Uma (brevíssima) história das mulheres na Educação

Você sabia que 80% dos professores da Educação Básica no Brasil são mulheres? Nada menos do que 1,3 milhão de professoras e gestoras, segundo o Censo Educacional 2024. Um quadro que escancara a importância das mulheres para a educação. A história, porém, vai muito além e envolve desafios, negações, afirmações e conquistas. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, vamos investigar a presença feminina na educação. Venha com a gente!

🏛️No começo… eram as mulheres?

Quando imaginamos em como seria a educação na Grécia e em Roma, visualizamos grupos de homens jovens conduzidos por outros homens. Filósofos como os sofistas, por exemplo, ou tutores de líderes como Alexandre da Macedônia (tutor: Aristóteles) e Nero (tutor: Sêneca). A pergunta é: nesse cenário havia espaço para mulheres?

Não e sim.

Não, porque as atividades educacionais ligadas à política eram dirigidas aos homens e exercidas por eles – com o agravante de que a educação chegava a uma parcela muito pequena da população.

E sim, porque houve filósofas-professoras na Grécia, figuras como Areta de Cirene (séc. IV a.C.) e Hipátia de Alexandria (séc. V d.C.). Além disso, em Roma era comum que as matronas – líderes de famílias ricas – tomassem aulas particulares com tutoras, em geral gregas escravizadas que ensinavam escrita, retórica e poesia.

Essa presença, porém, reafirma o reduzido acesso das mulheres à educação e à posição de educadoras. Elas eram uma exceção e, não, uma regra.

🏰 Mulheres e educação na Europa Medieval

Chegamos ao fim do Império Romano no Ocidente e ao início da Idade Média europeia, marcada pela relação entre religião, intelectualidade e educação. No período, o conhecimento ficou limitado aos mosteiros e abadias, onde parte dos monges aprendia a ler e a escrever em latim tardio e transmitia estes conhecimentos a outros religiosos.

🧠 Monjas e intelectuais

O mesmo valia para os conventos, onde noviças e monjas – especialmente, nobres – também aprendiam as letras. A difusão dos conhecimentos estava a cargo das superioras e envolviam leitura e escrita em latim, canto litúrgico e teologia. A formação visava prepará-las para a vida religiosa ou para serem esposas cultas dentro da aristocracia.

Vale observar que, fora do ambiente religioso, a instrução feminina das elites era focada em habilidades manuais, práticas e de gestão. Muitas vezes, essas mulheres também assumiam um papel político em seus domínios e famílias.

Entre as mulheres que se destacaram nesse período estão figuras como Hildegarda de Bingen (monja e intelectual dos séculos XI-XII – imagem ao lado/Wikipedia), Trótula de Salerno (médica pioneira da Ginecologia no século XII) e Cristina de Pisano (poeta, filósofa e crítica do exclusivismo masculino no conhecimento, que viveu no séc. XV).

Na época, na chamada Baixa Idade Média (quando a centralidade feudal perde força), surgem as primeiras universidades. Elas, porém, não recebiam mulheres.   

 Vale observar que, para o restante da população – agricultores ou artesãos que viviam nos domínios feudais –, não havia educação formal, mas a transmissão iletrada de conhecimentos e técnicas. Isso, porém, viria a mudar no final da Idade Média, com o renascimento das cidades e o fortalecimento da burguesia (comerciantes e artesãos especializados).

🕌 E no mundo islâmico?

É impossível pensar na Europa medieval sem incluir o mundo islâmico, que teve enorme importância geopolítica e intelectual. Nele, por força da importância do acesso e recitação do Alcorão, mulheres e homens – não apenas os clérigos, que estudavam em madrassas exclusivamente masculinas – eram estimulados a aprender a ler.

Isso não só aumentava o número de letrados, como facilitava o acesso de algumas mulheres à docência. No caso das famílias da elite, que viviam em cidades como Bagdá, Córdoba e Damasco, elas também podiam se aprofundar em discussões intelectuais, filosóficas, científicas e artísticas.

Entre as intelectuais mais importantes do período estão Aisha Abu Bakr (século VII), esposa de Maomé e iniciadora da tradição intelectual islâmica, Fatima al-Fihri, fundadora da primeira universidade do mundo, a Universidade de al-Qarawiyyin (foto ao lado/Wiki), no Marrocos (século IX) e Lubna de Córdoba (século X), especialista em matemática e literatura.

👩‍🎓 O Renascimento e a educação das mulheres

O Renascimento (séc. XIV-XVI) foi marcado pelo declínio dos feudos, ressurgimento das cidades e formação dos Estados modernos. Nesse contexto, uma nova classe social, a burguesia, se afirma. Ela era formada por comerciantes e especialistas (construtores e artesãos) que, ao circular pelas cidades, adquiriam uma visão de mundo mais ampla. Pessoas que, em suas profissões, também precisavam de letramento.

Nesse contexto, o que se vê é uma ampliação do acesso das mulheres ao conhecimento. Como no período anterior, porém, eram poucas as que chegavam ao ensino formal – em geral, pertencentes aos grupos de poder (nobres, burgueses, religiosos). Mais do que antes, sem dúvida, mas menos do que o necessário para uma sociedade mais justa. As universidades, por exemplo, permaneciam fechadas às mulheres, mas elas podiam ser educadas em casa por tutores que ensinavam leitura, escrita, latim e grego, música, pintura e filosofia.

Entre as mulheres que se destacam no Renascimento estão, além da já citada Cristina de Pisano (imagem ao lado/Wikipedia), figuras como Laura Cereta (século XV), defensora dos direitos das mulheres, e Cassandra Fedele (século XV), filósofa e oradora. Vale observar, aqui, a presença massiva de mulheres de cidades mercantis italianas, que lideraram o Renascimento.

🚨 Um ponto de virada?

Até agora, pudemos perceber um movimento lento de aproximação das mulheres do letramento e da docência, muito aquém do necessário para uma sociedade mais justa. Para além das questões de gênero, as mulheres também eram afetadas pela desigualdade social; quem estava longe do poder – salvo raríssimas exceções – não chegava à escola.

Então, perguntamos: quando aconteceu o “ponto de virada”? Quando as mulheres chegaram às escolas em massa e também puderam se tornar professoras? A resposta passa por um grande evento histórico: a Revolução Francesa!

🇫🇷 A Revolução e as mulheres

A Revolução Francesa não foi um “passe de mágica” que colocou as mulheres nas escolas e universidades. Mas foi essencial ao lançar as bases da concepção de cidadania, na “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” (de 1789 – imagem ao lado/Wiki). Ainda assim, as mulheres ficaram de fora — motivo pelo qual a intelectual e ativista francesa Olympe de Gouges (1748-1793) escreveu, em 1791, a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, reivindicando igualdade política e educacional. Esse embate marcou o início de uma luta que, nos séculos seguintes, abriria caminhos para a presença feminina em massa na educação.

🏗️ Mulheres para tempos industriais

Com a Revolução Industrial, que se desenrolou a partir do século XVIII na esteira da Revolução Científica, houve necessidade econômica de expansão da educação. Um processo lento e incompleto, porém mais potente que os vividos anteriormente.

É nesse contexto – de necessidade de trabalhadores especializados, gestores e burocratas para Estados poderosos e complexos –, que há uma abertura das escolas para as mulheres. Elas, porém, podiam cursar apenas as etapas mais básicas da Educação, sem acesso ao ensino superior. Esse acesso, aliás, só chegou no final do século XIX, graças aos esforços pessoais das próprias mulheres ou, então, de movimentos sociais organizados.

O Brasil acompanhou esse processo, porém em um ritmo mais lento por conta de sua estrutura socioeconômica – um país periférico, agrário e com enorme desigualdade social.

👩‍🦰 Elas são professoras

A partir da segunda metade do século XIX, contudo, as mulheres começam a participar mais – e massivamente – do magistério primário. Um processo que ganhou força com o surgimento das “Escolas Normais” (ao lado, a primeira Escola Normal, fundada em Paris – foto/Wikipedia), voltadas à formação de professoras. A primeira Escola Normal brasileira havia sido fundada pouco tempo antes em Niterói (1835). Em tempo: às mulheres só foi permitido chegar ao ensino superior no Brasil em 1879, com um decreto real que autorizava o ingresso. A resistência da sociedade, porém, foi muito grande por várias décadas.

⚗️ As mulheres no Brasil contemporâneo

O Brasil só veria uma nova onda de modernização a partir dos anos 1930, com Getúlio Vargas, e, especialmente, no pós-guerra. O país ainda convivia com um número gigantesco de analfabetos – 50% da população em 1950 (IBGE) -, mas, aos poucos, foi fortalecendo a educação como direito fundamental. Algo que se tornou definitivo em 1988, com a Constituição Federal (que tratou da educação como direito fundamental em seu Título VIII).

“Operários”, pintura de Tarsila do Amaral (1933). Foto: Wikipedia.

Simultaneamente, houve um crescimento da presença das mulheres nas universidades; logo no início do século XXI, aliás, elas superaram os homens em número de matrículas (hoje, representam cerca de 60% das matrículas). Nas licenciaturas, que são os cursos voltados à formação de professores, elas chegam a 70% do total de matriculados, o que reforça sua presença no conjunto dos educadores.

➡️ Conclusão: presença consolidada, desafios persistentes

A trajetória das mulheres na educação revela avanços significativos, mas também permanências que não podem ser ignoradas. Da exclusão quase total na Antiguidade e na Idade Média, passando pelas reivindicações da Revolução Francesa e pela lenta abertura das escolas no século XIX, até a consolidação no século XX e XXI, o caminho foi longo e marcado por resistência social e institucional.

Hoje, as mulheres são protagonistas da educação brasileira: representam 80% dos docentes da Educação Básica e quase 60% das matrículas no ensino superior. No entanto, sua presença ainda não se traduz em igualdade plena. No magistério superior, elas são menos da metade dos docentes; nas áreas técnico‑científicas, embora já sejam maioria, enfrentam barreiras de reconhecimento e ascensão profissional.

A desigualdade se torna ainda mais evidente quando se considera aspectos sociais e raciais: mulheres negras e periféricas continuam a enfrentar obstáculos adicionais de acesso e permanência.

Assim, a história da presença feminina na educação é, ao mesmo tempo, uma narrativa de conquistas e uma agenda de desafios. Reconhecer esse percurso é essencial para compreender que a educação, enquanto direito fundamental, só se realiza plenamente quando garante igualdade de oportunidades e valorização para todas e todos.

Educação em Movimento! Formações Opet em fevereiro reúnem cinco mil educadores

Fevereiro é um mês estratégico para as formações pedagógicas. Aqui, momento formativo em Água Boa, Mato Grosso. Crédito/foto: SMCS/Água Boa.

As formações pedagógicas são um momento essencial da parceria da Editora Opet com os municípios. Nelas, é possível aprofundar os conhecimentos e o “saber fazer” com as coleções e ferramentas educacionais. Mais do que isso, as formações permitem construir a educação de forma conjunta, no diálogo e na percepção das questões e características únicas de cada rede de ensino.
Neste início de ano letivo, as formações brilham ainda mais. Elas marcam o “tiro de largada” de um trabalho que começou meses antes, com o planejamento e a preparação das equipes da Editora e dos municípios. Verdadeiro tempo de “pé na estrada”, que leva os formadores pedagógicos da Editora a todas as regiões do país.

Nos últimos dias, por exemplo, mais de cem formadores da Editora estiveram em nada menos do que 18 municípios no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Minas Gerais, para trabalhar com mais de cinco mil professores e gestores. Um trabalho que segue pelas próximas semanas e ao longo de todo o ano, nas formações que envolvem o uso dos materiais didáticos, ferramentas e recursos educacionais, e também discussões sobre temas de interesse da educação.

✔️ Santana de Parnaíba

Uma das cidades mais antigas do Brasil é, também, um dos parceiros mais tradicionais da Editora Opet. Situada na região metropolitana de São Paulo, Santana de Parnaíba se destaca na educação em rankings como o Connected Smart Cities, tendo ficado na primeira posição do país no quesito “Educação” no ano passado.

Formações ampliam o repertório dos professores para o uso dos materiais didáticos. Foto: SMCS/Santana de Parnaíba.

Lá, nos dias 19 e 20 de fevereiro, a formação envolveu 2.284 professores e gestores, com foco em todos os níveis da Educação Básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio (que também é abrangido pela rede municipal de ensino). “Nossa parceria com Santana de Parnaíba já chega a uma década e vem se consolidando e se aprofundando ano a ano”, avalia o supervisor regional Fernando Correa, da Editora Opet.
“Neste ano, por exemplo, pudemos observar um engajamento ainda maior dos professores e dos gestores, um compartilhamento e uma troca de experiências em educação. E isso tem muito a ver com a organização feita pela equipe da Secretaria para as formações continuadas, que é muito boa. São três polos grandes, que a cada ano otimizam as atividades”, observa.

✔️Alicerce Estratégico
Para o diretor de Ensino de Santana de Parnaíba, professor Cleber Aparecido Martinelli Hernandes, a formação dos dias 19 e 20 é o alicerce estratégico para o sucesso do ano letivo de 2026. “Ela permite o alinhamento pedagógico de toda a rede municipal neste momento de contato direto com os estudantes”, observa. “Começar o ano com esse planejamento coletivo é fundamental para garantir que todos os professores estejam em sintonia com as metas educacionais da cidade, promovendo segurança metodológica e um ambiente motivador, que reflete diretamente na qualidade do aprendizado desde o primeiro dia de aula.”

Sobre a parceria com a Editora Opet, o diretor a avalia como um pilar de inovação para Santana de Parnaíba. “Ela oferece um sistema de ensino que integra materiais didáticos de excelência, alinhados à BNCC, com um suporte pedagógico contínuo aos nossos docentes. Essa colaboração fortalece a relação entre escola e família e fornece ferramentas modernas que potencializam o desenvolvimento integral dos estudantes, consolidando nossa rede como uma referência em educação pública de qualidade.

Grupo de formadores do Polo Imídeo junto aos Supervisores da SME de Santana de Parnaíba. Foto: Editora Opet.

✔️ Água Boa

Outro exemplo significativo desse trabalho formativo vem de Água Boa, município situado na região do vale do rio Araguaia, no oeste de Mato Grosso. Lá, a primeira formação também aconteceu nos dias 19 e 20 de fevereiro, dentro da Jornada Pedagógica 2026. Entre os temas abordados estiveram práticas pedagógicas, leitura e aprendizagem, inclusão escolar, planejamento e avaliação, inovação no processo de ensino-aprendizagem, além do fortalecimento da atuação dos profissionais que contribuem diretamente para a organização e o funcionamento das unidades escolares.

Uma das turmas de professores na formação de Água Boa. Foto: SMCS Água Boa.

Lá, como explica a supervisora regional da Editora Opet, Claudia Dalabona, o trabalho envolveu 200 professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, além de gestores e docentes especialistas. “Foi um momento incrível. Leve, acolhedor, com muitas trocas de experiências e, principalmente, com o fazer, o ‘mão na massa’ que é tão importante para o trabalho que vai seguir por todo o ano”, explica. Claudia destaca a proatividade e o engajamento dos professores. “É muito bom trabalhar com pessoas que não se limitam a ouvir e participam de cada momento, formando uma verdadeira comunidade de aprendizagem – isto é essencial.”

Em sua cobertura da Jornada Pedagógica, a Secretaria Municipal de Educação reforçou que “investir na formação continuada é investir no futuro de Água Boa, garantindo uma educação cada vez mais eficiente, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento dos alunos”.

Durante as formações, as coleções são examinadas em detalhes no contexto do processo de ensino-aprenmdizagem. Foto: SMCS Água Boa.

“Tanque vazio”? O mundo e o fim dos combustíveis fósseis

Crédito das fotos: Getty Images (foto 5: Wikipedia)

A transição energética é tema central da atualidade. Ela é a migração de muitas das fontes de energia em uso – petróleo, carvão e gás –, para outras, menos poluentes e menos associadas a riscos climáticos do “efeito estufa”, como a eólica, a solar e a de biomassa.

A despeito das pesquisas e dos alertas dos cientistas, o impacto climático dos combustíveis fósseis – seu poder de liberação de CO2 na atmosfera em um ritmo maior que o de absorção pela biosfera – vem sendo colocado em questão. Há pessoas e governos que não acreditam nessa relação ou não querem abrir mão da riqueza gerada pela atual matriz energética. O que invalida a ideia de uma transição energética global rápida.

Combustíveis fósseis: até quando?

Independentemente disso, há uma questão definitiva: na medida em que as reservas de petróleo, carvão e gás são finitas – e que a exploração e consumo se mantém estáveis ou em crescimento –, vai chegar o momento em que elas irão acabar. É possível que não acabem, mas se tornem inviáveis do ponto de vista econômico. Nesse momento não haverá outro caminho, com ou sem crise climática, senão o da própria transição energética.

Mas, quando isso vai acontecer?

E como seria essa “transição energética obrigatória”? É sobre isso que vamos conversar nesta edição da série #EducaçãoHumaniza. Venha com a gente!

Mais antigo que os dinossauros

Antes de avançar, vamos falar sobre como se formaram as reservas de petróleo, gás e carvão mineral que se tornaram os motores do mundo nos últimos três séculos.

No caso do petróleo e do gás, sua origem está relacionada a trilhões de organismos microscópicos – algas (como a da foto abaixo) e plâncton – que viveram em mares e lagos entre 400 e 300 milhões de anos no passado. Ao morrer, essas formas de vida se depositavam no fundo de bacias sedimentares com rochas e areia. Como nesse ambiente não havia oxigênio, a decomposição não era completa e os restos orgânicos acabavam afetados por soterramento progressivo, pressão e calor – um processo que durou milhões de anos.

Você conhece o querogênio?

O resultado dessa “panela de pressão” é o querogênio, material que se transforma em gás e petróleo quando exposto a condições severas de temperatura, pressão e tempo. Essas substâncias, por sua vez, acabaram “migrando” para dentro de rochas porosas (“rochas-reservatório”, como a da foto abaixo, de xisto), ficando aprisionadas entre camadas impermeáveis (“rochas-selo”).

O carvão mineral surge de uma forma parecida, mas está ligado às florestas do Período Carbonífero (300 milhões de anos). A vegetação ia morrendo e caindo em áreas alagadas e pântanos sem oxigênio, o que reduzia a decomposição. Submetida às mesmas condições radicais de pressão-temperatura-tempo, a biomassa virava turfa e, milhões de anos depois, carvão mineral de diferentes tipos (linhito, hulha e antracito).

E os dinosssauros?

Você percebeu que, quando falamos da origem do petróleo, do gás e do carvão, não falamos de dinossauros. Muita gente pensa que esses animais viraram combustível fóssil, mas a verdade é que essas fontes de energia já estavam em pleno desenvolvimento quando os “dinos” caminharam pela Terra. Muitos deles, porém, viram seus restos convertidos em fósseis como o da foto!

Energia de um passado remoto

Já sabemos como os recursos são formados. Agora, vamos descobrir quando começou a relação da espécie humana com as fontes energéticas fósseis.

Na verdade, ela é antiga; nos tempos mais recuados, porém, os usos dos combustíveis fósseis eram muito mais restritos.

É possível falar, por exemplo, sobre o uso, por culturas antigas no Egito, Oriente Médio e China, do betume, derivado natural do petróleo que, por sua textura resinosa e resistente à água, era empregado na impermeabilização de barcos, mumificação, remédios e em armas incendiárias. Em alguns casos, por sua capacidade de alimentar uma chama “eternamente”, fontes petrolíferas e de gás acabavam associadas a edifícios e rituais religiosos.

O carvão chinês

No caso do carvão mineral, seu uso antigo (na China, por exemplo, há mais de dois mil anos) se aproxima do uso recente: queima direta para a produção de energia. A diferença é de escala. Enquanto antes ele alimentava fornos e fornalhas menores (como as dos ferreiros, por exemplo), a partir da Revolução Industrial passou a alimentar as fornalhas das indústrias.

Queimando energia sem parar

E foi a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, que a coisa se acelerou. Em sua etapa inicial, a principal matéria-prima energética era o carvão mineral. Aliás, essa revolução contou com duas matérias essenciais nesse momento: minério de ferro e carvão, que eram abundantes na Inglaterra, país que inaugurou todo o processo (a ilutração abaixo mostra uma cena industrial inglesa do início do século XIX). A soma dessas matérias-primas aos conhecimentos de cientistas e teóricos econômicos promoveu a maior transformação da História humana!

E o petróleo, quando entrou em cena?

A história começa na segunda metade do século XIX, quando foram desenvolvidos os primeiros motores bem-sucedidos de combustão interna por engenheiros como Nikolaus Otto (gasolina) e Rudolf Diesel (diesel).

Eles se baseavam nos estudos de um cientista francês, Nicolas Carnot (1796-1832), o “Pai da Termodinâmica”, e demandavam um combustível diferente, líquido, para funcionar. Vieram então os derivados do petróleo – gasolina, diesel e querosene, entre outros –, que passaram a encher os tanques e correr para dentro dos motores, permitindo seu funcionamento.

O mundo motor…

Na medida em que o século XIX avançou e que chegou o século XX, os conhecimentos sobre motores de combustão interna e seu funcionamento cresceram sem parar. E os próprios motores a explosão se multiplicaram nos automóveis, trens, aviões, navios, caminhões, helicópteros, motocicletas, tanques, submarinos, geradores de eletricidade… bilhões de motores – e bilhões de tanques de combustível!

Se olhamos para o passado recente – especialmente, os anos 1960 –, podemos resgatar imagens daqueles carros enormes, cadillacs e rabos-de-peixe, que gastavam uma enormidade de combustível. O que nos permite intuir que o pico do consumo, a “era da gastança”, passou. Sim… e não.

…e o pico de consumo

De fato, os motores, hoje, são muito mais econômicos que os de antigamente. Ao mesmo tempo, porém, seu número é muito maior, o que indica que o consumo segue em alta. E é preciso destacar a indústria e a geração de eletricidade, que consome uma quantidade extraordinária de gás natural e, também, de carvão.

E o pico de consumo, segundo quem pesquisa o assunto a fundo – a Agência Internacional de Energia (IEA) – ainda não chegou. Em seu o “World Energy Outlook 2025”, a IEA afirma que o uso global de combustíveis fósseis chegará ao seu máximo antes de 2030.

O carvão (como o da foto abaixo) já está em torno do seu pico, com sinais de declínio em várias regiões.

O petróleo deve alcançar o pico por volta de 2030, e o gás natural em torno de 2035, se as políticas energéticas atuais forem mantidas.

A partir daí – a menos que a humanidade encontre novas reservas e viabilize sua exploração comercial –, a parábola do gráfico de consumo tende a “descer a montanha”.

Uma quantidade monumental

Chegamos, então, a outra questão-chave: quanto existe de petróleo, gás e carvão mineral e por quanto tempo esses recursos vão durar? Aqui, entra em cena o conceito de “reserva provada” – as reservas desses recursos confirmadas pelos cientistas e que têm probabilidade de exploração comercial.

Segundo a ciência, as reservas provadas de petróleo chegam a 1,6 trilhão de barris, dos quais entre 45 e 50% já foram utilizados. No ritmo atual de consumo, o petróleo “provado” que ainda existe seria consumido em algo como 55 anos.

No caso do gás, chegam a 200 trilhões de metros cúbicos, dos quais entre 30 e 35% já foram consumidos – com o padrão de consumo atual, as reservas provadas restantes seriam totalmente consumidas em cerca de 50 anos.

Por fim, no caso do carvão, a 1,07 trilhão de toneladas, das quais menos de 20% foram utilizadas. Com o padrão de consumo atual, que é baixo porque o carvão é muito poluente, as reservas sobreviveriam por cerca de 140 anos.

Conclusão: o desafio de um futuro sem combustíveis fósseis

Os números mostram que ainda há muito combustível fóssil “para queimar”. Mais do que isso, porém, eles também mostram o limite, o final, desses recursos. O que, necessariamente, força (ou deveria forçar) uma tomada de posição das sociedades e dos governos em busca de outras fontes.

Algo que já está acontecendo pelo retorno e por um desenvolvimento acelerado de motores elétricos e de baterias capazes de reter a energia por muitos quilômetros. E de avanços pela fronteira das energias renováveis – solar, eólica, das marés, da biomassa, geotérmica (na foto, um exemplo de geração eólica e solar em um mesmo parque de geração) – que vão, de fato, redefinir o futuro da energia. Esse processo, aliás, já começou.

Por dentro do Enem: como surgiu, como evoluiu e o que vem por aí

Enem. Para milhões de brasileiros, estas quatro letras resumem uma das maiores preocupações de 2026. O Exame Nacional do Ensino Médio nasceu em 1998 com a missão de avaliar a aprendizagem dos jovens ao final da Educação Básica. Uma proposta ambiciosa e necessária do ponto de vista do planejamento da educação, que, em pouco menos de trinta anos, foi incorporada à cultura educacional brasileira.

Com o tempo, o Enem transformou-se na segunda maior prova do gênero no mundo, perdendo apenas para o Gaokao, o Exame Nacional de Ensino Superior da China, que em sua edição de 2024 mobilizou nada menos do que 12 milhões de estudantes. Esse número é quase o triplo do de inscritos no Enem em 2025 – a população chinesa, porém, é cerca de seis vezes maior que a brasileira.

Além de medir o nível de conhecimento dos estudantes, o Exame Nacional do Ensino Médio tornou-se também a porta de entrada para o ensino superior em diversas instituições – uma alternativa de grande sucesso aos vestibulares tradicionais.

No primeiro artigo da série #EducaçãoHumaniza, vamos “desvendar” o Enem a partir de sua história, formato e desafios. Confira!

Lembranças do primeiro exame

Em 2025, o Enem registrou nada menos do que 4.811.338 inscritos, número expressivo e que marca uma retomada do interesse pela prova, sem, porém, superar os 6.384.957 do ano de 2019 (pré-pandemia). Cifras significativas, ainda mais quando comparadas à da primeira edição, em 1998, quando apenas 157.221 estudantes se inscreveram e 115.575 participaram. Naquele ano, o exame foi realizado em apenas um dia e com 63 questões objetivas (cerca de 30% das atuais 180 questões), além da redação.

Criado pelo MEC e pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na origem o Enem tinha como foco quase que exclusivo a avaliação do desempenho dos estudantes ao final do Ensino Médio (ela foi usada como meio de ingresso no ensino superior por apenas duas instituições – falaremos disto daqui a pouco).

A prova evolui

Em 2009, o Enem registrou um ponto de virada: naquela edição, a composição e as correções da prova passaram a utilizar a chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI), abandonado o modelo da Teoria Clássica dos Testes (TCT). A TRI é um modelo matemático desenvolvido para tornar o processo de correção de provas mais justo e preciso.  A premissa da TRI é interessante: a partir de uma análise do desempenho do candidato no conjunto da prova, é possível verificar se ele demonstrou seus conhecimentos de forma coerente e consistente – o que é decisivo para a nota final. E essa “firmeza de conhecimentos” é construída com a colocação, nas avaliações, de questões fáceis, médias e difíceis sobre um determinado assunto, que permitem detectar com precisão o verdadeiro grau de conhecimento do candidato sobre um tema – desconsiderando, por exemplo, os famosos “chutes”.

Do que é feito o Enem?

A incorporação da TRI demonstrou que o Enem não era apenas “mais uma prova”, mas uma avaliação elaborada com uma finalidade muito específica – e que segue por outro caminho em relação aos vestibulares clássicos. Enquanto estes são “conteudistas”, ou seja, cobram conhecimentos estabelecidos no currículo da Educação Básica – como, por exemplo, a data da batalha de Gaugamela ou os elementos químicos que compõem os chamados “Gases Nobres” –, nas provas do Enem o foco é outro, mais rico e complexo.

A composição de conhecimentos tem como foco as competências, habilidades e raciocínio crítico. E as 180 questões das quatro áreas – Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias – mais a redação exigem interpretação, aplicação prática e interdisciplinaridade.  

Desde que o Enem foi implantado, muitas provas dos vestibulares evoluíram na mesma direção. Mas, é possível afirmar que elas evoluíram, inclusive, por influência do próprio Enem. Ou seja: o exame nacional do Ensino Médio também acabou produzindo uma “avaliação indireta” do próprio vestibular, motivando sua evolução!

Momento de inflexão

Ainda que as avaliações diagnósticas sejam extremamente importantes para a educação, elas não costumam despertar tanto entusiasmo nos avaliados. Para eles, afinal, “uma prova é uma prova”. No caso do Enem, desde o início a percepção foi diferente. Isso porque, já em 1998, a avaliação já foi usada como critério para o ingresso no ensino superior (as instituições pioneiras foram a Universidade Estadual de Londrina, UEL, e a Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF). 

No ano seguinte, o número de instituições saltou para 93, entre públicas e privadas! Hoje, praticamente todas as 69 universidades federais utilizam o Enem via SiSU (Sistema de Seleção Unificada), além de programas como o ProUni (Programa Universidade para Todos) e o FIES (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).

As notas também valem para universidades estrangeiras. Atualmente, mais de 40 universidades de outros países aceitam a nota do Enem como forma de ingresso, principalmente em Portugal, mas também no Reino Unido, França, Holanda, Estados Unidos e Canadá, entre outros. A primeira universidade estrangeira a aceitar o Enem foi a Universidade de Coimbra (Portugal – foto), em 2014.

Nascimento, crescimento, quebras e retomada

Um olhar sobre os números de inscritos/participantes do Enem, em especial na última década, mostra dois momentos críticos de participação.

O primeiro deles aconteceu na edição de 2017, quando, por conta do fim da política de gratuidade automática da inscrição aos concluintes do Ensino Médio nas escolas públicas, houve uma redução de quase dois milhões de inscrições (21,98%) em relação ao ano anterior (2016 = 8.627.957; 2017 = 6.731.444).

O segundo momento crítico foi resultado direto da pandemia da Covid-19. Por conta da necessidade sanitária de distanciamento social, o exame de 2020 foi adiado pelo MEC/Inep e aplicado em janeiro e fevereiro de 2021, e a edição de 2021 acabou sendo aplicada em novembro e dezembro do mesmo ano. Enquanto nas provas do início do ano tiveram 5.783.357 inscritos, as do final do ano registraram 3.109.762 inscrições – uma redução de 46,22%.

Desde então, o número de inscrições vem se recuperando de forma gradativa: em 2022, foram 3.396.632; em 2023, 3.958.125; em 2024, 4.154.792; e, em 2025, 4.811.338. No período 2022-2025, o número de inscritos no Enem cresceu a uma taxa média de cerca de 12,3% ao ano.

Um futuro digital que não existiu… e outras possibilidades

Em 2019/2020, o Inep lançou o projeto-piloto do “Enem Digital” com o objetivo de ampliar a inserção de recursos como a gamificação no exame e reduzir os custos de logística associados às provas físicas. No primeiro ano, o exame teve a participação de candidatos de 104 municípios, com as provas realizadas laboratórios de informática de instituições de ensino.

Em 2025, o MEC anunciou a extinção do projeto sob o argumento de que a adesão na última edição realizada, em 2022, havia ficado muito abaixo do esperado. Na ocasião foram oferecidas 100 mil vagas, com 66 mil inscritos e 30 mil participantes efetivos  (uma abstenção de 70%; a título de comparação, em 2025, o percentual de abstenções na prova física foi de 27%).

Entre as outras propostas em desenvolvimento estão a ampliação do exame para os demais países do Mercosul e, também, o fim do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básico) no 3º ano do Ensino Médio – ele seria substituído pelo próprio Enem. Essas mudanças foram anunciadas pelo MEC em novembro de 2025.

Conclusão

Em quase três décadas, o Enem se consolidou como uma das avaliações mais relevantes do país. Tão importante que assumiu um caráter de política de Estado, mantendo-se e crescendo em meio às mudanças de governo e dos olhares de governo sobre a educação. 

Elementos como a aplicação da TRI – que modernizou a prova como método de avaliação da aprendizagem – e a conexão entre o exame e o ingresso nas universidades fortaleceram o Enem. Sua conexão com o Novo Ensino Médio (NEM), que em 2026 se torna obrigatório em todas as escolas do país que oferecem este nível de ensino, promete uma “dobradinha” de sucesso. 

Da mesma forma, uma eventual ampliação do exame para os países do Mercosul pode representar um grande avanço, assim como a efetivação de políticas públicas que estimulam jovens de menor renda a concluir a última etapa da Educação Básica.

E os desafios? Uma avaliação do porte do Enem enfrenta alguns desafios, como os de logística e de segurança das provas. Os cadernos devem chegar a todos os candidatos e não podem – em hipótese nenhuma – ter questões vazadas antes ou durante a realização da avaliação. Outro desafio essencial é a redução do percentual de abstenção, que gira ao redor dos 25%-30% a cada ano com prejuízos para os próprios candidatos e para os cofres públicos.

Por fim, mas não menos importante, a prova também deverá se adequar às exigências do novo Plano Nacional de Educação (PNE, 2024-2034), atualmente em discussão no Congresso Nacional. O PL 2.614/2024, aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, já está em tramitação na Casa e deverá ser apreciado a partir de fevereiro, após o retorno dos trabalhos legislativos.

Para que a educação brasileira avance, é fundamental que o Enem seja cada vez mais valorizado pela sociedade, com melhorias contínuas e o engajamento de gestores e representantes públicos em ações que garantam sua qualidade.

Na trilha de Hefesto: a era dos robôs humanoides já começou!

De brinquedo a realidade: representação artística de um robô humanoide. Fonte: Getty Images.

Recentemente, a imprensa divulgou uma notícia sobre a apresentação de um robô humanoide desenvolvido por pesquisadores russos. A história já seria interessante por si; ela, porém, ganhou mais destaque porque o robô “AIDOL”, ao tentar caminhar, tropeçou e caiu literalmente de cara no chão. Mostrando a enorme dificuldade que é reproduzir o equilíbrio, o caminhar e as conexões “hardware-software” – ou melhor, mente-corpo – que nos tornam humanos.

🤖 O porquê da recriação

Mas, por que tentar “recriar” os seres humanos como robôs? Afora o fascínio que o tema desperta – presente, por exemplo, nos mitos do deus inventor grego Hefesto e em obras que vão de “Frankenstein” a “Blade Runner” –, a ideia não é tão estranha. Nesta edição de “Futuro Presente”, vamos investigar os robôs humanoides, examinando os porquês e o que está vindo por aí.

Então, venha com a gente e considere um futuro… com robôs bem familiares!

🤖 Corpo, trabalho, criar e recriar

Nos últimos 6 milhões de anos, a espécie humana evoluiu e se especializou para ser o que é – uma espécie de seres bípedes que caminha ereta, diferenciou e especializou as funções dos membros superiores e inferiores, possui certo grau de força e flexibilidade e certo grau de acuidade dos cinco sentidos. E que, é claro, possui um cérebro muito sofisticado.

Uma espécie moldada pela evolução, mas que também moldou o mundo, transformando-o a favor de seus movimentos e sobrevivência. Pense, por exemplo, nas escadas, que foram criadas para facilitar o acesso e a circulação de pessoas em aclives ou declives. E funcionam perfeitamente… para os seres humanos!

O corpo humano é resultado de milhões de anos de evolução. Ao mesmo tempo em que evoluiu, os seres humanos também transformaram o mundo para sua própria corporeidade. Fonte: Getty Images.

🤖 Na mesma pista

E é aqui que encontramos a primeira justificativa para o desenvolvimento dos robôs humanoides: eles vão atuar naquelas “pistas” onde já atuamos, nas marcas que deixamos, sem a necessidade de se repensar o mundo. Em atividades tipicamente humanas: subindo escadas, girando maçanetas, sustentando volantes, operando ferramentas feitas para mãos, por exemplo. Algo que os robôs atuais, como aqueles braços gigantes e precisos que vemos nas fábricas, não fazem (ou até fazem… se forem humanoides).

🤖 As máquinas-pessoa

Outro ponto de interesse – e que vai pelo mesmo caminho da proximidade – é o da “personificação” das máquinas em nome de uma interação mais eficaz com seus criadores humanos.

Pense, por exemplo, nas ferramentas de IA, que imitam a forma humana de comunicar dados. Boa parte de seu interesse reside justamente nisto: informações úteis, entregues em um padrão comunicacional que não gera ruídos de compreensão.

Mas, em que atividades esses robôs “humanões” seriam úteis? Basicamente, naquelas que pedem empatia e vêm crescendo em demanda, como, por exemplo, o cuidado de pessoas idosas. Mas, como assim?! Robôs substituindo cuidadores? A ideia soa desumana, mas reflete uma questão real: em países como o Japão, um dos líderes da pesquisa em robôs humanoides, a população com mais de 65 anos já chega a 29,1% – quase uma em cada três pessoas!

🤖 O Vale do Estranhamento

Esse processo, porém, enfrenta um desafio: o do chamado “Uncanny Valley” ou “vale do estranhamento”, fenômeno detectado há mais de 50 anos pelo professor de robótica Masahiro Mori. Ao estudar a interação pessoas-máquinas, ele percebeu que a humanização funciona – mas só até certo ponto! As pessoas se interessam e gostam de robôs humanoides, porém, quando a máquina se aproxima muito da perfeição, acontece uma inversão: estranhamente, a atração dá lugar a repulsa.

Esse fenômeno ainda não está plenamente explicado. A hipótese mais aceita associa o desconforto à amígdala cerebral, que é um leitor ultrassofisticado das emoções. Ao “ler” um robô humanoide, esse órgão perceberia ao mesmo tempo elementos humanos e não humanos, o que geraria desconfiança instintiva e repulsa imediata.

🤖 O homem biônico

Desconfianças à parte (o fato é que as tecnologias podem evoluir a ponto de produzir uma mimese perfeita, que elimine o “vale do estranhamento”), a criação de robôs humanoides também é vista como um caminho pela medicina, no desenvolvimento de partes do corpo mais perfeitas, capazes de substituir membros e órgãos sem risco de rejeição.

Pense, por exemplo, na evolução das próteses de fêmur-quadril ou joelho em titânio, que evoluíram exponencialmente nas últimas décadas. O mesmo pode valer para outras articulações e órgãos, cuja chegada depende de estudos que envolvam materiais, sensibilidade, equilíbrio e caminhos de comunicação com o cérebro. Aliás, é bem possível que o cérebro – o órgão humano mais complexo – seja a última fronteira no caminho do “homem-robô”.

🤖 O robô humanoide como “máquina total”

Esse é o último grande argumento pela pesquisa e desenvolvimento de robôs humanoides. Uma máquina com essas características seria, necessariamente, multiplataforma, capaz de realizar uma série de tarefas que, hoje, são realizadas por diferentes robôs. Como, por exemplo, subir e descer escadas, carregar cargas, inspecionar zonas de desastre, mergulhar, servir café e mais. Atividades que estão dentro daquela “pista” a que nos referimos anteriormente, a das estruturas construídas pela humanidade para seu próprio uso.

Tudo isso explicado, podemos chegar a exemplos de pesquisas avançadas em robôs humanoides. Eles estão chegando!

🤖 O robô caminha

Para um ser humano que goze de boa saúde, caminhar é simples. Basta apoiar-se nas duas pernas, dar o primeiro passo e gerenciar o desequilíbrio que possibilita o avanço. E que só é “simples” porque somos humanos, mas que implica muitas variáveis complexas – dos impulsos cerebrais que levam ao movimento à noção de espacialidade, da composição entre as muitas articulações envolvidas no caminhar à força necessária para permanecer em funcionamento.

Agora, imagine desenvolver cada uma dessas habilidades e integrá-las de forma harmônica e humana – e, ainda por cima, perceber integralmente o espaço ao redor. Da composição do corpo ao equilíbrio, da energia necessária ao processo às conexões entre as partes, esse conjunto implica um enorme desafio que aciona conhecimentos que vão das ciências dos materiais à inteligência artificial. E, é claro, pode render novos conhecimentos que são um verdadeiro tesouro.

🤖 As piruetas de Atlas

Se, como vimos, caminhar já é suficientemente desafiador, imagine correr, pular, saltar, agachar, plantar bananeira, deitar e levantar de um pulo. Essa é a proposta do robô Atlas, desenvolvido pela Boston Dynamics, empresa fundada nos Estados Unidos em 1992 e comprada pela gigante industrial coreana Hyundai em 2020.

Demonstração das habilidades corporais do robô humanoide Atlas. Fonte: Bosto Dynamics.

A empresa, que é líder no segmento, ficou mais conhecida pelo desenvolvimento do Spot, um ágil robô quadrúpede semelhante a um cão de corrida – com a diferença de que, em lugar da cabeça, há um espaço para a colocação de “gadgets” como câmeras de vigilância. O “bicho”, aliás, é figura presente em feiras de tecnologia de todo o mundo.

Quanto ao Atlas, ele foi desenvolvido com financiamento inicial da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA). Apresentado oficialmente em julho de 2013, tem 1,88m de altura e é capaz de reproduzir vários tipos de movimentos humanos. Entre suas finalidades declaradas estão oferecer serviços de emergência em operações de busca e salvamento, acionar mecanismos de controle como válvulas em ambientes extremos e circular por locais inóspitos – o que abre a possibilidade de seu uso na exploração espacial.

Apesar de suas origens, a Boston Dynamics tem sido pública em afirmar que o foco do Atlas e de seus outros robôs é a assistência em tarefas industriais, de logística e de resgate. Esse posicionamento reflete um debate ético global crucial: como garantir que tecnologias com tal potencial sejam guiadas por princípios que priorizem a ajuda e a segurança, e não o conflito? A resposta a essa pergunta, assim como os algoritmos de equilíbrio do robô, ainda está em processo de construção – ela depende, evidentemente, da mobilização das sociedades.

🤖 Karakuri e os robôs japoneses

Um artigo sobre robôs humanoides não ficaria completo sem uma referência ao Japão e sua busca por criações do gênero. Os japoneses são fascinados por robôs desde, pelo menos, o século XVII, quando conheceram os relógios mecânicos produzidos na Europa e resolveram aproveitar a tecnologia para produzir bonecos animados, os chamados karakuri. Essas peças, que se transformaram em tesouros históricos, são sensacionais. E, em certa medida, elas anteciparam muitos dos mecanismos hoje utilizados para construir os corpos robóticos.

Exemplo de boneco Karakuri clássico, que dispara flechas em um alvo. Fonte: TokyoStreetView.

No século XXI, essa tradição de engenhosidade mecânica se traduziu em duas grandes frentes. A primeira, e mais comentada, responde a uma necessidade social urgente: com uma das populações mais idosas do mundo, o Japão busca parceiros robóticos para o cuidado. Foi nesse escopo que surgiu o Robear (uma junção de robot e bear, “urso”). Vendido como “o robô forte com toque suave”, esta máquina de 140 kg possui uma aparência amigável – projetada para evitar o “vale do estranhamento” – e braços capazes de erguer e transportar uma pessoa com segurança, auxiliando em transições entre a cama e a cadeira.

Exemplo de performance médico do Robear. Fonte: Riken.

Mas a visão japonesa vai além da assistência. A segunda frente é a da automação avançada para sustentar a indústria e a infraestrutura em uma sociedade com força de trabalho em declínio. Projetos como o HRP-5P, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST), são humanoides operários. Eles utilizam percepção ambiental e planejamento de movimento para executar tarefas complexas de construção, como instalar painéis de drywall sozinhos em um canteiro de obras.

Assim, dos delicados karakuri aos fortes cuidadores e aos precisos construtores, a robótica japonesa mantém um princípio: a máquina como uma extensão harmoniosa da sociedade, seja para cuidar, entreter ou construir. É uma filosofia que contrasta e complementa outras visões ao redor do globo.

🤖 Conclusão: a humanidade no espelho

Como vimos ao longo deste artigo, o desenvolvimento de robôs humanoides é, ao mesmo tempo, uma das tarefas mais desafiadoras da engenharia e um caminho que avança a passos largos. Nós citamos aqui alguns dos projetos mais emblemáticos, mas são dezenas ao redor do globo, de potências como China e Coreia do Sul.

O “Ameca – Generation 1”, da empresa Engeneered Arts, de 20212, é considerado o robô humanoide mais avançado já produzido, ao menos em nível de expressões faciais. Fonte: Engeneered Arts.

Mais do que um esforço técnico, essa jornada nos coloca diante de um espelho. Ao tentar criar esse “outro” mecânico, somos forçados a definir o que valorizamos em nós mesmos. As questões éticas são inevitáveis e urgentes. É provável, como anteciparam livros e filmes, que em algumas décadas vejamos humanoides em fábricas, hospitais e nossas casas, auxiliando em tarefas físicas e de companhia. A possibilidade de seu uso militar, com um nível de letalidade potencialmente elevado, permanece como uma sombra que exige vigilância constante e regulação robusta.

A criação de robôs humanoides, portanto, é muito mais do que uma competição tecnológica. É uma expressão profunda da curiosidade e ambição humanas. Até o momento – e provavelmente por muito tempo –, as máquinas não são capazes de decidir seu próprio propósito. Esse poder, e a enorme responsabilidade que vem com ele, ainda reside inteiramente conosco, seus criadores. O futuro que essas máquinas ajudarão a construir será, em última análise, um reflexo das escolhas que fizermos hoje.

A saúde do homem é Azul!

Questão de informação, conhecimento e conscientização: nas últimas décadas, em boa parte do mundo, os meses de outubro e novembro se tornaram especialmente importantes para a saúde das pessoas.
Temos o “Outubro Rosa”, voltado à prevenção do câncer de mama e à saúde integral da mulher, e o “Novembro Azul”, movimento pela saúde do homem – especialmente, em relação à prevenção e tratamento do câncer de próstata. Ambas as campanhas estão consolidadas e trazem frutos muito positivos, o que é excelente.
No caso do Novembro Azul, porém, ainda há resistências; não em relação à campanha, mas dos homens em relação ao autocuidado! Mas, por que isso acontece? Vamos descobrir – e deixar de lado o preconceito!

🔵 A cultura do “homem à prova de tudo”
Em todo o mundo, ao longo da história, muitas civilizações construíram a imagem do “homem à prova de tudo”: dores, cansaço e doenças. Ser homem, então, significava resistir aos problemas em silêncio, “com coragem”, e não se importar com a própria saúde. Isso, evidentemente, causou muito sofrimento, doenças e mortes que já não cabem em nossa época, quando há tanto conhecimento.
Foi dessa percepção que nasceu o Novembro Azul. E foi em Melbourne, na Austrália, no dia 17 de novembro de 2003, data em que se comemora o Dia Mundial da Prevenção ao Câncer de Próstata. Começou pela ação de dois amigos, Travis Garone e Luke Slattery, que, inspirados no Outubro Rosa, decidiram agir para a conscientização das pessoas.
Nessa época, a campanha ganhou seu primeiro símbolo, o bigode, e um nome: “Movember” (de “moustache” [bigode em inglês] + “november”), que dá nome a uma fundação internacional que coordena ações de prevenção. Em pouco tempo, a ideia ganhou o restante do país e, depois, o mundo!

🔵 Os homens morrem mais do que as mulheres?
Ao observar os números nacionais e internacionais relacionados ao envelhecimento, percebemos que as mulheres vivem por mais tempo que os homens. No mundo, cerca de 5,3 anos a mais e, no Brasil, cerca de 6,6 anos (os dados são do IBGE, 2023). Você já se perguntou sobre o porquê disso?
A ciência também fez essa pergunta – e encontrou algumas hipóteses. Segundo os cientistas há razões biológicas, cerebrais e culturais para isso. Em tese, os homens tenderiam a se arriscar mais e a ingressar em profissões de maior risco; por questões hormonais, tenderiam a morrer mais por doenças cardiovasculares; sofreriam mais com dificuldades de inserção social; seriam mais afetados pelo suicídio; e, por fim, mas não menos importante, seriam menos propensos a fazer exames médicos regularmente e buscar auxílio em caso de problemas – a famosa “teimosia” masculina!
Em tempos tão complexos e agitados como os que estamos vivendo, é verdade que fatores como estresse, pressão econômica e hábitos pouco saudáveis afetam a saúde de todos, independentemente do gênero. No entanto, a forma de lidar com esses desafios ainda é profundamente marcada por questões culturais. As estatísticas mostram que, mesmo diante de um contexto de riscos mais semelhante, os homens continuam a buscar menos ajuda, a se cuidar menos e, como consequência, a viver menos – e este é um dado crucial.

🔵 Que doença é essa?
Imagine uma doença que mata entre 44 e 48 homens por dia no Brasil (dados do Instituto Nacional do Câncer, INCA). Silenciosa, cercada de receios e de questões culturais, mas potencialmente muito letal. E que pode ser prevenida e tratada com sucesso. Essa doença é o câncer de próstata, que, segundo dados do INCA, deve registrar cerca de 71 mil novos casos no ano de 2025.
É uma doença “complicada” – especialmente em termos culturais – por conta de alguns fatores. Em primeiro lugar, por ser um “câncer”, nome que apavora muitas pessoas. Em segundo lugar, por afetar uma região do corpo masculino – a próstata – que se conecta ao sistema reprodutor, o que tem um peso simbólico e psicológico importante para muitos homens. E, em terceiro lugar, porque um dos principais meios de detecção de anomalias na próstata é o chamado “exame de toque”, visto com restrições por muitos homens. Todos esses fatores, é claro, devem ser vistos com respeito – até para que se possa desconstruir os preconceitos um a um.

🔵 A próstata
A próstata é uma glândula do sistema genital masculino, localizada na frente do reto e embaixo da bexiga urinária. Ela envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. A próstata tem como função produzir o fluído que protege e nutre os espermatozoides no sêmen, tornando-o mais líquido.
O tamanho da próstata varia com a idade. Em homens mais jovens, tem aproximadamente o tamanho de uma noz, mas pode ser muito maior em homens mais velhos.

🔵 O câncer de próstata
O câncer de próstata, que é detectado a partir de exames médicos, se caracteriza pelo surgimento de um tumor na própria glândula. Ele é o segundo mais frequente entre os homens, ficando atrás, apenas, do câncer de pele.
Esse tipo de câncer, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. Em outros casos, porém, pode crescer rapidamente, espalhar-se para outros órgãos e causar a morte – e é justamente por isso que ele merece atenção!

🔵 Quando falamos em câncer…
…estamos falando de um termo genérico que engloba mais de cem tipos de doenças associadas ao crescimento desordenado – e, muitas vezes, acelerado – de células. Nesse processo reprodutivo, essas células podem formar tumores (massas celulares anômalas, ou seja, que não seguem as regras normais) que, por sua vez, podem invadir tecidos adjacentes ou mesmo outros órgãos do corpo.
Quando os tumores têm uma taxa de crescimento persistente e que ultrapassa a taxa de crescimento dos tecidos normais, eles são chamados de “neoplasias”.

🔵 Neoplasias: benignas e malignas
As neoplasias benignas tendem a se desenvolver como massas teciduais de crescimento lento e expansivo; elas normalmente comprimem os tecidos adjacentes, sem infiltrá-los. São “fechadas”, isto é, circunscritas e com limites bem definidos.
Já as neoplasias malignas se caracterizam pelo crescimento rápido e invasivo; elas também por se disseminar para outras regiões do corpo por meio de vasos sanguíneos ou linfáticos, surgindo como novas lesões em outras partes do corpo – um processo conhecido como metástase.
Esse tipo de neoplasia é chamado de câncer.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos tipos de células que podem ser afetados pela doença – carcinomas, por exemplo, estão associados aos tecidos epiteliais, como a pele e as mucosas; se surgem em tecidos conjuntivos (como ossos, músculos e cartilagens), são chamados sarcomas.

🔵 Quais as causas do câncer?
Os mecanismos que “disparam” a reprodução desordenada de células no organismo de mulheres e homens são estudados há décadas por cientistas em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Hoje, sabe-se que há uma série de fatores envolvidos, como os genéticos, os ambientais e os associados aos hábitos. Esses fatores podem interagir, determinando o aparecimento da doença. Os cientistas perceberam, porém, que entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas – mudanças ambientais, poluição, hábitos e comportamentos. Esses fatores modificam a estrutura genética (DNA) das células, “redesenhando” seu metabolismo.

🔵 Fatores de Risco
O câncer de próstata pode atingir qualquer homem. No entanto, há alguns fatores de risco que devem ser conhecidos. O primeiro é a idade: o risco de se ter a doença aumenta com o passar do tempo. Em nosso país, de cada dez casos, nove são registrados em homens com mais de 55 anos. Um segundo fator de risco é a presença de casos de câncer de próstata na família: homens cujo pai, avô ou irmãos desenvolveram a doença antes dos 60 anos fazem parte do grupo de risco. Um terceiro fator de risco é o sobrepeso ou a obesidade – o peso corporal extra aumenta o risco de aparecimento do câncer e, também, de outras doenças graves, como as cardiovasculares.

🔵 Formas de Prevenção
A primeira forma de prevenção é o autocuidado, que começa com um olhar mais cuidadoso e até mais carinhoso dos homens para a própria saúde. É preciso se cuidar! Fazer exercícios físicos regularmente e manter uma alimentação saudável, não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, buscar formas de cultivar a saúde mental e buscar apoio médico sempre que necessário são medidas mais do que adequadas.
E, é claro, fazer exames médicos preventivos regularmente, em especial a partir dos 50 anos. No caso da próstata, esses exames incluem o chamado “PSA”, que é um exame obtido pela coleta de sangue (para verificação de uma proteína, o Antígeno Prostático Específico), e o “exame de toque” ou “exame de toque retal”, que é feito pelo médico urologista.
O exame de toque – que “apavora” muitos homens – é feito para perceber o tamanho, a forma e a textura da próstata. Para isso, o médico introduz um dedo protegido por uma luva lubrificada no reto do paciente. É um exame muito rápido (dura alguns segundos, na verdade) e permite palpar as partes posterior e lateral da próstata.
O principal, aqui, nem é o exame, mas a importância de se superar o preconceito em relação a ele. Em primeiro lugar, porque o “toque” não desafia a sexualidade do homem – isso é algo que está na sua cabeça!; em segundo lugar, porque ele pode ser decisivo para a detecção de uma doença que, se for descoberta tardiamente, muitas vezes é letal. Enfim: não vale a pena arriscar a vida por uma bobagem como essa!
Lembrando que nem sempre alterações do tamanho da próstata, que são comuns com o aumento da idade, significam câncer. Há, por exemplo, muitos casos de hiperplasia benigna da próstata, que afeta mais da metade dos homens com mais de 50 anos; e há, também, muitos casos de prostatite, inflamação na próstata geralmente causada por bactérias.
Para que o câncer seja detectado ou não, após os exames é necessário fazer uma biopsia, que é a retirada de células da próstata para análise pelo especialista.

🔵 Sinais e sintomas
Em sua fase inicial, o câncer de próstata possui alguns sintomas que devem ser observados. Os mais comuns são dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato de urina e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Esses sintomas não são uma confirmação da doença, mas, se aparecerem, devem acender o “alerta médico” imediatamente. Sem protelação!

🔵 O câncer de próstata tem cura?
Sim. Nos casos de detecção precoce, ou seja, quando a doença está em estágio inicial, as possibilidades de cura são de mais de 90%.

🔵 Onde encontrar mais informações?
Indicamos alguns sites com informações de qualidade sobre o câncer de próstata e a campanha do Novembro Azul. Assim, vai lá!

Fundação Movember – Portal oficial, internacional, da Fundação Movember, que deu início ao Novembro Azul.
Instituto Lado a Lado pela Vida – Portal do Instituto Lado a Lado pela Vida, que lançou a campanha do Novembro Azul no Brasil em 2011.
Instituto Nacional do Câncer (INCA) – Site oficial da principal instituição brasileira de pesquisas do câncer.
Instituto Vencer o Câncer – Portal informativo mantido pelos médicos Antonio Buzaid, Fernando Maluf e Drauzio Varella.

Essas informações foram úteis para você? Então, compartilhe! Conhecimento salva vidas!

Prêmio Ação Destaque: os vencedores de 2025!

O XIII Seminário de Gestores Municipais também foi palco da grande final do 15º Prêmio Ação Destaque, que valoriza e premia os melhores projetos desenvolvidos pelos professores e gestores parceiros da área pública, com o selo educacional Sefe.

Confira a lista dos vencedores do 15º Prêmio Ação Destaque!

📌 CATEGORIA 01 – EDUCAÇÃO INFANTIL – COLEÇÃO PRIMEIRA INFÂNCIA +0, COLEÇÃO ENTRELINHAS PARA VOCÊ! (INFANTIL 1, 2, 3) OU COLEÇÃO FEITO CRIANÇA (INFANTIL 1, 2, 3):

1º lugar – Renata Aparecida Dezo Singulani. Santa Cruz do Rio Pardo (SP). “Nossa escola, nossas vozes: trocando histórias e saberes”

2º lugar – Luana Pinheiro de Carvalho. Itabirito (MG). “Quem sou eu? Descobrindo minha identidade”

3º lugar – Marilde Del Moro. Salto Veloso (SC). “Nas Entrelinhas, animais em todos os lugares: curiosidade, exploração e encantamento”

Vencedoras da Categoria 01: Renata, Luana e Marilde.

📌 CATEGORIA 02 – EDUCAÇÃO INFANTIL – COLEÇÃO ENTRELINHAS PARA VOCÊ! (4 E 5) OU COLEÇÃO FEITO CRIANÇA (4 E 5):

1º lugar – Joselâine Cristina Ribeiro de Matos. Campo Novo do Parecis (MT). “Dinheiro não dá em árvore… ou dá?”

2º lugar – Laiz Caroliny da Silva. Carlópolis (PR). “Eco Influencers: nosso papel é semear o Futuro”

3º lugar – Margarida Maria Barboza dos Anjos. Ouro Preto (MG). “Pelos olhos de uma criança”

3º lugar – Vanessa Maria Silva Lopes. Santana de Parnaíba (SP). “Passarinhar, casa dos passarinhos”

Vencedoras da Categoria 02: Joselâine, Laiz, Margarida e Vanessa.

📌 CATEGORIA 03 – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS 1º AO 3º ANO – COLEÇÃO CAMINHOS E VIVÊNCIAS, COLEÇÃO MEU AMBIENTE OU PROGRAMA INDICA:

1º lugar – Sônia Patrícia Florentino da Silva Araújo. Fortaleza (CE). “Criança Cidadã: alfabetizando-se, além dos muros da escola”

2º lugar – Janaína Aparecida de Paiva Lima. Varginha (MG). “Turma conectada: da sala de aula para a comunidade virtual”

3º lugar – Josy Mary da Rocha Golfetto. Vilhena (RO). “Vilhena, minha cidade tem história”

3º lugar – Rodrigo Gualberto da Costa. Lavras (MG). “Cidade, Infância e Educação: Leitura do Território e Protagonismo Infantil no Ensino Fundamental”

Vencedores da Categoria 03: Sônia, Janaína, Josy Mary e Rodrigo.

📌 CATEGORIA 04 – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS 4º E 5º ANO – COLEÇÃO CAMINHOS E VIVÊNCIAS, COLEÇÃO MEU AMBIENTE OU PROGRAMA INDICA:

1º lugar – Ana Paula dos Santos Alves. Carlópolis (PR). “Águas Do Conhecimento: Aprender Para Preservar”

2º lugar – Gabriela Favarin. Arroio Trinta (SC). “DigitalMentes Brilhantes. Um salto entre o passado e o futuro. Unindo criatividade, tecnologia e comunicação”

3º lugar – Denise Zimmermann Schuller. Arroio Trinta (SC). “Cuidando do Meio Ambiente, Cuidando do Futuro: eu fiz minha parte!”

Vencedoras da Categoria 04: Ana Paula, Gabriela e Denise.

📌 CATEGORIA 05 – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS E ENSINO MÉDIO – COLEÇÃO SER E VIVER CIDADANIA, COLEÇÃO CIDADANIA, COLEÇÃO MEU AMBIENTE OU PROGRAMA INDICA:

1º lugar – Mislaine do Carmo Cardoso. Varginha (MG). “Empreendedorismo e sociobiodiversidade: criando conexões para o futuro”

2º lugar – Anderson Antonio Ferreira de Almeida. Santana de Parnaíba (SP). “Vidas Secas que permeiam as narrativas da nossa História”

3º lugar – Valdirene Rotava Tomazelli Chitolina. Xaxim (SC). “Independência do Brasil: ChatGPT e a escola”

Vencedores da Categoria 05: Mislaine, Anderson e Valdirene.

📌 CATEGORIA 06 – AÇÕES COM FAMILIARES – COLEÇÃO FAMÍLIA PRESENTE E/OU COLEÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA E/OU ENCONTRO COM FAMILIARES:

1º lugar – Fabiana Custódio da Silva. Santana de Parnaíba (SP). “Família e Escola em Diálogo: Reunião de pais como espaço formativo”

2º lugar – Marcela Miranda Cavassini Selegato. Andradas (MG). “Vozes que Cuidam: O Extraordinário de Ser e Fazer na Escola”

3º lugar – Aline Araújo Martins. Campo Novo do Parecis (MT). “Vínculos que Transformam”

Campeãs da Categoria 06: Fabiana, Marcela e Aline.

📌 CATEGORIA 07 – ESPECIALISTAS: ARTE, EDUCAÇÃO FÍSICA E LÍNGUA INGLESA – COLEÇÕES JOY, CAMINHOS E VIVÊNCIAS, SER E VIVER CIDADANIA OU ENGLISH PARTY:

1º lugar – Renata Larissa Tozin. Colombo (PR). “Equidade e Sustentabilidade”

2º lugar – César Augusto Cittadin Justi. Orleans (SC). “Ginástica Circense. O Circo na Escola”

3º lugar – Andrieli Julia Brambila. Macieira (SC). “Different and Proud: Celebrating who we are!”

Vencedores da Categoria 07: Renata, César e Andrieli.

📌 CATEGORIA 08 – GESTORES – DIRETORES ESCOLARES, COORDENADORES PEDAGÓGICOS OU SUPERVISORES PEDAGÓGICOS: 

1º lugar – Ariane Cristine do Nascimento Barreiros Mantuano. Santana de Parnaíba (SP). “Aprimorando práticas educacionais para um Ensino de Excelência”

2º lugar – Giselle Rocha Cirino de Almeida. Santana de Parnaíba (SP). Fortalencendo Laços: a importância da Parceria Escola e Família no Desenvolvimento Infantil”

3º lugar – Joana D’Ark da Silva Soares Mesquita. Aquiraz (CE). “EducAÇÃO Estratégica – Transformando Caminhos com Propósito”

Vencedoras da Categoria 08: Ariane, Giselle e Joana D’Ark.

📌 CATEGORIA 09 – SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO – DIRETORES DE ENSINO, COORDENADORES DE ENSINO, GERENTES DE ENSINO, SUPERVISORES, COORDENADORES DE FORMAÇÃO, ARTICULADORES, ASSESSORES PEDAGÓGICOS OU SECRETÁRIOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO.

1º lugar – Patrícia de Souza Silva. Ivaiporã (PR). “Pequenos e Grandes Brincantes: Incentivando o Brincar Como Ferramenta de União Familiar”

2º lugar – Valéria Nunes de Jesus. Astorga (PR). “Música que transforma – som, criatividade e sustentabilidade na Educação Infantil”

3º lugar – Rosangela Alvarenga Morassutti. Arapongas (PR). “Projetos Brinquedos que contam História: integrando Tradição, Tecnologia e Sustentabilidade”

Vencedoras da Categoria 09: Patrícia, Valéria e Rosângela.

O brilho da Educação Pública Brasileira!

XIII Seminário de Gestores Municipais da Editora Opet celebrou o talento dos educadores brasileiros

Um grande sucesso! Assim pode ser resumido o XIII Seminário de Gestores Municipais, promovido pela Editora Opet nos dias 28, 29 e 30 de outubro de 2025 em Curitiba, com transmissão pelo Youtube. O evento, que reuniu gestores e educadores de municípios de todo o país, teve como tema “Futuro Presente” – um convite à reflexão e à ação sobre o papel da Educação Básica na construção da sociedade e do país que queremos.

O Seminário também foi marcado pela etapa final do 15º Prêmio Ação Destaque, iniciativa da Editora Opet que valoriza, divulga e premia os melhores projetos da área pública desenvolvidos com os recursos Sefe.

A presidente do Grupo Educacional Opet, Adriana Karam, abriu o encontro. Ela ressaltou a importância dos gestores e professores para o o fortalecimento e valorização da escola como protagonista na construção do futuro. Destacou, também, a importância dos temas e palestrantes convidados do Seminário.

A presidente do Grupo Educacional Opet, Adriana Karam, abriu o XIII Seminário de Gestores Municipais.

📌 Palestras

A palestra magna, na terça-feira (28), foi ministrada pela professora Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do INEP, professora da UNICAMP e uma das maiores autoridades brasileiras em avaliação diagnóstica. Em “Desafios e futuro da avaliação educacional no Brasil”, ela trouxe um panorama do país, focando no desafio de incorporar as mudanças recentes aos processos avaliativos.

Na quarta-feira (29), as discussões giraram ao redor da educação socioemocional e da criatividade em sala de aula. A convidada foi Débora Garofalo, professora de rede municipal de ensino de São Paulo, pesquisadora e finalista, em 2019, do Global Teach Prize, o Nobel da Educação. Ela falou sobre “Educação socioemocional: educar com criatividade e propósito”.

E na quinta-feira (30), encerrando a programação, o foco foi na relação entre educação, tecnologia e desenvolvimento humano, na palestra “Como educar para um mundo digital?”, com o doutor em Psicologia e especialista do Instituto Alana Rodrigo Nejm.

Rodrigo Nejm é um dos grandes especialistas brasileiros na relação entre infância, adolescência e meios digitais.

📌 Prêmio Ação Destaque

Em 2025, o 15º Prêmio Ação Destaque reconheceu e premiou 29 professores e gestores de 21 municípios do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Ceará e Rondônia (confira a lista dos campeões). Eles participaram da etapa final do Ação Destaque concorrendo em 9 categorias que abrangem o espectro de trabalho da Editora Opet na rede pública. Seus projetos, que utilizaram os recursos Sefe – selo da Editora para a área pública –, foram destaque pela qualidade, intencionalidade pedagógica e impacto junto às comunidades.

Em 2025, o Ação Destaque premiou 29 professores e gestores de 21 redes municipais de sete Estados.

📌 Tempo de cultura

O Seminário também foi marcado por momentos que traduziram a riqueza cultural do Brasil. No primeiro dia, os participantes foram recepcionados pelo chorinho do Julião Boêmio Trio, formado por músicos e professores oriundos das principais instituições de estudo da música no Paraná. No segundo dia, foi a vez de Crys Gaiteiro, jovem talento curitibano que apresentou clássicos da música sertaneja.

Apresentação do Vocal Curitibôcas no XIII Seminário de Gestores Municipais.

Por fim, no terceiro dia, o encerramento ficou a cargo do Vocal Curitibôcas, um dos mais conhecidos e respeitados grupos vocais de Curitiba, sob a regência do maestro Dirceu Saggin. O Curitibôcas tem como uma de suas integrantes a professora Adriana Karam, que, durante a apresentação, traçou uma relação entre o funcionamento harmônico de um grupo vocal e o desenvolvimento da Educação.

📷 CONFIRA AS FOTOS DO SEMINÁRIO

Educação indígena e interculturalidade: o exemplo de Campo Novo do Parecis (MT)

Neste artigo, você vai ler:
📌 Como Campo Novo do Parecis (MT) implementa uma educação bilíngue e intercultural para o povo Háliti-Paresi, unindo os saberes tradicionais aos materiais didáticos.
📌 O desafio de equilibrar a identidade cultural com a tecnologia e os “dois mundos”, garantindo que as crianças não percam suas raízes enquanto se conectam com novas realidades.
📌 A importância da troca de conhecimentos e do respeito às especificidades para criar uma aprendizagem significativa, que valoriza a língua materna, a cultura e os anciãos da comunidade.
📌 Crédito das fotos: professora Valdirene Avelino Zakenaezokero (1 e 2) e professora Liliane Padilha (3).

Um dos maiores desafios e uma das maiores riquezas da educação brasileira é a sua diversidade cultural. Em um país tão complexo e colorido, construir a educação requer conhecimento, sensibilidade e um olhar de conexão e compartilhamento. Campo Novo do Parecis, parceiro Opet no oeste de Mato Grosso, é um exemplo concreto disso! Lá, a rede municipal de ensino abrange os estudantes de 20 aldeias da etnia Háliti-Paresi.
Ao todo, os 2.750 indígenas da etnia vivem em 89 aldeias em sete municípios da região – Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra, Sapezal, Campo de Júlio, Conquista do Oeste, Barra do Bugres e Nova Marilândia. Em Campo Novo do Parecis, as crianças da Educação Infantil utilizam os materiais didáticos e recursos da Editora Opet. As soluções também estão nas escolas indígenas, onde atuam 16 professores nativos que oferecem educação em um ambiente bilíngue.

Uma formação intercultural: a professora Valdirene Avelino Zakenaezokero com seus estudantes.

Desafio

Claudiane Quezo Zaezaé, indígena Háliti-Paresi, é pedagoga e diretora de Educação Indígena em Campo Novo do Parecis. Segundo ela, a educação das crianças e adolescentes indígenas é desafiadora por muitos motivos, começando pelos históricos. “É importante que os livros didáticos deem importância aos povos indígenas, que mostrem o passado e o presente”, observa.
“Há Estados em que as pessoas não nos conhecem e não sabem que existimos. Não é preciso que nos conheçam, mas sim que saibam, da forma correta, que nós existimos”, destaca. Ela fundamenta essa opinião observando que só em Mato Grosso existem 43 povos indígenas com suas línguas e culturas, e que também há etnias vindas de outros Estados para a região.

Oportunidade de avançar

Claudiane diz que Campo Novo do Parecis realiza um bom trabalho com a educação indígena. “O município é parceiro e nos dá autonomia”, observa. Sobre a Editora Opet, ela observa que os livros são importantes para o trabalho com a Educação Infantil, e que as formações pedagógicas são uma oportunidade de aprender e de trocar conhecimentos.
E finaliza observando que, nos últimos anos, a Educação Indígena ganhou materialidade com leis e portarias que garantem aos professores indígenas o direito de trabalhar do seu jeito, com o olhar de quem vive a realidade de dentro. “Só temos que saber interpretar e trabalhar”.

Cultura e a identidade

“O desafio da educação escolar é incentivar os alunos a não esquecerem da nossa cultura e identidade devido à tecnologia e à internet”, avalia a professora Valdirene Avelino Zakenaezokero, Háliti-Paresi líder em sua comunidade. “Devemos viver em dois mundos, mas sem jamais perder nossa essência.”
Para ela, o trabalho com a educação indígena é um caminho para a preservação e o florescimento da cultura. E o trabalho formativo da Editora desempenha um papel importante nisso. “As formações são maravilhosas! As formadoras sempre destacam a educação indígena em um contexto atual, e os materiais didáticos estão de acordo com os preceitos da educação indígena.

Riqueza e repertório

Edilaine Mendonça de Paula Machado é diretora do Departamento de Educação Infantil de Campo Novo do Parecis, atuando com os professores nas escolas das aldeias e da cidade. Ela reforça a importância da interculturalidade.
“Estamos sempre buscando ampliar o repertório”, conta. Nesse processo, a comunidade indígena é de grande valor, por exemplo, na figura dos anciãos, que preservam a língua e a cultura e as transmitem para as novas gerações.
Edilaine destaca o valor das trocas e intercâmbios culturais que envolvem estudantes indígenas e não indígenas, com visitas e momentos de conhecimento. “O uso de elementos da natureza e materiais não estruturados no processo educacional, por exemplo, também desperta a atenção dos professores.”

A vivência da cultura na educação é um dos elementos fundamentais entre os Háliti-Paresi.

Aprender sempre

As formações pedagógicas permitem ampliar a compreensão e o repertório dos professores em relação aos materiais didáticos e recursos, e também possibilitam uma construção conjunta da educação. São momentos de trocas culturais que ganham ainda mais força no caso do trabalho com os professores indígenas.
Liliane Padilha é formadora Opet e, recentemente, esteve em Campo Novo do Parecis com os professores em uma escola da área urbana e para uma visita técnica a uma das escolas indígenas com atendimento da Educação Infantil.
Para ela, o trabalho com os professores indígenas é muito compensador. “A educação indígena é intercultural. Ela envolve as culturas indígena e não indígena. O professor tem a missão de ensinar as duas línguas e, consequentemente, as duas realidades para as crianças”, observa. E é aí que o processo ganha em riqueza e complexidade.
“O que muda no trabalho é a forma como as aprendizagens são ressignificadas. As crianças utilizam nosso material a partir de seus referenciais culturais e de sua realidade, que são distintos”, explica Liliane. “Fazemos uma aproximação entre as propostas trazidas no material didático e a língua materna, as tradições e os costumes da aldeia. E isso dá ainda mais potência à aprendizagem”, resume.

Liliane Padilha, formadora: trabalho com a educação indígena é altamente compensador.

Vivência única

Sobre o trabalho com os professores, ela percebe seu papel na preservação da cultura Háliti-Paresi. “Eles se veem como responsáveis pela preservação da cultura e, ao mesmo tempo, pelo acesso das crianças a novos conhecimentos. E cuidam para que o sistema respeite as especificidades culturais, principalmente no que se refere à língua e às tradições. Também demonstram abertura para dialogar e construir juntos, desde que este diálogo seja feito com respeito e valorização da identidade do povo.”
E as crianças? Segundo Liliane, é, sempre, emocionante acompanhá-las em sua relação com as vivências culturais, a natureza e os materiais didáticos. “Essa integração torna a aprendizagem ainda mais significativa porque respeita a identidade das crianças e valoriza o que elas têm de mais precioso: suas raízes, seus saberes e sua forma única de viver o mundo”, avalia.
“E é incrível ver até onde chega a Coleção Entrelinhas para Você e, também, a potência de um material composto por propostas e experiências que permitem que as crianças, mesmo em um contexto cultural tão diferente, transcrevam esses aprendizados para o seu dia a dia.”

Outubro Rosa: esperança, informação, prevenção e ação!

Crédito: Getty Images.

Nesta quarta-feira (01º), pessoas, empresas, governos e instituições da sociedade civil de todo o mundo iniciam mais uma edição do Outubro Rosa, mês de conscientização e ações pela saúde integral da mulher, com atenção especial para os cânceres de mama e útero. Um momento da maior importância, que oferece inclusão e informação por uma causa fundamental: reduzir o número de casos e de mortes entre mulheres.

O quadro, vale observar, é altamente desafiador, o que reforça a importância do Outubro Rosa. Fatores como o envelhecimento da população, a pobreza, a falta de acesso a serviços médicos e a baixa escolaridade podem contribuir para que, até 2050, segundo a Agência Internacional para Pesquisa de Câncer (IARC), o mundo registre cerca de 3,2 milhões de novos casos de câncer de mama por ano, com 1,1 milhão de mortes anuais. Esses números representariam um aumento, em relação aos atuais, de 38% no número de casos e de 68% no de mortes.

No caso do câncer de colo de útero, nas mesmas condições, devem ser registrados 604 mil novos casos por ano e cerca de 342 mil mortes.

Nesse contexto, informação não é apenas uma palavra: é o início de um processo de conscientização, cuidado, prevenção e maiores possibilidades de cura quando a doença é diagnosticada.

Para a Editora Opet, o Outubro Rosa é especialmente importante por dois motivos que caminham juntos: o primeiro é a nossa razão de ser, a educação, que é informação construída socialmente e compartilhada; o segundo, não menos importante, são as mulheres – professoras, gestoras, mães, colaboradoras, integrantes das equipes de suporte às escolas – que fazem parte da nossa historia e do nosso dia a dia. Todas as mulheres!

Nas próximas seções deste artigo especial, vamos reforçar a importância do Outubro Rosa. Mais do que isso, vamos falar de prevenção e autocuidado. É informação de alta qualidade e de acesso facilitado. Para ler, refletir, agir e compartilhar!

🌸 A importância do Outubro Rosa

O câncer, evidentemente, não escolhe mês ou época do ano, e os cuidados devem ser permanentes. Mas, é preciso jogar luz sobre o tema, conversar a respeito, sensibilizar. E é assim que a coisa funciona: o principal impacto do Outubro Rosa está na disseminação do conhecimento.

A informação afasta o medo e o preconceito, promovendo o autocuidado e incentivando a prevenção e o tratamento. Esse movimento vai além de um único mês, inspirando hábitos saudáveis e engajamento na luta contra o câncer durante todo o ano.

🌸 Vamos falar sobre o câncer

Crédito: Getty Images.

O termo “câncer” abrange mais de 100 tipos de doenças causadas pelo crescimento desordenado de células. Esse processo pode gerar tumores, que são massas celulares anormais. Esses tumores podem invadir tecidos vizinhos e até mesmo se espalhar para outras partes do corpo, um fenômeno chamado metástase.

🌸 Neoplasias: a diferença entre benignas e malignas

As neoplasias podem ser benignas ou malignas. Neoplasias benignas crescem lentamente e não invadem outros tecidos. As malignas, por outro lado, são agressivas, invadindo tecidos e se espalhando pelo corpo através dos vasos sanguíneos ou linfáticos.

🌸 Quais são as causas do câncer?

A reprodução desordenada de células pode ser desencadeada por fatores genéticos, ambientais ou hábitos de vida. Estima-se que entre 80% e 90% dos casos de câncer estejam relacionados a causas externas, como poluição e comportamento, que alteram o DNA das células.

🌸 O câncer de mama

Crédito: Getty Images

O câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres no mundo, com cerca de 2,3 milhões de novos casos anuais (com possibilidade de crescimento de 38% até 2050, segundo a IARC). No Brasil, são aproximadamente 73 mil diagnósticos por ano, representando quase um quarto de todos os cânceres femininos. Além disso, é o tipo de câncer que mais causa mortes entre mulheres no país, com uma taxa de mortalidade de 11,71 por cem mil pessoas (à frente dos cânceres de colo de útero, pulmão e colorretal) segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS) de 2023/25.

🌸 Como cuidar de si: atitudes que fazem a diferença

Os fatores de risco para o câncer de mama incluem questões genéticas, ambientais e hábitos de vida. Algumas medidas preventivas incluem:

Alimentação saudável: Aumentar o consumo de vegetais, frutas e alimentos orgânicos, e reduzir a ingestão de alimentos ultraprocessados, carne vermelha e álcool.

Evitar o cigarro: O tabagismo é um fator de risco significativo para vários tipos de câncer.

Prática de exercícios físicos: A atividade física regular é essencial para a saúde geral e pode ajudar na prevenção do câncer.

Gerenciamento do estresse: Práticas como meditação, caminhadas e hobbies ajudam a reduzir o estresse.

Autoexame das mamas: O INCA recomenda que as mulheres observem suas mamas regularmente, valorizando a descoberta casual de alterações suspeitas.

Crédito: Getty Images.

🌸 A origem do Outubro Rosa

Crédito: FSGK

A campanha do Outubro Rosa surgiu nos Estados Unidos na década de 1990, por meio da Fundação Susan G. Komen for the Cure. A primeira “Corrida pela Cura”, realizada em Nova Iorque, distribuiu laços rosa para os participantes, como símbolo da conscientização sobre o câncer de mama. Em 1997, o movimento ganhou força com ações nas cidades de Yuba e Lodi, na Califórnia, e se espalhou pelo mundo.

🌸 Outubro Rosa no Brasil

Crédito: Presidência da República

No Brasil, o movimento chegou em 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, foi iluminado em rosa. Desde então, outros monumentos pelo país também se tornaram parte da campanha, que conta com o apoio de entidades públicas e privadas.

🌸 Informação de qualidade

Indicamos algumas fontes confiáveis de informação sobre o câncer de mama, sua prevenção e tratamento. Confira!

📍Cancer Today – portal da OMS com estatísticas globais atualizadas sobre o câncer (em inglês).

📍Fundação do Câncer – Informações gerais.

📍Fundação Oswaldo Cruz – Entrevista com a mastologista Viviane Esteves, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)

📍Fundação Susan Komen for the Cure – site oficial da instituição que lançou as primeiras ações do Outubro Rosa (em inglês)

📍Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) – Informações gerais, taxas de incidência no Brasil por região

📍INCA – Informações específicas sobre o Controle do Câncer de Mama

📍Instituto Vencer o Câncer – Câncer de Mama – Informações gerais.

📍Observatório Global do Câncer – portal da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a doença (em inglês).

📍“Outubro Rosa” – Material produzido pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde

📍“Pink October” – Portal oficial da campanha do Outubro Rosa nos Estados Unidos (em inglês)