O Programa Indica, da Editora Opet, tem um compromisso absoluto com a qualidade da avaliação diagnóstica. Nessa perspectiva, acaba de lançar os novos cadernos de prova do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, que são o núcleo do Programa.
A atualização, explica a coordenadora do Indica, Silneia Chiquetto, é permanente – trata-se de um componente essencial para que o Indica entregue dados precisos às redes públicas e privadas parceiras. “Uma premissa da avaliação diagnóstica é a da atualização – em relação às necessidades das escolas, às mudanças do cenário educacional e à evolução dos estudantes que já se beneficiam das avaliações”, pondera. “Em termos figurados, é como se estivéssemos ‘afiando a ferramenta’ para obter os dados mais precisos para a construção dos planos de intervenção.”
Processo minucioso
A atualização dos cadernos de prova abrangeu a verificação de todos os elementos de suporte das questões, como textos, fotos, ilustrações e quadrinhos. E envolveu autores, editores técnicos e pedagógicos, revisores e iconógrafos. “Não poupamos esforços. Mobilizamos profissionais com grande conhecimento e que prestam serviço, por exemplo, para o Inep, que organiza as principais avaliações do Brasil, como o Saeb e o Enem”, explica Silneia.
Atualização dos cadernos de prova vale, também, para a versão digital das avaliações. Foto: Editora Opet.
O papel da TRI
Esse trabalho envolveu o elemento-chave das avaliações brasileiras: a produção, análise e processamento dos resultados a partir da Teoria da Resposta ao Item, a TRI. A TRI é um modelo matemático – e uma metodologia de correção de provas – desenvolvido para tornar a correção mais justa e precisa. Ele foi adotado pelos organizadores do Enem a partir de 2009 (CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS). “Os itens construídos para correção em TRI passam por critérios rigorosos durante a sua construção, bem como o conjunto de itens que formam a prova. É um trabalho minucioso, que somente profissionais experientes e com muito conhecimento conseguem garantir”, explica Silneia.
O uso da TRI para a construção das questões e a correção das provas torna os resultados ainda mais precisos. Foto: Getty Images.
O olhar dos parceiros
A atualização das provas passou, também, por um validador crítico: as redes parceiras que já adotam as avaliações do Indica. Em muitas delas, os ciclos avaliativos são realizados há anos, o que produziu um olhar ainda mais ajustado paras as necessidades e para as minúcias da aplicação das provas. “O olhar dos nossos parceiros está em primeiro lugar”, destaca Silneia. “Na atualização dos cadernos, ele foi cruzado com as curvas e as séries históricas de resultados, resultando em avaliações mais próximas e precisas”, observa.
Novos cadernos já estão nas escolas
As novas provas já estão sendo aplicadas. Neste início de junho, por exemplo, estão chegando a uma grande rede parceira, do município catarinense de Xaxim. “Nossa equipe estará lá para dar todo o suporte à aplicação”, conta Silneia.
Comuns na Grécia e em todo o leste do Mediterrâneo, as oliveiras foram domesticadas há cerca de 6,5 mil anos. Elas marcaram a relação dos antigos gregos com o meio ambiente. Fonte: Getty Images.
Meio ambiente. Só de ouvir essas palavras, muita gente fica “de antena ligada”. Por um lado, esse movimento demonstra uma consciência ambiental crescente. Por outro, aponta para o poder dos meios digitais, que informam e amplificam a comunicação.
Ele também se liga à percepção de que algo parece estar “fora da ordem”, com a aceleração da destruição ambiental e eventos climáticos cada vez mais intensos.
Mas, será que nossa consciência sobre a “pegada ambiental” é assim tão recente? Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, vamos conhecer uma das origens mais poderosas da relação entre o pensamento humano e o meio ambiente – o pensamento grego! O artigo antecipa as celebrações e as reflexões da Semana Nacional do Meio Ambiente (1º a 7 de junho) e do Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho).
Venha com a gente!
🌍 Essa tal Cosmovisão
A primeira coisa que se deve ter em mente em relação à temática ambiental é o papel das ideias e da cosmovisão – o olhar que as civilizações têm sobre o conjunto de todas as coisas. O famoso “quem somos, onde estamos, como surgimos e o que explica isto”.
Todas essas ideias, evidentemente, fazem parte de muitas das discussões atuais, de um tempo de maturidade nascida de dados científicos.
A cosmovisão é o olhar que as civilizações têm a respeito do universo e de todos os seus componentes. Fonte: Getty Images.
🏛️ Do templo à ágora, agora!
Em muitas civilizações, esse conjunto de ideias foi dado inicialmente pelas religiões, o primeiro grande “organizador do mundo”.
Se tomarmos como exemplo o “Livro do Gênese”, do Pentateuco/Velho Testamento, podemos perceber uma relação de subordinação entre os seres humanos e a natureza; mas, também, uma noção de cuidado com o meio (como em 2:15, que traz a ideia de “cultivar e guardar” o Jardim do Éden).
“Cultivar e Guardar”: Representação do Jardim do Éden pelo pintor Lucas Cranach, o Velho (séc. XVI). Fonte: Wikipedia.
Outras religiões e sistemas de pensamento, como os dos antigos chineses e dos povos indígenas americanos, podiam ver essa relação em um viés complementar, mais próximo da ideia recente de “teia ambiental”. Outras ainda, como as dos egípcios, gregos e romanos, tinham divindades como responsáveis pelos elementos ou eventos naturais (“Deus do Raio”, “Rei dos Mares”, “Deus Sol” e assim por diante).
Em certos contextos históricos, como o da própria Grécia, de Roma e da China, esse olhar “vazou” dos sacerdotes para os filósofos (como Aristóteles, Lao Tzu, Teofrasto ou Plínio, o Velho), dando início a um tipo de pensamento – a Filosofia Natural – que acabaria por participar diretamente do que conhecemos como Ciência.
🔎🐞 Foram os gregos os primeiros “ambientalistas”?
Em “Escola de Atenas”, o pintor Rafael mostra alguns dos principais filósofos gregos. Fonte: Wikipedia.
Não exatamente, até porque o conceito de ambientalismo é muito mais recente (século XX). Mas os gregos ajudaram a aproximar da questão. No Ocidente, os primeiros filósofos com foco no meio ambiente – mais propriamente, filósofos naturais, antecessores de ciências como a Biologia – surgiram na Grécia a partir do século VI a.C.
Considerado um dos “Sete Sábios da Grécia” – e um dos primeiros filósofos –, Tales de Mileto (séc. VI a.C.) olhou com muita atenção para a água, que considerava a substância primordial para todos os seres vivos.
Para Tales de Mileto, a água era o princípio da vida. A ciência moderna mostra que, sem água, não há vida como a conhecemos. Fonte: Getty Images.
Na mesma época, Anaximandro (também de Mileto) propôs uma das primeiras hipóteses científicas sobre a origem da vida: ela teria surgido da umidade. Anaximandro também percebeu a inter-relação entre os seres vivos.
⛲ “Panta Rei”: a ideia de que tudo flui
Em seus trabalhos, Heráclito (séc. VI a.C.) enfatizou a existência e a importância dos ciclos naturais. É atribuído a ele, aliás, o conceito grego de que “tudo flui” (“panta rei”), que se conecta à Lei de Conservação das Massas, enunciada por Lavoisier no século XVIII (“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”), e a algumas das correntes mais atuais de pensamento sobre a natureza.
⚠️ Platão e os primeiros alertas ambientais
Damos, então, um giro interessante. O foco deixa de ser a investigação da natureza, dos ciclos e relações naturais, e passa à pegada humana sobre o meio ambiente. Nosso autor é ninguém menos que Platão, que em “Crítias” se refere à degradação ambiental pelo desmatamento na Ática (onde fica Atenas) e seus efeitos perniciosos para as pessoas.
Na mesma linha e período (séc. IV a.C.), Aristóteles destacou a relação entre a natureza e o bem-estar humano. E Xenofonte observou a necessidade de se praticar a agricultura de forma sustentável. Vale indicar que, já naquela época, a produção agropastoril – de trigo, azeitonas, uvas e produtos lácteos – tinha como foco o consumo e a exportação (o que, por certo, gerava uma pressão por novas áreas de cultivo).
Pioneiros do Ocidente: da esquerda para a direita, representações gregas e romanas de Heráclito, Platão, Aristóteles, Xenofonte e Teofrasto. Fonte: Wikipedia.
Outros pensadores de olho na natureza
A lista de pensadores é extensa e, claro, não se encerra neste artigo. Podemos citar, por exemplo, o sucessor de Aristóteles, Teofrasto (séc. IV a.C.), que produziu tratados sobre Botânica influentes em todo o mundo ocidental até o Renascimento.
🌱 Mas, você já parou para pensar por que esses filósofos chegaram tão perto da natureza?
O primeiro motivo é sua proximidade em relação ao mundo natural. Em um mundo “em construção”, ele era a grande reserva – de esperanças, riquezas, possibilidades, medos e descobertas (como em nossa época!).
A segunda razão é histórica: eles começaram a filosofar porque viveram condições ideais para isso, em uma área do planeta – o “Levante”, a leste do Mar Mediterrâneo – que era um verdadeiro entroncamento de culturas, do Oriente e do Ocidente, marítimas e terrestres, e que tinham no comércio uma de suas forças motrizes. Comércio que exige contato, conversa, diálogo, proposta e tentativa de convencimento – exatamente como a Filosofia!
🏯 E em outras partes do mundo?
Neste artigo, focamos de forma mais específica os antecessores gregos do atual pensamento ambiental. E fizemos isso porque esses nomes se conectam diretamente à Filosofia e, a partir dela, ao Pensamento Científico e à Ciência.
Isso, porém, não significa que outras antigas civilizações não abordaram a questão de forma profunda e com muita coerência. Muito pelo contrário!
Ciclo e complemetariedade: Lao-Tzu é um dos pensadores chineses mais influentes. Sua obra, o “Tao Te Qing”, estabelece conexões diretas e profundas entre os seres humanos e a natureza. Fonte: Wiki.
Os chineses, por exemplo, trouxeram colaborações importantes com pensadores taoístas como Lao Tzu (séc. VI a.C.) e Chuang Tzu (séc. IV a.C.), que destacaram a conexão entre os seres humanos, os elementos e os ciclos da natureza. Essas contribuições ficaram conhecidas no Ocidente a partir do séc. XVI, quando jesuítas que estavam na China publicaram as primeiras traduções.
Os povos indígenas das Américas, por exemplo, sempre compreenderam a floresta como um organismo vivo e interdependente, em que cada ser tem papel essencial na manutenção da vida. Já em muitas culturas africanas, rios e florestas são entidades espirituais, guardiãs da comunidade e merecedoras de um olhar redobrado de cuidado.
No Pacífico, povos polinésios desenvolveram práticas de manejo sustentável dos oceanos, baseadas em ciclos de pesca e respeito aos ritmos naturais. Essas cosmovisões mostram que a consciência ambiental não é exclusiva do Ocidente: ela floresceu em diferentes lugares, com formas diversas de sabedoria que devem ser conhecidas.
🍃 Conclusão: Ecos antigos num planeta em alerta
Hoje, quando falamos em aquecimento global, perda de biodiversidade e esgotamento de recursos naturais, estamos, em grande medida, revisitando questões que os filósofos gregos – e pensadores de outras civilizações – vislumbraram há mais de 25 séculos. A diferença é a de que, agora, os dados são inequívocos e a urgência é muito maior.
Os filósofos gregos perceberam, há muito tempo, o encadeamento entre todos os elementos que formam a natureza. Sua mensagem pode servir como alerta para a atual civilização. Fonte: Getty Images.
Longe de ser meras curiosidades históricas, os gregos nos lembram de algo fundamental: a consciência ambiental não é uma moda passageira nem uma invenção do nosso século – é um fio que atravessa a história do pensamento ocidental. E, talvez, o mais importante que eles nos legaram seja a própria pergunta: qual é o nosso lugar na ordem da natureza? A resposta está nas nossas mãos.
Visitação ao ônibus espacial Discovery no Smithsonian Institution’s National Air and Space Museum. Foto: Getty Images.
Responda rápido: qual foi a última vez que você esteve em um museu? É bem possível que sua resposta seja “foi há bem pouco tempo”. E essa é uma excelente notícia!
Nos últimos anos, especialmente após a pandemia da COVID-19, as pessoas voltaram a frequentar os museus. No Brasil, segundo dados do Google Trends, as buscas cresceram 22% no ano de 2024 (o mais recente da pesquisa), e a média anual de visitação já supera os 30 milhões de pessoas. E os próprios museus estão na “boca do povo”: MASP, MON, Museu do Amanhã, Museu da Língua Portuguesa, Museu Histórico Nacional, Museu Catavento, Museu Imperial…
Além disso, dados globais mostram que, a cada ano, os cem maiores museus do mundo recebem cerca de 175 milhões de visitantes – e este número está crescendo.
Os museus oferecem um caminho lúdico e instigante de conexão com o conhecimento. Foto: Getty Images.
Mas, por que o interesse das pessoas pelos museus aumentou?
Porque essas instituições se modernizaram, trazendo temas instigantes e oferecendo experiências que vão muito além da imagem “clássica” de peças na vitrine ou de depósitos de patrimônio.
Os museus, enfim, estão mais vivos do que nunca. Valorizando, preservando, compartilhando e construindo História, Ciência, Arte e Conhecimento. Mas há, é claro, desafios que também devem ser conhecidos.
Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza – em homenagem ao Dia Internacional dos Museus, que será celebrado no próximo dia 18 de maio – vamos falar sobre a origem, a evolução e os desafios dos museus.
A visita já vai começar – venha com a gente!
Ciência lúdica: em um museu de ciência é possível interagir com artefatos como o Gerador de Van de Graaff, que acumula eletricidade estática e literalmente “arrepia os cabelos”. Foto: Getty Images.
A coleção do rei
Para muita gente, a primeira ideia que vem à mente quando se fala em “museu” é a de uma coleção de objetos que contam coisas: pinturas, estátuas, múmias, fósseis, moedas, animais empalhados, armaduras, peças religiosas, máquinas e mais. Essa imagem faz todo sentido.
Porque os museus surgiram, de fato, como “coleções para mostrar e contar”. E nasceram há muito tempo, na Antiguidade, em culturas como a mesopotâmica, a egípcia, a grega e a romana.
Detalhe de relevo que mostra as tropas do imperador romano Tito desfilando com tesouros saqueados de Jerusalém. Peças como essas formavam as primeiras coleções. Fonte: Wikipedia.
Os poderosos de então – comandantes militares, reis, imperadores – reuniam grandes botins e queriam compartilhá-los com seus semelhantes, mostrando suas conquistas, o alcance de suas jornadas e até o “estranho e maravilhoso” que ficava para além das fronteiras do próprio reino. Queriam “apresentar o mundo”, demonstrando riqueza e, principalmente, poder.
Essa forma de “ser museu”, aliás, perdurou por muito tempo. No período colonial, impérios como o Espanhol, Francês, Russo ou Britânico faziam exatamente o mesmo. Montavam grandes coleções de peças retiradas de seus domínios e de regiões invadidas, expondo-as, agora, para os pares e, agora, para o povo.
Situado em São Petersburgo, Rússia, o Hermitage possui uma das maiores coleções de arte e etnologia de todo o planeta. Foto: Getty Images.
Visitando o “Gabinete de Curiosidades”
Ao ler os parágrafos acima, você provavelmente ficou com a impressão de que os museus, no início, tinham como grande finalidade mostrar uma visão de mundo ligada a poder e, também, a uma ideia de “nós e eles”, de povos mais civilizados e de povos “exóticos”. E é isso mesmo!
O colecionar, então, era visto como um traço de superioridade sobre aquelas culturas que não colecionavam. Some-se a isso, em tempos mais modernos, a Revolução Científica (do século XVI, com grande expansão nos séculos XVIII e XIX), que gerou um enorme movimento de descoberta, catalogação e publicidade dos achados – animais, insetos, plantas, fósseis, antigos textos, peças arqueológicas etc. Vivia-se, então, entre a realidade do “Gabinete de Curiosidades” e a das primeiras tentativas de catalogar, organizar e mostrar descobertas científicas.
Conchas, pintura, estátuas: detalhe de um “Gabinete de Curiosidades” pintado em 1636 pelo pintor flamengo Frans Francken. Fonte: Wikipedia.
Os primeiros museus modernos
O primeiro museu moderno, aquele que inaugura o que conhecemos como tal, foi o Ashmolean Museum, fundado em 1683 na cidade inglesa de Oxford. Elias Ashmole herdou e assumiu os direitos sobre uma enorme coleção dos naturalistas John Tradescant (pai e filho) e a doou à Universidade de Oxford.
A instituição construiu um edifício para abrigar esse acervo, dando origem ao Ashmolean. Atualmente, o museu segue sendo um dos principais do mundo, com um acervo de mais de um milhão de peças, abrangendo do Antigo Egito ao Japão, passando por obras de Michelangelo, moedas, máscaras funerárias e muito mais.
Ashmolean Museum, em Oxford: o primeiro museu “moderno. Foto: Getty Images.
Outro museu (na verdade, um conjunto de museus) pioneiro e extremamente importante é o do Vaticano, que a partir de meados do século XVIII começou a organizar seu acervo em galerias e abrir estes espaços à visitação. O acervo dos Museus Vaticanos é um verdadeiro tesouro – são 70 mil peças de arte e arqueologia distribuídas em nada menos do que 1.400 salas na própria cidade-Estado do Vaticano!
O terceiro dos museus “fundantes” da Era Moderna é o do Louvre, que passou de coleção real de arte a museu nacional francês em 1793, na esteira da Revolução Francesa. Com 38 mil peças – e um acervo que cresceu muito ao longo da Era Napoleônica e de todo o século XIX –, o Louvre é, atualmente, o maior museu de arte do mundo! Em tempo: é, também, o mais visitado, com cerca de 10 milhões de visitantes por ano (uma média de 27 mil visitantes por dia!).
Outros museus que não podem ficar de fora desta lista de “pioneiros incríveis” são o Hermitage, inaugurado em 1764 na cidade russa de São Petersburgo, o Museu Britânico (fundado em 1753), de Londres, e o Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque (1870). Há, é claro, muitos outros museus magníficos (que vamos listar no final deste artigo), mas os citados são os pioneiros.
O “pulo do gato” dos museus
O século XX e as primeiras décadas do século XXI trouxeram grandes novidades. Estamos falando do cinema, da tevê, do rádio, da computação e de avanços extraordinários nas técnicas da indústria gráfica. Todas essas novidades, todas essas tecnologias, refluíram para os museus a partir do momento em que eles mudaram de paradigma.
E que mudança foi essa? Eles deixaram apenas de “mostrar acervos” de forma acrítica e passaram a envolver os visitantes em experiências mais profundas, comunicacionais e sensoriais. O museu, enfim, deixou de ser o “Gabinete de Curiosidades” e passou a oferecer uma experiência viva, que comunica o acervo e vai além.
As coleções dos museus colocam as pessoas em contato com elementos materiais da História. Foto: Getty Images.
Essa mudança se conecta a uma transformação na museologia, que, especialmente a partir dos anos 1960 e 1970, caminhou para oferecer algo diferente e encantador. Mudanças na arquitetura dos prédios, exposições que caminham para fora do espaço museológico, temas e acervos voltados a públicos específicos como as crianças, oferta de experiências científicas (no caso dos museus de ciência e tecnologia) e interações digitais “romperam a vitrine” do passado e colocaram os acervos mais perto das pessoas. Essas mudanças, que efetivamente promoveram um retorno das pessoas aos museus, também foram importantes para o financiamento das próprias instituições – todas elas têm gastos importantes com a conservação, a pesquisa e a expansão dos acervos.
Museus que se mexem!
Muito bem: você quer exemplos de museus modernos e altamente interativos? Vamos a eles! O paulistano Museu da Língua Portuguesa, com suas muitas experiências interativas dentro do nosso idioma, é um deles. O Museu de História Natural de Nova York (AMNH), com seu teatro imersivo 360° e aplicativos de realidade aumentada que “dão vida” a dinossauros extintos, é outro. No campo da tecnologia, merecem destaque o Deutsches Museum, de Munique (Alemanha) – o mais antigo museu do gênero no mundo, fundado em 1903 –, e o Seoul Robot & AI Museum (RAIM), inaugurado em 2024 – o primeiro museu do mundo dedicado à robótica e à IA.
Nosso Museu Nacional, atualmente em fase final de reconstrução – fundado em 1818, ele foi destruído por um incêndio devastador em 2018 –, também promete estar entre os mais importantes e interativos do mundo. E por quê? Porque, entre seus desafios, estão atrair público e, especialmente, recuperar e recontar a história das peças destruídas – algo que só será possível pela soma entre pesquisa de alta qualidade e entrega digital precisa.
E os desafios?
Mas, como fazer isso? A resposta a esta pergunta pode representar um novo salto para os museus. Há, porém, desafios importantes. O primeiro: levar essa transformação para um número muito maior de instituições. Para além dos grandes museus, afinal, há dezenas de milhares de outros que, muitas vezes, ainda reproduzem o modelo “Gabinete de Curiosidades”. Apenas para se ter uma ideia: no Brasil há 4.024 museus cadastrados no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) – muitos, em especial os das cidades menores, ainda não “deram o salto” de qualidade.
Outro desafio, monumental, diz respeito ao repensar dos governos e das gestões dos museus em relação aos seus acervos. Na medida em que muitas coleções foram construídas no período colonial – em muitos casos, a partir de saques, confiscos e compras ilegais –, há uma questão séria que envolve a titularidade dos acervos e a necessidade de repatriação de peças.
Apenas para ficar em alguns exemplos, entre os acervos “problemáticos” estão coleções associadas às religiões e religiosidades de povos originários (como objetos rituais e até restos humanos de grupos indígenas americanos), peças saqueadas em guerras e relíquias arqueológicas como os bronzes do Benin, África (hoje, em vários museus), os frisos do Parthenon, em Atenas (atualmente no Museu Britânico), o busto da rainha egípcia Nefertiti (atualmente no Neues Museum, em Berlim) e a Pedra de Rosetta (peça-chave na decifração dos hieróglifos egípcios, hoje no Museu Britânico).
Mas, não seria simples apenas repatriá-los, devolvendo-os às sociedades de origem? Sim e não. Se, por um lado, já há movimentos importantes nesse sentido – como a entrega, ao Brasil, de mantos tupinambás em penas de guará (do século XVII) que estavam no Museu Nacional da Dinamarca –, por outro há questões econômicas envolvidas. Peças como o busto de Nefertiti, por exemplo, são “estrelas” que atraem milhares de pessoas do museu. Sem contar o risco, que não deve ser desprezado, de as peças retornarem a lugares sem capacidade de conservar e mostrar os acervos. Algo que, em tese, poderia ser resolvido por uma expansão dos museus e da cultura museológica, o que demanda investimentos e interesse político.
Conclusão
Neste artigo, pudemos perceber como os museus evoluíram. E evoluíram, em essência, porque refletem a evolução das sociedades e da tecnologia. Esse processo, porém, também marca conflitos que cresceram nas últimas décadas. O maior deles, o do respeito às culturas do mundo e à necessidade de promoção da interculturalidade nas relações entre os povos. Outro desafio é o da democratização desse novo modelo, que deve alcançar os milhares de museus do mundo e não apenas as grandes instituições.
Se conseguirmos dar esse salto, os museus – esses espaços vivos de memória e descoberta – terão, de fato, encontrado o caminho para o futuro. Um passo importante nesse sentido é o interesse das pessoas pelos seus museus. Assim, deixamos o convite: vá aos museus! Prestigie o museu da sua cidade!
O Museu do Palácio Nacional, em Taipei, possui uma das maiores coleções de arte e História da China de todo o mundo. Foto: Getty Images.
Museus para conhecer:
O mundo possui milhares de museus, e muitos deles são simplesmente sensacionais. Abaixo, listamos apenas alguns deles que podem ser conhecidos pela internet:
A assessora pedagógica Daniele Pires Dias, da Editora Opet, com professores na formação de Campos de Júlio (Foto: SMCS/Campos de Júlio)
Março ocupa um lugar central na organização do trabalho pedagógico nas redes municipais de ensino. Com o início efetivo do ano letivo, crianças, estudantes e professores passam a consolidar, em sala de aula, os primeiros movimentos do processo de aprendizagem.
Esse também é um período intenso para a equipe de assessores e supervisores pedagógicos da Editora Opet, que percorre diferentes regiões do país promovendo formações pedagógicas. Nos últimos quinze dias, os profissionais estiveram nas redes municipais de Corumbiara e Cerejeiras, em Rondônia; Conquista D’Oeste e Campos de Júlio, em Mato Grosso; São Lourenço e, na sequência do calendário, Itabirito e Pouso Alto, em Minas Gerais; Barra Velha, em Santa Catarina; e Diamante do Norte, Turvo e Douradina, no Paraná. A programação também inclui Pimenteiras do Oeste, em Rondônia. Ao longo desse percurso, centenas de professores e gestores participam das atividades formativas.
Corumbiara
Em Corumbiara, no sul de Rondônia, a formação foi realizada nos dias 9 e 10 de março, reunindo professores que atuam com as coleções Entrelinhas para Você e Caminhos e Vivências. Além da abordagem dos materiais didáticos, a programação contemplou reflexões sobre os temas “Experiências de Aprendizagem Vivas e Significativas”, voltado à Educação Infantil, e “Práticas Pedagógicas: Transformando possibilidades em realidade para o professor”, direcionado ao Ensino Fundamental.
Em Corumbiara, com os professores do 4º e 5º ano (Foto: Editora Opet)
Na avaliação da professora Fabiana Ramos, assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, a parceria estabelecida com a Editora Opet ao longo dos últimos seis anos tem contribuído para resultados significativos na rede. “Nas formações do primeiro semestre, que envolveram os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, tivemos momentos importantes de discussão, trocas e compartilhamento de conhecimentos”, pondera.
Campos de Júlio
No oeste de Mato Grosso, o município de Campos de Júlio vem acumulando reconhecimento pelos resultados alcançados na Educação Básica. No último dia 18, recebeu premiação no 5º Prêmio Alfabetiza MT, iniciativa estadual que valoriza municípios com destaque na alfabetização na idade certa. A rede obteve desempenho expressivo nos quintos anos do Ensino Fundamental e conquistou o “Selo Prata – Porte 2”, categoria destinada a municípios com 51 a 199 estudantes avaliados.
No ranking estadual, alcançou a 21ª colocação entre 70 municípios, com 455 pontos em Língua Portuguesa e Matemática, ficando a quatro pontos do Selo Ouro. O município também recebeu o Selo Ouro no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), coordenado pelo MEC.
Parte desse trabalho é desenvolvida com o apoio da Editora Opet. No município, a formação ocorreu nos dias 12 e 13 de março e reuniu cerca de cem professores. As atividades envolveram o aprofundamento nos conteúdos das coleções Entrelinhas para Você, Caminhos e Vivências e Ser e Viver Cidadania. Também foram trabalhados os temas “Experiências de Aprendizagem Vivas e Significativas”, na Educação Infantil; “Práticas pedagógicas: leitura, aprendizagem e descobertas”, para 3º e 4º anos; e “Práticas pedagógicas: transformando possibilidades em realidade para o professor”, voltado ao 5º e 6º anos.
As formações, como esta, em Campos de Júlio, envolvem descontração, diálogo e uma participação intensa dos docentes (Foto: SCMS/Campos de Júlio).
Para a professora Odila Nelci Krampe Donat, assessora pedagógica da rede municipal, a formação fortalece o trabalho desenvolvido nas escolas. “O material didático da Editora Opet está alinhado às diretrizes do Estado e contribui para a organização do trabalho docente”, observa. “A formação continuada também tem papel relevante, principalmente pelas oficinas práticas, que favorecem a aplicação no cotidiano escolar. Além disso, o envolvimento das famílias, por meio de orientações e palestras, fortalece a relação entre escola e responsáveis.”
Odila também destaca a importância das ações desenvolvidas no âmbito do Programa Indica, oferecido pela Editora Opet para avaliação diagnóstica da aprendizagem. “Ele traz dados consistentes, permitindo identificar fragilidades e direcionar intervenções de forma mais assertiva, contribuindo para a melhoria dos resultados de aprendizagem.”
Turvo
No centro do Paraná, o município de Turvo mantém uma parceria histórica com a Editora Opet. As atividades de formação pedagógica foram realizadas nos dias 11 e 12 de março. A programação incluiu ainda um Encontro com Familiares (EFAM) de crianças da Educação Infantil (4 e 5 anos), coordenado pela secretária municipal de Educação, Silvane Rickli Horst Schneider, e pela coordenadora pedagógica Dimarilda do Nascimento. O EFAM teve como tema “Família Presente – Cuidar, educar e proteger crianças em um mundo de relações, emoções e desafios”, conduzido por Elisangela Vieira, assessora pedagógica da Editora.
As formações da Editora sempre incluem momentos “mão na massa”, em que os professores trabalham com recursos que podem levar à sua prática em sala de aula (Foto: SMCS/Turvo).
No caso da formação pedagógica, as atividades abrangeram a Educação Infantil, com a realização de oito oficinas, sendo quatro para cada nível de ensino.
Na avaliação da secretária municipal de Educação, Silvane Schneider, a formação pedagógica é fundamental para o ano letivo. “Por meio dela os professores ampliam seus conhecimentos, refletem sobre suas práticas e alinham metodologias às necessidades reais dos alunos”, observa. “A formação continuada fortalece a segurança do professor em sala de aula, promove a troca de experiências entre os profissionais e contribui diretamente para a qualidade do ensino ofertado na rede municipal.”
Ela destaca a importância dos Encontros com Familiares, que fortalecem a parceria entre escola e família – essencial para o processo de aprendizagem. “Quando a família participa da vida escolar, os resultados são visíveis no comportamento, no interesse e no desenvolvimento das crianças”, reflete. “Esses momentos de diálogo aproximam a comunidade escolar e geram resultados efetivos, tanto no acompanhamento pedagógico quanto na formação integral dos estudantes.”
Uma excelente notícia: entrou em vigor hoje (17) a Lei Nº 15.211/2025, que aumenta a proteção de crianças e adolescentes no mundo digital. A lei foi apelidada de “ECA Digital” porque, efetivamente, ela atualiza e amplia o alcance de direitos fundamentais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei Nº 8.069/1990), levando-os ao mundo digital. São protegidas as crianças (do nascimento aos 12 anos incompletos) e adolescentes (dos 12 aos 18 anos incompletos)
E o que isso significa? Muita coisa!
Especificamente, mais controle da sociedade sobre os meios digitais, mais proteção das nossas crianças e adolescentes e a responsabilização jurídica dos fornecedores e produtos e serviços.
A nova lei atua a partir de cinco pilares:
📍 Verificação da idade: todos os serviços digitais devem adotar métodos eficazes para verificar a idade dos usuários, restringindo o acesso nos casos definidos em lei.
📍 Prevenção: as empresas devem ter regras claras e adotar medidas para evitar a exploração, abuso sexual, incentivo à violência física e ao assédio, cyberbullying, pornografia, autoindução de danos físicos e/ou mentais, promoção de jogos de azar e produtos tóxicos, assim como a promoção de publicidade predatória. Elas também devem oferecer canais de apoio às vítimas de violência digital.
📍 Exploração comercial: é proibido às empresas usarem os dados ou perfis de crianças e adolescentes para fins publicitários. Também está proibida a publicação e o impulsionamento de conteúdos que erotizem ou utilizem linguagem adulta com crianças e adolescentes. A promoção de “lootboxes” – “caixas-surpresa” de brindes com pagamento prévio, também estão proibidas para crianças e adolescentes.
📍 Supervisão parental: crianças e adolescentes de até 16 anos só poderão acessar as redes sociais em contas vinculadas às contas de um familiar ou parente responsável. E as plataformas deverão fornecer ferramentas claras para que as famílias possam monitorar o uso dos conteúdos acessados.
📍 Controle de conteúdos: as plataformas devem adotar medidas para que menores de idade não possam acessar conteúdos impróprios para a sua faixa etária. Elas também são obrigadas a remover conteúdos de exploração, abuso sexual, sequestro ou aliciamento de crianças e adolescentes. E devem informar as autoridades, por meio de relatórios, sobre o que foi removido ou denunciado.
Mudanças de fato?
Com a nova lei, o país entra em uma nova fase nas relações entre a sociedade e as chamadas big techs, empresas responsáveis pelo fornecimento de serviços digitais de grande alcance e poder econômico como Instagram, Tik-Tok, Facebook e jogos cooperativos.
A mudança prevista pela lei, porém, só acontecerá de verdade sob algumas condições:
1) – O desenvolvimento de mecanismos no próprio mundo digital que possibilitam a verificação da idade dos usuários, mas respeitando a sua privacidade.
2) – O fortalecimento das instituições públicas brasileiras, que devem contar com recursos e mecanismos que permitam fazer cumprir a lei. Vale lembrar que muitos fornecedores de serviços digitais estão sediados em outros países; além disto, algumas dessas empresas possuem uma quantidade enorme de recursos, o que faz com que elas possam se opor a leis que consideram contrárias aos seus interesses.
3) – Uma transformação de consciência das famílias na relação de seus filhos com o mundo digital. É preciso equilibrar liberdade e consciência de uso, aprendizado e proteção, evitando tanto a exposição excessiva quanto o isolamento digital.
Representação artística de um astronauta “bebendo água” no espaço. Fora da Terra, o acesso à água é bem mais complexo. Fonte: Prompt de IA/Gemini
Só quem já sentiu sede de verdade conhece de fato o valor de um copo d´água. Essa afirmação, em princípio tão óbvia, nos coloca diante de uma questão muito interessante, que se situa além do nosso próprio planeta. Em tempo de retomada da corrida espacial, perguntamos: no espaço sideral, qual a raridade e o valor de um copo d’água? Ou, melhor dizendo: como resolver a questão da água nas viagens espaciais, na investigação e colonização de novos mundos?
Neste Dia da Água, vamos propor uma visita ao espaço sideral para perceber o enorme valor deste recurso natural. Uma perspectiva diferente para um tema do qual depende a nossa vida! Aqui, em mais uma edição da série #EducaçãoHumaniza!
🚰 A vida em um copo Quando conectamos a imagem da sede à importância da água, no início deste artigo, buscamos ressaltar a importância que esta substância tem para a vida. Ao menos na Terra – e ao menos em relação ao que conhecemos como “vida” –, não há como deixar a molécula formada por dois átomos de Hidrogênio e um de Oxigênio de fora da equação. Toda vida que conhecemos, enfim, se conecta à água, mesmo nos desertos mais abrasadores.
🌊 Grandes reservas de água Curiosamente ou não em relação à presença de vida, nossa “bolinha azul”, a Terra, também é um dos planetas do Sistema Solar que possuem reservas de água. E, na verdade, a nossa nem é a maior delas! Enquanto acumulamos volumosos 1,335 zettalitros (1 zettalitro = 1 bilhão de km³ – uma enormidade!) em nuvens, mares, rios, geleiras e aquíferos, o volume encontrado em Europa, lua de Júpiter, é o dobro disto! Em Titã, lua de Saturno, o volume é catorze vezes maior… e em Ganímedes (a maior das luas de Júpiter), nada menos do que vinte e seis vezes maior!
Europa, a lua “aquática” de Júpiter. À direita, detalhe da superfície do planeta. Foto: NASA/JPL-Caltech.
💧 Ou seja: existe água, e em quantidades monumentais!
O que significa que não teríamos este problema em uma viagem espacial, certo? Não é bem assim! O que acontece é que a nossa água, na Terra, está mais disponível – ainda que apenas 1% dela seja potável. Nos outros corpos celestes do Sistema Solar, onde as condições atmosféricas e ambientais são muito diferentes das nossas, ela geralmente não aparece em rios ou lagos superficiais. Costuma surgir em forma de bancos gelo com quilômetros de profundidade, em oceanos subterrâneos muito abaixo da superfície ou, então, como vapor. Em formas que, para os padrões tecnológicos atuais, seriam de exploração muito difícil e cara. Isso sem contar, é claro, os custos da viagem! Por exemplo: com a tecnologia atual, uma viagem até Ganímedes levaria entre seis e oito anos, dependendo da trajetória escolhida.
🌝 E a água da Lua? Em um momento no qual a humanidade se prepara para retornar à Lua com pessoas depois de mais de meio século (estamos falando das missões Ártemis, da NASA, e Chang’e, da Agência Espacial Chinesa), a questão da presença de água no nosso satélite natural se tornou estratégica. Não necessariamente para as próximas missões, que levarão boa parte da água “de casa”, mas para a instalação de bases humanas permanentes lá. A pergunta é: tem água na Lua? A resposta é: sim. E, com a tecnologia certa, ela poderia ser explorada. A despeito da atmosfera extremamente tênue e daquele ambiente com cara de “empoeirado”, o satélite natural da Terra guarda reservas importantes, congeladas, em seus polos. Elas foram descobertas em 1994 pela missão Clementine, da NASA (que detectou hidrogênio nessas regiões), e foram confirmadas em missões subsequentes. Além dos depósitos polares há, também, moléculas de água no solo lunar, porém em quantidades muito pequenas.
Imagens dos polos norte e sul da Lua, onde estão concentrados os maiores volumes de água no satélite natural da Terra. Foto: NASA/JPL-Caltech.
🪣 Um “poço” lunar Essas descobertas abrem caminho para a realização do sonho de ocupação humana da Lua. Para usar a água da Lua, porém, será preciso primeiro descongelá-la ou extraí-la do solo – algo que tem um custo muito elevado, mas que está nos planos das principais agências espaciais do mundo (EUA, China, Rússia, Índia, Comunidade Europeia, Japão). Ou seja: quando a humanidade “fincar o pé” de fato na Lua, algo que deve acontecer a partir da próxima década, ela também vai levar equipamentos para extrair, descongelar e potabilizar a água!
🫗 O astronauta e a caixa d’água Você sabe qual é o consumo diário de água ideal por pessoa, segundo a ONU? Levando em conta as necessidades básicas de ingestão, uso na alimentação e limpeza pessoal, é de 110 litros. No espaço sideral, com necessidades ajustadas ao ambiente, ele certamente seria menor, mas, ainda assim, tremendamente desafiador em termos de fornecimento e armazenamento. O que leva à questão essencial: como resolver a questão da caixa d’água em uma nave espacial? O grande segredo das missões espaciais e, especialmente, das estações espaciais, é a reciclagem.
Na Estação Espacial Internacional (ISS), por exemplo, o percentual de recuperação da água – leia-se, do suor, urina, umidade da respiração e condensação do ar interno – chega a incríveis 98%, o que garante o fornecimento de cerca de 4 litros de água por astronauta/dia. Para isso, os cientistas desenvolveram sistemas avançados que envolvem coleta, evaporação, condensação e purificação.
Hora do jantar: tripulação 46 (2022) da Estação Espacial Internacional (ISS). O “canudo azul” sobre a mesa é parte do dispensador de água potável. Foto: Wikipedia.
Além da água circulante, todas as missões atuais incluem uma carga embarcada na Terra. E, em alguns casos, o uso de células de hidrogênio para geração de energia também produz água, porém em pequenas quantidades.
🐳 Conclusão: uma lição sideral para o Dia da Água Em síntese: existe água na Terra, no espaço e no organismo dos próprios astronautas. Um conjunto de fontes que, em princípio, torna possível a expansão humana para as estrelas. Água de beber, de cultivar, de banhar, enfim. Porém, com um custo de obtenção altíssimo, o que implica, necessariamente, um processo regulatório muito rigoroso. Um desafio bem ao gosto da humanidade, mas que também traz preciosas lições sobre o uso da água em nosso próprio ambiente, em nossa própria casa. Onde, a cada dia, ela se torna mais escassa por conta do uso excessivo, do desperdício e de uma percepção errada sobre a sua infinitude. A solução para esse grave problema é, sim, dos governos e das empresas – e é, especialmente, das próprias pessoas, da sociedade, que deve se conscientizar, ajustar seus hábitos e, principalmente, fiscalizar e cobrar mudanças e medidas de proteção da água.
Ao perceber a raridade da água no espaço sideral, percebemos sua raridade, também, em nosso planeta. Foto: Getty Images
Você sabia que 80% dos professores da Educação Básica no Brasil são mulheres? Nada menos do que 1,3 milhão de professoras e gestoras, segundo o Censo Educacional 2024. Um quadro que escancara a importância das mulheres para a educação. A história, porém, vai muito além e envolve desafios, negações, afirmações e conquistas. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, vamos investigar a presença feminina na educação. Venha com a gente!
🏛️No começo… eram as mulheres?
Quando imaginamos em como seria a educação na Grécia e em Roma, visualizamos grupos de homens jovens conduzidos por outros homens. Filósofos como os sofistas, por exemplo, ou tutores de líderes como Alexandre da Macedônia (tutor: Aristóteles) e Nero (tutor: Sêneca). A pergunta é: nesse cenário havia espaço para mulheres?
Não e sim.
Não, porque as atividades educacionais ligadas à política eram dirigidas aos homens e exercidas por eles – com o agravante de que a educação chegava a uma parcela muito pequena da população.
E sim, porque houve filósofas-professoras na Grécia, figuras como Areta de Cirene (séc. IV a.C.) e Hipátia de Alexandria (séc. V d.C.). Além disso, em Roma era comum que as matronas – líderes de famílias ricas – tomassem aulas particulares com tutoras, em geral gregas escravizadas que ensinavam escrita, retórica e poesia.
Essa presença, porém, reafirma o reduzido acesso das mulheres à educação e à posição de educadoras. Elas eram uma exceção e, não, uma regra.
🏰 Mulheres e educação na Europa Medieval
Chegamos ao fim do Império Romano no Ocidente e ao início da Idade Média europeia, marcada pela relação entre religião, intelectualidade e educação. No período, o conhecimento ficou limitado aos mosteiros e abadias, onde parte dos monges aprendia a ler e a escrever em latim tardio e transmitia estes conhecimentos a outros religiosos.
🧠 Monjas e intelectuais
O mesmo valia para os conventos, onde noviças e monjas – especialmente, nobres – também aprendiam as letras. A difusão dos conhecimentos estava a cargo das superioras e envolviam leitura e escrita em latim, canto litúrgico e teologia. A formação visava prepará-las para a vida religiosa ou para serem esposas cultas dentro da aristocracia.
Vale observar que, fora do ambiente religioso, a instrução feminina das elites era focada em habilidades manuais, práticas e de gestão. Muitas vezes, essas mulheres também assumiam um papel político em seus domínios e famílias.
Entre as mulheres que se destacaram nesse período estão figuras como Hildegarda de Bingen (monja e intelectual dos séculos XI-XII – imagem ao lado/Wikipedia), Trótula de Salerno (médica pioneira da Ginecologia no século XII) e Cristina de Pisano (poeta, filósofa e crítica do exclusivismo masculino no conhecimento, que viveu no séc. XV).
Na época, na chamada Baixa Idade Média (quando a centralidade feudal perde força), surgem as primeiras universidades. Elas, porém, não recebiam mulheres.
Vale observar que, para o restante da população – agricultores ou artesãos que viviam nos domínios feudais –, não havia educação formal, mas a transmissão iletrada de conhecimentos e técnicas. Isso, porém, viria a mudar no final da Idade Média, com o renascimento das cidades e o fortalecimento da burguesia (comerciantes e artesãos especializados).
🕌 E no mundo islâmico?
É impossível pensar na Europa medieval sem incluir o mundo islâmico, que teve enorme importância geopolítica e intelectual. Nele, por força da importância do acesso e recitação do Alcorão, mulheres e homens – não apenas os clérigos, que estudavam em madrassas exclusivamente masculinas – eram estimulados a aprender a ler.
Isso não só aumentava o número de letrados, como facilitava o acesso de algumas mulheres à docência. No caso das famílias da elite, que viviam em cidades como Bagdá, Córdoba e Damasco, elas também podiam se aprofundar em discussões intelectuais, filosóficas, científicas e artísticas.
Entre as intelectuais mais importantes do período estão Aisha Abu Bakr (século VII), esposa de Maomé e iniciadora da tradição intelectual islâmica, Fatima al-Fihri, fundadora da primeira universidade do mundo, a Universidade de al-Qarawiyyin (foto ao lado/Wiki), no Marrocos (século IX) e Lubna de Córdoba (século X), especialista em matemática e literatura.
👩🎓 O Renascimento e a educação das mulheres
O Renascimento (séc. XIV-XVI) foi marcado pelo declínio dos feudos, ressurgimento das cidades e formação dos Estados modernos. Nesse contexto, uma nova classe social, a burguesia, se afirma. Ela era formada por comerciantes e especialistas (construtores e artesãos) que, ao circular pelas cidades, adquiriam uma visão de mundo mais ampla. Pessoas que, em suas profissões, também precisavam de letramento.
Nesse contexto, o que se vê é uma ampliação do acesso das mulheres ao conhecimento. Como no período anterior, porém, eram poucas as que chegavam ao ensino formal – em geral, pertencentes aos grupos de poder (nobres, burgueses, religiosos). Mais do que antes, sem dúvida, mas menos do que o necessário para uma sociedade mais justa. As universidades, por exemplo, permaneciam fechadas às mulheres, mas elas podiam ser educadas em casa por tutores que ensinavam leitura, escrita, latim e grego, música, pintura e filosofia.
Entre as mulheres que se destacam no Renascimento estão, além da já citada Cristina de Pisano (imagem ao lado/Wikipedia), figuras como Laura Cereta (século XV), defensora dos direitos das mulheres, e Cassandra Fedele (século XV), filósofa e oradora. Vale observar, aqui, a presença massiva de mulheres de cidades mercantis italianas, que lideraram o Renascimento.
🚨 Um ponto de virada?
Até agora, pudemos perceber um movimento lento de aproximação das mulheres do letramento e da docência, muito aquém do necessário para uma sociedade mais justa. Para além das questões de gênero, as mulheres também eram afetadas pela desigualdade social; quem estava longe do poder – salvo raríssimas exceções – não chegava à escola.
Então, perguntamos: quando aconteceu o “ponto de virada”? Quando as mulheres chegaram às escolas em massa e também puderam se tornar professoras? A resposta passa por um grande evento histórico: a Revolução Francesa!
🇫🇷 A Revolução e as mulheres
A Revolução Francesa não foi um “passe de mágica” que colocou as mulheres nas escolas e universidades. Mas foi essencial ao lançar as bases da concepção de cidadania, na “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” (de 1789 – imagem ao lado/Wiki). Ainda assim, as mulheres ficaram de fora — motivo pelo qual a intelectual e ativista francesa Olympe de Gouges (1748-1793) escreveu, em 1791, a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, reivindicando igualdade política e educacional. Esse embate marcou o início de uma luta que, nos séculos seguintes, abriria caminhos para a presença feminina em massa na educação.
🏗️ Mulheres para tempos industriais
Com a Revolução Industrial, que se desenrolou a partir do século XVIII na esteira da Revolução Científica, houve necessidade econômica de expansão da educação. Um processo lento e incompleto, porém mais potente que os vividos anteriormente.
É nesse contexto – de necessidade de trabalhadores especializados, gestores e burocratas para Estados poderosos e complexos –, que há uma abertura das escolas para as mulheres. Elas, porém, podiam cursar apenas as etapas mais básicas da Educação, sem acesso ao ensino superior. Esse acesso, aliás, só chegou no final do século XIX, graças aos esforços pessoais das próprias mulheres ou, então, de movimentos sociais organizados.
O Brasil acompanhou esse processo, porém em um ritmo mais lento por conta de sua estrutura socioeconômica – um país periférico, agrário e com enorme desigualdade social.
👩🦰 Elas são professoras
A partir da segunda metade do século XIX, contudo, as mulheres começam a participar mais – e massivamente – do magistério primário. Um processo que ganhou força com o surgimento das “Escolas Normais” (ao lado, a primeira Escola Normal, fundada em Paris – foto/Wikipedia), voltadas à formação de professoras. A primeira Escola Normal brasileira havia sido fundada pouco tempo antes em Niterói (1835). Em tempo: às mulheres só foi permitido chegar ao ensino superior no Brasil em 1879, com um decreto real que autorizava o ingresso. A resistência da sociedade, porém, foi muito grande por várias décadas.
⚗️ As mulheres no Brasil contemporâneo
O Brasil só veria uma nova onda de modernização a partir dos anos 1930, com Getúlio Vargas, e, especialmente, no pós-guerra. O país ainda convivia com um número gigantesco de analfabetos – 50% da população em 1950 (IBGE) -, mas, aos poucos, foi fortalecendo a educação como direito fundamental. Algo que se tornou definitivo em 1988, com a Constituição Federal (que tratou da educação como direito fundamental em seu Título VIII).
“Operários”, pintura de Tarsila do Amaral (1933). Foto: Wikipedia.
Simultaneamente, houve um crescimento da presença das mulheres nas universidades; logo no início do século XXI, aliás, elas superaram os homens em número de matrículas (hoje, representam cerca de 60% das matrículas). Nas licenciaturas, que são os cursos voltados à formação de professores, elas chegam a 70% do total de matriculados, o que reforça sua presença no conjunto dos educadores.
A trajetória das mulheres na educação revela avanços significativos, mas também permanências que não podem ser ignoradas. Da exclusão quase total na Antiguidade e na Idade Média, passando pelas reivindicações da Revolução Francesa e pela lenta abertura das escolas no século XIX, até a consolidação no século XX e XXI, o caminho foi longo e marcado por resistência social e institucional.
Hoje, as mulheres são protagonistas da educação brasileira: representam 80% dos docentes da Educação Básica e quase 60% das matrículas no ensino superior. No entanto, sua presença ainda não se traduz em igualdade plena. No magistério superior, elas são menos da metade dos docentes; nas áreas técnico‑científicas, embora já sejam maioria, enfrentam barreiras de reconhecimento e ascensão profissional.
A desigualdade se torna ainda mais evidente quando se considera aspectos sociais e raciais: mulheres negras e periféricas continuam a enfrentar obstáculos adicionais de acesso e permanência.
Assim, a história da presença feminina na educação é, ao mesmo tempo, uma narrativa de conquistas e uma agenda de desafios. Reconhecer esse percurso é essencial para compreender que a educação, enquanto direito fundamental, só se realiza plenamente quando garante igualdade de oportunidades e valorização para todas e todos.
Fevereiro é um mês estratégico para as formações pedagógicas. Aqui, momento formativo em Água Boa, Mato Grosso. Crédito/foto: SMCS/Água Boa.
As formações pedagógicas são um momento essencial da parceria da Editora Opet com os municípios. Nelas, é possível aprofundar os conhecimentos e o “saber fazer” com as coleções e ferramentas educacionais. Mais do que isso, as formações permitem construir a educação de forma conjunta, no diálogo e na percepção das questões e características únicas de cada rede de ensino. Neste início de ano letivo, as formações brilham ainda mais. Elas marcam o “tiro de largada” de um trabalho que começou meses antes, com o planejamento e a preparação das equipes da Editora e dos municípios. Verdadeiro tempo de “pé na estrada”, que leva os formadores pedagógicos da Editora a todas as regiões do país.
Nos últimos dias, por exemplo, mais de cem formadores da Editora estiveram em nada menos do que 18 municípios no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Minas Gerais, para trabalhar com mais de cinco mil professores e gestores. Um trabalho que segue pelas próximas semanas e ao longo de todo o ano, nas formações que envolvem o uso dos materiais didáticos, ferramentas e recursos educacionais, e também discussões sobre temas de interesse da educação.
✔️ Santana de Parnaíba
Uma das cidades mais antigas do Brasil é, também, um dos parceiros mais tradicionais da Editora Opet. Situada na região metropolitana de São Paulo, Santana de Parnaíba se destaca na educação em rankings como o Connected Smart Cities, tendo ficado na primeira posição do país no quesito “Educação” no ano passado.
Formações ampliam o repertório dos professores para o uso dos materiais didáticos. Foto: SMCS/Santana de Parnaíba.
Lá, nos dias 19 e 20 de fevereiro, a formação envolveu 2.284 professores e gestores, com foco em todos os níveis da Educação Básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio (que também é abrangido pela rede municipal de ensino). “Nossa parceria com Santana de Parnaíba já chega a uma década e vem se consolidando e se aprofundando ano a ano”, avalia o supervisor regional Fernando Correa, da Editora Opet. “Neste ano, por exemplo, pudemos observar um engajamento ainda maior dos professores e dos gestores, um compartilhamento e uma troca de experiências em educação. E isso tem muito a ver com a organização feita pela equipe da Secretaria para as formações continuadas, que é muito boa. São três polos grandes, que a cada ano otimizam as atividades”, observa.
✔️Alicerce Estratégico Para o diretor de Ensino de Santana de Parnaíba, professor Cleber Aparecido Martinelli Hernandes, a formação dos dias 19 e 20 é o alicerce estratégico para o sucesso do ano letivo de 2026. “Ela permite o alinhamento pedagógico de toda a rede municipal neste momento de contato direto com os estudantes”, observa. “Começar o ano com esse planejamento coletivo é fundamental para garantir que todos os professores estejam em sintonia com as metas educacionais da cidade, promovendo segurança metodológica e um ambiente motivador, que reflete diretamente na qualidade do aprendizado desde o primeiro dia de aula.”
Sobre a parceria com a Editora Opet, o diretor a avalia como um pilar de inovação para Santana de Parnaíba. “Ela oferece um sistema de ensino que integra materiais didáticos de excelência, alinhados à BNCC, com um suporte pedagógico contínuo aos nossos docentes. Essa colaboração fortalece a relação entre escola e família e fornece ferramentas modernas que potencializam o desenvolvimento integral dos estudantes, consolidando nossa rede como uma referência em educação pública de qualidade.“
Grupo de formadores do Polo Imídeo junto aos Supervisores da SME de Santana de Parnaíba.Foto: Editora Opet.
✔️ Água Boa
Outro exemplo significativo desse trabalho formativo vem de Água Boa, município situado na região do vale do rio Araguaia, no oeste de Mato Grosso. Lá, a primeira formação também aconteceu nos dias 19 e 20 de fevereiro, dentro da Jornada Pedagógica 2026. Entre os temas abordados estiveram práticas pedagógicas, leitura e aprendizagem, inclusão escolar, planejamento e avaliação, inovação no processo de ensino-aprendizagem, além do fortalecimento da atuação dos profissionais que contribuem diretamente para a organização e o funcionamento das unidades escolares.
Uma das turmas de professores na formação de Água Boa. Foto: SMCS Água Boa.
Lá, como explica a supervisora regional da Editora Opet, Claudia Dalabona, o trabalho envolveu 200 professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, além de gestores e docentes especialistas. “Foi um momento incrível. Leve, acolhedor, com muitas trocas de experiências e, principalmente, com o fazer, o ‘mão na massa’ que é tão importante para o trabalho que vai seguir por todo o ano”, explica. Claudia destaca a proatividade e o engajamento dos professores. “É muito bom trabalhar com pessoas que não se limitam a ouvir e participam de cada momento, formando uma verdadeira comunidade de aprendizagem – isto é essencial.”
Em sua cobertura da Jornada Pedagógica, a Secretaria Municipal de Educação reforçou que “investir na formação continuada é investir no futuro de Água Boa, garantindo uma educação cada vez mais eficiente, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento dos alunos”.
Durante as formações, as coleções são examinadas em detalhes no contexto do processo de ensino-aprenmdizagem. Foto: SMCS Água Boa.
Crédito das fotos: Getty Images (foto 5: Wikipedia)
A transição energética é tema central da atualidade. Ela é a migração de muitas das fontes de energia em uso – petróleo, carvão e gás –, para outras, menos poluentes e menos associadas a riscos climáticos do “efeito estufa”, como a eólica, a solar e a de biomassa.
A despeito das pesquisas e dos alertas dos cientistas, o impacto climático dos combustíveis fósseis – seu poder de liberação de CO2 na atmosfera em um ritmo maior que o de absorção pela biosfera – vem sendo colocado em questão. Há pessoas e governos que não acreditam nessa relação ou não querem abrir mão da riqueza gerada pela atual matriz energética. O que invalida a ideia de uma transição energética global rápida.
Combustíveis fósseis: até quando?
Independentemente disso, há uma questão definitiva: na medida em que as reservas de petróleo, carvão e gás são finitas – e que a exploração e consumo se mantém estáveis ou em crescimento –, vai chegar o momento em que elas irão acabar. É possível que não acabem, mas se tornem inviáveis do ponto de vista econômico. Nesse momento não haverá outro caminho, com ou sem crise climática, senão o da própria transição energética.
Mas, quando isso vai acontecer?
E como seria essa “transição energética obrigatória”? É sobre isso que vamos conversar nesta edição da série #EducaçãoHumaniza. Venha com a gente!
Mais antigo que os dinossauros
Antes de avançar, vamos falar sobre como se formaram as reservas de petróleo, gás e carvão mineral que se tornaram os motores do mundo nos últimos três séculos.
No caso do petróleo e do gás, sua origem está relacionada a trilhões de organismos microscópicos – algas (como a da foto abaixo) e plâncton – que viveram em mares e lagos entre 400 e 300 milhões de anos no passado. Ao morrer, essas formas de vida se depositavam no fundo de bacias sedimentares com rochas e areia. Como nesse ambiente não havia oxigênio, a decomposição não era completa e os restos orgânicos acabavam afetados por soterramento progressivo, pressão e calor – um processo que durou milhões de anos.
Você conhece o querogênio?
O resultado dessa “panela de pressão” é o querogênio, material que se transforma em gás e petróleo quando exposto a condições severas de temperatura, pressão e tempo. Essas substâncias, por sua vez, acabaram “migrando” para dentro de rochas porosas (“rochas-reservatório”, como a da foto abaixo, de xisto), ficando aprisionadas entre camadas impermeáveis (“rochas-selo”).
O carvão mineral surge de uma forma parecida, mas está ligado às florestas do Período Carbonífero (300 milhões de anos). A vegetação ia morrendo e caindo em áreas alagadas e pântanos sem oxigênio, o que reduzia a decomposição. Submetida às mesmas condições radicais de pressão-temperatura-tempo, a biomassa virava turfa e, milhões de anos depois, carvão mineral de diferentes tipos (linhito, hulha e antracito).
E os dinosssauros?
Você percebeu que, quando falamos da origem do petróleo, do gás e do carvão, não falamos de dinossauros. Muita gente pensa que esses animais viraram combustível fóssil, mas a verdade é que essas fontes de energia já estavam em pleno desenvolvimento quando os “dinos” caminharam pela Terra. Muitos deles, porém, viram seus restos convertidos em fósseis como o da foto!
Energia de um passado remoto
Já sabemos como os recursos são formados. Agora, vamos descobrir quando começou a relação da espécie humana com as fontes energéticas fósseis.
Na verdade, ela é antiga; nos tempos mais recuados, porém, os usos dos combustíveis fósseis eram muito mais restritos.
É possível falar, por exemplo, sobre o uso, por culturas antigas no Egito, Oriente Médio e China, do betume, derivado natural do petróleo que, por sua textura resinosa e resistente à água, era empregado na impermeabilização de barcos, mumificação, remédios e em armas incendiárias. Em alguns casos, por sua capacidade de alimentar uma chama “eternamente”, fontes petrolíferas e de gás acabavam associadas a edifícios e rituais religiosos.
O carvão chinês
No caso do carvão mineral, seu uso antigo (na China, por exemplo, há mais de dois mil anos) se aproxima do uso recente: queima direta para a produção de energia. A diferença é de escala. Enquanto antes ele alimentava fornos e fornalhas menores (como as dos ferreiros, por exemplo), a partir da Revolução Industrial passou a alimentar as fornalhas das indústrias.
Queimando energia sem parar
E foi a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, que a coisa se acelerou. Em sua etapa inicial, a principal matéria-prima energética era o carvão mineral. Aliás, essa revolução contou com duas matérias essenciais nesse momento: minério de ferro e carvão, que eram abundantes na Inglaterra, país que inaugurou todo o processo (a ilutração abaixo mostra uma cena industrial inglesa do início do século XIX). A soma dessas matérias-primas aos conhecimentos de cientistas e teóricos econômicos promoveu a maior transformação da História humana!
E o petróleo, quando entrou em cena?
A história começa na segunda metade do século XIX, quando foram desenvolvidos os primeiros motores bem-sucedidos de combustão interna por engenheiros como Nikolaus Otto (gasolina) e Rudolf Diesel (diesel).
Eles se baseavam nos estudos de um cientista francês, Nicolas Carnot (1796-1832), o “Pai da Termodinâmica”, e demandavam um combustível diferente, líquido, para funcionar. Vieram então os derivados do petróleo – gasolina, diesel e querosene, entre outros –, que passaram a encher os tanques e correr para dentro dos motores, permitindo seu funcionamento.
O mundo motor…
Na medida em que o século XIX avançou e que chegou o século XX, os conhecimentos sobre motores de combustão interna e seu funcionamento cresceram sem parar. E os próprios motores a explosão se multiplicaram nos automóveis, trens, aviões, navios, caminhões, helicópteros, motocicletas, tanques, submarinos, geradores de eletricidade… bilhões de motores – e bilhões de tanques de combustível!
Se olhamos para o passado recente – especialmente, os anos 1960 –, podemos resgatar imagens daqueles carros enormes, cadillacs e rabos-de-peixe, que gastavam uma enormidade de combustível. O que nos permite intuir que o pico do consumo, a “era da gastança”, passou. Sim… e não.
…e o pico de consumo
De fato, os motores, hoje, são muito mais econômicos que os de antigamente. Ao mesmo tempo, porém, seu número é muito maior, o que indica que o consumo segue em alta. E é preciso destacar a indústria e a geração de eletricidade, que consome uma quantidade extraordinária de gás natural e, também, de carvão.
E o pico de consumo, segundo quem pesquisa o assunto a fundo – a Agência Internacional de Energia (IEA) – ainda não chegou. Em seu o “World Energy Outlook 2025”, a IEA afirma que o uso global de combustíveis fósseis chegará ao seu máximo antes de 2030.
O carvão (como o da foto abaixo) já está em torno do seu pico, com sinais de declínio em várias regiões.
O petróleo deve alcançar o pico por volta de 2030, e o gás naturalem torno de 2035, se as políticas energéticas atuais forem mantidas.
A partir daí – a menos que a humanidade encontre novas reservas e viabilize sua exploração comercial –, a parábola do gráfico de consumo tende a “descer a montanha”.
Uma quantidade monumental
Chegamos, então, a outra questão-chave: quanto existe de petróleo, gás e carvão mineral e por quanto tempo esses recursos vão durar? Aqui, entra em cena o conceito de “reserva provada” – as reservas desses recursos confirmadas pelos cientistas e que têm probabilidade de exploração comercial.
Segundo a ciência, as reservas provadas de petróleo chegam a 1,6 trilhão de barris, dos quais entre 45 e 50% já foram utilizados. No ritmo atual de consumo, o petróleo “provado” que ainda existe seria consumido em algo como 55 anos.
No caso do gás, chegam a 200 trilhões de metros cúbicos, dos quais entre 30 e 35% já foram consumidos – com o padrão de consumo atual, as reservas provadas restantes seriam totalmente consumidas em cerca de 50 anos.
Por fim, no caso do carvão, a 1,07 trilhão de toneladas, das quais menos de 20% foram utilizadas. Com o padrão de consumo atual, que é baixo porque o carvão é muito poluente, as reservas sobreviveriam por cerca de 140 anos.
Conclusão: o desafio de um futuro sem combustíveis fósseis
Os números mostram que ainda há muito combustível fóssil “para queimar”. Mais do que isso, porém, eles também mostram o limite, o final, desses recursos. O que, necessariamente, força (ou deveria forçar) uma tomada de posição das sociedades e dos governos em busca de outras fontes.
Algo que já está acontecendo pelo retorno e por um desenvolvimento acelerado de motores elétricos e de baterias capazes de reter a energia por muitos quilômetros. E de avanços pela fronteira das energias renováveis – solar, eólica, das marés, da biomassa, geotérmica (na foto, um exemplo de geração eólica e solar em um mesmo parque de geração) – que vão, de fato, redefinir o futuro da energia. Esse processo, aliás, já começou.
Enem. Para milhões de brasileiros, estas quatro letras resumem uma das maiores preocupações de 2026. O Exame Nacional do Ensino Médio nasceu em 1998 com a missão de avaliar a aprendizagem dos jovens ao final da Educação Básica. Uma proposta ambiciosa e necessária do ponto de vista do planejamento da educação, que, em pouco menos de trinta anos, foi incorporada à cultura educacional brasileira.
Com o tempo, o Enem transformou-se na segunda maior prova do gênero no mundo, perdendo apenas para o Gaokao, o Exame Nacional de Ensino Superior da China, que em sua edição de 2024 mobilizou nada menos do que 12 milhões de estudantes. Esse número é quase o triplo do de inscritos no Enem em 2025 – a população chinesa, porém, é cerca de seis vezes maior que a brasileira.
Além de medir o nível de conhecimento dos estudantes, o Exame Nacional do Ensino Médio tornou-se também a porta de entrada para o ensino superior em diversas instituições – uma alternativa de grande sucesso aos vestibulares tradicionais.
No primeiro artigo da série #EducaçãoHumaniza, vamos “desvendar” o Enem a partir de sua história, formato e desafios. Confira!
Lembranças do primeiro exame
Em 2025, o Enem registrou nada menos do que 4.811.338 inscritos, número expressivo e que marca uma retomada do interesse pela prova, sem, porém, superar os 6.384.957 do ano de 2019 (pré-pandemia). Cifras significativas, ainda mais quando comparadas à da primeira edição, em 1998, quando apenas 157.221 estudantes se inscreveram e 115.575 participaram. Naquele ano, o exame foi realizado em apenas um dia e com 63 questões objetivas (cerca de 30% das atuais 180 questões), além da redação.
Criado pelo MEC e pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na origem o Enem tinha como foco quase que exclusivo a avaliação do desempenho dos estudantes ao final do Ensino Médio (ela foi usada como meio de ingresso no ensino superior por apenas duas instituições – falaremos disto daqui a pouco).
A prova evolui
Em 2009, o Enem registrou um ponto de virada: naquela edição, a composição e as correções da prova passaram a utilizar a chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI), abandonado o modelo da Teoria Clássica dos Testes (TCT). A TRI é um modelo matemático desenvolvido para tornar o processo de correção de provas mais justo e preciso. A premissa da TRI é interessante: a partir de uma análise do desempenho do candidato no conjunto da prova, é possível verificar se ele demonstrou seus conhecimentos de forma coerente e consistente – o que é decisivo para a nota final. E essa “firmeza de conhecimentos” é construída com a colocação, nas avaliações, de questões fáceis, médias e difíceis sobre um determinado assunto, que permitem detectar com precisão o verdadeiro grau de conhecimento do candidato sobre um tema – desconsiderando, por exemplo, os famosos “chutes”.
Do que é feito o Enem?
A incorporação da TRI demonstrou que o Enem não era apenas “mais uma prova”, mas uma avaliação elaborada com uma finalidade muito específica – e que segue por outro caminho em relação aos vestibulares clássicos. Enquanto estes são “conteudistas”, ou seja, cobram conhecimentos estabelecidos no currículo da Educação Básica – como, por exemplo, a data da batalha de Gaugamela ou os elementos químicos que compõem os chamados “Gases Nobres” –, nas provas do Enem o foco é outro, mais rico e complexo.
A composição de conhecimentos tem como foco as competências, habilidades e raciocínio crítico. E as 180 questões das quatro áreas – Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias – mais a redação exigem interpretação, aplicação prática e interdisciplinaridade.
Desde que o Enem foi implantado, muitas provas dos vestibulares evoluíram na mesma direção. Mas, é possível afirmar que elas evoluíram, inclusive, por influência do próprio Enem. Ou seja: o exame nacional do Ensino Médio também acabou produzindo uma “avaliação indireta” do próprio vestibular, motivando sua evolução!
Momento de inflexão
Ainda que as avaliações diagnósticas sejam extremamente importantes para a educação, elas não costumam despertar tanto entusiasmo nos avaliados. Para eles, afinal, “uma prova é uma prova”. No caso do Enem, desde o início a percepção foi diferente. Isso porque, já em 1998, a avaliação já foi usada como critério para o ingresso no ensino superior (as instituições pioneiras foram a Universidade Estadual de Londrina, UEL, e a Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF).
No ano seguinte, o número de instituições saltou para 93, entre públicas e privadas! Hoje, praticamente todas as 69 universidades federais utilizam o Enem via SiSU (Sistema de Seleção Unificada), além de programas como o ProUni (Programa Universidade para Todos) e o FIES (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).
As notas também valem para universidades estrangeiras. Atualmente, mais de 40 universidades de outros países aceitam a nota do Enem como forma de ingresso, principalmente em Portugal, mas também no Reino Unido, França, Holanda, Estados Unidos e Canadá, entre outros. A primeira universidade estrangeira a aceitar o Enem foi a Universidade de Coimbra (Portugal – foto), em 2014.
Nascimento, crescimento, quebras e retomada
Um olhar sobre os números de inscritos/participantes do Enem, em especial na última década, mostra dois momentos críticos de participação.
O primeiro deles aconteceu na edição de 2017, quando, por conta do fim da política de gratuidade automática da inscrição aos concluintes do Ensino Médio nas escolas públicas, houve uma redução de quase dois milhões de inscrições (21,98%) em relação ao ano anterior (2016 = 8.627.957; 2017 = 6.731.444).
O segundo momento crítico foi resultado direto da pandemia da Covid-19. Por conta da necessidade sanitária de distanciamento social, o exame de 2020 foi adiado pelo MEC/Inep e aplicado em janeiro e fevereiro de 2021, e a edição de 2021 acabou sendo aplicada em novembro e dezembro do mesmo ano. Enquanto nas provas do início do ano tiveram 5.783.357 inscritos, as do final do ano registraram 3.109.762 inscrições – uma redução de 46,22%.
Desde então, o número de inscrições vem se recuperando de forma gradativa: em 2022, foram 3.396.632; em 2023, 3.958.125; em 2024, 4.154.792; e, em 2025, 4.811.338. No período 2022-2025, o número de inscritos no Enem cresceu a uma taxa média de cerca de 12,3% ao ano.
Um futuro digital que não existiu… e outras possibilidades
Em 2019/2020, o Inep lançou o projeto-piloto do “Enem Digital” com o objetivo de ampliar a inserção de recursos como a gamificação no exame e reduzir os custos de logística associados às provas físicas. No primeiro ano, o exame teve a participação de candidatos de 104 municípios, com as provas realizadas laboratórios de informática de instituições de ensino.
Em 2025, o MEC anunciou a extinção do projeto sob o argumento de que a adesão na última edição realizada, em 2022, havia ficado muito abaixo do esperado. Na ocasião foram oferecidas 100 mil vagas, com 66 mil inscritos e 30 mil participantes efetivos (uma abstenção de 70%; a título de comparação, em 2025, o percentual de abstenções na prova física foi de 27%).
Entre as outras propostas em desenvolvimento estão a ampliação do exame para os demais países do Mercosul e, também, o fim do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básico) no 3º ano do Ensino Médio – ele seria substituído pelo próprio Enem. Essas mudanças foram anunciadas pelo MEC em novembro de 2025.
Conclusão
Em quase três décadas, o Enem se consolidou como uma das avaliações mais relevantes do país. Tão importante que assumiu um caráter de política de Estado, mantendo-se e crescendo em meio às mudanças de governo e dos olhares de governo sobre a educação.
Elementos como a aplicação da TRI – que modernizou a prova como método de avaliação da aprendizagem – e a conexão entre o exame e o ingresso nas universidades fortaleceram o Enem. Sua conexão com o Novo Ensino Médio (NEM), que em 2026 se torna obrigatório em todas as escolas do país que oferecem este nível de ensino, promete uma “dobradinha” de sucesso.
Da mesma forma, uma eventual ampliação do exame para os países do Mercosul pode representar um grande avanço, assim como a efetivação de políticas públicas que estimulam jovens de menor renda a concluir a última etapa da Educação Básica.
E os desafios? Uma avaliação do porte do Enem enfrenta alguns desafios, como os de logística e de segurança das provas. Os cadernos devem chegar a todos os candidatos e não podem – em hipótese nenhuma – ter questões vazadas antes ou durante a realização da avaliação. Outro desafio essencial é a redução do percentual de abstenção, que gira ao redor dos 25%-30% a cada ano com prejuízos para os próprios candidatos e para os cofres públicos.
Por fim, mas não menos importante, a prova também deverá se adequar às exigências do novo Plano Nacional de Educação (PNE, 2024-2034), atualmente em discussão no Congresso Nacional. O PL 2.614/2024, aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, já está em tramitação na Casa e deverá ser apreciado a partir de fevereiro, após o retorno dos trabalhos legislativos.
Para que a educação brasileira avance, é fundamental que o Enem seja cada vez mais valorizado pela sociedade, com melhorias contínuas e o engajamento de gestores e representantes públicos em ações que garantam sua qualidade.