Xaxim: em 6 anos, as avaliações já chegaram a 20 mil estudantes da Educação Básica. Foto: Editora Opet.
Nos últimos seis anos, o município de Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, colocou a avaliação diagnóstica da aprendizagem entre suas prioridades.
O foco: evolução dos estudantes, fortalecimento do trabalho docente e estruturação da aprendizagem. Para alcançar esses objetivos, tem o apoio do Programa Indica, da Editora Opet, que desde 2021 realiza avaliações com os estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
“Desde o início da parceria, foram aplicadas 40 mil provas que avaliaram 20 mil estudantes”, conta a coordenadora do Indica, Silneia Chiquetto. O trabalho envolveu os professores e os gestores do município em orientações para a aplicação. E, é claro, os estudantes e suas famílias, protagonistas de todo o processo.
Estratégico
Em Xaxim, o trabalho com a avaliação diagnóstica é coordenado por uma equipe formada pelas professoras Marineiva Moro, Rejane Lunardi,Liamara Tonello e Claudia Matiello. Na avaliação de Marineiva, que é doutora em Educação e coordenadora na Secretaria Municipal de Educação de Xaxim, o trabalho com o Indica é muito importante. “Hoje, contamos com dados reais de aprendizagem, o que nos permite compreender melhor o desenvolvimento dos estudantes e planejar ações pedagógicas mais efetivas”, explica. “Esses dados se tornaram insumos fundamentais para o planejamento do ensino, auxiliando professores e gestores na tomada de decisões e na construção de estratégias que potencializam o aprender de cada estudante.”
Nova etapa
Nos dias 2 e 3 de junho ocorreu mais uma etapa avaliativa, que envolveu todos os estudantes do 1º ao 9º ano. A novidade foi a adoção dos novos cadernos de prova, que tiveram as questões atualizadas. “Não houve uma mudança estrutural nas provas, apenas nas questões. Assim, os estudantes não sentiram diferença”, explica Silneia. “Os cadernos atualizados permitem uma avaliação mais precisa.”
Para Rejane Lunardi, os ajustes nos cadernos de prova foram muito positivos. “De acordo com os relatos que recebemos das coordenações pedagógicas, os instrumentos estão mais alinhados aos conteúdos trabalhados nacionalmente, sem deixar de respeitar as singularidades da realidade de Xaxim”, observa. “Isso contribui para que a avaliação seja mais coerente com o percurso formativo dos estudantes e ofereça resultados ainda mais consistentes para análise pedagógica.”
Dados
Depois de preenchidos pelos estudantes, os cartões-resposta são enviados a Curitiba e digitalizados. As respostas são analisadas e transformadas em relatórios disponíveis na Plataforma Indica. Todos esses dados, destaca Silneia, também são apresentados aos educadores ao vivo junto com ideias para o planejamento das ações de intervenção.
Olhando de perto
O engajamento de professores e gestores tem sido fundamental para o sucesso do processo avaliativo. Foto: Editora Opet.
A equipe do Indica também esteve em seis das dez escolas participantes para acompanhar as provas. “Esse momento permitiu esclarecer dúvidas e perceber o ‘clima’ do processo”, explica Silneia. “Vimos que já existe uma cultura internalizada de avaliação, o que é excelente porque o retrato da aprendizagem que nasce das provas é ainda mais fiel.” Nesse sentido, Liamara Tonello destaca que Xaxim quer avançar. “Vamos intensificar o diálogo com professores e famílias para que todos compreendam o Indica como um instrumento de qualificação do processo de desenvolvimento cognitivo dos estudantes, e não apenas como uma prova.” Ela conta que estão previstas reuniões com as famílias ao final do processo avaliativo para apresentação e discussão dos dados.
Avaliações foram realizadas com os novos cadernos de provas. Foto: Editora Opet.
Novidades do Programa
Silneia também esteve reunida com os coordenadores da Secretaria e das escolas para apresentar as novidades do Programa, como os novos cadernos de provas, a ferramenta de IA para a construção dos planos de intervenção, os leitores digitais dos cartões-resposta e a possibilidade de realização das provas em formato online. O município também trouxe uma novidade: uma das escolas participantes, a EBM Ari Lunardi, montou, em caráter de projeto-piloto, um comitê de aplicação de provas. “Houve formação específica para os aplicadores e foi realizado um processo de seleção e remanejamento de profissionais a comissão. Essa organização buscou garantir a seriedade, a transparência e a qualidade do processo avaliativo, além de fortalecer a cultura de responsabilidade coletiva em torno da avaliação”, explica Claudia Matiello. A criação desse comitê, destaca Silneia, reforça a seriedade com que Xaxim trabalha com a avaliação diagnóstica. “É um passo importante para tornar o trabalho ainda mais individualizado, mais atento à qualidade e às questões locais. Algo que nós, do Indica, valorizamos muito porque se reflete em melhora na aprendizagem e evolução na educação.”
Professor ou gestor parceiro da Editora Opet: quando você se conectar à Plataforma Educacional Opet Inspira, vai perceber algo diferente. No canto inferior direito da tela inicial vai aparecer o ícone da assistente virtual Lia.
Ela foi desenvolvida pelo time de Tecnologia Educacional (TE) da Editora Opet para facilitar a vida dos educadores e melhorar a qualidade do atendimento. Ela está na Plataforma, nos atendimentos via Whatsapp (pelo 41 99806-1273) e também por e-mail (atendimentote@opeteducation.com.br).
“Quando concebemos a Lia, pensamos em um assistente virtual que somasse o poder da IA com a intencionalidade do atendimento”, explica Rogéria Nassarden, assessora de TE da Editora. “Um recurso amigável, humanizado e altamente responsivo, isto é, que respondesse às demandas.”
Lia: assistente virtual agiliza a resolução de problemas de TE.
O trabalho envolveu toda a equipe, que realizou diversos testes ao longo do desenvolvimento e implantação, nos últimos meses, para garantir sua qualidade e funcionamento. O avatar – representando uma professora brasileira – foi desenvolvido pela designer Danielly Schmidt, do Marketing da Editora.
Quem pode utilizar?
O foco são os professores e gestores das redes pública e privada parceiros da Editora Opet.
“Na Plataforma Opet Inspira, o acesso é feito exclusivamente pelo perfil ‘docente’. Queremos que a Lia funcione como um parceiro ideal dos profissionais de educação”, explica Rogéria.
E quando usar?
Nesta primeira fase, a assistente estará totalmente focada em apoiar os educadores em dúvidas relacionadas à própria Tecnologia Educacional (TE).
“Isso significa que pode ser acionada para ajudar na navegação da Plataforma Opet Inspira, acesso a materiais digitais, uso de ferramentas e suporte técnico. Se o desafio for tecnológico, a LIA resolve!”, garante Rogéria.
Perto da TE, junto das pessoas
A implantação da assistente virtual marca um fortalecimento do trabalho da TE na Editora. Isso porque a ferramenta trabalha junto com a equipe, ampliando sua capacidade de resposta.
“Quando as dúvidas são mais relacionadas às questões do dia a dia, a LIA responde rápido e com precisão. Nos casos mais complexos ou específicos, ela aciona diretamente a equipe, que soluciona o problema. Em outras palavras: o professor nunca fica sem resposta e tem um canal facilitado com os nossos especialistas sempre que precisar”, explica.
Gostou?
Então, acesse a plataforma! Agora é sua vez de conhecer a Lia e descobrir como ela pode facilitar o seu dia a dia na educação!
Comuns na Grécia e em todo o leste do Mediterrâneo, as oliveiras foram domesticadas há cerca de 6,5 mil anos. Elas marcaram a relação dos antigos gregos com o meio ambiente. Fonte: Getty Images.
Meio ambiente. Só de ouvir essas palavras, muita gente fica “de antena ligada”. Por um lado, esse movimento demonstra uma consciência ambiental crescente. Por outro, aponta para o poder dos meios digitais, que informam e amplificam a comunicação.
Ele também se liga à percepção de que algo parece estar “fora da ordem”, com a aceleração da destruição ambiental e eventos climáticos cada vez mais intensos.
Mas, será que nossa consciência sobre a “pegada ambiental” é assim tão recente? Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, vamos conhecer uma das origens mais poderosas da relação entre o pensamento humano e o meio ambiente – o pensamento grego! O artigo antecipa as celebrações e as reflexões da Semana Nacional do Meio Ambiente (1º a 7 de junho) e do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho).
Venha com a gente!
🌍 Essa tal Cosmovisão
A primeira coisa que se deve ter em mente em relação à temática ambiental é o papel das ideias e da cosmovisão – o olhar que as civilizações têm sobre o conjunto de todas as coisas. O famoso “quem somos, onde estamos, como surgimos e o que explica isto”.
Todas essas ideias, evidentemente, fazem parte de muitas das discussões atuais, de um tempo de maturidade nascida de dados científicos.
A cosmovisão é o olhar que as civilizações têm a respeito do universo e de todos os seus componentes. Fonte: Getty Images.
🏛️ Do templo à ágora, agora!
Em muitas civilizações, esse conjunto de ideias foi dado inicialmente pelas religiões, o primeiro grande “organizador do mundo”.
Se tomarmos como exemplo o “Livro do Gênese”, do Pentateuco/Velho Testamento, podemos perceber uma relação de subordinação entre os seres humanos e a natureza; mas, também, uma noção de cuidado com o meio (como em 2:15, que traz a ideia de “cultivar e guardar” o Jardim do Éden).
“Cultivar e Guardar”: Representação do Jardim do Éden pelo pintor Lucas Cranach, o Velho (séc. XVI). Fonte: Wikipedia.
Outras religiões e sistemas de pensamento, como os dos antigos chineses e dos povos indígenas americanos, podiam ver essa relação em um viés complementar, mais próximo da ideia recente de “teia ambiental”. Outras ainda, como as dos egípcios, gregos e romanos, tinham divindades como responsáveis pelos elementos ou eventos naturais (“Deus do Raio”, “Rei dos Mares”, “Deus Sol” e assim por diante).
Em certos contextos históricos, como o da própria Grécia, de Roma e da China, esse olhar “vazou” dos sacerdotes para os filósofos (como Aristóteles, Lao Tzu, Teofrasto ou Plínio, o Velho), dando início a um tipo de pensamento – a Filosofia Natural – que acabaria por participar diretamente do que conhecemos como Ciência.
🔎🐞 Foram os gregos os primeiros “ambientalistas”?
Em “Escola de Atenas”, o pintor Rafael mostra alguns dos principais filósofos gregos. Fonte: Wikipedia.
Não exatamente, até porque o conceito de ambientalismo é muito mais recente (século XX). Mas os gregos ajudaram a aproximar da questão. No Ocidente, os primeiros filósofos com foco no meio ambiente – mais propriamente, filósofos naturais, antecessores de ciências como a Biologia – surgiram na Grécia a partir do século VI a.C.
Considerado um dos “Sete Sábios da Grécia” – e um dos primeiros filósofos –, Tales de Mileto (séc. VI a.C.) olhou com muita atenção para a água, que considerava a substância primordial para todos os seres vivos.
Para Tales de Mileto, a água era o princípio da vida. A ciência moderna mostra que, sem água, não há vida como a conhecemos. Fonte: Getty Images.
Na mesma época, Anaximandro (também de Mileto) propôs uma das primeiras hipóteses científicas sobre a origem da vida: ela teria surgido da umidade. Anaximandro também percebeu a inter-relação entre os seres vivos.
⛲ “Panta Rei”: a ideia de que tudo flui
Em seus trabalhos, Heráclito (séc. VI a.C.) enfatizou a existência e a importância dos ciclos naturais. É atribuído a ele, aliás, o conceito grego de que “tudo flui” (“panta rei”), que se conecta à Lei de Conservação das Massas, enunciada por Lavoisier no século XVIII (“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”), e a algumas das correntes mais atuais de pensamento sobre a natureza.
⚠️ Platão e os primeiros alertas ambientais
Damos, então, um giro interessante. O foco deixa de ser a investigação da natureza, dos ciclos e relações naturais, e passa à pegada humana sobre o meio ambiente. Nosso autor é ninguém menos que Platão, que em “Crítias” se refere à degradação ambiental pelo desmatamento na Ática (onde fica Atenas) e seus efeitos perniciosos para as pessoas.
Na mesma linha e período (séc. IV a.C.), Aristóteles destacou a relação entre a natureza e o bem-estar humano. E Xenofonte observou a necessidade de se praticar a agricultura de forma sustentável. Vale indicar que, já naquela época, a produção agropastoril – de trigo, azeitonas, uvas e produtos lácteos – tinha como foco o consumo e a exportação (o que, por certo, gerava uma pressão por novas áreas de cultivo).
Pioneiros do Ocidente: da esquerda para a direita, representações gregas e romanas de Heráclito, Platão, Aristóteles, Xenofonte e Teofrasto. Fonte: Wikipedia.
Outros pensadores de olho na natureza
A lista de pensadores é extensa e, claro, não se encerra neste artigo. Podemos citar, por exemplo, o sucessor de Aristóteles, Teofrasto (séc. IV a.C.), que produziu tratados sobre Botânica influentes em todo o mundo ocidental até o Renascimento.
🌱 Mas, você já parou para pensar por que esses filósofos chegaram tão perto da natureza?
O primeiro motivo é sua proximidade em relação ao mundo natural. Em um mundo “em construção”, ele era a grande reserva – de esperanças, riquezas, possibilidades, medos e descobertas (como em nossa época!).
A segunda razão é histórica: eles começaram a filosofar porque viveram condições ideais para isso, em uma área do planeta – o “Levante”, a leste do Mar Mediterrâneo – que era um verdadeiro entroncamento de culturas, do Oriente e do Ocidente, marítimas e terrestres, e que tinham no comércio uma de suas forças motrizes. Comércio que exige contato, conversa, diálogo, proposta e tentativa de convencimento – exatamente como a Filosofia!
🏯 E em outras partes do mundo?
Neste artigo, focamos de forma mais específica os antecessores gregos do atual pensamento ambiental. E fizemos isso porque esses nomes se conectam diretamente à Filosofia e, a partir dela, ao Pensamento Científico e à Ciência.
Isso, porém, não significa que outras antigas civilizações não abordaram a questão de forma profunda e com muita coerência. Muito pelo contrário!
Ciclo e complemetariedade: Lao-Tzu é um dos pensadores chineses mais influentes. Sua obra, o “Tao Te Qing”, estabelece conexões diretas e profundas entre os seres humanos e a natureza. Fonte: Wiki.
Os chineses, por exemplo, trouxeram colaborações importantes com pensadores taoístas como Lao Tzu (séc. VI a.C.) e Chuang Tzu (séc. IV a.C.), que destacaram a conexão entre os seres humanos, os elementos e os ciclos da natureza. Essas contribuições ficaram conhecidas no Ocidente a partir do séc. XVI, quando jesuítas que estavam na China publicaram as primeiras traduções.
Os povos indígenas das Américas, por exemplo, sempre compreenderam a floresta como um organismo vivo e interdependente, em que cada ser tem papel essencial na manutenção da vida. Já em muitas culturas africanas, rios e florestas são entidades espirituais, guardiãs da comunidade e merecedoras de um olhar redobrado de cuidado.
No Pacífico, povos polinésios desenvolveram práticas de manejo sustentável dos oceanos, baseadas em ciclos de pesca e respeito aos ritmos naturais. Essas cosmovisões mostram que a consciência ambiental não é exclusiva do Ocidente: ela floresceu em diferentes lugares, com formas diversas de sabedoria que devem ser conhecidas.
🍃 Conclusão: Ecos antigos num planeta em alerta
Hoje, quando falamos em aquecimento global, perda de biodiversidade e esgotamento de recursos naturais, estamos, em grande medida, revisitando questões que os filósofos gregos – e pensadores de outras civilizações – vislumbraram há mais de 25 séculos. A diferença é a de que, agora, os dados são inequívocos e a urgência é muito maior.
Os filósofos gregos perceberam, há muito tempo, o encadeamento entre todos os elementos que formam a natureza. Sua mensagem pode servir como alerta para a atual civilização. Fonte: Getty Images.
Longe de ser meras curiosidades históricas, os gregos nos lembram de algo fundamental: a consciência ambiental não é uma moda passageira nem uma invenção do nosso século – é um fio que atravessa a história do pensamento ocidental. E, talvez, o mais importante que eles nos legaram seja a própria pergunta: qual é o nosso lugar na ordem da natureza? A resposta está nas nossas mãos.
Formação de professores em Chapecó: o objetivo das formações é oferecer uma experiência integral, que se reflita nas ações docentes em sala de aula. Foto: Editora Opet.
As formações pedagógicas desempenham um papel central nas parcerias da Editora Opet com os municípios. Por meio delas, no diálogo e na construção conjunta do conhecimento, os professores conseguem acessar e desenvolver os melhores usos dos materiais e recursos educacionais. E os gestores, avançar no fortalecimento da educação. Com intencionalidade, olhar crítico e troca de experiências. O resultado? O fortalecimento da aprendizagem e o desenvolvimento integral das crianças e dos estudantes!
Nas últimas semanas, os assessores pedagógicos da Editora estiveram em municípios do Paraná, Ceará, Santa Catarina, Mato Grosso e Minas Gerais para mais um ciclo de formação continuada. Esses encontros fortalecem a parceria com as redes municipais, promovendo reflexão qualificada sobre práticas pedagógicas e o uso assertivo dos materiais e soluções Opet, sempre com foco na potencialização dos resultados educacionais. A seguir, destacamos o trabalho desenvolvido em três redes municipais.
🫶 Astorga: encontro com 400 profissionais de Educação
Em Astorga, município parceiro Opet na região norte do Paraná, a formação – com o atendimento do supervisor regional Fernando Corrêa – aconteceu nos dias 13 e 14 e envolveu nada menos do que 400 profissionais de Educação, entre professores e gestores, além das famílias dos estudantes – que participaram de um Encontro com Familiares (EFAM).
Entre os atendimentos, uma palestra com a pedagoga e professora Gabriela Menezes sobre o tema “Educação inclusiva na prática: estratégias possíveis para o cotidiano pedagógico com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”.
Educadores na palestra “Educação inclusiva na prática: estratégias possíveis para o cotidiano pedagógico com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, com a professora Gabriela Menezes. Foto: Editora Opet.
“Foi excelente! A palestrante foi perfeita em sua apresentação e o conteúdo foi exatamente o que esperávamos. Os professores elogiaram muito”, diz a secretária municipal de Educação de Astorga, Graziella Cavallari. Em relação ao trabalho desenvolvido pela Opet no município, Graziella destaca a presteza e a qualidade no atendimento pelos assessores e supervisores. “Temos uma equipe sempre muito próxima e muito presente para atender as nossas demandas”, sintetiza.
🤝 Aquiraz: gestão escolar para a equidade
O município mais antigo do Ceará – e, também, sua primeira capital –, Aquiraz é um parceiro estratégico da Editora Opet. Lá, o trabalho também foi realizado nos dias 13 e 14, envolvendo 85 professores dos primeiros e segundos anos do Ensino Fundamental, os 56 diretores das escolas do município e os superintendentes da secretaria de Educação.
Professores de Aquiraz durante a formação: o foco, aqui, foi na educação socioemocional. Foto: Editora Opet.
No caso dos diretores, como explica o supervisor regional Glaylson Rodrigues – responsável, na Editora, pelo atendimento –, foi organizado um fórum especial com o tema “Gestão escolar para a equidade: estratégias para a redução das desigualdades educacionais”, apresentado pela coordenadora pedagógica Rúbia Cristina da Costa, da Editora Opet. O secretário pedagógico de Aquiraz, Pedro Lioba, se disse entusiasmado com o trabalho desenvolvido com os gestores. “Só posso dizer que a formação impactou positivamente na rede de ensino.”
📈 Chapecó: parceria histórica pela educação Localizado no Oeste de Santa Catarina, Chapecó é parceiro da Editora Opet há vários anos, com foco na aprendizagem e no desenvolvimento integral das crianças e dos estudantes. Na rede municipal, o primeiro ciclo formativo do ano começou no dia 20 de março, com os professores. A formação envolveu nada menos do que 700 educadores de todos os componentes da Educação Básica e da Educação Especial. Os professores de Arte, Ciências, Geografia, História, Língua Inglesa, Língua Portuguesa, Matemática, Educação Física e Educação Especial puderam se aprofundar nas possibilidades de uso dos materiais didáticos e dos recursos educacionais digitais.
Iniciado em março, ciclo formativo em Chapecó envolveu mais de 700 professores e 360 gestores e integrantes das equipes da SME. Foto: Editora Opet.
No período de 14 a 17 de abril foi a vez dos cerca de 360 gestores e integrantes da equipe técnica da secretaria de Educação. O foco foi em um tema que ganha cada vez mais importância no contexto educacional: a Inteligência Emocional, mas voltada à gestão de pessoas e situações na escola.
Por fim – mas não menos importante –, no último dia 23 a formação teve como público os professores da Educação Infantil que atuam com a Língua Inglesa. Essa formação foi conduzida pela professora Vera Rauta, uma grande especialista. O tema – “A Língua Inglesa na Educação Infantil: quando a língua adicional dialoga com a infância” – buscou aproximar o idioma da vivência das crianças. “Chapecó se destaca pelo alto nível de organização e engajamento, desde o planejamento pela equipe da SEDUC até a participação dos educadores”, avalia Marina Kalinowski, supervisora regional da Editora responsável pelo atendimento. “A dedicação de todos faz a diferença no dia a dia das escolas e contribui para fortalecer os resultados da rede municipal de ensino.”
Ferramenta foi testada por professores parceiros que validaram seu funcionamento. Essa é uma etapafundamental para a qualidade da interação educador-ferramenta – e para os resultados do processo.
Novidade no ar: as equipes de Tecnologia Educacional(TE) e do Programa Indica, da Editora Opet, estão finalizando o desenvolvimento de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) que em breve vai tornar os planos de intervenção dos municípios e escolas privadas mais precisos e eficientes.
“Os dados das avaliações permitem construir planos de intervenção”, explica Silneia Chiquetto, coordenadora do Programa Indica. “Esses planos, porém, devem ser precisos e realizáveis. E é justamente aí que entra a IA: como um facilitador de alto nível dessa construção.”
Uma IA a serviço da melhoria da aprendizagem
O coordenador de TE da Editora, Mikhael Gusso, explica que a IA do Indica constrói os recursos a partir da inserção de informações das avaliações (inputs) pelos professores e gestores e, também, de dados oriundos de fontes e bibliotecas relacionadas à educação. Ela também é capaz de aprender com a própria experiência e com os dados acumulados no trabalho.
Os dados das avaliações são transformados em prompts de IA pelos professores.
Entregas sob medida para recuperar a aprendizagem
“Um professor pode, por exemplo, criar um prompt para a geração de conteúdos de um plano de intervenção a partir das habilidades da BNCC (ou, ainda, dos descritores do SAEB e matriz do CNCA) já cadastradas na ferramenta de IA da Plataforma Indica”, explica Mikhael. “Nesse formato, a IA se baseia nas habilidades e/ou descritores selecionados e gera conteúdos específicos para a intervenção.”
Outra forma é selecionar materiais da biblioteca digital da Opet ou externos para que, a partir deles, a IA gere os conteúdos. A ferramenta, aliás, também está habilitada a desenvolver recursos por conta própria, baseada em referências selecionadas do cenário educacional.
A IA é um axuliar poderoso na construção de conteúdos específicos – como exercícios e trilhas de aprendizagem – para a ativação dos planos de intervenção
E que conteúdos são esses?
Os próprios planos de intervenção, que, como explica Silneia, podem trabalhar por estudante, turma, escola e rede de ensino, além de conteúdos específicos, trilhas de aprendizagem, exercícios, quizzes e referências. Com intencionalidade pedagógica máxima.
O plano de intervenção na palma da mão
No modo digital, via Plataforma Indica ou Plataforma Inspira (com o e-mail @opeteducation e a senha cadastrados pela rede de ensino) ou no formato impresso. A escolha é feita pelo professor.
O acesso, reforça Silneia, é intuitivo. Basta acessar a plataforma e clicar no ícone correspondente.
IA que aprende com as pessoas
Mas, quando o recurso de IA estará disponível? Ele está na etapa final de ajustes e deve ser apresentado em breve. Recentemente, foi testado com um parceiro de valor do Programa Indica, o município mineiro de Varginha.
“E ele foi muito bem aceito pelos professores e gestores”, conta Mikhael. “Isso porque, em primeiro lugar, existe uma sinergia da educação em relação à tecnologia. Além disso, os educadores estão buscando ferramentas seguras e intuitivas como a nossa. Como ela foi criada para o ambiente educacional e dentro dele, dispensa prompts sofisticados ou conhecimentos mais específicos pelos usuários.”
Ao testar a ferramenta, os educadores de Varginha ofereceram informações importantes para que ela chegue ainda mais “redonda” a todos os usuários finais. Um processo, enfim, de aprimoramento da máquina a partir do humano.
“Com a IA do Indica, as redes de ensino terão um recurso poderoso para seus planos de intervenção. E o melhor: uma ferramenta que aprende continuamente, e que vai entregar materiais e trilhas de aprendizagem individualizados. Para cada rede, o melhor plano de intervenção”, avalia Silneia.
Mikhael destaca a integração entre as pessoas e a ferramenta, lembrando que a IA não substitui nunca o profissional. “Todos os produtos gerados, evidentemente, devem ser verificados e validados pelos educadores. É isso – a soma entre o conhecimento humano e a capacidade que a máquina tem de gerar soluções – que transforma a IA em um recurso excepcional.”
Em breve, a IA do Indica estará disponível para apoiar professores e gestores em todo o Brasil. Acompanhe nossas próximas publicações e descubra como levar esse recurso para sua rede de ensino.
Multidões nas ruas, música, alegria, calor, brilho, criatividade e muito trabalho conjunto. Só quem vive no “país do Carnaval” tem a dimensão da importância sociocultural que a festa pode alcançar. Outros países, é claro, também festejam o Carnaval – uma celebração de origem europeia relacionada ao calendário da Igreja desde a Idade Média, há pelo menos mil anos –, mas só no Brasil houve essa fusão criativa de culturas com resultados tão brilhantes.
Nesta edição momesca de #EducaçãoHumaniza, vamos investigar as origens africanas do Carnaval brasileiro. Aqueça os tamborins… e venha com a gente!
A busca por uma origem
Quando buscamos as raízes africanas do Carnaval brasileiro, a pergunta a se fazer é: como se deu essa aproximação? Afinal, como apontamos acima, a festa está diretamente ligada ao catolicismo europeu. O Carnaval é uma “compensação prévia”, feita de excessos e alegria, antes da quaresma, período de observância de jejuns, abstinência e oração.
Dito isso, vem a pergunta: o que, afinal, os povos africanos – muitos dos quais, originalmente seguidores de religiões tradicionais próprias ou, então, muçulmanos – tinham a ver com esse calendário?
A resposta passa pela política colonial portuguesa, que somava a violência da escravização, a economia transatlântica e a imposição religiosa. Vamos saber mais.
Representação de Carnaval medieval por Pieter Bruegel, o Velho (1559). Fonte: Wikipedia.
Um drama em dois continentes
Só de imaginar o processo de escravização aplicado pelos portugueses (e por outros povos europeus) entre o século XVI e a primeira metade do século XIX, a gente já se arrepia. Não é caso, porém, de só imaginar, uma vez que ele está bem documentado em obras como “O Navio Negreiro”, de Castro Alves, a trilogia “Escravidão”, de Laurentino Gomes, e em “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre. É, sim, caso de indignar-se – e de tentar acrescentar uma camada extra de compreensão sobre a história do nosso país.
No tráfico transatlântico, mulheres, homens e crianças eram arrancados de sua terra natal na Costa Ocidental Africana (Golfo de Benin, Angola, Congo, Moçambique) –, sequestrados ou, então, vendidos como prisioneiros para mercadores de pessoas – e enviados ao Brasil.
Aqui, se sobrevivessem às condições duríssimas da travessia, eram revendidos e empregados na lavoura extensiva de culturas como a cana-de-açúcar e café (o chamado “eito”), atividades domésticas e obras públicas.
Nesse processo, em nome do controle por seus dominadores, eram convertidos à força ao catolicismo, religião oficial do império português. Tinham suas práticas religiosas originais proibidas, eram batizados com nomes cristãos (muitas vezes, os sobrenomes de seus “senhores” ou, então, de ordens religiosas) e eram obrigados a participar de cerimônias e rituais do calendário litúrgico. E é justamente esse o ponto de intersecção, o ponto de partida da relação entre o Carnaval e as culturas africanas.
Plano construtivo do navio negreiro inglês “Brooks” (séc. XIX). Fonte: Wikipedia.
Espaços de resistência
Movimentos de resistência à dominação passam, muitas vezes, pela percepção daqueles espaços em que é possível entrar e afirmar a própria identidade. Foi exatamente isso que aconteceu em relação ao Carnaval, festa popular que, por seu caráter disruptivo e irreverente, abriu espaço para manifestações culturais africanas. Uma festa de ruídos, bulha e inversão criativa, como bem observou o filósofo Mikhail Bakhtin, grande especialista no tema e em sua relação com a cultura.
Nesse momento tão interessante, tão peculiar, essas manifestações negras – que, por sua relação com a quaresma, se ligavam à “aceitação” da fé católica – surgiam e, aos poucos, também iam sendo incorporadas e transformadas em algo novo.
É nesse encontro entre repressão e criatividade, entre opressão e resistência, que surgem os batuques, os cortejos e os ritmos que moldaram o Carnaval brasileiro. Ou seriam “os Carnavais brasileiros”? É o que vamos ver agora.
“O Berimbau”, desenho de Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Fonte: Wikipedia.
A presença negra nos muitos carnavais brasileiros
Antes de avançar para as contribuições africanas ao carnaval brasileiro, é interessante observar que o nosso país não possui apenas um carnaval, mas carnavais. A festa é uma só, mas com características culturais locais.
É bem verdade que, nas últimas décadas, essa diversidade cedeu terreno a uma festa mais uniforme, mediada pelos meios de comunicação; mesmo assim, em várias regiões ainda há festas bem características, bem tradicionais, como os afoxés da Bahia e os Papangus do Carnaval de Bezerros (Pernambuco).
Nesse contexto, as fontes culturais que formam o nosso carnaval – europeias, indígenas e africanas – podem aparecer com maior ou menor prevalência. A presença africana, porém, é sempre muito poderosa, em especial na sonoridade da celebração.
Papangus do Carnaval de Olinda, Pernambuco. Fonte: Wikipedia.
Do barulho aos ritmos carnavalescos
Bumbos, pratos, cornetas, matracas e gritos sempre fizeram parte do Carnaval. A “barulheira” era uma das características da celebração medieval, que se opunha justamente ao silêncio que deveria ser guardado a seguir, na Quaresma.
Foi esse o contexto de entrada dos instrumentos musicais africanos tradicionais; eles não vieram, porém, apenas como “máquinas de fazer barulho”, mas chegaram trazendo ritmos, marcações e um sentido musical, o que contribuiu de forma decisiva para a musicalidade do Carnaval brasileiro em todas as suas vertentes – dos afoxés ao “partido alto”, do frevo ao axé. Ou seja: boa parte da música carnavalesca tem, sim, suas raízes na África.
Tocadores de tambor de Gana, África Ocidental. Fonte: Wikipedia.
E que instrumentos africanos – ou herdeiros deles – encontramos no nosso Carnaval?
O mais célebre deles é o pandeiro, cuja origem não é apenas africana, mas que chegou a partir da África com os próprios escravizados ou, então, com os portugueses sob influência dos povos árabes do Norte da África.
Pandeiro. Fonte: Getty Images.
Outra “figurinha carimbada” é a cuíca, instrumento originalíssimo, comum no Carnaval carioca, herdeiro dos instrumentos africanos de fricção. Sua ideia é interessante: materiais distintos são friccionados junto a uma caixa de ressonância, gerando um “gemido” muito peculiar. E, com habilidade, o sambista consegue fazer o instrumento “falar”!
Protagonistas nas cerimônias das religiões de matriz africana, os atabaques – tambores altos em forma de pinhão – estão muito presentes nos blocos afro e afoxés, imprimindo uma cadência poderosa às músicas.
No caso do agogô, o próprio nome indica a origem do instrumento. É uma palavra de origem iorubá, de povos que vivem no oeste da África (Nigéria, Benin e Togo) e têm uma cultura musical muito rica – uma das grandes matrizes da nossa música carnavalesca. O agogô é um tipo de sino normalmente metálico que, quando percutido com uma haste, gera um som agudo que participa diretamente da marcação do ritmo.
Agogô. Fonte: Getty Images.
“Bum-bum, bum-bum, bum-bum…” – quando você está acompanhando um samba-enredo e percebe aqueles “batidões” lá no fundo, graves e poderosos, pode ter certeza de que está escutando um ou mais surdos em ação. Esses grandes tambores, cujas dimensões e profundidades podem variar, são essenciais no Carnaval brasileiro. E, é claro, têm origem nos tambores cerimoniais africanos.
Conclusão: a mão que toca o tambor
Instrumentos musicais não chegam sozinhos a uma festa e, evidentemente, também não tocam sozinhos. Por trás deles há pessoas e intencionalidade, conhecimentos prévios e cultura. Dito isso, podemos retomar uma ideia colocada alguns parágrafos acima, de que os povos africanos não apenas trouxeram instrumentos, mas colaboraram de forma decisiva para os ritmos e para a riqueza da música de carnaval – e, é claro, para a própria Música Popular Brasileira (MPB). Com inteligência sonora, criatividade e sensibilidade.
Não se pode esquecer, também, que a presença negra – africana e afro-brasileira – também colaborou e colabora muito para a estética do Carnaval do Brasil e para a sua temática. Nas danças, na corporeidade e nos enredos – sobre suas lutas, desafios, saudades, referências às culturas, religiões e religiosidades da África. E é justamente isso que faz do Carnaval Brasileiro um espetáculo de alcance global.
Para saber mais
Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), Salvador – O MUNCAB é um museu com ênfase na valorização de aspectos da cultura de matriz africana, destacando a sua influência sobre a cultura brasileira.
Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, São Paulo – Fundado em 2004, é uma instituição da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Localizado no Parque Ibirapuera, ocupa 12 mil m² e abriga um acervo com mais de 8 mil obras.
Museu do Samba, Rio de Janeiro – O Museu do Samba nasceu como Centro Cultural Cartola, fundado em 2001 pelos netos de Cartola e Dona Zica, lideranças da comunidade onde a instituição está sediada, na cidade do Rio de Janeiro, RJ. Desde 2007, é responsável pela salvaguarda das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro registradas como patrimônio imaterial pelo IPHAN.
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira – Único dicionário brasileiro dedicado exclusivamente à Música Popular Brasileira, iniciado em 1995 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), por meio do Departamento de Letras, e pela Editora Francisco Alves, com o apoio técnico do IES – Engenharia de Informática e Sistemas. Em 1999, o Ministério da Cultura retomou o projeto do Dicionário por meio da Fundação Biblioteca Nacional.
“Universidade”: quando a gente lê a palavra, pensa imediatamente em ensino superior. E é isso mesmo: ela é o lugar para a formação especializada em uma infinidade de áreas, da Geologia à Medicina, da TI à Pedagogia, e até em “zonas do conhecimento” que, neste exato momento, estão sendo imaginadas!
Universidade também é o lugar do encontro de pessoas para a troca e a construção de conhecimentos, de olho no desenvolvimento da civilização. Uma criação humana notável, que tem tudo a ver com a ideia de que a Educação Humaniza, mote da Editora Opet para 2026. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, investigamos o surgimento das universidades. Venha com a gente!
O nome universidade tem a ver com universo?
A resposta é sim: universidade vem do termo latino universus, formado por unus (um) e versus (voltado para), gerando a ideia de algo “voltado para o todo”, capaz de abranger o conjunto das coisas.
Ou seja, universo é o conjunto de tudo o que existe e que é percebido assim, em conjunto, em suas conexões. E isso nos permite entender porque, na Astronomia, ele é usado para identificar o espaço sideral, a matéria, a energia e o tempo.
Esse é um começo instigante. Mas, como a palavra acabou identificando o que, hoje, conhecemos como universidade? A ideia de um lugar voltado a todos os saberes é boa e faz muito sentido. Para chegar mais perto de uma conexão com seu início histórico, porém, é preciso voltar no tempo, mais exatamente para a Idade Média ocidental, que é quando o termo começou a ser utilizado nesse sentido.
“Universitas magistrorum et scholarium”
Essa é a resposta! Na Europa, por volta do século XI – na passagem da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média, em áreas de países como França, Itália e Alemanha – essa expressão era utilizada para identificar os primeiros grupos modernos ocidentais especializados em trocar e produzir conhecimentos.
“Universitas magistrorum et scholarium” significa, exatamente, o “conjunto (universitas) de professores (magistrorum) e estudantes (scholarium). Eureka!
Mas, voltemos a esses grupos. Por que eles se reuniam? E como eles conseguiam se manter?
A ideia de um grupo de especialistas transmitindo conhecimentos tem suas raízes na própria Baixa Idade Média – período que antecedeu a Idade Moderna – e no ressurgimento das cidades e do comércio.
Um começo “corporativo”
Ela tem tudo a ver com as corporações de ofício (de alfaiates, sapateiros, ferreiros, carpinteiros, pedreiros, marceneiros, padeiros, etc.), mas com um objeto um pouco diferente. Se as corporações se organizavam para fornecer conhecimentos técnicos e padrões para a produção de bens materiais e serviços, no caso das universidades o foco era outro. Mais exatamente, os do Direito, Medicina, Filosofia e Teologia – áreas de saberes “imateriais”, mas tremendamente relevantes para a vida das sociedades porque conectadas à organização e à gestão do Estado (naquele momento, os Estados modernos estavam começando a aparecer).
A arte da gestão
O valor do que esses grupos produziam, a importância que possuíam, nos permite entender quem os financiava. Vale lembrar que seus conhecimentos não geravam ganhos diretos como os produzidos pela venda de uma espada ou a construção de uma igreja; porém, eram muito importantes porque permitiam aos mandatários fortalecer a arrecadação de impostos, armar exércitos para financiar guerras, relacionar-se com as grandes casas bancárias (que já existiam), firmar acordos diplomáticos e de casamentos reais, encontrar dinheiro para os gastos pessoais dos reis, justificar estes gastos…
As universidades eram bancadas pelas próprias cidades (burgos), pelos reis que começavam a aparecer depois de um longo período de feudalismo, pela Igreja (que detinha a maior parte do conhecimento letrado no Ocidente) e, também, por pessoas de posses – burgueses e pequenos nobres – que, estrategicamente, queriam formar seus filhos para as “profissões do futuro” daquele momento.
Mas, quais foram as primeiras universidades?
Resposta na ponta da língua: as primeiras universidades são as de Bolonha, na Itália (fundada em 1088), Oxford, na Inglaterra (cerca de 1096), e Paris (cerca de 1150).
Ótimo! Só que não! Isso porque elas são as primeiras e, ao mesmo tempo, não são!
Como assim?! Elas foram, efetivamente, as primeiras, porém dentro dos limites da cristandade de então, ou seja, nos territórios do Velho Mundo de maioria cristã – mais exatamente, as Europas Ocidental e Central.
Dito isso, podemos chegar a universidades ainda mais antigas, que funcionam até hoje. São duas: as de Al-Qarawiyyin, situada em Fez, no Marrocos (fundada em 857), e Al-Azhar, no Cairo, Egito (fundação: 988).
O que essas instituições têm em comum? Elas nasceram em países de maioria islâmica. Na Idade Média, vale observar, boa parte dos conhecimentos antigos – gregos e latinos –, assim como novas investigações (nos campos que viriam a produzir a Química, a Biologia, a Astronomia e a Medicina), foram preservados e cultivados pelos povos islâmicos.
No caso dos conhecimentos religiosos, é interessante pontuar que, no Islã, eles se aproximam das leis civis; o que significa dizer que, neste contexto, as figuras e o papel do clérigo e do advogado muitas vezes se misturavam.
As universidades, porém, não ficaram só nos limites das ciências “imateriais”. É o que vamos ver a seguir.
Reis, fortalezas… conhecimento e poder
A chegada da Idade Moderna – marcada, em termos esquemáticos, pela conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos no ano de 1453 – trouxe à Europa o fim do feudalismo e o nascimento dos Estados Modernos.
Iam saindo de cena os feudos e entrando em cena os reinos (e, depois, os impérios). Com eles, nesse grande movimento, também vieram tecnologias decisivas como as da pólvora e da bússola, vindas da China e convertidas em grandes ferramentas de poder. Os interesses de comércio “destravaram” as navegações, aumentando muito seu alcance e gerando a Era Colonial ou “dos Impérios” (Portugal, Espanha, Reino Unido, França).
As universidades, então, se expandem para outras áreas bem mais “materiais”, como as de Engenharia de Fortificações, Metalurgia e Balística (para se alcançar o uso mais eficiente dos canhões), Astronomia e Cartografia.
Muitas vezes, inclusive, esses centros de ensino eram exclusivamente voltados a essas áreas, e se aproximavam de exércitos que também iam se profissionalizando. Três exemplos: a Academia Militar de Turim, Itália, fundada em 1678, a École du Génie de Mézières, nas Ardenas, França (de 1748), e a Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, em Lisboa, Portugal (1790).
Da mesma forma, também é possível associar as antigas “universidades militares” às atuais universidades politécnicas, voltadas à formação de engenheiros e outros profissionais de ciências exatas. O saber técnico-militar abriu caminho para o saber científico-industrial. A primeira universidade politécnica, aliás, nasceu no calor da Revolução Francesa, na passagem para a Idade Contemporânea: estamos falando da École Polytechnique de Paris, fundada em 1794 para formar engenheiros e cientistas em áreas aplicadas.
O sucesso político, econômico e militar global das potências europeias ao longo de boa parte dos últimos quinhentos anos teve nas universidades (e no conhecimento gerado por elas) uma de suas bases. E, é claro, ajudou a espalhar o modelo de universidades pelo mundo – Américas, África, Ásia, Oceania.
E isso significa dizer que, em outros lugares, não existiam iniciativas semelhantes?
Sim e não!Sim, porque as “universidades” em um sentido europeu (e eurocentrado) nasceram, mesmo, na Europa, dos contextos e configurações próprias da região – como as decorrentes do poder da Igreja, do mundo feudal, do renascimento das cidades e do comércio etc. Esse modelo acabou prevalecendo em todo o mundo.
E não, porque outras civilizações possuíam demandas semelhantes por profissionais ligados à administração pública e às ciências aplicadas – e criaram suas próprias instituições.
O caso mais ilustrativo, aqui, é o da China, que viu sua primeira universidade – a de Beijing – ser fundada apenas no final do século XIX, em 1898. No entanto, a mesma China possuía academias imperiais desde, pelo menos, o século II. Essas instituições eram encarregadas de formar burocratas para a enorme máquina administrativa chinesa – e também se ocupavam de pesquisas científicas e temas filosóficos. Ou seja: cumpriam boa parte do que entenderíamos, deste lado do mundo, como universidade… só que eram muito mais antigas!
As primeiras universidades americanas
O poder colonial europeu nos séculos XVI-XVII gerou vastos impérios que tinham entre seus territórios toda a América, repartida entre Espanha, Portugal, França e Reino Unido. Esse domínio incluiu, também, a fundação de escolas de ensino superior, muitas das quais eram diretamente relacionadas à Igreja. Enquanto os portugueses não autorizavam universidades fora da “metrópole” – o que forçava as elites das colônias a se formarem em Portugal, reforçando seus laços com o poder central –, espanhóis e ingleses não pensavam da mesma maneira.
No Brasil, as primeiras faculdades nasceram no início do século XIX, com a chegada da família imperial portuguesa, e as primeiras universidades surgiram a partir de então. Há quem aponte que a Escola Politécnica da UFRJ nasceu da antiga Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, fundada em 1792 pelos portugueses – o que situaria a instituição carioca, em definitivo, como a mais antiga do Brasil.
Conclusão: a universidade… universal!
Neste artigo, abordamos a etapa inicial das universidades, que se conecta a uma fantástica jornada humana relacionada ao conhecimento, à ciência, ao fim das superstições e ao poder político. Em 2026, segundo dados do QS World University Rankings, há entre 25 mil e 30 mil universidades em todo o mundo, sem contar faculdades isoladas e centros universitários. Esses números demonstram a relevância dessas instituições, que, a cada ano, formam incríveis 45 milhões de pessoas, segundo estimativa do UNESCO (os matriculados chegam a 264 milhões).
Em um momento de aceleração tecnológica e alta especialização dos conhecimentos, as universidades são forçadas a encarar grandes mudanças, como a de oferta de novos cursos ou, mesmo, de novos formatos de ensino que permitam, por exemplo, formações “híbridas”. E fazem isso com o mesmo espírito que as fundou – o de universitas, ou seja, de um olhar amplo sobre um todo vivo, complexo e vibrante.
Representação artística de um nanorrobô produzida por IA.
Não há quem não saiba o que são robôs, não é verdade? Robôs são máquinas programadas e que executam tarefas de forma automática. O termo, surgido há cerca de cem anos em uma obra de ficção científica do escritor checo Karel Čapek, também serve para identificar máquinas “com cara de gente”, como as que vemos nos filmes.
Karel Čapek. Fonte: Wikipedia.
Mas, você sabe o que são nanorrobôs? Devem ser robôs bem pequenininhos, certo? Certo! Nanorrobôs são máquinas espetaculares, que passaram a ser desenvolvidas e aprimoradas nos últimos anos para missões bem especiais. Vamos conhecê-las? Seja bem-vindo a mais uma edição de “Futuro Presente”!
Pequenininhos, mesmo!
Tudo o que começa com o prefixo “nano”, quando o assunto é ciência e tecnologia, é bem pequeno. E bota pequeno nisso! Para se ter uma ideia, um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro (1 nm = 10⁻⁹ metros). Se esse número não diz muita coisa, basta imaginar a espessura de um fio de cabelo… e dividi-la por cem mil! É muito pequeno, atômico mesmo! Tanto, que só pode ser visto com microscópios eletrônicos, que são os mais potentes. Aliás, se usamos átomos como referência, 1 nm equivale a algo entre 3 a 5 átomos alinhados.
Com essa medida em mente, podemos pensar, de modo geral, em nanorrobôs: são máquinas construídas em escala nano, ou seja, com porções muito reduzidas, atômicas, de matéria. E, mesmo assim, são capazes de realizar tarefas complexas, como transportar medicamentos para dentro de células cancerosas, por exemplo. Elas são compostas por um motor, que possibilita seus movimentos, e por um sensor, que permite uma resposta diante de determinadas situações.
E, ao contrário do que manda a nossa imaginação (não há como não imaginá-los como aquelas máquinas humanoides dos filmes), eles, de modo geral, são mais parecidos com um pedaço de tecido com capacidade de reação: quando “percebem” um alvo (uma célula cancerosa, por exemplo), podem mudar de forma, catalisar (ou seja, acionar uma reação) e “disparar” uma substância.
Viagem Fantástica
Fonte: Wikipedia.
Em 1966, o filme “Viagem Fantástica” (“Fantastic Voyage” – cartaz do filme ao lado), um grande sucesso do cinema de ficção científica, trouxe uma ideia instigante: na história, cientistas conseguem miniaturizar objetos e seres vivos em uma escala muito reduzida. Então, eles miniaturizam uma “nave”, com tripulação e tudo, e a injetam na corrente sanguínea de uma pessoa com um coágulo no cérebro; a missão dos “organismautas” – se podemos batizá-los assim – seria drenar este coágulo e salvar a vida do paciente. Legal, né? Legal e engenhoso!
Ainda não conseguimos criar uma tecnologia que reduza o tamanho de um objeto; porém, já temos nas lâminas dos microscópios muitos nanorrobôs especialmente criados para missões semelhantes à do filme. Vamos descobrir quando tudo começou.
Entram em cena os “nanobots”
Richard Feynman. Fonte: Wikipedia.
O ano era 1959. Em uma conferência nos Estados Unidos, o físico Richard Feynman, vencedor do Prêmio Nobel em 1965, usou pela primeira vez a expressão “nanobots” (em português, “nanorrobôs”) para se referir a futuras máquinas, em escala nanométrica, capazes de curar doenças cardíacas com intervenções ao mesmo tempo muito reduzidas e precisas. Alguns anos depois, outro cientista, Eric Drexler, aproveitou a ideia para escrever um livro em que falava da possibilidade de construção de máquinas em escala molecular, para uso em aplicações no campo da biologia celular.
Em 1999, o físico Robert Freitas Jr. lançou o primeiro estudo com foco na viabilidade e no desenvolvimento desses aparelhos. Ele propôs a criação de nanorrobôs médicos, a que batizou “respirócitos” – sua função seria semelhante à dos glóbulos vermelhos. A partir de então, os estudos e as invenções não pararam mais!
Desafios
Tendo em mente o tamanho das máquinas, podemos concluir que sua produção implique porções minúsculas de materiais e ferramentas igualmente nanoscópicas – o que pede investimentos altos e muito conhecimento. E é isso mesmo! Em nosso tempo, os nanorrobôs são produzidos a partir de materiais orgânicos, como proteínas e polinucleotídeos (moléculas formadas por nucleotídeos, que são os blocos básicos do DNA e RNA), e também a partir de materiais inorgânicos como metais (como a prata e o ouro) ou diamante.
Nanomotor helicoidal coberto por um filme de ferro. Fonte: Wikipedia.
A coisa, porém, é bem complexa. Como observamos alguns parágrafos acima, essas máquinas possuem sensores e propulsores, e podem até contar com depósitos para o transporte de outros materiais em escala nano. Muitas vezes, inclusive, seu desenho foge à ideia que temos do que seria uma máquina – com engrenagens e braços, por exemplo, comuns aos equipamentos mecânicos que fazem parte do nosso dia a dia.
Essa complexidade torna o desenvolvimento dos nanorrobôs muito desafiador. Como construir componentes tão pequenos? Como energizá-los? Como, enfim, comunicar-se com eles? E é necessário pensar, também, em como o ambiente em que vão atuar reage à sua presença – poderá ocorrer, por exemplo, algum tipo de contaminação? E, depois que a tarefa for cumprida, o organismo ou ambiente hospedeiro precisará “expulsar” os nanorrobôs? Os cientistas estão buscando respostas a essas e outras perguntas. Eles buscam soluções em um maior conhecimento da própria natureza (do funcionamento dos tecidos humanos, por exemplo), em técnicas ainda mais refinadas para a construção das máquinas, para a comunicação com os “nanos” e para o controle das substâncias que podem ser transportadas por eles.
Mesmo com tantos desafios, o campo da nanorrobótica está crescendo. Um exemplo recente – do segundo semestre de 2024 – vem do Instituto Karolinska, da Suécia. Lá, pesquisadores criaram nanorrobôs que matam células cancerosas e reduzem o crescimento de tumores. Ao “ler” o tecido celular onde estão mergulhados – a partir do contato com substâncias químicas e até de respostas eletromagnéticas associadas ao metabolismo –, eles são capazes de identificar as células doentes, que, então, são atacadas e destruídas, sem prejuízo às células saudáveis.
Outras aplicações
Se os usos e o potencial da nanorrobótica na Medicina são apaixonantes, imagine que os “nanos” também podem ser usados em muitas outras áreas. Quer alguns exemplos?
Na restauração e limpeza de obras de arte e peças arqueológicas, que pedem, sempre, intervenções muito cuidadosas;
Na montagem e reparação de componentes eletrônicos em escala microscópica;
Na despoluição de rios e no tratamento da água;
No monitoramento e na nutrição de zonas de cultivo.
Para todos esses casos, vale observar, não estamos falando de nanorrobôs isolados, mas de verdadeiros “exércitos” de nanomáquinas.
Representação artística, gerada por IA, de um robô restaurando uma obra de arte. No caso dos “nanos”, a escala é infinitamente menor!
E o Brasil?
Em nosso país, há várias iniciativas no campo da nanotecnologia, inclusive algumas que trabalham com nanorrobôs. Na medida, porém, em que esse é um campo que exige grande investimento, muita especialização e interdisciplinaridade, o Brasil não está na vanguarda – caso de países como Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Coreia e Suíça. Esse “clube”, aliás, é bem restrito!
Mas, onde estão os nossos “nanoexperts”?
Entre os centros acadêmicos de pesquisa e formação na área de nanotecnologia – que abrange a nanorrobótica -, podemos citar as seguintes instituições: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Universidade de São Paulo (USP); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Da ficção… para a sua vida!
O caminho dos nanorrobôs é longo e está só começando (e olhe, que já são muitas as conquistas!). E, com o aporte de novas tecnologias às pesquisas – como as de novos materiais e, certamente, a da IA –, é de se esperar que, nos próximos anos, tenhamos muitas notícias sobre essas “maquininhas” tão instigantes. Um dos campos mais promissores, sem dúvida, é o da saúde, no tratamento de tumores, na reconstrução de tecidos, no ataque a vírus e no tratamento de aneurismas, por exemplo. Em síntese: é Futuro Presente!
#DESAFIO:
Agora, pare e pense: se você fosse um cientista, que tipo de solução você criaria usando nanorrobôs?
Em argila, papiro, pergaminho, papel ou, mais recentemente, em formato digital, os livros estão entre as maiores conquistas – e, certamente, as maiores expressões – da humanidade. Eles guardam as leis civis e os princípios religiosos, as ideias, a ciência e muitas histórias. São tão importantes e estão tão presentes que, muitas vezes, a gente nem imagina quando começaram. Afinal, quem escreveu os primeiros livros? E quando os livros impressos ganharam a “cara” que têm hoje, de um conjunto de folhas impressas e reunidas em um volume encadernado? É o que vamos saber neste artigo especial – boa leitura!
Escrita, acesso e mobilidade
Quando falamos em livros, a imagem que naturalmente vem à mente é a dos livros que conhecemos hoje: produzidos em papel, com capa, páginas internas e o formato de caderno. Um modelo perfeito para armazenar, transportar e acessar informações, que se tornou cada vez mais popular graças à descoberta e ao domínio das tecnologias de produção do papel (séc. II, China) e da impressão em tipos móveis (séc. XI, China e séc. XVI, Europa). E experimentou um salto a partir do século XIX, com avanços na indústria gráfica que culminaram, em nossa época, em tecnologias como a da impressão digital e a produção em larga escala.
Os primeiros livros da humanidade, porém, não reuniam toda essa praticidade! Ou melhor, reuniam, mas à sua maneira! E davam conta totalmente do recado – tanto, que muitos sobreviveram por mais de cinco mil anos! Estamos falando das tábuas de escrita cuneiforme, produzidas em argila cozida pelos sumérios, civilização que existiu na Mesopotâmia, em áreas dos territórios do atual Iraque e Síria, por volta de 3.200 a.C.; nelas, a escrita era feita usando-se espátulas com ponta em forma de cunha – daí o nome “cuneiforme”.
Tábua de argila com registro de escrita cuneiforme.
As tabuinhas, aliás, prenunciam o uso que damos hoje ao papel: no caso daqueles documentos que precisavam ser guardados, como leis, tratados e textos sagrados, elas eram queimadas e, assim, adquiriam grande resistência, sendo então guardadas nas primeiras bibliotecas; no caso de escritas do dia a dia – contas, recibos, recados, exercícios –, elas eram registradas em argila e postas a secar no sol. Quando necessário, a escrita podia ser apagada com água, permitindo que a placa fosse reutilizada para novos registros.
Outros suportes geniais para a produção de livros, ainda que um pouco mais recentes – mas, mesmo assim, muito antigas – vêm da China e, é claro, do nosso conhecido Egito Antigo. Na China, há cerca de quatro mil anos, os primeiros textos eram literalmente riscados em ossos e cascos de tartaruga. Pelo século VI a. C., porém, os redatores já usavam tiras de bambu costuradas em formato de esteira, onde escreviam usando pincel e tinta. Curiosamente, o bambu seria a base para uma das maiores invenções da história: o papel – sobre o qual falaremos daqui a pouco.
Quanto ao Egito, é impossível separar esta incrível civilização de uma palavra: papiro. O papiro, uma planta aquática (Cyperus papyrus), tornou-se essencial porque, por séculos, foi o principal suporte para a escrita. Não apenas no próprio Egito, onde era utilizado desde o século XXV a.C., mas também em Roma, que conquistou a civilização dos faraós (no séc. I a.C.) e disseminou seu uso por todo o império.
Rolos de papiro. Invenção egípcia se tornou muito popular no Império Romano.
Outras civilizações importantes da Antiguidade, como a indiana, usavam suportes vegetais para a escrita. Muitos textos clássicos do hinduísmo, como o “Mahabharata”, eram registrados em folhas de palmeira tratadas. As folhas, aliás, apresentam uma vantagem e uma desvantagem em comparação às tábuas sumérias de argila: são mais leves e fáceis de armazenar, mas, ao mesmo tempo, mais frágeis, podendo ser facilmente destruídas, rasgadas ou queimadas.
Códice: livro “com cara” de livro
Como vimos, os livros estão entre nós há muito tempo e são quase tão antigos quanto a própria escrita, que, aliás, foi inventada pelos sumérios. A escrita, vale observar, foi criada diversas vezes, por civilizações distintas e em épocas diferentes: mesopotâmicos, chineses, fenícios, maias… criações originais, que demonstram a inteligência humana!
Mas, quando foi que esses documentos ganharam “cara de livro”? Ou melhor: quando foi que eles ficaram mais parecidos com os livros impressos que conhecemos hoje?
A resposta está em Roma. Foi lá que nasceu o “Codex”ou códice – do latim, “casca de árvore” –, um caderno produzido a partir de folhas costuradas, muito usado por comerciantes. No início, os códices eram considerados menos nobres que os rolos de papiro, porém, pela praticidade de armazenamento e até de uso, acabaram prevalecendo.
Códice grego do século X, com trecho do Evangelho.
Duas curiosidades aqui: 1) – os primeiros textos cristãos, escritos no século I, foram assentados em códices e não em rolos de papiro; 2) – outra civilização, totalmente separada de Roma, também inventou o códice: os maias, que, por volta do século XII, começaram a publicar livros em folha de figueira chamados por eles de “huun”. Infelizmente, a maioria desses documentos acabou destruída quando da chegada dos espanhóis à península mexicana.
Lâminas 8 e 9 do Códice Maia de Dresden.
E o pergaminho?
Antes de avançar para um momento muito especial da história do livro, é interessante falar sobre um outro material importante para sua confecção: o pergaminho, cujo nome deriva do nome da cidade grega de Pérgamo, onde teria surgido por volta do século II a.C (na verdade, seu uso é mais antigo, mas o nome “pegou”). O pergaminho nada mais é do que uma pele animal – normalmente, de cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha – especialmente tratada para receber a escrita. Documentos mais luxuosos, produzidos em pele de bezerros, eram chamados “velinos”.
Os pergaminhos competiam com os papiros e até os substituíam. Como na Idade Média europeia, quando os monastérios cristãos produziram e reproduziram milhares de textos usando pergaminhos – isto porque o couro estava muito mais à mão que os papiros do agora distante Egito. Se bem conservado, o pergaminho é um material durável, o que também justifica a preferência.
Documento oficial de 1329 redigido sobre um velino.
Papel e impressão
É curioso: nossos livros atuais são, ao mesmo tempo, muito diferentes e muito semelhantes aos livros de 500 anos atrás. São diferentes porque, hoje, as tecnologias de impressão e montagem são muito mais avançadas – elas, aliás, passaram por várias revoluções ao longo do tempo, com a indústria e os computadores –, e também porque em nossa época a variedade de papéis de impressão é muito grande. E são iguais por conta, justamente, do papel e da impressão!
Ambas as tecnologias vêm da China, com a observação de que, no caso da impressão de tipos móveis, ela também foi criada no Ocidente, em um processo semelhante ao que já observamos em relação à escrita – a mesma invenção, em tempos diferentes.
Da China para o mundo
No caso do papel, ele foi criado na China por volta do século II a.C., quando seus inventores começaram a usar fibras vegetais trituradas (de bambu, cânhamo, amoreira, restos de tecido e redes). Essas fibras eram mergulhadas em tanques e filtradas em telas bem finas, em que ficavam depositadas e formavam camadas; depois de secas, estas camadas se transformavam em folhas de papel que eram, então, recortadas. Por volta do século I d.C., usando fibras de bambu, um inventor chinês chamado C’ai Lun aprimorou a técnica de produção do papel. A partir de então, ele ganhou o mundo, chegando a outras regiões da Ásia, à África e à Europa, pela Rota da Seda. E, com a difusão da tecnologia pelo mundo, gradativamente tornou-se mais barato e popular. E, como funcionava muito melhor que o papiro e o pergaminho – pela regularidade, cor e oferta –, acabou prevalecendo. Em tempo: a produção do papel, atualmente, segue a mesma lógica da técnica inicial; a matéria-prima, porém, é a celulose (principal componente da parede celular das plantas), extraída de árvores de reflorestamento.
Impressão lá e cá
Chegamos, então, à impressão, que possui vários antecedentes, a começar pelo carimbo e o decalque, que já eram conhecidos e utilizados por várias civilizações em todo o mundo. No entanto, foi apenas por volta do século XI, na China, que se pensou em imprimir textos usando tipos – no caso chinês, com ideogramas – para compor as frases. São os chamados “tipos móveis”, ou seja, tipos que podem ser reaproveitados.
De forma simples, na impressão tradicional, podemos dizer que cada tipo é como um pequeno carimbo, que é alinhado com outros tipos dentro de uma estrutura para formar as frases. Depois de ser devidamente “enquadrada”, cada página recebe uma camada de tinta e, então, é aplicada sobre uma folha de papel com uma certa pressão. Nesse sistema, para que os ideogramas (ou letras) fossem impressos corretamente, era preciso produzir os tipos invertidos.
E foi exatamente essa a técnica desenvolvida na Europa, no século XV, por Johannes Gutenberg, um relojoeiro alemão que se dedicou à produção de livros e, neste processo, acabou “virando a chave” para a popularização dos livros – e, de quebra, ajudou a impulsionar grandes transformações como o Renascimento e a Reforma. Pense, por exemplo, na popularização das Bíblias (que passaram a ser traduzidas para vários idiomas), nos manuais técnicos, nas obras filosóficas e científicas. Bingo!
Ateliê europeu de impressão. Observe-se a composição da chapa tipos móveis, à direita, e a chamada “entintagem” dos tipos à esquerda.
Em termos gerais, ambas as técnicas, a chinesa e a de Gutenberg, partiam da mesma premissa. Contudo, o alfabeto latino, por seu número limitado de letras, facilitava a composição de textos (naquela época, a escrita chinesa possuía dezenas de milhares de ideogramas!). Além disso, a tecnologia de Gutemberg utilizava tipos metálicos, mais duráveis, enquanto a chinesa se baseava em tipos de madeira ou cerâmica, mais frágeis.
Livro coreano (escrito em chinês) impresso em tipos móveis. Século XIII.
Revolução e livros
No século XVIII, a Inglaterra liderou um movimento de profunda transformação da produção – a Revolução Industrial. Os artesãos, pessoas altamente especializadas, deram lugar a operários e máquinas, que produziam mais em menos tempo. Esse processo, que está muito relacionado com a própria Revolução Científica, promoveu grandes mudanças na sociedade, com reflexos sobre os livros e a leitura.
As técnicas de impressão melhoraram sensivelmente em qualidade e escala (como, por exemplo, com a impressora movida a vapor), ao mesmo tempo em que as pessoas, que passaram a se concentrar nas cidades, foram tendo mais acesso à educação e à alfabetização. E vieram os jornais populares, as novelas de detetives e os romances, os tratados filosóficos e de política, os panfletos, os livros técnicos, os livros didáticos… livros à mancheia, como diria Castro Alves em “O Livro e a América”!
No século XIX, os jornais populares impulsionaram o interesse pela leitura.
No final do século XX houve um novo salto no segmento editorial. Tecnologias de impressão consagradas, como a offset com fotolito, deram lugar à impressão digital. Os livros passaram a ser escritos e diagramados com uso de softwares e apoio de recursos avançados de fotografia digital e envio de dados. A escala também cresceu muito, e o preço das impressões caiu. Além disso, a logística envolvida na compra e envio dos livros também melhorou muito.
Apenas para se ter uma ideia, o Brasil imprime, em média, 300 milhões de livros por ano – muitos, destinados diretamente ao setor educacional (livros didáticos); nos Estados Unidos, este número chega perto de um bilhão de exemplares. Uma enormidade!
O futuro nas páginas
A apresentação de livros em formato digital, em suportes eletrônicos como os computadores pessoais e o Kindle, abriu uma nova frente para os leitores. E, antecipamos o futuro aqui, vai facilitar a vida das futuras gerações em suas andanças pelo universo com suas “bibliotecas de bolso”!
O mais importante é que os livros – estes velhos e queridos companheiros, tão humanos, tão nossos – vão continuar revolucionando o mundo. Com conhecimento, sentimento, sabedoria e informação.
Tecnologias como a do E-book ampliaram ainda mais o acesso aos livros. Mas, elas representam o futuro?
Você já pensou na ideia de educar alguém para a água? A ideia pode soar até um pouco estranha – afinal, a água é a companheira de todas as formas de vida do nosso planeta desde sempre –, mas ela é cada vez mais necessária!
Com o aumento do consumo de água por setores como a indústria, a pecuária e a agricultura, a pressão sobre rios, lagos e reservatórios subterrâneos cresce significativamente.
Além disso, eventos extremos, como as recentes enchentes no Rio Grande do Sul, mostram que as mudanças climáticas já estão impactando diretamente o regime das águas. Períodos de chuva intensa e estiagens prolongadas têm se tornado cada vez mais comuns, em um fenômeno que pesquisadores chamam de “emergência climática”.
♺ “Um copo d’água, Sr. Lavoisier”
Por volta de 1775, na França, o químico Antoine Lavoisier publicou uma frase que se tornaria célebre no campo da ciência. Essa observação, que ganhou o nome de “Lei da Conservação das Massas” (ou “Lei de Lavoisier”), afirmava que, “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Essa lei vale para os compostos químicos e para a água – porque, independentemente das transformações químicas ou físicas pelas quais ela passe, ao fim do processo sua massa total sempre será conservada.
O que significa dizer que, salvo pela chegada de “água do espaço sideral” em meteoros/meteoritos – algo que é muito raro e insignificante em termos de volume, ao menos na nossa época –, a quantidade da substância é a mesma há muitos milhões de anos. E ela apenas vai se transformando em um eterno ciclo de “sólido, líquido e gasoso”.
🌊 Transformações complicadas
Diante disso, não haveria por que se preocupar, certo? Errado! Porque, se nós não temos a capacidade de “fazer desaparecer” a massa total de água do planeta, reunimos todas as condições – e fazemos isso constantemente – de transformá-la. Não apenas dentro de seus estados físicos, mas também por meio da poluição e de alterações no relevo terrestre (com a construção de represas e o desmatamento, por exemplo).
Essas mudanças comprometem a qualidade da água para todas as formas de vida, e podem demandar esforços gigantescos – muitas vezes, inviáveis – de recuperação ou recomposição. Em síntese: dispomos de toda a água do mundo, mas não estamos sabendo como cuidar dela. E os resultados são preocupantes!
🌧️Algumas informações interessantes
Você já ouviu falar em “superfície terrestre”, certo? Ela é aquela camada do nosso planeta, aquela “capa” – apesar de enorme, muito fina na comparação com o diâmetro do planeta – onde a vida acontece. Ela é formada pela litosfera (camada sólida), pela hidrosfera (oceanos, mares, lagos, rios e reservatórios subterrâneos) e pela atmosfera (a camada gasosa).
E é justamente nela que está toda a água; aliás, cerca de 71% da superfície terrestre é coberta por água. Nesse ambiente ela circula sem parar, seguindo o chamado “ciclo da água” – circulação em estado líquido, evaporação, congelamento, retorno em forma de chuva e assim por diante. E pode até acabar “estocada”, na forma líquida, em lençóis subterrâneos e reservatórios conhecidos como aquíferos, que são tremendamente importantes para a regulagem dos próprios rios; e em geleiras, situadas nas zonas mais altas do planeta e, também, próximo dos polos.
Detalhe crucial: como os seres vivos são formados e dependem totalmente da água, é possível afirmar, sem errar, que eles entram no mesmo ciclo: nós, por exemplo, bebemos água, consumimos alimentos, vamos ao banheiro, respiramos, transpiramos… ou seja, também estamos “trocando água” com o mundo o tempo todo!
A quantidade de água, como observamos, é grande – algo como 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos (se colocássemos toda ela em uma esfera, esta teria um pouco menos da metade do tamanho da Lua!). O que não significa dizer que estamos com a “caixa cheia”! Isso porque 97,3% dela é salgada; 77,2% está congelada (doce ou salgada, em montanhas, icebergs e banquisas); 22,4% está guardada sob a terra, em lençóis e aquíferos; e apenas 2,7% é doce. Só que nem toda a água doce é potável – ou seja, própria para o consumo humano.
Quanto ao uso da água pelas sociedades, em uma média ele está dividido da seguinte maneira: 70% na agricultura e pecuária, 20% na indústria (em processos de fabricação, resfriamento, produção de energia e limpeza) e 10% no uso doméstico (alimentação, limpeza, sistemas de esgoto etc.). Vale observar que esses percentuais variam entre os países – o Brasil, por exemplo, utiliza mais água no setor agropecuário do que outros países.
Vale observar que todos esses usos são humanos e se situam dentro de um universo muito mais complexo, que compreende os demais componentes da biosfera. O que significa dizer que, além de “nos atender”, a água também deve nutrir todos os demais seres vivos dentro de um sistema repleto de variáveis (como, por exemplo, as estações do ano).
🚱 “Ah, mas se faltar a gente dá um jeito…”
Depende! Se, por um lado, em tese é possível recuperar e potabilizar águas contaminadas, salobras, salgadas ou “escondidas” – e há uma corrida tecnológica em busca de meios mais interessantes para isso –, por outro lado estes processos todos são, sempre, muito caros.
Para ter acesso a uma fonte de água subterrânea, por exemplo, é preciso cavar um poço, que pode ser muito profundo; muitas vezes, a água dos poços precisa ser tratada, resfriada e até desmineralizada para, então, estar disponível para o consumo.
E há um outro fator muito importante: o tempo. Há um antigo ditado chinês que afirma que “uma pessoa não deve começar a cavar um poço quando já está com sede”; esta regra parece funcionar perfeitamente para a questão de que estamos tratando. Visto em termos muito gerais, o mundo ainda não está “com sede” – ela, porém, já afeta muitas pessoas e causa muitas mortes.
Dados da ONU (2023) mostram que cerca de 2 bilhões de pessoas (26% da população global) não têm acesso a água potável segura; destas, cerca de 1,7 bilhão utiliza fontes contaminadas por fezes ou produtos químicos; e cerca de 4 bilhões de pessoas (quase metade da população mundial) enfrentam escassez severa de água por pelo menos um mês ao ano.
A maior parte das pessoas afetadas vive nos países mais pobres, que não possuem meios de solucionar a questão. À medida, porém, que a emergência climática se acelera, esse número vai crescer e chegar, também, aos países mais fortes economicamente. Há, inclusive, quem afirme que já estamos em uma etapa de “guerras da água”, quando países lutarão pelo controle e pelo uso deste recurso. Nesse sentido, o futuro não é nada promissor…
🛡️ Então, como fazer?
Promissor, mesmo, é investir em caminhos sustentáveis para o uso e a conservação das águas disponíveis. Ao invés de explorar aquíferos, proteger as nascentes e os rios; ao invés de dessalinizar a água do mar, proteger as florestas e recompor o meio ambiente em regiões degradadas para “plantar água” (regulando os lençóis e protegendo os rios do assoreamento). Ao invés de consumir alimentos e produtos cuja produção implica um gasto extremo de água, olhar com cuidado para os próprios hábitos em busca de equilíbrio.
Pausa para um exemplo: a produção de 1 kg de carne bovina envolve, em média, o consumo de 15 mil litros de água (os dados são do Water Footprint Network e do Instituto Akatu); tomando como referência o valor recomendado pela ONU de consumo de água por pessoa/dia, que é de 110 litros, chegamos à conclusão de que o volume de água investido na produção de 1 kg de carne poderia suprir as necessidades diárias de uma pessoa por mais de 4 meses!
Não estamos falando, evidentemente, em eliminar o consumo de carne bovina, que é um hábito nutricional, cultural e de saúde de bilhões de pessoas em todo o mundo; o importante, aqui, é refletir sobre os hábitos e a responsabilidade em relação aos impactos do consumo.
🚰 Dia Mundial da Água
Essa, aliás, é uma ideia central do Dia Internacional da Água, proposto pela Organização das Nações Unidas em 1992. A data, que é comemorada no dia 22 de março, funciona como um mobilizador de pessoas, empresas e sociedade para conhecer os problemas da água, conscientizar sobre o uso consciente de um recurso que é precioso e escasso.
Na medida em que esse é um processo civilizatório – ou seja, ele implica uma mudança de hábitos e de olhar de longa duração, que envolve toda uma comunidade –, ele deve, necessariamente, envolver a educação e a escola, já na Educação Básica. E é aí que entra em cena a Educação Ambiental, prevista, no caso brasileiro, de forma transversal (pela BNCC). E que, evidentemente, pode ser trabalhada de muitas maneiras, integrando colocações mais teóricas – como a que diz respeito, por exemplo, à compreensão esquemática do ciclo da água – e metodologias ativas que trabalhem com observação de campo, ação e protagonismo dos estudantes.
É possível, por exemplo, envolver os estudantes no conhecimento dos rios da cidade/bairro onde eles moram, do papel das águas para o desenvolvimento da civilização naquele local e a forma como estes cursos estão sendo tratados na atualidade. Perguntas como “Onde está o rio que passava ali?” ou “Quais são e onde ficam os rios do seu bairro?” podem dar início a belos projetos de pesquisa com impacto na comunidade.
É possível envolver os estudantes na compreensão dos custos de tratamento do esgoto em uma visita às estações e estruturas associadas. É possível, enfim, fazer com que eles percebam a relação entre água e os hábitos de consumo de diferentes maneiras. E levá-los a conhecer os caminhos para a conservação e o uso racional e sustentável.
Essa lista de possibilidades, evidentemente, é muito maior, e pode levar em conta os muitos cenários onde as escolas e as comunidades estão inseridas. O essencial, em todos os casos, é o letramento das novas gerações para uma questão fundamental.
💦 Quero encontrar mais fontes:
Legal! Vamos listar alguns links importantes para o trabalho sobre a temática da água na escola:
Organização das Nações Unidas (ONU) – Água (UN Water): Portal que mostra o trabalho da ONU em relação à água e ao saneamento. Traz notícias, relatórios e infográficos. Disponivel em português.
UNESCO – Programa Hidrológico Internacional (PHI): A UNESCO promove pesquisas e educação sobre gestão sustentável da água. O Programa Hidrológico Internacional (PHI) é uma referência global em estudos sobre recursos hídricos. Em inglês e espanhol.
Water Footprint Network (Rede de Pegada Hídrica): Esta organização internacional calcula a “pegada hídrica” de produtos, países e indivíduos, mostrando o consumo de água em diferentes atividades. Em inglês.
Portal Trata Brasil: O portal do Instituto Trata Brasil traz informações relevantes e materiais educativos sobre o saneamento básico no país. Em português.
Há, também, espaços físicos dedicados à educação para a água. Destacamos o Museu Planeta Água, mantido pela Companhia de Saneamento Básico do Paraná, a Sanepar, em Curitiba, e o Museu Água, mantido em São Paulo pela Associação dos Engenheiros da Sabesp (AESABESP).