”, destaca.

SC: Xaxim promove formação para professores da rede municipal

Em Xaxim (SC), a formação continuada realizada nos dias 20 e 21 de agosto reuniu cerca de 350 profissionais da rede municipal de ensino, contemplando professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – Anos Iniciais e Anos Finais, além de profissionais da gestão e da Secretaria Municipal de Educação.
A programação foi organizada a partir de oficinas direcionadas, proporcionando momentos de estudo, reflexão e troca de experiências. A proposta teve como foco apoiar os profissionais diante dos desafios do cotidiano escolar e ampliar possibilidades para o desenvolvimento do trabalho pedagógico.
De acordo com a Prefeitura de Xaxim, iniciativas de formação continuada como essa contribuem para ampliar conhecimentos e possibilidades de atuação dos profissionais diante dos desafios educacionais, fortalecendo o compromisso da rede com a qualidade da aprendizagem dos estudantes.

PR: equipe de gestores de Loanda participa de agenda técnica em Curitiba

Nos dias 20 e 21 de agosto, a Editora Opet recebeu em Curitiba a equipe pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Loanda, município parceiro localizado no noroeste do Paraná.
A agenda foi dedicada à apresentação técnica de diferentes soluções educacionais, entre elas as coleções “Vivências e Memórias”, novo lançamento da Editora para a Educação Infantil; “Robótica Sustentável”, proposta adicional que trabalha a Robótica de forma transversal e inovadora; e “Caminhos e Vivências”, voltada aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Os profissionais também conheceram a Plataforma Semente, direcionada à avaliação diagnóstica e ao desenvolvimento socioemocional dos estudantes.
A programação foi complementada por uma experiência no laboratório de Gastronomia do UniOpet, com uma atividade prática de preparo de pratos em equipe. A proposta buscou ampliar os espaços de interação e integração entre os profissionais, valorizando também experiências que favoreçam a colaboração e a construção coletiva.

“É sempre uma alegria receber, em Curitiba, os educadores dos municípios parceiros. O encontro com a equipe de Loanda foi especialmente significativo: além da apresentação das coleções e da rica troca de experiências, a dinâmica realizada no UniOpet trouxe leveza e integração à programação, reafirmando o propósito que nos une: promover uma educação de qualidade e fortalecer parcerias”, afirma Rúbia Cristina dos Santos, gerente pedagógica da Editora Opet.

(*) – Com informações das prefeituras de São Lourenço, Chapecó e Xaxim.

#EDUCAÇÃOHUMANIZA: Novos olhares sobre a Independência do Brasil

Uma das novidades da Educação brasileira nas últimas décadas, estabelecida em normativas como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), foi a transformação de temas e conteúdos em análise e relação, em uma perspectiva transversal, voltada ao raciocínio e ao pensamento crítico.

O anterior conteudismo, marcado pela valorização de datas, personagens e fórmulas abstratas, deu lugar a uma abordagem que desenvolve e aplica competências e habilidades a situações-problema. Os dados passaram a ser gerenciados de forma diferente, privilegiando o pensamento sobre a memória de longa duração.

Para o ensino da História, essa mudança foi poderosa. E o componente curricular, visto por muita gente como chato, desinteressante ou desconectado da realidade, passou a revelar o que é de verdade: um campo instigante e vivo, conectado ao tempo presente e às pessoas.

Independência todo dia

Um dos temas “salvos do aborrecimento” foi a Independência do Brasil, que, por décadas, foi resumido em datas, nomes e no famoso “Grito do Ipiranga”, imortalizado na célebre pintura de Pedro Américo. Não há, enfim, quem não lembre da figura de Dom Pedro I em seu cavalo, sabre na mão, cercado de seus “dragões da Independência”…

Mas, o que foi a Independência do Brasil? Como ela começou a ser gerada? Qual sua relação com outros movimentos políticos nas Américas e com as revoluções que ocorriam na Europa? Qual sua relação com Napoleão Bonaparte? Se Dom Pedro I era príncipe de Portugal, como ele acabou se tornando imperador do Brasil? Que grupos econômicos apoiaram a independência e por quê? Qual a relação com a escravidão? Como ela chegou a todo o território nacional de então? E o povo brasileiro, como participou do movimento, de forma ativa ou passiva?

Novos olhares, novo encantamento

Essas são algumas das questões que nascem em uma olhada breve para o episódio histórico. E que, na perspectiva de uma “nova educação”, vêm produzindo trabalhos importantes de pesquisa, em livros, documentários e até em redes sociais que se aproximam da linguagem jornalística para transmitir conhecimento e gerar raciocínio e interesse.

Ao fim e ao cabo, é refrescante e animador saber que a Independência continua tendo muito a ensinar, e que isto acontece porque há pessoas produzindo abordagens novas e ricas. Que, de tão interessantes, compartilham os espaços de sala de aula e de entretenimento, transformando-os em um incrível contínuo de aprendizagem. Vamos conhecer alguns desses trabalhos!

#LIVRO – “Às margens do Ipiranga: a viagem da Independência”, Rodrigo Trespach (Editora Citadel, 2024)

Em “Às margens do Ipiranga”, o historiador gaúcho Rodrigo Trespach (laureado com a Ordem do Mérito do Livro, da Biblioteca Nacional, em 2022), parte de um elemento instigante para abordar a Independência: a longa viagem de D. Pedro I e seu grupo do Rio de Janeiro a São Paulo. Uma jornada de 1.400 km por grandes territórios vazios entremeados por vilas que, juntas, não somavam 12 mil habitantes. O que levou o jovem príncipe (24 anos) a fazer essa viagem? Como viajava? O que encontrou pelo caminho? Além de viajar, ele também governou de fato nesse período? Como foi seu encontro com as pessoas comuns? Nessa abordagem, o episódio “épico” da Independência é enriquecido com informações sobre o Brasil de então.

LIVRO – “Passado em Caleidoscópio: versões quadrinizadas da Independência do Brasil”, Raquel França dos Santos Ferreira e colaboradores (Appris, 2024)

Muita gente se lembra de “Independência ou Morte”, filme de 1972 estrelado por Tarcísio Meira – uma atração infalível na grade da tevê aberta nas décadas de 1970 e 1980. A produção trouxe um dado interessante: a Independência era “pop”, e também chegava às pessoas pela indústria cultural. Em “Passado em Caleidoscópio”, Raquel Ferreira (doutora em História pela UFF) e seu time abordam o episódio a partir das histórias em quadrinhos. Como a Independência era contada nessas obras? Como elas ajudaram a fixar a imagem que temos, hoje, de Dom Pedro I e seu papel? E como elas trataram dos brasileiros “esquecidos” – figuras como o carroceiro que aparece lateralmente na tela “Independência ou Morte!”, de Pedro Américo? Uma obra instigante porque “lê as leituras” da Independência.

PODCAST – “Ecos do Ipiranga”, produção do Museu do Ipiranga (da USP) com apresentação de Débora Aladim (2020)

Pesquisas apontam que o Brasil é um dos maiores produtores e consumidores mundiais de podcasts, mídia “herdeira do rádio” e que agrada por ser muito amigável. Nos 10 episódios (de 20 a 30 minutos de duração) de “Ecos do Ipiranga”, os pesquisadores do Museu do Ipiranga/USP revelam a Independência a partir de diferentes enfoques, da análise da pintura de Pedro Américo à relação entre o Brasil livre de Portugal e a escravidão. Com uma linguagem acessível e informações de alta qualidade! Disponível em plataformas como Spotify, Deezer, Apple Podcasts e também no site do Museu do Ipiranga.

PODCAST – “História FM”, episódios 108 e 212, apresentado por Icles Rodrigues

Com mais de 460 mil seguidores no YouTube, o projeto “História FM”, conduzido pelo doutor em História pela UFSC Icles Rodrigues com a participação de especialistas, é provavelmente o mais popular podcast do Brasil voltado à temática histórica. E reservou dois de seus 253 episódios para tratar da Independência: “Independência do Brasil – A história da separação de Brasil de Portugal” (episódio 108) e “Guerra da Independência: os conflitos após o sete de setembro” (episódio 212). Em ambos os episódios – com cerca de 2 horas de duração cada –, os temas são tratados em profundidade. Como no segundo, que derruba o mito de que a Independência foi uma espécie de “batida na mesa” sem resistências, combates ou participação popular.

Todas essas obras – e, com certeza, muitas outras, mais antigas e mais recentes – podem e devem ser conhecidas e comparadas pelos estudantes. E não só por eles! De uma perspectiva da educação como elemento essencial para a construção da realidade, ampliar o conhecimento histórico significa, em um primeiro momento, conhecer a si mesmo. E também abrir novas possibilidades para a vida social, da valorização cultural ao turismo e à sustentabilidade.

Xaxim (SC): exemplo em avaliação diagnóstica da aprendizagem

Xaxim: em 6 anos, as avaliações já chegaram a 20 mil estudantes da Educação Básica. Foto: Editora Opet.

Nos últimos seis anos, o município de Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, colocou a avaliação diagnóstica da aprendizagem entre suas prioridades.

O foco: evolução dos estudantes, fortalecimento do trabalho docente e estruturação da aprendizagem. Para alcançar esses objetivos, tem o apoio do Programa Indica, da Editora Opet, que desde 2021 realiza avaliações com os estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

“Desde o início da parceria, foram aplicadas 40 mil provas que avaliaram 20 mil estudantes”, conta a coordenadora do Indica, Silneia Chiquetto. O trabalho envolveu os professores e os gestores do município em orientações para a aplicação. E, é claro, os estudantes e suas famílias, protagonistas de todo o processo.

Estratégico

Em Xaxim, o trabalho com a avaliação diagnóstica é coordenado por uma equipe formada pelas professoras Marineiva Moro, Rejane Lunardi, Liamara Tonello e Claudia Matiello. Na avaliação de Marineiva, que é doutora em Educação e coordenadora na Secretaria Municipal de Educação de Xaxim, o trabalho com o Indica é muito importante. “Hoje, contamos com dados reais de aprendizagem, o que nos permite compreender melhor o desenvolvimento dos estudantes e planejar ações pedagógicas mais efetivas”, explica. “Esses dados se tornaram insumos fundamentais para o planejamento do ensino, auxiliando professores e gestores na tomada de decisões e na construção de estratégias que potencializam o aprender de cada estudante.”

Nova etapa

Nos dias 2 e 3 de junho ocorreu mais uma etapa avaliativa, que envolveu todos os estudantes do 1º ao 9º ano. A novidade foi a adoção dos novos cadernos de prova, que tiveram as questões atualizadas.
“Não houve uma mudança estrutural nas provas, apenas nas questões. Assim, os estudantes não sentiram diferença”, explica Silneia. “Os cadernos atualizados permitem uma avaliação mais precisa.”

Para Rejane Lunardi, os ajustes nos cadernos de prova foram muito positivos. “De acordo com os relatos que recebemos das coordenações pedagógicas, os instrumentos estão mais alinhados aos conteúdos trabalhados nacionalmente, sem deixar de respeitar as singularidades da realidade de Xaxim”, observa. “Isso contribui para que a avaliação seja mais coerente com o percurso formativo dos estudantes e ofereça resultados ainda mais consistentes para análise pedagógica.”

Dados

Depois de preenchidos pelos estudantes, os cartões-resposta são enviados a Curitiba e digitalizados. As respostas são analisadas e transformadas em relatórios disponíveis na Plataforma Indica. Todos esses dados, destaca Silneia, também são apresentados aos educadores ao vivo junto com ideias para o planejamento das ações de intervenção.

Olhando de perto

O engajamento de professores e gestores tem sido fundamental para o sucesso do processo avaliativo. Foto: Editora Opet.

A equipe do Indica também esteve em seis das dez escolas participantes para acompanhar as provas. “Esse momento permitiu esclarecer dúvidas e perceber o ‘clima’ do processo”, explica Silneia. “Vimos que já existe uma cultura internalizada de avaliação, o que é excelente porque o retrato da aprendizagem que nasce das provas é ainda mais fiel.”
Nesse sentido, Liamara Tonello destaca que Xaxim quer avançar. “Vamos intensificar o diálogo com professores e famílias para que todos compreendam o Indica como um instrumento de qualificação do processo de desenvolvimento cognitivo dos estudantes, e não apenas como uma prova.” Ela conta que estão previstas reuniões com as famílias ao final do processo avaliativo para apresentação e discussão dos dados.

Avaliações foram realizadas com os novos cadernos de provas. Foto: Editora Opet.

Novidades do Programa

Silneia também esteve reunida com os coordenadores da Secretaria e das escolas para apresentar as novidades do Programa, como os novos cadernos de provas, a ferramenta de IA para a construção dos planos de intervenção, os leitores digitais dos cartões-resposta e a possibilidade de realização das provas em formato online.
O município também trouxe uma novidade: uma das escolas participantes, a EBM Ari Lunardi, montou, em caráter de projeto-piloto, um comitê de aplicação de provas. “Houve formação específica para os aplicadores e foi realizado um processo de seleção e remanejamento de profissionais a comissão. Essa organização buscou garantir a seriedade, a transparência e a qualidade do processo avaliativo, além de fortalecer a cultura de responsabilidade coletiva em torno da avaliação”, explica Claudia Matiello.
A criação desse comitê, destaca Silneia, reforça a seriedade com que Xaxim trabalha com a avaliação diagnóstica. “É um passo importante para tornar o trabalho ainda mais individualizado, mais atento à qualidade e às questões locais. Algo que nós, do Indica, valorizamos muito porque se reflete em melhora na aprendizagem e evolução na educação.”

Conheça a Lia: sua parceira virtual na educação!

Professor ou gestor parceiro da Editora Opet: quando você se conectar à Plataforma Educacional Opet Inspira, vai perceber algo diferente. No canto inferior direito da tela inicial vai aparecer o ícone da assistente virtual Lia.

Ela foi desenvolvida pelo time de Tecnologia Educacional (TE) da Editora Opet para facilitar a vida dos educadores e melhorar a qualidade do atendimento. Ela está na Plataforma, nos atendimentos via Whatsapp (pelo 41 99806-1273) e também por e-mail (atendimentote@opeteducation.com.br).

“Quando concebemos a Lia, pensamos em um assistente virtual que somasse o poder da IA com a intencionalidade do atendimento”, explica Rogéria Nassarden, assessora de TE da Editora. “Um recurso amigável, humanizado e altamente responsivo, isto é, que respondesse às demandas.”

Lia: assistente virtual agiliza a resolução de problemas de TE.

O trabalho envolveu toda a equipe, que realizou diversos testes ao longo do desenvolvimento e implantação, nos últimos meses, para garantir sua qualidade e funcionamento. O avatar – representando uma professora brasileira – foi desenvolvido pela designer Danielly Schmidt, do Marketing da Editora.

Quem pode utilizar?

O foco são os professores e gestores das redes pública e privada parceiros da Editora Opet.

“Na Plataforma Opet Inspira, o acesso é feito exclusivamente pelo perfil ‘docente’. Queremos que a Lia funcione como um parceiro ideal dos profissionais de educação”, explica Rogéria.

E quando usar?

Nesta primeira fase, a assistente estará totalmente focada em apoiar os educadores em dúvidas relacionadas à própria Tecnologia Educacional (TE).

“Isso significa que pode ser acionada para ajudar na navegação da Plataforma Opet Inspira, acesso a materiais digitais, uso de ferramentas e suporte técnico. Se o desafio for tecnológico, a LIA resolve!”, garante Rogéria.

Perto da TE, junto das pessoas

A implantação da assistente virtual marca um fortalecimento do trabalho da TE na Editora. Isso porque a ferramenta trabalha junto com a equipe, ampliando sua capacidade de resposta.

“Quando as dúvidas são mais relacionadas às questões do dia a dia, a LIA responde rápido e com precisão. Nos casos mais complexos ou específicos, ela aciona diretamente a equipe, que soluciona o problema. Em outras palavras: o professor nunca fica sem resposta e tem um canal facilitado com os nossos especialistas sempre que precisar”, explica.

Gostou?

Então, acesse a plataforma!  Agora é sua vez de conhecer a Lia e descobrir como ela pode facilitar o seu dia a dia na educação!

Leonardo na internet: um tesouro de arte e ciência nas suas mãos!

Possível auto-retrato de da Vinci. Fonte: Wikipedia.

Anatomista, naturalista, inventor, engenheiro, desenhista, pintor, escultor, escritor. É possível afirmar que poucos personagens reúnem tantos atributos ligados à sabedoria quanto Leonardo da Vinci. Leonardo, podemos brincar, são muitos Leonardos. Ele, aliás, é a própria encarnação do que o dicionário define como “polímata” – um conhecedor profundo de muitas áreas. O personagem símbolo do Renascimento, etapa da História ocidental marcada pelo retorno de uma visão mais ampla e livre para o mundo, o passado e a natureza. E, certamente, um personagem inspirador para uma educação que olha ao seu redor com encantamento, em uma perspectiva transversal focada nos projetos e no fazer.

Se, em sua época, Leonardo foi reconhecido por seus pares e por quem detinha o poder (a Igreja, os nobres das cidades-estado italianas e reis como o da França), nos últimos dois séculos ele se tornou um verdadeiro “astro pop”, visto, lido e relido por escritores e cineastas. E teve seus trabalhos reproduzidos muitas e muitas vezes, em muitas mídias.

Estudo de Leonardo para a “Santa Ceia”. Fonte: Wikipedia.

Nesta edição “davíncica” de #EducaçãoHumaniza, vamos tratar dos acervos – em especial, os digitais – de Leonardo da Vinci, para que você possa acessar e desfrutar do talento desta inigualável figura. Ajeite-se no seu ornitóptero e vamos voar!

🖼️ Como começou o sucesso de Leonardo?

Como observamos, Leonardo já era um artista reconhecido desde o século XV (e no início do XVI), período em que viveu. No entanto, ele só “caiu nas graças do povo” a partir da segunda metade do século XVIII, quando Estados que emergiam da “Era das Revoluções” começaram a transformar as coleções reais artísticas e científicas em museus. Foi quando as pessoas “comuns” puderam ver de perto suas obras.

Vicenzo Peruggia. Fonte: Wikipedia.

No caso do nosso personagem, seu status mudou graças ao furto daquela que viria a se tornar a obra de arte mais célebre do mundo. Em 21 de agosto de 1911, o italiano Vincenzo Peruggia (foto ao lado) aproveitou-se de sua condição de prestador de serviços do museu do Louvre, tirou a tela da “Mona Lisa” da moldura e desapareceu. A obra – que teria sido escolhida não por ser de Leonardo da Vinci, mas por suas dimensões reduzidas (77 x 53 cm), que facilitariam a subtração –, sumiu e virou manchete.

Os jornais, então, estavam se popularizando, assim como a própria literatura policial, e a cobertura do furto foi um enorme sucesso. O crime, aliás, só foi resolvido dois anos depois, quando, já em terras italianas, o autor tentou vender a pintura. A volta da “Mona Lisa” ao Louvre foi um evento grandioso. Nascia, então, a mais “pop” das pinturas, que somava qualidade artística única a uma história fantástica.

Leonardo, porém, é a “Mona Lisa” e muito mais. A partir de agora, vamos descobrir onde “se esconde” – ou melhor, onde está disponível em formato digital – todo esse acervo.

💻 O acervo de Leonardo

Ao examinar a obra do célebre artista italiano, poderíamos dividi-la em quatro grandes campos. Essa divisão, vale reforçar, é arbitrária, ou seja, é uma escolha entre muitas outras possíveis – mas, dá conta do recado.

É possível pensar em um Leonardo (1) pintor, (2) projetista, (3) investigador da natureza e anatomista, e também (4) escritor.

🎨 Leonardo pintor

A famosa “Mona Lisa”, pintada entre 1503 e 1506. Fonte: Wikipedia.

Sim, foi a “Mona Lisa” a grande responsável pela identificação imediata de Leonardo da Vinci como pintor. E, é claro, suas obras são, todas, obras-primas. Porém, o fato é que Leonardo produziu menos pinturas do que poderíamos imaginar à primeira vista. Os especialistas reconhecem apenas entre 15 e 17 obras de sua autoria; destas, oito são consideradas universalmente “da mão do pintor”, enquanto as restantes permanecem em debate pelos especialistas. Não que sejam falsas: elas podem ser oriundas do ateliê dele (de autoria de algum de seus aprendizes) ou, então, cópias feitas na época sem intenção criminosa. Em tempo: no século XV, quando viveu, não era comum que os artistas assinassem seus trabalhos – a assinatura era o próprio traço, enfim.

São consideradas “100% Leonardo” as seguintes obras: “Mona Lisa”, “A Última Ceia”, “Virgem das Rochas” (do Louvre), “Virgem e o Menino com Santa Ana”, “São João Batista”, “Adoração dos Magos” e “São Jerônimo no Deserto”. E são aceitas pela maioria como de autoria do pintor italiano as telas “Sala delle Asse”, “Anunciação”, “Ginevra de’ Benci”, “Madona Benois”, “Dama com Arminho” (foto), “La Belle Ferronnière” e “Retrato de Músico”. Uma última peça, “Salvator Mundi” é vista com suspeita por muitos especialistas e aceita por outros tantos.

Dama com Arminho” (1489-1490). Fonte: Wikipedia.

E que países abrigam essas pinturas? Cinco delas estão na França; outras cinco, na Itália; Vaitcano, Polônia, Rússia e Estados Unidos detêm, cada um, uma peça; e uma delas – justamente, “Salvator Mundi”, está em destino incerto porque pertence a um colecionador particular (provavelmente, está guardada em um banco na Suíça).

Você pode ver cada uma dessas peças em seus museus – tomara que vá! No entanto, elas também estão disponíveis na internet, digitalizadas. E podem ser encontradas nesses endereços:

📌“Mona Lisa”, Museu do Louvre

📌“A Última Ceia”, Museo del Cenacolo Vinciano

📌“Virgem das Rochas” Museu do Louvre

📌“Virgem e o Menino com Santa Ana”, Museu do Louvre

📌“São João Batista”, Museu do Louvre

📌“Adoração dos Magos”, Galleria degli Uffizi

📌“Anunciação”, Galleria degli Uffizi

📌“São Jerônimo no Deserto”, Museus Vaticanos

📌“Sala delle Asse” Castelo Sforzesco

📌“Ginevra de’ Benci”, National Gallery of Art

📌“Madona Benois”, Museu Hermitage

📌“Dama com Arminho”, Museu Czartoryski

📌“La Belle Ferronnière”, Museu do Louvre

📌“Retrato de Músico”, Pinacoteca Ambrosiana

📌“Salvator Mundi”, coleção particular

📐 Leonardo projetista

O “ornitóptero”, máquina de voar projetada por da Vinci. Fonte: Wikipedia.

Como bom “sabe-tudo” que era – um gênio –, Leonardo também colocava o cérebro em ação para projetos de engenharia. Ele, aliás, era um talentoso projetista militar, em uma época cheia de demanda por armas arrasadoras, defesas incríveis e mais.

Entre os seus projetos militares mais célebres – que, até onde se sabe, não saíram do papel – estão um tanque blindado, uma besta gigante, um carro com foices para cortar tudo que cruzasse pelo caminho e um navio com esporão móvel. Ele também desenhou fortificações inovadoras, que se baseavam em ângulos para reduzir o impacto das balas de canhão.

Para além da guerra, ele também desenhou projetos “civis” como pontes móveis – o projeto da “Ponte auto-suportada de Leonardo” é um clássico reproduzido em todo o mundo –, uma máquina voadora de asas móveis (o famoso “ornitóptero”), um paraquedas, o chamado “parafuso aéreo”, baseado no princípio de funcionamento da hélice, e uma máquina de mergulho.

Mas, onde encontrar esses projetos? E até como saber se eles eram realmente efetivos? O ornitóptero, por exemplo, poderia voar, não fosse pela ausência de motores suficientemente rápidos para sustentar o voo (este, aliás, é um problema com as asas móveis, como já vimos em um artigo anterior).

Muitos projetos de engenharia de Leonardo foram digitalizados por instituições de várias partes do mundo. Uma das mais célebres é a “Leonardotheka” do Museo Galileo, de Florença. Lá, é possível encontrar centenas de projetos davincianos – dentre eles, 50 de engenharia militar, 200 de engenharia civil e mecânica, 30 relacionados ao voo, 100 de engenharia hidráulica e 50 de arquitetura e urbanismo.

🔎🐛 Leonardo investigador da natureza e anatomista

“Estudo dos ossos do braço” (cerca de 1510). Fonte: Wikipedia.

É difícil afirmar uma faceta mais fascinante de Leonardo. Afinal, tudo o que ele fez era genial, mesmo se não funcionasse! Isso porque, para além da forma estava o princípio, a regra que nasce da observação, e nisto o polímata italiano era um craque. Mas, se pudéssemos escolher um aspecto de Leonardo mais instigante, seria seu olhar para a natureza.

Um olhar que, em certa medida, reproduzia o dos filósofos naturalistas gregos e ainda desafiava as regras rígidas impostas pela Igreja naquela virada de Idade Média para Idade Moderna.

Pense, por exemplo, em seus cerca de 750 desenhos anatômicos, que reproduziam à perfeição o corpo e os órgãos humanos e ainda intuíam seu funcionamento. Leonardo examinou e descreveu, por exemplo, o sistema músculo-esquelético, o coração, o crânio e o cérebro (e também o feto, os órgãos genitais e mais). Para isso, driblou as regras da religião – examinando e dissecando cadáveres –, em nome do conhecimento. As cerca de 30 dissecações foram feitas entre 1509 e 1513 em companhia de Marcantonio dela Torre, professor da universidade de Pádua.

Ainda nessa mirada para a natureza, ele também enxergou coisas como o voo dos pássaros, o padrão matemático das folhas de uma planta e até o fluxo da água em uma correnteza. E, com o chamado “Homem Vitruviano” (referência a Marco Vitruvio Polião, arquiteto romano do século I), demonstrou que o ser humano pode ser uma medida para o mundo.

Mas, onde encontrar as obras do Leonardo naturalista e anatomista? O grande repositório de obras está no Google Arts and Culture, que reúne uma enormidade de dados sobre Leonardo – inclusive, seus códices naturalistas e de anatomia.

📖 Leonardo escritor

Quando pensamos nos escritos de Leonardo, a imagem que salta aos olhos é a da “escrita espelhada” que ele, canhoteiro, usava em todos os seus códices. Essa forma de escrita tão peculiar – para lê-la, era necessário colocar o papel diante de um espelho – não apenas prevenia borrões de tinta pelo arrasto da mão como também era um elemento de preservação da informação.

Mais do que a forma, porém, importava o conteúdo. Não apenas as geniais anotações técnicas e de observação dos fenômenos, mas histórias curtas de fundo moral – em sua maioria, fábulas, que Leonardo também escreveu. Essas histórias, aliás, talvez sejam a parte menos conhecida e menos disponível de sua obra, ao menos no universo digital. Porém, é possível acessá-las em português, na Biblioteca Digital da Unesp – para isto, é preciso fazer uma inscrição gratuita.

💡 Conclusão: Leonardo, educador

A extensão dos conteúdos de Leonardo da Vinci disponíveis na internet (e não contamos, aqui, tudo o que se produziu a respeito dele) mostra seu enorme valor. Leonardo é pop. Mais do que isso, ele espelha o que deve ser a própria ciência: curiosa, investigativa, imaginativa, criadora, protagonista, intencionada, desafiadora de limites. E também, é claro, espelha a arte: simplesmente inigualável.

Todos, elementos almejados e desejáveis pela educação, que inspiram professores e estudantes. Portanto, inspire-se!

Avaliação atualizada: chegaram os novos cadernos de prova do Programa Indica!

O Programa Indica, da Editora Opet, tem um compromisso absoluto com a qualidade da avaliação diagnóstica. Nessa perspectiva, acaba de lançar os novos cadernos de prova do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, que são o núcleo do Programa.

A atualização, explica a coordenadora do Indica, Silneia Chiquetto, é permanente – trata-se de um componente essencial para que o Indica entregue dados precisos às redes públicas e privadas parceiras. “Uma premissa da avaliação diagnóstica é a da atualização – em relação às necessidades das escolas, às mudanças do cenário educacional e à evolução dos estudantes que já se beneficiam das avaliações”, pondera. “Em termos figurados, é como se estivéssemos ‘afiando a ferramenta’ para obter os dados mais precisos para a construção dos planos de intervenção.”

Processo minucioso

A atualização dos cadernos de prova abrangeu a verificação de todos os elementos de suporte das questões, como textos, fotos, ilustrações e quadrinhos. E envolveu autores, editores técnicos e pedagógicos, revisores e iconógrafos.
“Não poupamos esforços. Mobilizamos profissionais com grande conhecimento e que prestam serviço, por exemplo, para o Inep, que organiza as principais avaliações do Brasil, como o Saeb e o Enem”, explica Silneia.

Atualização dos cadernos de prova vale, também, para a versão digital das avaliações. Foto: Editora Opet.

O papel da TRI

Esse trabalho envolveu o elemento-chave das avaliações brasileiras: a produção, análise e processamento dos resultados a partir da Teoria da Resposta ao Item, a TRI.
A TRI é um modelo matemático – e uma metodologia de correção de provas – desenvolvido para tornar a correção mais justa e precisa. Ele foi adotado pelos organizadores do Enem a partir de 2009 (CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS).
“Os itens construídos para correção em TRI passam por critérios rigorosos durante a sua construção, bem como o conjunto de itens que formam a prova. É um trabalho minucioso, que somente profissionais experientes e com muito conhecimento conseguem garantir”, explica Silneia.

O uso da TRI para a construção das questões e a correção das provas torna os resultados ainda mais precisos. Foto: Getty Images.

O olhar dos parceiros

A atualização das provas passou, também, por um validador crítico: as redes parceiras que já adotam as avaliações do Indica. Em muitas delas, os ciclos avaliativos são realizados há anos, o que produziu um olhar ainda mais ajustado paras as necessidades e para as minúcias da aplicação das provas.
“O olhar dos nossos parceiros está em primeiro lugar”, destaca Silneia. “Na atualização dos cadernos, ele foi cruzado com as curvas e as séries históricas de resultados, resultando em avaliações mais próximas e precisas”, observa.

Novos cadernos já estão nas escolas

As novas provas já estão sendo aplicadas. Neste início de junho, por exemplo, estão chegando a uma grande rede parceira, do município catarinense de Xaxim. “Nossa equipe estará lá para dar todo o suporte à aplicação”, conta Silneia.

Dos filósofos gregos ao aquecimento global – um capítulo da história da consciência ambiental

Comuns na Grécia e em todo o leste do Mediterrâneo, as oliveiras foram domesticadas há cerca de 6,5 mil anos. Elas marcaram a relação dos antigos gregos com o meio ambiente. Fonte: Getty Images.

Meio ambiente. Só de ouvir essas palavras, muita gente fica “de antena ligada”. Por um lado, esse movimento demonstra uma consciência ambiental crescente. Por outro, aponta para o poder dos meios digitais, que informam e amplificam a comunicação.

Ele também se liga à percepção de que algo parece estar “fora da ordem”, com a aceleração da destruição ambiental e eventos climáticos cada vez mais intensos.

Mas, será que nossa consciência sobre a “pegada ambiental” é assim tão recente? Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, vamos conhecer uma das origens mais poderosas da relação entre o pensamento humano e o meio ambiente – o pensamento grego! O artigo antecipa as celebrações e as reflexões da Semana Nacional do Meio Ambiente (1º a 7 de junho) e do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho).

Venha com a gente!

🌍 Essa tal Cosmovisão

A primeira coisa que se deve ter em mente em relação à temática ambiental é o papel das ideias e da cosmovisão – o olhar que as civilizações têm sobre o conjunto de todas as coisas. O famoso “quem somos, onde estamos, como surgimos e o que explica isto”.

Todas essas ideias, evidentemente, fazem parte de muitas das discussões atuais, de um tempo de maturidade nascida de dados científicos.

A cosmovisão é o olhar que as civilizações têm a respeito do universo e de todos os seus componentes. Fonte: Getty Images.

🏛️ Do templo à ágora, agora!

Em muitas civilizações, esse conjunto de ideias foi dado inicialmente pelas religiões, o primeiro grande “organizador do mundo”.

Se tomarmos como exemplo o “Livro do Gênese”, do Pentateuco/Velho Testamento, podemos perceber uma relação de subordinação entre os seres humanos e a natureza; mas, também, uma noção de cuidado com o meio (como em 2:15, que traz a ideia de “cultivar e guardar” o Jardim do Éden).

“Cultivar e Guardar”: Representação do Jardim do Éden pelo pintor Lucas Cranach, o Velho (séc. XVI). Fonte: Wikipedia.

Outras religiões e sistemas de pensamento, como os dos antigos chineses e dos povos indígenas americanos, podiam ver essa relação em um viés complementar, mais próximo da ideia recente de “teia ambiental”. Outras ainda, como as dos egípcios, gregos e romanos, tinham divindades como responsáveis pelos elementos ou eventos naturais (“Deus do Raio”, “Rei dos Mares”, “Deus Sol” e assim por diante).

Em certos contextos históricos, como o da própria Grécia, de Roma e da China, esse olhar “vazou” dos sacerdotes para os filósofos (como Aristóteles, Lao Tzu, Teofrasto ou Plínio, o Velho), dando início a um tipo de pensamento – a Filosofia Natural – que acabaria por participar diretamente do que conhecemos como Ciência.

🔎🐞 Foram os gregos os primeiros “ambientalistas”?

Em “Escola de Atenas”, o pintor Rafael mostra alguns dos principais filósofos gregos. Fonte: Wikipedia.

Não exatamente, até porque o conceito de ambientalismo é muito mais recente (século XX). Mas os gregos ajudaram a aproximar da questão. No Ocidente, os primeiros filósofos com foco no meio ambiente – mais propriamente, filósofos naturais, antecessores de ciências como a Biologia – surgiram na Grécia a partir do século VI a.C.

Considerado um dos “Sete Sábios da Grécia” – e um dos primeiros filósofos –, Tales de Mileto (séc. VI a.C.) olhou com muita atenção para a água, que considerava a substância primordial para todos os seres vivos.

Para Tales de Mileto, a água era o princípio da vida. A ciência moderna mostra que, sem água, não há vida como a conhecemos. Fonte: Getty Images.

Na mesma época, Anaximandro (também de Mileto) propôs uma das primeiras hipóteses científicas sobre a origem da vida: ela teria surgido da umidade. Anaximandro também percebeu a inter-relação entre os seres vivos.

“Panta Rei”: a ideia de que tudo flui

Em seus trabalhos, Heráclito (séc. VI a.C.) enfatizou a existência e a importância dos ciclos naturais. É atribuído a ele, aliás, o conceito grego de que “tudo flui” (“panta rei”), que se conecta à Lei de Conservação das Massas, enunciada por Lavoisier no século XVIII (“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”), e a algumas das correntes mais atuais de pensamento sobre a natureza.

⚠️ Platão e os primeiros alertas ambientais

Damos, então, um giro interessante. O foco deixa de ser a investigação da natureza, dos ciclos e relações naturais, e passa à pegada humana sobre o meio ambiente. Nosso autor é ninguém menos que Platão, que em “Crítias” se refere à degradação ambiental pelo desmatamento na Ática (onde fica Atenas) e seus efeitos perniciosos para as pessoas.

Na mesma linha e período (séc. IV a.C.), Aristóteles destacou a relação entre a natureza e o bem-estar humano. E Xenofonte observou a necessidade de se praticar a agricultura de forma sustentável. Vale indicar que, já naquela época, a produção agropastoril – de trigo, azeitonas, uvas e produtos lácteos – tinha como foco o consumo e a exportação (o que, por certo, gerava uma pressão por novas áreas de cultivo).

Pioneiros do Ocidente: da esquerda para a direita, representações gregas e romanas de Heráclito, Platão, Aristóteles, Xenofonte e Teofrasto. Fonte: Wikipedia.

Outros pensadores de olho na natureza

A lista de pensadores é extensa e, claro, não se encerra neste artigo. Podemos citar, por exemplo, o sucessor de Aristóteles, Teofrasto (séc. IV a.C.), que produziu tratados sobre Botânica influentes em todo o mundo ocidental até o Renascimento.

🌱 Mas, você já parou para pensar por que esses filósofos chegaram tão perto da natureza?

O primeiro motivo é sua proximidade em relação ao mundo natural. Em um mundo “em construção”, ele era a grande reserva – de esperanças, riquezas, possibilidades, medos e descobertas (como em nossa época!).

A segunda razão é histórica: eles começaram a filosofar porque viveram condições ideais para isso, em uma área do planeta – o “Levante”, a leste do Mar Mediterrâneo – que era um verdadeiro entroncamento de culturas, do Oriente e do Ocidente, marítimas e terrestres, e que tinham no comércio uma de suas forças motrizes. Comércio que exige contato, conversa, diálogo, proposta e tentativa de convencimento – exatamente como a Filosofia!

🏯 E em outras partes do mundo?

Neste artigo, focamos de forma mais específica os antecessores gregos do atual pensamento ambiental. E fizemos isso porque esses nomes se conectam diretamente à Filosofia e, a partir dela, ao Pensamento Científico e à Ciência.

Isso, porém, não significa que outras antigas civilizações não abordaram a questão de forma profunda e com muita coerência. Muito pelo contrário!

Ciclo e complemetariedade: Lao-Tzu é um dos pensadores chineses mais influentes. Sua obra, o “Tao Te Qing”, estabelece conexões diretas e profundas entre os seres humanos e a natureza. Fonte: Wiki.

Os chineses, por exemplo, trouxeram colaborações importantes com pensadores taoístas como Lao Tzu (séc. VI a.C.) e Chuang Tzu (séc. IV a.C.), que destacaram a conexão entre os seres humanos, os elementos e os ciclos da natureza. Essas contribuições ficaram conhecidas no Ocidente a partir do séc. XVI, quando jesuítas que estavam na China publicaram as primeiras traduções.

Os povos indígenas das Américas, por exemplo, sempre compreenderam a floresta como um organismo vivo e interdependente, em que cada ser tem papel essencial na manutenção da vida. Já em muitas culturas africanas, rios e florestas são entidades espirituais, guardiãs da comunidade e merecedoras de um olhar redobrado de cuidado.

No Pacífico, povos polinésios desenvolveram práticas de manejo sustentável dos oceanos, baseadas em ciclos de pesca e respeito aos ritmos naturais. Essas cosmovisões mostram que a consciência ambiental não é exclusiva do Ocidente: ela floresceu em diferentes lugares, com formas diversas de sabedoria que devem ser conhecidas.

🍃 Conclusão: Ecos antigos num planeta em alerta

Hoje, quando falamos em aquecimento global, perda de biodiversidade e esgotamento de recursos naturais, estamos, em grande medida, revisitando questões que os filósofos gregos – e pensadores de outras civilizações – vislumbraram há mais de 25 séculos. A diferença é a de que, agora, os dados são inequívocos e a urgência é muito maior.

Os filósofos gregos perceberam, há muito tempo, o encadeamento entre todos os elementos que formam a natureza. Sua mensagem pode servir como alerta para a atual civilização. Fonte: Getty Images.

Longe de ser meras curiosidades históricas, os gregos nos lembram de algo fundamental: a consciência ambiental não é uma moda passageira nem uma invenção do nosso século – é um fio que atravessa a história do pensamento ocidental. E, talvez, o mais importante que eles nos legaram seja a própria pergunta: qual é o nosso lugar na ordem da natureza? A resposta está nas nossas mãos.

“Então, vamos ao museu?” Novidades e desafios dos museus do nosso tempo

Visitação ao ônibus espacial Discovery no Smithsonian Institution’s National Air and Space Museum. Foto: Getty Images.

Responda rápido: qual foi a última vez que você esteve em um museu? É bem possível que sua resposta seja “foi há bem pouco tempo”. E essa é uma excelente notícia!

Nos últimos anos, especialmente após a pandemia da COVID-19, as pessoas voltaram a frequentar os museus. No Brasil, segundo dados do Google Trends, as buscas cresceram 22% no ano de 2024 (o mais recente da pesquisa), e a média anual de visitação já supera os 30 milhões de pessoas. E os próprios museus estão na “boca do povo”: MASP, MON, Museu do Amanhã, Museu da Língua Portuguesa, Museu Histórico Nacional, Museu Catavento, Museu Imperial…

Além disso, dados globais mostram que, a cada ano, os cem maiores museus do mundo recebem cerca de 175 milhões de visitantes – e este número está crescendo.

Os museus oferecem um caminho lúdico e instigante de conexão com o conhecimento. Foto: Getty Images.

Mas, por que o interesse das pessoas pelos museus aumentou?

Porque essas instituições se modernizaram, trazendo temas instigantes e oferecendo experiências que vão muito além da imagem “clássica” de peças na vitrine ou de depósitos de patrimônio.

Os museus, enfim, estão mais vivos do que nunca. Valorizando, preservando, compartilhando e construindo História, Ciência, Arte e Conhecimento. Mas há, é claro, desafios que também devem ser conhecidos.

Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza – em homenagem ao Dia Internacional dos Museus, que será celebrado no próximo dia 18 de maio – vamos falar sobre a origem, a evolução e os desafios dos museus.

A visita já vai começar – venha com a gente!

Ciência lúdica: em um museu de ciência é possível interagir com artefatos como o Gerador de Van de Graaff, que acumula eletricidade estática e literalmente “arrepia os cabelos”. Foto: Getty Images.

A coleção do rei

Para muita gente, a primeira ideia que vem à mente quando se fala em “museu” é a de uma coleção de objetos que contam coisas: pinturas, estátuas, múmias, fósseis, moedas, animais empalhados, armaduras, peças religiosas, máquinas e mais. Essa imagem faz todo sentido.

Porque os museus surgiram, de fato, como “coleções para mostrar e contar”. E nasceram há muito tempo, na Antiguidade, em culturas como a mesopotâmica, a egípcia, a grega e a romana.

Detalhe de relevo que mostra as tropas do imperador romano Tito desfilando com tesouros saqueados de Jerusalém. Peças como essas formavam as primeiras coleções. Fonte: Wikipedia.

Os poderosos de então – comandantes militares, reis, imperadores – reuniam grandes botins e queriam compartilhá-los com seus semelhantes, mostrando suas conquistas, o alcance de suas jornadas e até o “estranho e maravilhoso” que ficava para além das fronteiras do próprio reino. Queriam “apresentar o mundo”, demonstrando riqueza e, principalmente, poder.

Essa forma de “ser museu”, aliás, perdurou por muito tempo. No período colonial, impérios como o Espanhol, Francês, Russo ou Britânico faziam exatamente o mesmo. Montavam grandes coleções de peças retiradas de seus domínios e de regiões invadidas, expondo-as, agora, para os pares e, agora, para o povo.

Situado em São Petersburgo, Rússia, o Hermitage possui uma das maiores coleções de arte e etnologia de todo o planeta. Foto: Getty Images.

Visitando o “Gabinete de Curiosidades”

Ao ler os parágrafos acima, você provavelmente ficou com a impressão de que os museus, no início, tinham como grande finalidade mostrar uma visão de mundo ligada a poder e, também, a uma ideia de “nós e eles”, de povos mais civilizados e de povos “exóticos”. E é isso mesmo!

O colecionar, então, era visto como um traço de superioridade sobre aquelas culturas que não colecionavam. Some-se a isso, em tempos mais modernos, a Revolução Científica (do século XVI, com grande expansão nos séculos XVIII e XIX), que gerou um enorme movimento de descoberta, catalogação e publicidade dos achados – animais, insetos, plantas, fósseis, antigos textos, peças arqueológicas etc. Vivia-se, então, entre a realidade do “Gabinete de Curiosidades” e a das primeiras tentativas de catalogar, organizar e mostrar descobertas científicas.

Conchas, pintura, estátuas: detalhe de um “Gabinete de Curiosidades” pintado em 1636 pelo pintor flamengo Frans Francken. Fonte: Wikipedia.

Os primeiros museus modernos

O primeiro museu moderno, aquele que inaugura o que conhecemos como tal, foi o Ashmolean Museum, fundado em 1683 na cidade inglesa de Oxford. Elias Ashmole herdou e assumiu os direitos sobre uma enorme coleção dos naturalistas John Tradescant (pai e filho) e a doou à Universidade de Oxford.

A instituição construiu um edifício para abrigar esse acervo, dando origem ao Ashmolean. Atualmente, o museu segue sendo um dos principais do mundo, com um acervo de mais de um milhão de peças, abrangendo do Antigo Egito ao Japão, passando por obras de Michelangelo, moedas, máscaras funerárias e muito mais.

Ashmolean Museum, em Oxford: o primeiro museu “moderno. Foto: Getty Images.

Outro museu (na verdade, um conjunto de museus) pioneiro e extremamente importante é o do Vaticano, que a partir de meados do século XVIII começou a organizar seu acervo em galerias e abrir estes espaços à visitação. O acervo dos Museus Vaticanos é um verdadeiro tesouro – são 70 mil peças de arte e arqueologia distribuídas em nada menos do que 1.400 salas na própria cidade-Estado do Vaticano!

O terceiro dos museus “fundantes” da Era Moderna é o do Louvre, que passou de coleção real de arte a museu nacional francês em 1793, na esteira da Revolução Francesa. Com 38 mil peças – e um acervo que cresceu muito ao longo da Era Napoleônica e de todo o século XIX –, o Louvre é, atualmente, o maior museu de arte do mundo! Em tempo: é, também, o mais visitado, com cerca de 10 milhões de visitantes por ano (uma média de 27 mil visitantes por dia!).

Outros museus que não podem ficar de fora desta lista de “pioneiros incríveis” são o Hermitage, inaugurado em 1764 na cidade russa de São Petersburgo, o Museu Britânico (fundado em 1753), de Londres, e o Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque (1870). Há, é claro, muitos outros museus magníficos (que vamos listar no final deste artigo), mas os citados são os pioneiros.

O “pulo do gato” dos museus

O século XX e as primeiras décadas do século XXI trouxeram grandes novidades. Estamos falando do cinema, da tevê, do rádio, da computação e de avanços extraordinários nas técnicas da indústria gráfica. Todas essas novidades, todas essas tecnologias, refluíram para os museus a partir do momento em que eles mudaram de paradigma.

E que mudança foi essa? Eles deixaram apenas de “mostrar acervos” de forma acrítica e passaram a envolver os visitantes em experiências mais profundas, comunicacionais e sensoriais. O museu, enfim, deixou de ser o “Gabinete de Curiosidades” e passou a oferecer uma experiência viva, que comunica o acervo e vai além.

As coleções dos museus colocam as pessoas em contato com elementos materiais da História. Foto: Getty Images.

Essa mudança se conecta a uma transformação na museologia, que, especialmente a partir dos anos 1960 e 1970, caminhou para oferecer algo diferente e encantador. Mudanças na arquitetura dos prédios, exposições que caminham para fora do espaço museológico, temas e acervos voltados a públicos específicos como as crianças, oferta de experiências científicas (no caso dos museus de ciência e tecnologia) e interações digitais “romperam a vitrine” do passado e colocaram os acervos mais perto das pessoas. Essas mudanças, que efetivamente promoveram um retorno das pessoas aos museus, também foram importantes para o financiamento das próprias instituições – todas elas têm gastos importantes com a conservação, a pesquisa e a expansão dos acervos.

Museus que se mexem!

Muito bem: você quer exemplos de museus modernos e altamente interativos? Vamos a eles! O paulistano Museu da Língua Portuguesa, com suas muitas experiências interativas dentro do nosso idioma, é um deles. O Museu de História Natural de Nova York (AMNH), com seu teatro imersivo 360° e aplicativos de realidade aumentada que “dão vida” a dinossauros extintos, é outro. No campo da tecnologia, merecem destaque o Deutsches Museum, de Munique (Alemanha) – o mais antigo museu do gênero no mundo, fundado em 1903 –, e o Seoul Robot & AI Museum (RAIM), inaugurado em 2024 – o primeiro museu do mundo dedicado à robótica e à IA.

Nosso Museu Nacional, atualmente em fase final de reconstrução – fundado em 1818, ele foi destruído por um incêndio devastador em 2018 –, também promete estar entre os mais importantes e interativos do mundo. E por quê? Porque, entre seus desafios, estão atrair público e, especialmente, recuperar e recontar a história das peças destruídas – algo que só será possível pela soma entre pesquisa de alta qualidade e entrega digital precisa.

E os desafios?

Mas, como fazer isso? A resposta a esta pergunta pode representar um novo salto para os museus. Há, porém, desafios importantes. O primeiro: levar essa transformação para um número muito maior de instituições. Para além dos grandes museus, afinal, há dezenas de milhares de outros que, muitas vezes, ainda reproduzem o modelo “Gabinete de Curiosidades”. Apenas para se ter uma ideia: no Brasil há 4.024 museus cadastrados no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) – muitos, em especial os das cidades menores, ainda não “deram o salto” de qualidade.

Outro desafio, monumental, diz respeito ao repensar dos governos e das gestões dos museus em relação aos seus acervos. Na medida em que muitas coleções foram construídas no período colonial – em muitos casos, a partir de saques, confiscos e compras ilegais –, há uma questão séria que envolve a titularidade dos acervos e a necessidade de repatriação de peças.

Apenas para ficar em alguns exemplos, entre os acervos “problemáticos” estão coleções associadas às religiões e religiosidades de povos originários (como objetos rituais e até restos humanos de grupos indígenas americanos), peças saqueadas em guerras e relíquias arqueológicas como os bronzes do Benin, África (hoje, em vários museus), os frisos do Parthenon, em Atenas (atualmente no Museu Britânico), o busto da rainha egípcia Nefertiti (atualmente no Neues Museum, em Berlim) e a Pedra de Rosetta (peça-chave na decifração dos hieróglifos egípcios, hoje no Museu Britânico).

Mas, não seria simples apenas repatriá-los, devolvendo-os às sociedades de origem? Sim e não. Se, por um lado, já há movimentos importantes nesse sentido – como a entrega, ao Brasil, de mantos tupinambás em penas de guará (do século XVII) que estavam no Museu Nacional da Dinamarca –, por outro há questões econômicas envolvidas. Peças como o busto de Nefertiti, por exemplo, são “estrelas” que atraem milhares de pessoas do museu. Sem contar o risco, que não deve ser desprezado, de as peças retornarem a lugares sem capacidade de conservar e mostrar os acervos. Algo que, em tese, poderia ser resolvido por uma expansão dos museus e da cultura museológica, o que demanda investimentos e interesse político.

Conclusão

Neste artigo, pudemos perceber como os museus evoluíram. E evoluíram, em essência, porque refletem a evolução das sociedades e da tecnologia. Esse processo, porém, também marca conflitos que cresceram nas últimas décadas. O maior deles, o do respeito às culturas do mundo e à necessidade de promoção da interculturalidade nas relações entre os povos. Outro desafio é o da democratização desse novo modelo, que deve alcançar os milhares de museus do mundo e não apenas as grandes instituições.  

Se conseguirmos dar esse salto, os museus – esses espaços vivos de memória e descoberta – terão, de fato, encontrado o caminho para o futuro. Um passo importante nesse sentido é o interesse das pessoas pelos seus museus. Assim, deixamos o convite: vá aos museus! Prestigie o museu da sua cidade!

O Museu do Palácio Nacional, em Taipei, possui uma das maiores coleções de arte e História da China de todo o mundo. Foto: Getty Images.

Museus para conhecer:

O mundo possui milhares de museus, e muitos deles são simplesmente sensacionais. Abaixo, listamos apenas alguns deles que podem ser conhecidos pela internet:

Hermitage Museum, São Petersburgo

Instituto Inhotim, Brumadinho, Minas Gerais

Metropolitan Museum of Art (MET), Nova Iorque

Museo Nacional del Prado, Madrid

Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo

Museu Britânico, Londres

Museu da Acrópole, Atenas

Museu de História Natural (AMNH), Nova Iorque

Museu do Louvre, Paris

Museu Imperial, Petrópolis, Rio de Janeiro

Museu Nacional, Rio de Janeiro

Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba

Museus do Vaticano, Roma

National Palace Museum, Taipei, Taiwan

New York Hall of Science (NYSCI), Nova Iorque

Novo Museu Egípcio, Cairo

Smithsonian National Air and Space Museum, Washington

Tate Modern, Londres