IA Indica: apoio aos educadores, força para os planos de intervenção

Ferramenta foi testada por professores parceiros que validaram seu funcionamento. Essa é uma etapa fundamental para a qualidade da interação educador-ferramenta – e para os resultados do processo.

Novidade no ar: as equipes de Tecnologia Educacional (TE) e do Programa Indica, da Editora Opet, estão finalizando o desenvolvimento de uma ferramenta de Inteligência Artificial (IA) que em breve vai tornar os planos de intervenção dos municípios e escolas privadas mais precisos e eficientes.

“Os dados das avaliações permitem construir planos de intervenção”, explica Silneia Chiquetto, coordenadora do Programa Indica. “Esses planos, porém, devem ser precisos e realizáveis. E é justamente aí que entra a IA: como um facilitador de alto nível dessa construção.”

Uma IA a serviço da melhoria da aprendizagem

O coordenador de TE da Editora, Mikhael Gusso, explica que a IA do Indica constrói os recursos a partir da inserção de informações das avaliações (inputs) pelos professores e gestores e, também, de dados oriundos de fontes e bibliotecas relacionadas à educação. Ela também é capaz de aprender com a própria experiência e com os dados acumulados no trabalho.

Os dados das avaliações são transformados em prompts de IA pelos professores.

Entregas sob medida para recuperar a aprendizagem

“Um professor pode, por exemplo, criar um prompt para a geração de conteúdos de um plano de intervenção a partir das habilidades da BNCC (ou, ainda, dos descritores do SAEB e matriz do CNCA) já cadastradas na ferramenta de IA da Plataforma Indica”, explica Mikhael. “Nesse formato, a IA se baseia nas habilidades e/ou descritores selecionados e gera conteúdos específicos para a intervenção.”

Outra forma é selecionar materiais da biblioteca digital da Opet ou externos para que, a partir deles, a IA gere os conteúdos. A ferramenta, aliás, também está habilitada a desenvolver recursos por conta própria, baseada em referências selecionadas do cenário educacional.

A IA é um axuliar poderoso na construção de conteúdos específicos – como exercícios e trilhas de aprendizagem – para a ativação dos planos de intervenção

E que conteúdos são esses?

Os próprios planos de intervenção, que, como explica Silneia, podem trabalhar por estudante, turma, escola e rede de ensino, além de conteúdos específicos, trilhas de aprendizagem, exercícios, quizzes e referências. Com intencionalidade pedagógica máxima.

O plano de intervenção na palma da mão

No modo digital, via Plataforma Indica ou Plataforma Inspira (com o e-mail @opeteducation e a senha cadastrados pela rede de ensino) ou no formato impresso. A escolha é feita pelo professor.

O acesso, reforça Silneia, é intuitivo. Basta acessar a plataforma e clicar no ícone correspondente.

IA que aprende com as pessoas

Mas, quando o recurso de IA estará disponível? Ele está na etapa final de ajustes e deve ser apresentado em breve. Recentemente, foi testado com um parceiro de valor do Programa Indica, o município mineiro de Varginha.

“E ele foi muito bem aceito pelos professores e gestores”, conta Mikhael. “Isso porque, em primeiro lugar, existe uma sinergia da educação em relação à tecnologia. Além disso, os educadores estão buscando ferramentas seguras e intuitivas como a nossa. Como ela foi criada para o ambiente educacional e dentro dele, dispensa prompts sofisticados ou conhecimentos mais específicos pelos usuários.”

Ao testar a ferramenta, os educadores de Varginha ofereceram informações importantes para que ela chegue ainda mais “redonda” a todos os usuários finais. Um processo, enfim, de aprimoramento da máquina a partir do humano.

“Com a IA do Indica, as redes de ensino terão um recurso poderoso para seus planos de intervenção. E o melhor: uma ferramenta que aprende continuamente, e que vai entregar materiais e trilhas de aprendizagem individualizados. Para cada rede, o melhor plano de intervenção”, avalia Silneia.

Mikhael destaca a integração entre as pessoas e a ferramenta, lembrando que a IA não substitui nunca o profissional. “Todos os produtos gerados, evidentemente, devem ser verificados e validados pelos educadores. É isso – a soma entre o conhecimento humano e a capacidade que a máquina tem de gerar soluções – que transforma a IA em um recurso excepcional.”

Em breve, a IA do Indica estará disponível para apoiar professores e gestores em todo o Brasil. Acompanhe nossas próximas publicações e descubra como levar esse recurso para sua rede de ensino.

Formações pedagógicas movimentam redes em MG, PR e SC

Turma de gestores da SME de Xaxim, Santa Catarina, na formação pedagógica desta semana.

O trabalho pedagógico e de aproximação com a comunidade não para: nas últimas semanas, o time pedagógico da Editora Opet esteve em campo para mais uma série de encontros com professores, gestores e familiares de estudantes dos municípios parceiros. Como os que aconteceram em Caxambu, no sul de Minas Gerais, Santa Mariana, no norte pioneiro do Paraná, e Xaxim, no oeste de Santa Catarina.

São ações formativas estratégicas, planejadas com cuidado pela Editora e que permitem o fortalecimento do trabalho docente e de gestão para a construção conjunta do conhecimento, a aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes. São ações, também, de aproximação em relação às famílias pelo desenvolvimento da educação.

Caxambu (MG): Receptividade e Participação

Em Caxambu (MG), o encontro aconteceu nos dias 30 e 31 e envolveu cerca de 50 professores da Educação Infantil 5 e do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental. O foco foi dado às coleções “Entrelinhas para Você” (Educação Infantil) e “Caminhos e Vivências”, utilizadas pela rede municipal de ensino.

“Ficamos muito felizes com a formação. Os professores de Caxambu são, sempre, muito receptivos à nossa equipe. Eles são participativos e afetuosos”, conta a supervisora regional Jessica Soares, responsável pela formação na Editora Opet.

As professoras Thaianny Diniz Nogueira, chefe de Central da Educação Infantil, e Mayara Resende da Silva, chefe de Central do Ensino Fundamental da secretaria municipal de Educação de Caxambu, coordenaram o trabalho formativo pelo município.

“Os encontros foram de extrema importância, especialmente por marcar o ano de implantação do sistema no município”, explica Thaianny. “Com a formação, os professores tiveram a oportunidade de trocar experiências, esclarecer dúvidas e participar de oficinas enriquecedoras.”

Ela observa que momentos assim são fundamentais para um trabalho de excelência, que amplia a experiência e o suporte aos docentes, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade do ensino oferecido aos alunos.

Sobre a experiência com a Editora Opet, as coordenadoras observam que ela tem sido muito satisfatória. E destacam a disponibilidade da equipe de formadores, que apoia e contribui para a educação municipal. “Os materiais e recursos contribuem para o processo de ensino e aprendizagem dos alunos, permitindo que o corpo discente avance de forma contínua”, comenta Thaianny.

Santa Mariana (PR): Comunidade Presente

Em Santa Mariana (PR), o trabalho – coordenado na Editora pelo supervisor regional Fernando Corrêa – aconteceu nos dias 31 de março e 01º de abril. E envolveu cerca de 150 profissionais entre professores, gestores e equipe técnica da secretaria.

No caso dos docentes, participaram todos os da Educação Infantil (1 a 5), do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) e dos componentes de Arte e Educação Física. Foram várias oficinas envolvendo temas relacionados aos segmentos atendidos em conexão com as coleções “Entrelinhas para Você” e “Caminhos e Vivências”.

No município também foi realizado um Encontro com Familiares (EFAM), que reuniu a comunidade para a palestra “Família Presente: cuidar, educar e proteger crianças em um mundo de relações, emoções e desafios”. A ação foi conduzida pela assessora pedagógica Jussara Moreschi, da Editora Opet.

Os EFAM são momentos essenciais das parcerias da Editora com os municípios. Eles materializam e fortalecem um princípio do trabalho – a aproximação entre a família e a escola pelo desenvolvimento integral das crianças e dos estudantes.

Xaxim (SC): Momentos Formativos Fundamentais

No município de Xaxim, a formação, que começou ontem e segue hoje (08 e 09 de abril), envolve 40 gestores e integrantes da equipe técnica da secretaria. Eles participam de oficinas com os temas “Educação integral e educação em tempo integral”, “Diversidade escolar e diversidade na escola”, “Práticas de atualização e escrita do PPP” e “Inteligência emocional na gestão da escola”.

Na rede municipal, o trabalho formativo com os professores aconteceu um pouco mais cedo, em fevereiro. E envolveu nada menos do que 290 professores – profissionais da Educação Infantil 4 e 5, do Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º a 5º ano + Ciências, Arte e Educação Física) e Anos Finais (Língua Portuguesa e Língua Inglesa, Matemática, História, Geografia, Ensino Religioso, Educação Física, Ciências e Arte).

Na ocasião, a programação abrangeu várias oficinas, sempre com foco nos materiais didáticos – como as coleções “Entrelinhas para Você” e “Caminhos e Vivências”, da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – e em temas de interesse para o dia a dia dos professores na escola.

Na avaliação do secretário municipal de Educação de Xaxim, Gildomar Michelon, momentos formativos como os promovidos para professores e gestores são fundamentais. “Investir em capacitação é investir na qualidade do ensino e no futuro dos nossos alunos. Estamos sempre em busca de novas estratégias que possam contribuir com o desenvolvimento da nossa educação municipal.”

(*) – Fotos: Editora Opet

(**) – Com informações complementares (Xaxim) de “Lê Notícias”.

Formações pedagógicas de março marcam o início do ano letivo nas redes municipais

A assessora pedagógica Daniele Pires Dias, da Editora Opet, com professores na formação de Campos de Júlio (Foto: SMCS/Campos de Júlio)

Março ocupa um lugar central na organização do trabalho pedagógico nas redes municipais de ensino. Com o início efetivo do ano letivo, crianças, estudantes e professores passam a consolidar, em sala de aula, os primeiros movimentos do processo de aprendizagem. 

Esse também é um período intenso para a equipe de assessores e supervisores pedagógicos da Editora Opet, que percorre diferentes regiões do país promovendo formações pedagógicas. Nos últimos quinze dias, os profissionais estiveram nas redes municipais de Corumbiara e Cerejeiras, em Rondônia; Conquista D’Oeste e Campos de Júlio, em Mato Grosso; São Lourenço e, na sequência do calendário, Itabirito e Pouso Alto, em Minas Gerais; Barra Velha, em Santa Catarina; e Diamante do Norte, Turvo e Douradina, no Paraná. A programação também inclui Pimenteiras do Oeste, em Rondônia. Ao longo desse percurso, centenas de professores e gestores participam das atividades formativas. 

Corumbiara

Em Corumbiara, no sul de Rondônia, a formação foi realizada nos dias 9 e 10 de março, reunindo professores que atuam com as coleções Entrelinhas para Você e Caminhos e Vivências. Além da abordagem dos materiais didáticos, a programação contemplou reflexões sobre os temas “Experiências de Aprendizagem Vivas e Significativas”, voltado à Educação Infantil, e “Práticas Pedagógicas: Transformando possibilidades em realidade para o professor”, direcionado ao Ensino Fundamental. 

Em Corumbiara, com os professores do 4º e 5º ano (Foto: Editora Opet)

Na avaliação da professora Fabiana Ramos, assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, a parceria estabelecida com a Editora Opet ao longo dos últimos seis anos tem contribuído para resultados significativos na rede. “Nas formações do primeiro semestre, que envolveram os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, tivemos momentos importantes de discussão, trocas e compartilhamento de conhecimentos”, pondera. 

Campos de Júlio

No oeste de Mato Grosso, o município de Campos de Júlio vem acumulando reconhecimento pelos resultados alcançados na Educação Básica. No último dia 18, recebeu premiação no 5º Prêmio Alfabetiza MT, iniciativa estadual que valoriza municípios com destaque na alfabetização na idade certa. A rede obteve desempenho expressivo nos quintos anos do Ensino Fundamental e conquistou o “Selo Prata – Porte 2”, categoria destinada a municípios com 51 a 199 estudantes avaliados.

No ranking estadual, alcançou a 21ª colocação entre 70 municípios, com 455 pontos em Língua Portuguesa e Matemática, ficando a quatro pontos do Selo Ouro. O município também recebeu o Selo Ouro no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), coordenado pelo MEC.

Parte desse trabalho é desenvolvida com o apoio da Editora Opet. No município, a formação ocorreu nos dias 12 e 13 de março e reuniu cerca de cem professores. As atividades envolveram o aprofundamento nos conteúdos das coleções Entrelinhas para Você, Caminhos e Vivências e Ser e Viver Cidadania. Também foram trabalhados os temas “Experiências de Aprendizagem Vivas e Significativas”, na Educação Infantil; “Práticas pedagógicas: leitura, aprendizagem e descobertas”, para 3º e 4º anos; e “Práticas pedagógicas: transformando possibilidades em realidade para o professor”, voltado ao 5º e 6º anos. 

As formações, como esta, em Campos de Júlio, envolvem descontração, diálogo e uma participação intensa dos docentes (Foto: SCMS/Campos de Júlio).

Para a professora Odila Nelci Krampe Donat, assessora pedagógica da rede municipal, a formação fortalece o trabalho desenvolvido nas escolas. “O material didático da Editora Opet está alinhado às diretrizes do Estado e contribui para a organização do trabalho docente”, observa. “A formação continuada também tem papel relevante, principalmente pelas oficinas práticas, que favorecem a aplicação no cotidiano escolar. Além disso, o envolvimento das famílias, por meio de orientações e palestras, fortalece a relação entre escola e responsáveis.” 

Odila também destaca a importância das ações desenvolvidas no âmbito do Programa Indica, oferecido pela Editora Opet para avaliação diagnóstica da aprendizagem. “Ele traz dados consistentes, permitindo identificar fragilidades e direcionar intervenções de forma mais assertiva, contribuindo para a melhoria dos resultados de aprendizagem.” 

Turvo

No centro do Paraná, o município de Turvo mantém uma parceria histórica com a Editora Opet. As atividades de formação pedagógica foram realizadas nos dias 11 e 12 de março. A programação incluiu ainda um Encontro com Familiares (EFAM) de crianças da Educação Infantil (4 e 5 anos), coordenado pela secretária municipal de Educação, Silvane Rickli Horst Schneider, e pela coordenadora pedagógica Dimarilda do Nascimento. O EFAM teve como tema “Família Presente – Cuidar, educar e proteger crianças em um mundo de relações, emoções e desafios”, conduzido por Elisangela Vieira, assessora pedagógica da Editora. 

As formações da Editora sempre incluem momentos “mão na massa”, em que os professores trabalham com recursos que podem levar à sua prática em sala de aula (Foto: SMCS/Turvo).

No caso da formação pedagógica, as atividades abrangeram a Educação Infantil, com a realização de oito oficinas, sendo quatro para cada nível de ensino.

Na avaliação da secretária municipal de Educação, Silvane Schneider, a formação pedagógica é fundamental para o ano letivo. “Por meio dela os professores ampliam seus conhecimentos, refletem sobre suas práticas e alinham metodologias às necessidades reais dos alunos”, observa. “A formação continuada fortalece a segurança do professor em sala de aula, promove a troca de experiências entre os profissionais e contribui diretamente para a qualidade do ensino ofertado na rede municipal.”

Ela destaca a importância dos Encontros com Familiares, que fortalecem a parceria entre escola e família – essencial para o processo de aprendizagem. “Quando a família participa da vida escolar, os resultados são visíveis no comportamento, no interesse e no desenvolvimento das crianças”, reflete. “Esses momentos de diálogo aproximam a comunidade escolar e geram resultados efetivos, tanto no acompanhamento pedagógico quanto na formação integral dos estudantes.”

Educação em Movimento! Formações Opet em fevereiro reúnem cinco mil educadores

Fevereiro é um mês estratégico para as formações pedagógicas. Aqui, momento formativo em Água Boa, Mato Grosso. Crédito/foto: SMCS/Água Boa.

As formações pedagógicas são um momento essencial da parceria da Editora Opet com os municípios. Nelas, é possível aprofundar os conhecimentos e o “saber fazer” com as coleções e ferramentas educacionais. Mais do que isso, as formações permitem construir a educação de forma conjunta, no diálogo e na percepção das questões e características únicas de cada rede de ensino.
Neste início de ano letivo, as formações brilham ainda mais. Elas marcam o “tiro de largada” de um trabalho que começou meses antes, com o planejamento e a preparação das equipes da Editora e dos municípios. Verdadeiro tempo de “pé na estrada”, que leva os formadores pedagógicos da Editora a todas as regiões do país.

Nos últimos dias, por exemplo, mais de cem formadores da Editora estiveram em nada menos do que 18 municípios no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Minas Gerais, para trabalhar com mais de cinco mil professores e gestores. Um trabalho que segue pelas próximas semanas e ao longo de todo o ano, nas formações que envolvem o uso dos materiais didáticos, ferramentas e recursos educacionais, e também discussões sobre temas de interesse da educação.

✔️ Santana de Parnaíba

Uma das cidades mais antigas do Brasil é, também, um dos parceiros mais tradicionais da Editora Opet. Situada na região metropolitana de São Paulo, Santana de Parnaíba se destaca na educação em rankings como o Connected Smart Cities, tendo ficado na primeira posição do país no quesito “Educação” no ano passado.

Formações ampliam o repertório dos professores para o uso dos materiais didáticos. Foto: SMCS/Santana de Parnaíba.

Lá, nos dias 19 e 20 de fevereiro, a formação envolveu 2.284 professores e gestores, com foco em todos os níveis da Educação Básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio (que também é abrangido pela rede municipal de ensino). “Nossa parceria com Santana de Parnaíba já chega a uma década e vem se consolidando e se aprofundando ano a ano”, avalia o supervisor regional Fernando Correa, da Editora Opet.
“Neste ano, por exemplo, pudemos observar um engajamento ainda maior dos professores e dos gestores, um compartilhamento e uma troca de experiências em educação. E isso tem muito a ver com a organização feita pela equipe da Secretaria para as formações continuadas, que é muito boa. São três polos grandes, que a cada ano otimizam as atividades”, observa.

✔️Alicerce Estratégico
Para o diretor de Ensino de Santana de Parnaíba, professor Cleber Aparecido Martinelli Hernandes, a formação dos dias 19 e 20 é o alicerce estratégico para o sucesso do ano letivo de 2026. “Ela permite o alinhamento pedagógico de toda a rede municipal neste momento de contato direto com os estudantes”, observa. “Começar o ano com esse planejamento coletivo é fundamental para garantir que todos os professores estejam em sintonia com as metas educacionais da cidade, promovendo segurança metodológica e um ambiente motivador, que reflete diretamente na qualidade do aprendizado desde o primeiro dia de aula.”

Sobre a parceria com a Editora Opet, o diretor a avalia como um pilar de inovação para Santana de Parnaíba. “Ela oferece um sistema de ensino que integra materiais didáticos de excelência, alinhados à BNCC, com um suporte pedagógico contínuo aos nossos docentes. Essa colaboração fortalece a relação entre escola e família e fornece ferramentas modernas que potencializam o desenvolvimento integral dos estudantes, consolidando nossa rede como uma referência em educação pública de qualidade.

Grupo de formadores do Polo Imídeo junto aos Supervisores da SME de Santana de Parnaíba. Foto: Editora Opet.

✔️ Água Boa

Outro exemplo significativo desse trabalho formativo vem de Água Boa, município situado na região do vale do rio Araguaia, no oeste de Mato Grosso. Lá, a primeira formação também aconteceu nos dias 19 e 20 de fevereiro, dentro da Jornada Pedagógica 2026. Entre os temas abordados estiveram práticas pedagógicas, leitura e aprendizagem, inclusão escolar, planejamento e avaliação, inovação no processo de ensino-aprendizagem, além do fortalecimento da atuação dos profissionais que contribuem diretamente para a organização e o funcionamento das unidades escolares.

Uma das turmas de professores na formação de Água Boa. Foto: SMCS Água Boa.

Lá, como explica a supervisora regional da Editora Opet, Claudia Dalabona, o trabalho envolveu 200 professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, além de gestores e docentes especialistas. “Foi um momento incrível. Leve, acolhedor, com muitas trocas de experiências e, principalmente, com o fazer, o ‘mão na massa’ que é tão importante para o trabalho que vai seguir por todo o ano”, explica. Claudia destaca a proatividade e o engajamento dos professores. “É muito bom trabalhar com pessoas que não se limitam a ouvir e participam de cada momento, formando uma verdadeira comunidade de aprendizagem – isto é essencial.”

Em sua cobertura da Jornada Pedagógica, a Secretaria Municipal de Educação reforçou que “investir na formação continuada é investir no futuro de Água Boa, garantindo uma educação cada vez mais eficiente, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento dos alunos”.

Durante as formações, as coleções são examinadas em detalhes no contexto do processo de ensino-aprenmdizagem. Foto: SMCS Água Boa.

Ano letivo começa com formações pedagógicas em diferentes regiões do país!

Com o início do ano letivo nas redes de ensino de todo o Brasil, a equipe pedagógica da Editora Opet intensifica sua atuação junto aos municípios parceiros. É tempo de “pé na estrada”, com palestras e formações pedagógicas que marcam o início do trabalho formativo de 2026 – um trabalho que segue pelas próximas semanas!

📍 No dia 19 de janeiro, com o apoio da Editora Opet, os educadores de Cocalinho (MT) participaram da palestra do psicanalista João Hilton, realizada durante a abertura da Semana Pedagógica do município. Com o tema “Comunicação Assertiva e Gerenciamento Emocional”, o encontro promoveu momentos de escuta, diálogo e reflexão sobre as relações no contexto educacional.

Em Cocalinho, a palestra foi com o psicanalista João Hilton. Foto: SME

📍Já no dia 26, foi a vez dos professores e gestores de Aquiraz (CE) receberem a coordenadora pedagógica da Editora Opet, Rúbia Cristina da Costa. Em sua fala, ela abordou o tema “Equidade, inovação e responsabilidade social na educação: desafios atuais para a promoção de aprendizagens significativas”, destacando o papel da escola na construção de práticas pedagógicas mais justas e alinhadas às demandas contemporâneas.

A coordenadora Rúbia Cristina na palestra e com a equipe da SME de Aquiraz.

📍No dia 28, durante a abertura da Semana Pedagógica de Varginha (MG), também com o apoio da Editora, os educadores participaram da palestra “Antes de tudo, um coração”, ministrada pelo cantor Rafinha Acústico – ele trouxe uma abordagem sensível e inspiradora sobre o cuidado com as emoções no ambiente escolar.

Em Varginha, os participantes da semana pedagógica participaram de uma palestra cultural com Rafinha Acústico. Foto: Divulgação.

📍As formações pedagógicas seguem nos dias 29 e 30 de janeiro nos municípios de Varginha e Andradas (MG), Figueirópolis do Oeste (MT) e São Sebastião da Amoreira (PR). Para Fernanda Gonçalves, coordenadora pedagógica regional da Editora Opet, esse momento inicial é fundamental para o desenvolvimento do trabalho ao longo do ano.

“Esse momento formativo inicial é estratégico para o trabalho de todo o ano. Nossa equipe planejou e se preparou muito para o trabalho com professores e gestores. Agora, colocamos a parceria em prática”, destaca.

E essa é apenas a primeira etapa da jornada formativa de 2026. Nas próximas semanas e ao longo de todo o ano, a Editora Opet seguirá acompanhando e apoiando seus municípios parceiros, reafirmando o compromisso com a formação docente e a qualidade da educação.

RO: escolas parceiras Opet são destaque em sistema estadual de avaliação da Educação

Escolas de Corumbiara e Cerejeiras se destacaram no SAERO, sistema de avaliação educacional do Estado

Resultados do SAERO 2024 foram divulgados em seminário promovido pelo governo de Rondônia. Fonte: SEDUC-RO.

Três escolas das redes municipais de ensino de Corumbiara e Cerejeiras, municípios parceiros da Editora Opet em Rondônia, foram destaque no Sistema de Avaliação Educacional de Rondônia – SAERO.

Em Corumbiara, a Escola Municipal de Ensino Infantil e Ensino Fundamental (EMEIEF) Domingos Pereira Rocha (rural) e a Escola Mundo Mágico (Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano – urbana) apareceram entre as 30 melhores do Estado de Rondônia na faixa avaliativa do Ensino Fundamental – Anos Iniciais. No caso de Cerejeiras, foi destaque a EMEIEF Professora Maria Helena Barreiros, 2ª colocada no quesito desempenho dos estudantes.

O SAERO

Criado pelo governo do Estado de Rondônia em 2012 para auxiliar no planejamento e desenvolvimento da educação pública, o SAERO é realizado em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF).

A edição que reconheceu os municípios parceiros da Editora Opet foi realizada entre os dias 11 e 22 de novembro de 2024 e abrangeu 123 mil estudantes de todas as escolas públicas estaduais e municipais de Rondônia. A avaliação contemplou os estudantes do 2º, 3º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e do 2º ano do Ensino Médio. Os resultados da avaliação foram divulgados no último dia 11 em Porto Velho, durante o Seminário de Resultados Saero 2024: Painel de Indicadores e Perspectivas.

Ao todo, 96 escolas públicas foram homenageadas pelos resultados, com premiações financiadas com recursos próprios do Estado.

Trabalho permanente

A secretária municipal de Educação de Corumbiara, Fátima Notaro, destaca o trabalho desenvolvido em conjunto pelas escolas que se destacaram, pela rede municipal de ensino e pelos gestores municipais.

“Nossos resultados são a soma de muitas mãos que trabalham incansavelmente pela melhoria do ensino. Os professores são realmente comprometidos com as nossas crianças”, avalia. Ela destaca a importância dos esforços municipais de reforço estruturado e recomposição da aprendizagem no pós-pandemia, que vêm mostrando resultados importantes.

“Além disso, contamos com os materiais da Editora Opet em todos os seguimentos da Educação, da creche ao 5º ano do Ensino Fundamental”, observa.

“Quando falamos em Opet, falamos de um material riquíssimo em conteúdos, que trabalha na mesma linha de que necessitamos para complementar nossa aprendizagem. É um material de ponta! Também contamos com um pessoal especializado da Editora, dando total apoio, presencial e online, ao município.”

O diretor da EMEIEF Professor Domingos Pereira da Rocha, professor Reinaldo Nascimento da Silva, acredita que o bom resultado de sua instituição esteja relacionado a uma série de fatores, começando pelo engajamento dos professores e da coordenação, e também pelo reforço e recomposição da aprendizagem. Ele acredita que os materiais da Editora Opet utilizados na Educação Infantil podem ter participado do resultado.

“Sabemos que o trabalho nessa etapa, quando bem feito e estruturado, tem reflexos sobre o Ensino Fundamental. Ele é a base de tudo. Se a base é bem-feita, é possível estruturar melhor o trabalho que vem a seguir”, observa.

A diretora Claudinéia Vicente de Lima Martins, da EMEF Mundo Mágico, diz que o resultado do SAERO foi emocionante. “Esse resultado representa o esforço coletivo, o compromisso diário e a dedicação de toda a comunidade escolar”, observa. Ela atribui o sucesso da escola na aprendizagem a um conjunto de elementos como a recomposição da aprendizagem, o reforço escolar estruturado, o atendimento educacional especializado, o acompanhamento psicopedagógico e psicológico, bem como práticas pedagógicas que respeitam o ritmo de cada estudante. “Além disso, o engajamento dos professores é notável. Eles atuam verdadeiramente como agentes de transformação!”, destaca.

A diretora Claudinéia Martins com o prefeito de Corumbiara, Leandro Vieira (à direita na foto), e sua equipe durante a premiação das escolas de destaque no SAERO. Fonte: Divulgação.

Para a diretora, os materiais e formações pedagógicas da Editora Opet também desempenham um papel importante. “Eles têm contribuído significativamente para o fortalecimento do processo de ensino-aprendizagem na nossa escola. Os recursos oferecidos são alinhados às diretrizes curriculares e favorecem uma prática pedagógica mais intencional, contextualizada e efetiva.”

Fortalecimento

Formação pedagógica de professores da rede municipal de ensino de Corumbiara. Fonte: Editora Opet.

“Os resultados das escolas parceiras da Editora em Rondônia mostram que existe um processo estruturado de fortalecimento da aprendizagem”, avalia Cliciane Élen Augusto, gerente pedagógica da Editora Opet.

“E isso é significativo, especialmente, porque não são resultados pontuais. A partir deles é possível avançar ainda mais, recompondo as aprendizagens que ainda estiverem defasadas e ir além, construindo uma aprendizagem adequada nas próximas etapas da educação.” Nesse processo, Corumbiara, Cerejeiras e todos os municípios parceiros contam com os recursos e o apoio da Editora Opet.

Edição Genética: chegou a era dos genes sob medida?

Edição genética: um dos maiores avanços da ciência também gera preocupações éticas. Fonte: Canvas IA.

O ano era 1866: em um mosteiro na cidade de Brno (na atual República Tcheca), um monge cientista olhava atentamente para vasos de ervilhas em busca de semelhanças, diferenças e padrões entre as plantas. Seu nome era Gregor Mendel e ele tinha certeza de que o estudo era interessante. Talvez não se desse conta, porém, de que suas observações, sobre as leis da hereditariedade, acabariam por transformá-lo no fundador de uma nova ciência: a Genética!

Georg Mendel. Fonte: Wikimedia Commons

Cento e cinquenta anos depois, os estudos genéticos avançaram de uma forma que impressionaria o próprio Mendel, em uma jornada que passa por descobertas marcantes: a identificação dos cromossomos como portadores dos genes (Thomas Morgan, 1910), a confirmação de que o DNA é o material genético (Avery, MacLeod e McCarty, 1944), a descoberta da estrutura da dupla hélice (Watson, Crick e Franklin, 1953), a decifração do código genético (Nirenberg, Khorana e Holley, nos anos 1960), e, a partir dos anos 1970, o surgimento das primeiras técnicas de manipulação genética.

Em 2025, já não tratamos apenas de “testemunhar” a genética, mas de modificá-la com ferramentas como o CRISPR-Cas9, que tornou os genes literalmente editáveis para curar doenças, criar plantas resistentes à crise climática e permitir a desextinção de espécies. O que, é claro, também coloca questões éticas inadiáveis. A humanidade estará preparada para lidar com tamanho poder? Nesta edição de #FuturoPresente, vamos investigar a edição genética.

Os genes “sob medida” – o que é edição genética e como ela começou?

Quando falamos em “edição”, pensamos em ferramentas digitais para vídeo, áudio ou arquivos gráficos para acessar, recortar e moldar algo novo a partir de peças pré-existentes. Nada de estranho nisso. No momento em que a ideia é transferida para uma escala nanométrica, porém, gera dúvidas: neste caso, o uso de “edição” não seria muito mais uma licença poética do que algo real?  Na verdade, o termo é exato, e diz respeito, de fato, ao uso de ferramentas de alta tecnologia, físicas, químicas e biológicas, para transformar genes.

A principal analogia para a edição genética é a da edição digital. Fonte: Getty Images.

Quanto ao desenvolvimento da edição genética, é possível presumir que uma técnica tão sofisticada seja resultado de uma trajetória que envolveu muitos cientistas e, em alguns momentos, saltos disruptivos. Exatamente!

Combinando genes

Tudo começa no início dos anos 1970, partindo das descobertas anteriores. Nessa década, a ciência já conseguia decifrar os genes, cujos estudos, aliás, renderam prêmios Nobel a pesquisadores nos anos de 1933, 1958, 1962 e 1968.

Paul Berg. Fonte: Wikimedia Commons.

Em 1972, Paul Berg, pesquisador da Universidade de Stanford, desenvolveu o chamado DNA recombinante, uma “partícula de vida” estável que unia os genes de dois organismos diferentes. Para isso, ele usou uma “tesoura molecular” formada por enzimas para cortar trechos específicos do DNA. Em seguida, trouxe os componentes que queria incorporar e usou uma “cola” – um componente chamado “DNA ligase” para unir o conjunto. Resultado: Uma molécula artificial estável, que misturava genes de espécies diferentes – algo que, até então, só a natureza fazia por mutações ou recombinação natural.

Cada célula do nosso corpo, com exceção dos glóbulos vermelhos, contém uma molécula chamada DNA (ácido desoxirribonucleico), que carrega a informação genética de que necessita e define quem somos e como somos. E Berg, ao unir porções distintas, fez algo que até então era uma exclusividade da natureza e dos processos evolucionários. Por questões éticas e de biossegurança, porém, ele utilizou apenas fragmentos de vírus e bactérias – nenhum ser vivo foi modificado no processo.

Logo depois, em 1973, os pesquisadores Stanley Cohen e Herbert Boyer (das universidades da Califórnia e Stanford) deram o passo além, criando os primeiros organismos vivos geneticamente modificados. Eram bactérias editadas que poderiam se replicar transmitindo a nova carga genética para seus herdeiros. Essa técnica pioneira abriu caminho para a insulina humana produzida por bactérias – a primeira terapia geneticamente modificada, no ano de 1978. Em síntese: nascia, oficialmente, a Engenharia Genética.

Letramento genético

O resultado prático dos estudos de Berg, Cohen e Boyer acelerou os estudos em genética. Uma das grandes questões dizia respeito à precisão na leitura dos genes. Faz todo sentido: afinal, se a ideia é trabalhar com as peças de um quebra-cabeças, é preciso saber onde elas estão e como são.

E foi por aí que seguiu o trabalho de Frederick Sanger, que em 1980 recebeu o prêmio Nobel de Química (junto com Walter Gilbert) por desenvolver o primeiro método eficiente de sequenciamento do DNA, o “sequenciamento por terminação de cadeia”, a partir da ordem das bases que formam a molécula (A, T, C, G).

O método de Sanger foi essencial para outra etapa crítica dos estudos em genética: o mapeamento do genoma humano, realizado pelo Projeto Genoma Humano, iniciado em 1990 e concluído em 2003. Em tempo: os seres humanos possuem algo entre 20 mil e 25 mil genes – um número menor de genes que o da cebola, que chega a 60 mil!

Atualmente, os cientistas utilizam técnicas mais avançadas de sequenciamento. Contudo, o método de Sanger é tão confiável que é utilizado para a validação de resultados em pesquisas e diagnósticos.

PCR: a genética chega ao “CSI”

Nos anos seguintes, mais novidades. Em 1983, o bioquímico Kary Mullis desenvolveu a técnica de PCR – sigla, em inglês, para Reação em Cadeia da Polimerase (Polymerase Chain Reaction) –, que possibilitou a amplificação de fragmentos de DNA. Uma descoberta tão importante que garantiu a Mullis o prêmio Nobel de Química de 1993, junto com Michael Smith.

Mas, o PCR é importante por quê? Para responder, pense nos filmes tipo “CSI”: quando usam a técnica para copiar e “ampliar” um trecho específico de DNA (extraído de uma mancha de sangue ou suor, por exemplo), os cientistas forenses geram uma quantidade de moléculas que permite comparar e identificar o dono da amostra.

A mesma expansão-identificação permite identificar vírus em testes-diagnóstico, obter informações sobre restos arqueológicos e paleontológicos, realizar investigações de ancestralidade e – chegamos ao ponto do nosso artigo – sequenciar, clonar e editar genes.

CRISPR: a chave das sequências repetidas de DNA

Quem lê matérias sobre edição genética fatalmente encontra uma sigla: “CRISPR”, que aparece tanto porque se conecta ao “corta-e-cola” de genes. CRISPR é o acrônimo para Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats – Repetições Palindrômicas Curtas, Organizadas em Grupos e Regularmente Interespaçadas. São sequências repetitivas de DNA que aparecem dentro dos conjuntos de genes.

Bactérias Eschericchia coli. Fonte: Wikimedia Commons.

Elas foram descobertas em 1987 pelo pesquisador Yoshizumi Ishino, à época doutorando pela universidade de Kyoto, Japão, durante uma investigação sobre os genes da Escherichia coli, bactéria causadora de infecções gastrointestinais graves.

No início, os cientistas não sabiam o porquê dessas sequências repetitivas de genes. No início do século XXI, porém, eles chegaram à conclusão de que elas faziam parte do sistema de resposta imunológica das bactérias contra vírus. Isso porque, em seus interstícios, elas guardavam uma espécie de biblioteca viral com fragmentos destes invasores. E foi então que a história deu um salto!

A “biblioteca-tesoura” do DNA

Em 2007, os biólogos moleculares Philippe Horvath e Rodolphe Barrangou perceberam que as bactérias usavam as próprias sequências CRISPR para identificar, cortar e destruir o DNA de vírus invasores.

Fantástico! Mas, e se a gente usasse essa “biblioteca-tesoura” do CRISP para cortar sequências de DNA? Foi isso que, em 2012, fizeram as cientistas Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier, das universidades de Umea (Suécia) e Berkeley (EUA) – a descoberta lhes rendeu o prêmio Nobel de Química de 2020. Em 2013, Feng Zhang, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), conseguiu adaptar o sistema CRISPR para as células humanas, o que tornou possível a edição genômica voltada à saúde – o que, por sua vez, gerou grandes descobertas e, também, sérias preocupações éticas.

Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier. Fonte: UNESCO/Fundação L’Oréal.

Um grande dilema

Imagine a hipótese de editar genes para criar seres humanos com características específicas – fisicamente mais fortes, mais resistentes a certas doenças, mais dóceis, mais brigões… afinal, isto seria algo bom ou ruim? Essa pergunta é crucial na discussão sobre edição genética.

Uma primeira edição de genes humanos buscando corrigir falhas congênitas foi feita em 2015 pelo pesquisador Junjiu Huang, da universidade Sun Yatsen (China), em uma tentativa de eliminar um defeito no gene HBB, responsável pela beta-talassemia, doença sanguínea hereditária e fatal. Em 2017, cientistas dos Estados Unidos também usaram o CRISPR para corrigir mutações genéticas nocivas em fetos.

Até aí, em princípio, tudo parecia bem – ainda que, para muitos cientistas, essas intervenções fossem consideradas arriscadas justamente pela falta de maiores conhecimentos, por exemplo, sobre respostas genéticas secundárias decorrentes da edição.

Até que, em 2018, alguém “ultrapassou a linha”: He Jiankui, então na Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, que anunciou o nascimento de dois bebês cuja genética havia sido editada para evitar a contaminação pelo vírus HIV. Eram embriões sem defeitos genéticos que foram deliberadamente “editados”. Como a República Popular da China – e a maioria dos países que possuem legislação a respeito – proíbe edições genéticas desse tipo (em embriões saudáveis), ele acabou processado, demitido da universidade e condenado a dois anos de prisão.

O futuro com a tesoura na mão

Na medida em que as tecnologias avançam, o dilema ético fica mais claro. Os países devem definir e transformar em lei normas claras e rigorosas em relação ao CRISPR, que deve ter como foco, exclusivamente, a correção de problemas genéticos preexistentes.

A edição genética também pode ser utilizada para o desenvolvimento de espécies agrícolas mais resistentes às mudanças climáticas (como no caso de uma pesquisa brasileira que busca uma soja mais resistente à seca) e, também, para a “desextinção” de espécies, algo de que tratamos em uma edição anterior da série #FuturoPresente.

O “segredo” da desextinção reside na manipulação genética com técnicas de “editam”, “costuram” ou “somam” genes ao DNA. Fonte: Getty Images.

Mesmo essas finalidades, porém, devem ser examinadas com cuidado, até porque elas geram questões relevantes. Por exemplo: vale mais a pena investir na desextinção ou na proteção de espécies ameaçadas?

Novidades extraordinárias

Feita essa reflexão – o debate vai muito mais longe –, podemos passar às pesquisas mais recentes. Em 2023, o Reino Unido – país-chave na pesquisa genética – aprovou a primeira terapia CRISPR para tratar a anemia falciforme e a beta-talassemia, doenças genéticas graves que afetam muitas pessoas.

No ano passado, uma nova técnica de edição, chamada “Prime Editing” – mais precisa que o CRISPR tradicional, que se mostra impreciso em certos alvos –, entrou em fase de testes clínicos em seres humanos para o tratamento de males hereditários como a doença de Tay-Sachs, que provoca deterioração neurológica.

E, há algumas semanas (junho de 2025), os cientistas do projeto Synthetic Human Genome (SynHG), formado por pesquisadores baseados no Reino Unido, anunciaram o objetivo de produzir sequências genéticas avançadas do zero, ou seja, sintéticas.

É um passo além, uma edição ainda mais profunda: ao invés de utilizar fragmentos genéticos naturais, os cientistas querem construí-los a partir das “bases nitrogenadas” – Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G) – para, em seguida, montá-los em sequências. Ou seja: além de acessar e encaixar as peças do quebra-cabeças, eles também vão construí-las.

Até agora, essa edição sintética tem sido possível em estruturas genéticas simples, como as de bactérias. A meta, porém, é chegar ao nível humano até 2030. Essas conquistas vão trazer novos dilemas éticos relacionados a um tema tão profundamente humano.

O poder ampliado de manipulação genética vai implicar, necessariamente, na existência de leis pautadas em uma ética inegociável. Fonte: Getty Images.

Podemos pensar, por exemplo, na geração de “super soldados” ou, então, de uma naturalização da eugenia, que vem a ser a escolha e eleição de grupos humanos por suas características genéticas. Isso é algo tremendamente arriscado. Na medida, porém, em que a ciência não caminha para trás – isto é, os conhecimentos adquiridos não são perdidos –, resta à sociedade por meio de seus representantes e, certamente, da educação, estabelecer limites éticos sólidos e inegociáveis. Em síntese: as perspectivas são extraordinárias, mas também pedem muita atenção.

Isso é #FuturoPresente – porque o conhecimento nasce na escola.

Links interessantes:

🧬 G1Cientistas testam primeira soja editada geneticamente no Brasil

🧫 BBC Brasil O polêmico projeto para criar do zero DNA humano artificial

🧬 BBC Brasil Nova técnica de edição de DNA poderá curar até ‘89% das doenças genéticas’ no futuro

🧫  TecmundoCRISPR: Bebê com doença rara é o primeiro paciente do mundo a receber terapia de edição genética

#FuturoPresente: oceanos em risco, ciência em ação!

Mergulhadora mede diâmetro de coral marinho. Foto: Getty Images.

Uma linha perfeita, coroada no horizonte pelo sol que começa a nascer. Uma vasta curva que toma conta de quase todo o planeta e faz com que, do espaço, a Terra seja vista como o que ela é: um planeta azul. A causa? Os oceanos. Que nos separam, conectam e desafiam; que nos alimentam, fascinam e assustam. E que, infelizmente, estão em risco, ao mesmo tempo em que seguem revelando seus segredos para a ciência – e continuam guardando muitos mistérios!

Nesta edição de #FuturoPresente, vamos conhecer algumas das pesquisas mais recentes no campo dos oceanos! Navegue conosco.

🌊 “Um continente oceânico”

Vista do espaço, a Terra é uma “bola” azul com manchas amarronzadas, esverdeadas e brancas, das terras, geleiras e bancos de nuvens. A predominância de cor está relacionada a algo que você, mesmo morando longe da praia, conhece: os oceanos, que ocupam cerca de 71% da superfície do planeta. Uma superfície enorme, mas proporcionalmente muito fina – quase uma “película”.

Os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre. Foto: Getty Images.

Imagine que, em média, a crosta oceânica possui 7 km de espessura e que o diâmetro médio do nosso planeta é de 12.742 km. Ou seja: a crosta oceânica equivale a apenas 0,055% do diâmetro total da Terra; se o planeta “medisse” um metro, a crosta oceânica teria 0,5 milímetro! Nesse minúsculo intervalo, porém, reside a chave para o clima do planeta e para algo que é muito raro em termos siderais: a vida.

Mais do que apenas mostrar proporções – os limites, a grandeza e até a fragilidade dos oceanos –, esses números sinalizam que a espécie humana se aproximou e passou a desvendá-los. E isso tem nome: cultura.

🌊 O oceano e a cultura

É difícil estabelecer quando começou a relação entre as pessoas e os oceanos. Afinal, de uma forma ou outra, a vida se liga desde sempre aos oceanos. Fiquemos, então, apenas nas relações culturais, que são tão antigas quanto o assentamento de seres humanos próximo a áreas marítimas, há cerca de 16 mil anos. É possível, inclusive, que essa datação recue ainda mais, em especial porque, hoje, muitos dos antigos sítios estão submersos por conta de mudanças naturais no relevo.

Representação de navio fenício com duas filas de remos. No mar, estão representados peixes e crustáceos. Foto: Wikimedia Commons.

Essa proximidade, é claro, gerou religiosidade, mitos, tecnologia, conhecimentos associados à nutrição e muito mais. Uma relação que se aprofundou com o início da navegação oceânica, há cerca de 5 mil anos pelos egípcios e também pelos polinésios, malaio-indonésios e outros povos do sudeste asiático. Os mares, que até então separavam porções de terra, passaram a uni-las.

Desde então, fomos acumulando informações sobre os oceanos, em um processo que se acelerou com a Revolução Científica, a partir do século XVIII. Registramos e descrevemos espécies marítimas, conhecemos as correntes e seus regimes, descobrimos a relação entre os oceanos e o clima, cartografamos o fundo dos mares.

Mesmo assim, esse azul todo segue revelando novidades, inclusive relativas à sua própria sobrevivência em um tempo de enorme pressão causada pela própria humanidade.

🌊 As espécies que habitam o grande azul

Um dia fantástico no mar: o pescador puxa a rede e ela vem pesada de peixes e crustáceos. Pequenos, grandes, coloridos, cinzentos, lisos e espinhosos. Um espetáculo de abundância para os olhos e para a cozinha. E que nos convida a perguntar: afinal, quantas espécies existem nos oceanos?

Desde o século XVIII, quando começou a classificação científica, foram catalogadas cerca de 250 mil espécies. Esse número gigantesco – que inclui peixes, moluscos, crustáceos, mamíferos marinhos, algas, corais e plâncton, entre outros – é bem menor, porém, que o estimado pelos cientistas. Eles acreditam que existam entre 500 mil e 1 milhão de espécies nos oceanos, muitas delas ainda desconhecidas por conta da dificuldade de acesso a certas regiões, como os fundos abissais, fontes hidrotermais marinhas ou sob camadas de gelo nos polos. Estamos falando, enfim, em algo como 50% e 75% de espécies ainda desconhecidas!

“Panda-esqueleto-do-mar”. Foto: Wikimedia.

De vez em quando, porém, alguns desses “bichos novos” acabam se mostrando ou, então, são contatados por pesquisadores mais audaciosos. Um exemplo interessante é o do “panda-esqueleto-do-mar” (Clavelina ossipandae), um peixe muito peculiar, de 2 cm de comprimento, descoberto e classificado por cientistas japoneses em 2023 na ilha de Kumejima.

Um animal transparente, com uma rede de vasos sanguíneos aparentes e semelhantes, em sua estrutura, a um esqueleto! Detalhe: o panda-esqueleto foi encontrado a apenas 20 metros de profundidade, em um ambiente alcançado pela luz solar, o que mostra que as novas espécies não vivem apenas nos abismos oceânicos; elas também podem estar bem perto!

🌊 Agora, imagine só o que vive nos abismos…

Sim, por incrível que pareça, esses lugares inóspitos para os seres humanos também guardam um verdadeiro tesouro de vida que, aos poucos, vai sendo revelado. Na medida em que as tecnologias avançam, é possível mergulhar mais fundo nas fossas submarinas, ambientes extremos por conta da enorme pressão exercida sobre os seres e objetos (um exemplo: no fundo das Fossas Marianas, a 11 km de profundidade, a pressão é 1.100 vezes maior que no nível do mar!).

Pois foi em um desses abismos – a Fossa de Atacama, localizada entre o Peru e o Chile, a 7 km de profundidade – que em 2022 os cientistas descobriram uma nova espécie, batizada de “peixe-caracol azul do Atacama” (ou, no registro científico, Paraliparis selti).

Peixe-caracol-azul-do-Atacama. Foto: American Association for the Advancement of Science (AAAS).

O pequeno peixe, de pouco menos de um centímetro, é parente de outros peixes caracóis comuns nas águas rasas da região. Contudo, a espécie evoluiu e se desenvolveu nas profundezas, um ambiente inviável para quase todas as espécies que vivem no planeta. Basta pensar que, para chegar lá, os seres humanos usam robôs blindados ou, então, sinos de mergulho poderosíssimos, capazes de resistir à pressão intensa.

Mas, como ele consegue? A resposta está na adaptação e na evolução, que fez com que seu corpo se tornasse gelatinoso e resistente à pressão brutal; além disto, ele não possui bexiga natatória, órgão comum aos peixes (ele regula a profundidade), mas que, em um contexto abissal, é totalmente inútil.

Além dos peixes-caracóis do Atacama, espécies como o polvo-dumbo (do gênero Grimpoteuthis) ou os vermes de Pompeia (Alvinella pompejana), que sobrevivem perto de fontes marinhas hidrotermais superquentes, mostram como a vida se adapta a ambientes inóspitos.

🌊 Dois exemplos, grandes lições

As espécies que citamos – apenas duas, entre dezenas descobertas e classificadas a cada mês – reservam algumas lições. A primeira é a percepção de que o oceano não é, apenas, um grande bioma; ele, na verdade, forma um universo riquíssimo, de semelhanças e diferenças significativas, dadas pela profundidade e por muitos outros fatores.

A segunda lição é a de que as novas espécies são promissoras em termos de conhecimento sobre a vida e, também, sobre caminhos para a própria ciência. Imagine, por exemplo, o que os peixes caracóis azuis do Atacama podem nos revelar sobre materiais resistentes a grandes pressões.

Por fim, mas não menos importante: as novas descobertas nos lembram de nossa própria responsabilidade em relação aos oceanos e a toda a vida. Estamos, enfim, diante de uma teia extraordinária (da qual fazemos parte), antiga, poderosa e resiliente, mas, ao mesmo tempo, muito frágil.

🌊 As novas tecnologias nos oceanos

Grandes desafios implicam grandes soluções, que implicam estudo e conexões entre conhecimentos e tecnologias já existentes. Pois é exatamente esse o caminho das novas tecnologias que estão ajudando a revelar mais e mais sobre os oceanos. Uma fronteira que, como já afirmamos, é enorme, complexa e, muitas vezes, de difícil acesso. Mas que, aos poucos, vai sendo cartografada e analisada em diferentes aspectos – geográficos, biológicos, fisioquímicos, geológicos, meteorológicos etc.

Tomemos como exemplo desse avanço duas tecnologias recentes, começando pela dos robôs submarinos de última geração, os chamados AUVs, que mapeiam o fundo dos oceanos com ajuda da inteligência artificial. Um exemplo emblemático é o do veículo de operação remota ROV SuBastian, do Schmidt Ocean Institute (dos Estados Unidos), capaz de mergulhar a 4.500 metros levando equipamentos de pesquisa.

Crédito: Schmidt Ocean Institute.

Em suas jornadas, até o momento esse “robô marinho” (e outros equipamentos do Instituto) descobriu nada menos do que 20 espécies. Eles também podem encontrar naufrágios, mapear depósitos de minerais de interesse comercial no leito marinho e mensurar áreas oceânicas em risco (como certas zonas de corais).

A segunda tecnologia de alto impacto vem das alturas: falamos do SWOT (Surface Water and Ocean Topography – Topografia da Água Superficial e do Oceano), missão de satélite lançada em 2022 pela Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) e pela Agência Espacial Francesa (CNES).

Sua meta é “olhar” para os cursos de água (rios, que são tributários dos mares) e estabelecer o nível exato dos oceanos; e, de quebra, conhecer a fundo o ciclo da água e mapear as correntes marítimas. Com isso, em breve será possível construir modelos climáticos ainda mais precisos, que auxiliem a humanidade a responder melhor à crise climática, e promover rotas de navegação mais sustentáveis.

🌊 A humanidade no centro do problema

O desenvolvimento tecnológico trouxe uma sobrecarga aos oceanos, como a provocada pelos transportes oceânicos. Foto: Getty Images.

Nos últimos séculos, em especial a partir da Revolução Industrial, a humanidade passou a exercer uma pressão enorme sobre os oceanos, com consequências como o desaparecimento de espécies (o exemplo mais conhecido é o das baleias, que tiveram 4 espécies extintas ou levadas a um declínio irreversível pela caça), a ruptura de cadeias alimentares (pela sobrepesca e pela pesca de arrasto), o surgimento de “ilhas de plástico” provocadas pelo acúmulo de detritos (que já cobrem uma área de 1,6 milhão de km² – mil vezes a área da cidade de São Paulo!) e, mais recentemente, o aquecimento e a elevação do nível das águas oceânicas (atualmente, em 4,5 mm ao ano) em virtude do efeito estufa.

🌊 O que pode vir por aí

Os cientistas, é claro, conhecem a maior parte das causas e podem testemunhar e antecipar muitos de seus efeitos. Um deles, sistêmico e muito poderoso, é justamente o associado à relação entre os oceanos e o efeito estufa.

O “aprisionamento” do calor na superfície terrestre já está provocando consequências como o derretimento de geleiras e a redução da salinidade das águas, que desregula o mecanismo das correntes oceânicas, que são dependentes da diferença de densidade entre água salgada e doce. Com menor salinidade, a água doce não afunda, enfraquecendo ou até paralisando a circulação do oceano.

No caso específico do Atlântico Norte, os cientistas perceberam que, desde os anos 1950, a Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC), que inclui a Corrente do Golfo, perdeu 15% de sua força, e que pode estar perto de um ponto de virada. Se essa circulação acabar, as consequências serão dramáticas em relação ao clima da Europa Ocidental, que é mais ameno graças às correntes oceânicas quentes. Ele passaria a ser muito mais frio, afetando todas as formas de vida na região.

🌊 O conhecimento como caminho para salvar os oceanos

É complexo e mesmo trágico perceber que a ciência e a tecnologia, responsáveis pelos maiores avanços da humanidade, tenham sido as mesmas que aceleraram o colapso dos oceanos e dos ecossistemas. Nessa mesma fonte, porém, está a chave para a reversão – desde que aplicada com urgência, ética e um compromisso inadiável com o futuro da vida marinha.

Nas últimas décadas, por exemplo, uma moratória internacional à caça da baleia fez com que muitas espécies de cetáceos começassem a recuperar suas populações. Para isso, porém, foi necessário chegar a um consenso político construído graças aos aportes de conhecimentos científicos e à pressão de uma sociedade sensibilizada para o problema. As pessoas, enfim, perceberam que a caça às baleias trazia mais prejuízos do que benefícios – e decidiram agir, cobrando ações de seus representantes.

Baleia-corcunda fotografada em Vitória, Espírito Santo. Foto: Getty Images.

A mesma intencionalidade pela mudança, a mesma pressão política, é essencial para ir além do salvamento das baleias. É preciso, também, pensar em termos de consumo mais racional (de alimentos, roupas, tecnologias), de apoio às energias renováveis, de redução do uso de combustíveis fósseis e de eliminação de desperdícios. De fortalecimento, enfim, de uma consciência ambiental que cresce na sociedade a partir do conhecimento.

🌊 Para ir mais longe

Alguns links interessantes sobre o tema dos oceanos:

🌊 Década da Ciência Oceânica (ONU)

Iniciativa global da ONU para promover a pesquisa e a proteção dos oceanos.

🧬 Ocean Biodiversity Information System (OBIS)

Base de dados internacional que reúne informações sobre a biodiversidade marinha.

https://obis.org

🚀 Missão SWOT (NASA/CNES)

Detalhes sobre o satélite que está mapeando a topografia da água na Terra.

https://swot.jpl.nasa.gov

🐟 Schmidt Ocean Institute – Descobertas recentes do robô SuBastian

Relatórios e vídeos sobre as explorações e espécies descobertas.

🐋 International Whaling Commission – Proteção das baleias

Informações sobre a moratória da caça às baleias e suas consequências.

https://iwc.int

🧪 Revista Science – Artigos sobre biologia marinha e mudanças climáticas

Pesquisas recentes e revisadas por pares sobre oceanos.

https://www.science.org/journal/science

Exoesqueletos: das armaduras… ao futuro!

Vamos fazer um exercício de imaginação: você está prestes a vestir uma armadura. Pode até pensar naqueles torneios da Idade Média ou, então, em samurais ou soldados romanos marchando com suas couraças e elmos. Acontece que o que você vai vestir não é bem uma armadura… mas um exoesqueleto! Isso mesmo: um “esqueleto de fora para dentro”, se vale a brincadeira, com características e aplicações que já estão revolucionando os campos da indústria, da medicina e até das guerras. E é sobre esse fantástico avanço científico que nós vamos conversar nesta edição de #FuturoPresente. Venha com a gente!

No início, eram as armaduras

Fonte: Getty Images.

No parágrafo anterior, associamos armaduras a exoesqueletos. Mas, fora o “jeitão”, no que elas se assemelham? Boa pergunta! Armaduras e exoesqueletos partem de um mesmo princípio: ambos são wearable tech, tecnologia vestível, e buscam modificar uma ou mais características de quem os porta.

No caso da armadura, a mudança busca proteger o corpo do usuário contra pancadas, golpes de lâmina e perfurações. No caso do exoesqueleto, as possibilidades vão além. Ele pode proteger o corpo, aumentar a força física, recuperar e reabilitar movimentos ou amplificar os sentidos físicos do usuário. Ou seja: há semelhanças importantes, mas os exoesqueletos “navegam por mares mais distantes” – eles são mais sutis e complexos, e podem interagir profundamente com o corpo e o cérebro de seu portador.

Mas, afinal, por que “exoesqueleto”?

A palavra “exoesqueleto” é uma velha conhecida dos biólogos. Ela surge da soma entre o prefixo grego “exo”, que significa “fora” ou “externo”, e a palavra “esqueleto”, também de origem grega, que indica a estrutura óssea de sustentação nos indivíduos de muitas espécies. Neles, o esqueleto está situado “dentro”, e os órgãos e músculos se constroem, via de regra, “ao redor”, especialmente da coluna vertebral. Duas exceções são as costelas e o crânio, que se sobrepõem aos órgãos internos (pulmões e coração, cérebro), protegendo-os.

Fonte: Getty Images.

No caso do exoesqueleto, a estrutura de sustentação está fora e as partes moles estão dentro – e ficam especialmente protegidas. Isso faz com que os espécimes dotados dessa estrutura sejam naturalmente blindados. E quem são esses espécimes?

Se você pensou em formigas, besouros, baratas, aranhas, escorpiões, caranguejos, lagostas e siris, pensou certo! Os exoesqueletos são comuns entre os artrópodes, animais invertebrados que possuem um exoesqueleto rígido, corpo segmentado e apêndices – como pernas e antenas – articulados. Vale observar que esses “bichos” não são exceção. Eles formam o maior filo do reino animal, com mais de um milhão de espécies descritas – cerca de 80% de todos os animais conhecidos!

Fora isso, é importante observar – falando rapidamente – que esqueletos e exoesqueletos têm diferenças marcantes em relação à composição e à biologia: enquanto os ossos são estruturas vivas (com células e vasos sanguíneos), os exoesqueletos são formados por tecidos inertes (construído com substâncias como a queratina); enquanto os ossos crescem junto com o indivíduo até a idade adulta (e seus tecidos se renovam de forma permanente), os exoesqueletos são trocados de forma periódica, literalmente descartados (a chamada ecdise) para acompanhar o crescimento de seu portador.

Uma comparação interessante

Fonte: Getty Images.

Essa diferença entre ossos e carapaças, tecido vivo e tecido inerte, talvez possa ilustrar bem uma diferença essencial entre armaduras e exoesqueletos de alta tecnologia. Enquanto as armaduras são “inertes” – isto é, elas se restringem a proteger o corpo –, os exoesqueletos são “vivos”, ou seja, eles interagem com seu portador para aumentar capacidades e oferecer um suporte vital altamente diferenciado. Para isso, integram várias tecnologias – mecânica, eletrônica, de materiais e biomateriais, médica… – e alcançam resultados fantásticos. Que vamos conhecer daqui a pouco!

Antes de vestir o “exo”…

Fonte: Wikimedia Commons.

Exoesqueletos de alta tecnologia são instrumentos fascinantes. Mas, por que eles nos fascinam? E como, na verdade, ficamos sabendo a respeito deles, uma vez que – ao menos, até o momento – ainda não são produzidos em grande quantidade?

A resposta pode estar na cultura, mais exatamente nos quadrinhos e no cinema, com seus super-heróis, vilões, uniformes extraordinários e, é claro, super-poderes. Como, por exemplo, os garantidos pelas armaduras exoesqueléticas usadas por Tony Stark como “Homem de Ferro” ou pelo “P-5000 Powered Work Loader”, exoesqueleto de carga vestido pela personagem Ellen Ripley em “Aliens: o Resgate”, filme de 1986 (curiosidade: esse exoesqueleto foi inspirado em protótipos criados pela empresa GE nos anos 1960).

Ambas peças cumprem funções totalmente previstas pelos cientistas para a nova tecnologia. E, de quebra, ainda alimentam o sonho ancestral humano de ter poderes que os coloquem no topo da natureza (algo que se relaciona aos mitos e aos deuses). O resultado: sucesso no imaginário – e inspiração para a ciência!

Mas, quando surgiram os exoesqueletos modernos?

As armaduras, como já vimos, são “antepassados” dos exoesqueletos baseados em tecnologia. Olhando para a história desses equipamentos, porém, percebemos que eles estão muito mais próximos do que poderíamos imaginar. Eles podem não ter as mesmas funções, mas nasceram em contextos semelhantes: a guerra e a necessidade de aumentar o desempenho humano.

Fonte: Wikimidia Commons

Isso porque os primeiros exoesqueletos, que surgiram há cerca de setenta anos, foram criados nos Estados Unidos para atender a uma necessidade das forças armadas – exatamente como acontecia por milênios com as armaduras, inventadas para proteger seus portadores, os guerreiros.

Pense, por exemplo, na necessidade que os militares têm de transportar grandes cargas, de munições a peças de reposição, ou de cavar trincheiras rapidamente. Esse era o objetivo do Hardiman, exoesqueleto motorizado de braços e pernas vestíveis desenvolvido pela General Electric (GE) em parceria com o Exército dos EUA (imagem ao lado). O nome Hardiman é o acrônimo de “Human Augmentation Research and Development Investigation” (HARDI) + “MANipulator” (MAN), expressão que pode ser traduzida como “Investigação para pesquisa e desenvolvimento do aumento da capacidade de manipulação humana”.

O criador do projeto, o engenheiro Ralph Mosher, buscou produzir um aparato capaz de multiplicar a força humana. A ideia era a de que, ao vesti-lo, a pessoa pudesse levantar facilmente cargas de 1500 libras (cerca de 680 kg), sem qualquer esforço muscular maior que o associado aos movimentos normais de braços e pernas.

O projeto era visualmente fascinante. Na época, porém, não havia tecnologia capaz de garantir sua estabilidade, por exemplo, por meio de sensores eletrônicos. A máquina era pesadíssima, dava trancos perigosos e apenas uma de suas partes, um braço mecânico colossal, funcionava, e ainda por cima de forma limitada. Resultado: não chegou a ser testada por seres humanos diretamente e acabou arquivada – mas, definitivamente, abriu uma porta para outras tentativas.

O ponto de virada

Os anos 1990 foram marcados pela chegada de tecnologias altamente impactantes. Foi o tempo de popularização dos computadores pessoais, de grandes avanços na microeletrônica, da chegada da internet às casas das pessoas, de novos materiais (como ligas especiais e cerâmicos) e de avanços na área de automação industrial. Um conjunto de soluções que, muito provavelmente, “daria conta” de todos os problemas percebidos no projeto Hardiman. Ele, porém, não voltou à cena.

Fonte: Getty Images.

Para o universo dos exoesqueletos, o período marcou um aporte tecnológico essencial: sensores digitais biométricos, giroscópios, estruturas mais leves e motores elétricos mais compactos e eficientes. Os aparatos “brutamontes”, enfim, saíam de cena para dar lugar a equipamentos elegantes e “cirúrgicos” em termos de desempenho. As possibilidades eram muitas! Foi nessa época que o foco das pesquisas foi dividido em três grandes áreas: militar, médica (de reabilitação) e industrial.

Chegamos, então, ao nosso tempo e aos “exos” que estão saindo dos laboratórios para dar suporte à vida real. Vamos conhecê-los!

Os exoesqueletos da nossa época

Hoje em dia, o “sonho de superpoderes” prometido pelos exoesqueletos está cada vez mais próximo. Esses aparatos ainda não chegaram ao cotidiano da maioria das pessoas, o que pode estar relacionado ao seu alto custo e, também, às suas finalidades muito específicas. Sem contar o fato de que, até o momento (a não ser, nos filmes e na literatura), eles não encontram finalidades estéticas ou recreativas.

Para os fins a que se destinam, porém, os novos “exos” – que contam com aportes tecnológicos recentes, como os da IA – se mostram transformadores. Como no caso da medicina de reabilitação, em que exoesqueletos de empresas como ReWalk e Ekso Bionics estão devolvendo a mobilidade a pessoas afetadas por lesões medulares.

Fonte: Wikimedia Commons.

Nesse campo, aliás, um brasileiro possui grande destaque: é Miguel Nicolelis (foto ao lado), médico e neurocientista brasileiro que lidera um time de pesquisadores na Universidade Duke, nos Estados Unidos. Em 2014, na abertura da Copa do Mundo do Brasil, ele apresentou um exoesqueleto cujos movimentos eram comandados diretamente pelo cérebro do usuário – no caso, Juliano Pinto, um paraplégico do tronco e dos membros inferiores que chutou uma bola.

No campo da indústria, exoesqueletos vêm sendo utilizados especialmente no suporte físico de operários, em plantas como as da Huyndai (Coreia) e Panasonic (Japão). Com os equipamentos – que, externamente, se assemelham em certa medida aos “exos” de reabilitação –, esses funcionários podem levantar cargas mais pesadas e se manter por mais tempo em posições que, normalmente, exigiriam um esforço físico muito maior.

Por fim, mas não menos importantes, são os exoesqueletos de aplicação militar, que, aos poucos, também começam a “dar as caras” nos quartéis. Não pense, porém (pelo menos, ainda), em equipamentos como o do Homem de Ferro, com capacidade de voo e armas integradas. Na verdade, eles se assemelham muito aos exoesqueletos de uso industrial. Sua meta é resolver um dos problemas mais antigos do universo militar: o da capacidade individual, de cada soldado, de transportar peso por longas distâncias sem se cansar. Nessa área, o principal projeto em andamento é o Human Universal Load Carrier (Transportador Humano Universal de Cargas), HULC, desenvolvido pela Lockheed Martin nos Estados Unidos.

E o que vem por aí…

Exoesqueleto: representação artística feita por IA. Geração: Freepik.

É bem possível que, em algumas décadas, este artigo seja lido como uma curiosidade de um tempo antigo. Afinal, com os avanços tecnológicos que estamos vendo, é provável que os exoesqueletos acabem “mergulhando” em suas três áreas de desenvolvimento: teremos mais pessoas reabilitadas (e reabilitações mais sofisticadas), trabalhadores mais confortáveis em suas árduas missões e soldados marchando por mais tempo com mochilas super-pesadas.

É possível, também, que aplicações “exo” estejam disponíveis em trajes do cotidiano, funcionando como interfaces entre o corpo humano e outras máquinas. E, quem sabe, no espaço sideral, garantindo suporte à vida e força em ambientes hostis e de muita ou pouca ação gravitacional.

E isso só será possível graças a avanços em áreas que já apontamos, como a dos materiais, que deverão ser cada vez mais leves e flexíveis – muito mais “vestíveis”, enfim. E das neurociências, que devem garantir avanços acelerados na conexão entre o cérebro e as máquinas. Nesse caso, aliás, o tema chega quase a ser outro: saem os exoesqueletos, entram os biônicos! Essa, porém, é outra história…

Para ir mais longe…

Uma seleção de links interessantes sobre exoesqueletos e suas aplicações:

ReWalk Robotics – Fabricante de exoesqueletos para pessoas com lesões medulares.
🌐 https://rewalk.com/

Ekso Bionics – Desenvolve exoesqueletos para reabilitação e uso industrial.
🌐 https://eksobionics.com/

Miguel Nicolelis (Nicolelis Lab – Duke University) – Laboratório do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
🌐 https://www.nicolelislab.net/

Portal G1 – “Pesquisadores brasileiros avançam nos estudos sobre uso de exoesqueletos e IA na reabilitação física e neurológica”

🌐 https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2025/01/19/pesquisadores-brasileiros-avancam-nos-estudos-sobre-uso-de-exoesqueletos-e-ia-na-reabilitacao-fisica-e-neurologica.ghtml

Jornal da USP – Exoesqueleto robótico: desafio é diminuir custo e trazer maior portabilidade ao paciente

🌐 https://jornal.usp.br/atualidades/exoesqueleto-robotico-desafio-e-diminuir-custo-e-trazer-maior-portabilidade-ao-paciente/

BBC Brasil – Pai cientista constrói exoesqueleto para filho com paralisia andar

🌐 https://www.bbc.com/portuguese/geral-58033087

“Fagulhas, pontas de agulhas…”- São João e a Educação!

As festas juninas são a maior celebração intercultural brasileira. Fonte: Wikimedia Commons.

Você já parou para pensar no impacto das festas juninas na vida brasileira? Ele é gigantesco! Podemos afirmar, mesmo, que elas são o “grande festival brasileiro”, comparável ao Festival chinês do Meio Outono, à Oktoberfest alemã e à celebração do Solstício de Verão nos países nórdicos. Festas que se conectam a partir dos ciclos da natureza e que têm tudo a ver com a cultura, o conhecimento, a sabedoria popular e, é claro, com a EDUCAÇÃO. 

A riqueza da festa

Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que, por ano, as festas juninas movimentam algo como R$ 2 bilhões no Brasil. O valor, que tende a crescer, aponta a dimensão dessas celebrações para a nossa sociedade. Elas não só são muito tradicionais, como também se modernizaram como grandes eventos – como os de Campina Grande (PB), Caruaru (PE), Aracaju (SE), Salvador (BA), São Luís (MA) e Palmas (TO). E aparecem em todas as regiões do país, nas cidades, paróquias, escolas e em família. E são um verdadeiro mosaico da identidade brasileira, cujos elementos merecem ser percebidos e destacados em seu valor cultural.

Eles são, enfim, conhecimento – e é isto que nos interessa neste artigo! Então, pegue seu chapéu e venha com a gente!

Festa junina em Caruaru, Pernambuco. Essas celebrações são importantes para o turismo de várias regiões do Brasil. Fonte: Wikimedia Commons.

Toda cor das festas juninas

Fogueira, música, quadrilha, bandeirinhas, brincadeiras, comidas deliciosas, bombinhas, roupas típicas e muita gente animada curtindo muito tudo isto. Essa bem poderia ser uma descrição rápida das festas juninas no Brasil. A ela, poderíamos acrescentar cores – os tons quentes das fogueiras e, também, o negro da noite e do inverno. Um contraste inesquecível!

As bandeirinhas das festas juninas homenageiam os santos católicos. O papel de seda, porém, é uma invenção chinesa! Crédito: Getty Images.

Uma celebração global

Mas, de onde vem tudo isso? De muitos lugares! A base é a tradição católica romana, de santos de grande prestígio popular e que são comemorados em junho: Santo Antônio (dia 13), São João (24) e São Pedro (29). Essas celebrações, aliás, são bem antigas – São João e São Pedro “acendem fogueira” desde o século VI; Santo Antônio, desde o século XII! Elas chegaram aqui com os portugueses no século XVI.

Há, porém, um ponto a considerar: apesar de sua motivação cristã – a mais aparente –, as festas juninas têm uma origem ainda mais antiga. Você se lembra de que, na abertura deste artigo, falamos em “ciclos da natureza”? Pois é: antes dos santos, as civilizações do Hemisfério Norte (como os romanos e os celtas) já faziam “festões” nessa mesma época do ano. Elas eram ligadas ao Solstício de Verão, ao “retorno da luz” e à chegada da estação mais quente do ano. E se relacionavam, é claro, às divindades que esses povos veneravam.

Vale observar que, entre nós, no Hemisfério Sul, esse “motivo mais antigo” da festa não funciona, e por um simples motivo: aqui, a estação que está chegando em junho é o inverno. Ou seja: sem que a gente se dê conta disso, comemora um festival de verão… em plena estação fria!

O que não é nenhum problema, até porque a motivação principal já não é a estação, mas a comemoração dos santos. E ainda temos uma vantagem: como acabamos de passar pelo outono, estamos com os celeiros cheios de grãos de milho e amendoim, culturas típicas da América que viram comidas deliciosas!

Em resumo: mesmo que o clima seja outro, o espírito de celebração permanece — e se adapta ao nosso contexto com criatividade e sabor.

Uma festa de todo o mundo

Muito bem: algumas linhas acima, falamos de milho e amendoim – e ficamos com água na boca. Eita, coisa boa! Acontece, porém, que ambos são produtos típicos… da América. Eles foram domesticados e cultivados pelos povos originários daqui há milhares de anos e, pelo menos até o século XVI, não “davam as caras” nas festas juninas. Não tinha como!

Aqui, temos um indício fortíssimo da principal característica da celebração em nosso país: sua transculturalidade. O que significa que, mais do que uma “festa de santo”, é uma festa formada pelas contribuições culturais de diversos povos, de muitas civilizações. O aspecto religioso é uma dessas contribuições; assim como a alimentação, as roupas, as danças e as brincadeiras – e isto é maravilhoso!

Pense, por exemplo, nas bombinhas e nos rojões. De onde eles vêm? Da China, civilização que inventou a pólvora no século XI!

Agora, lembre-se da chita dos vestidos juninos – pois saiba que este tecido de algodão colorido, tão bonito, é originário da Índia! Ele era trazido ao Brasil Colônia pelos portugueses, que também tinham negócios e territórios lá longe, do outro lado do mundo. Aliás, a palavra “chita” vem do sânscrito “chitra”, que significa “colorido” ou “pintado”.

Peça de tecido de chita produzida na Índia no século XVIII. Os tecidos indianos foram um produto importante do comércio colonial de vários países. Fonte: Wikimedia Commons.

Ah, e tem a quadrilha! Que veio da França no século XVIII. Lá, era a “quadrille française”, chiquérrima. Pois a família imperial portuguesa era adepta da dança e, em 1808, lançou a moda aqui. E ela acabou incorporada às festas juninas!

E o que dizer, então, das contribuições africanas? São muitas: nos instrumentos de percussão, nos refrões juninos que repetem as canções de trabalho dos escravizados, nos reizados e na corporalidade da dança.

“Quadrille” – quadrilha -, em sua versão francesa. A ilustração é de 1820 e mostra a seção “Verão” (“Été”) de uma das coreografias. Fonte: Wikimedia Commons.

Aquela festa na escola…

Aí, sim! Se as festas juninas já são, por si, muito legais, elas ficam ainda melhores quando são realizadas pelas escolas, envolvendo toda a comunidade. Dão um trabalho danado (sim, dão!), mas são uma expressão poderosa de união, alegria e capacidade de trabalho. E isso só acontece porque, como vimos, elas são cultura pura, conhecimento – e isto interessa diretamente à educação. Mas, como trabalhar seus conteúdos? São muitas as possibilidades! E nós vamos trabalhar com duas delas.

História em movimento

Uma boa alternativa para abordar a origem das festas são as gincanas. Elas pedem orientação e pesquisa prévia, e podem ser materializadas de diferentes formas: em jogos de perguntas e respostas, desafios, rodas de conversa, quizzes, entrevistas com convidados, podcasts, entrevistas e mais.

Por exemplo: na gincana, uma turma pode ser desafiada a criar um podcast entrevistando os avós sobre as festas juninas do passado. Com isso, além de resgatar memórias, os alunos trabalham oralidade, escuta ativa e história.

O caminho, como você pode perceber, é o da sala de aula invertida – e do protagonismo dos estudantes.

As festas juninas são uma oportunidade fantástica de reunir os estudantes para um momento “mão na massa” em diferentes níveis. Da organização à pesquisa e à realização, elas oferecem uma oportunidade de protagonismo. Fonte: Getty Images.

Movimento… no movimento!

As festas juninas são “corporais”, ou seja, elas envolvem movimento, envolvem gente! Nas brincadeiras, nos jogos, nas danças e no casamento caipira. Cada um desses elementos pode ser investigado pelos estudantes. Cada um pode ser organizado, interpretado, encenado — e percebido como uma contribuição concreta para a comunidade escolar.

E essa corporeidade, é claro, não vem sozinha – junto com ela vem a arte, que também pode ser trabalhada. Nos temas, nos materiais, na origem dos elementos e até na gestão dos recursos. Que tal, por exemplo, convidar seus estudantes a organizarem a quadrilha da festa junina? Ou o cenário? E como administrar os recursos para a aquisição dos materiais? Que tal, enfim, transformar essa tarefa em um projeto colaborativo de arte, cultura e planejamento?

Viva os saberes juninos!

Como vimos, as festas juninas são muito mais do que tradição: são uma poderosa ferramenta de aprendizagem, expressão e construção coletiva. Ao valorizá-las dentro da escola, reconhecemos o conhecimento que pulsa no cotidiano, no corpo, na cultura e nas relações humanas. E damos sentido ao que é, de fato, educar: conectar, celebrar, transformar.

Ao fim e ao cabo, é disto que tratam as festas juninas: animação, cultura, conhecimento e participação. Boas festas juninas para todos! Fonte: Getty Images.

Para ir mais longe

🔗 Página do Instagram do Museu do Folclore Edison Carneiro (IPHAN) – O museu possui um acervo digital riquíssimo sobre cultura popular brasileira, incluindo festas, danças e tradições orais.

🔗 Museu da Pessoa – Projeto colaborativo que reúne histórias de vida, muitas delas relacionadas a festas populares e tradições locais. Ótimo para trabalhar oralidade e memória.

🔗 Museu Nacional – Acervo online (UFRJ) – Embora voltado a diversas áreas, há coleções e documentos que dialogam com antropologia, história e cultura popular.

🔗  IPHAN – Dossiê das Matrizes Tradicionais do Forró (busque por “Forró” ou “Festas Juninas”) – Documentos oficiais sobre o registro do forró como patrimônio cultural brasileiro, com menção às festas juninas.

🔗 Museu do Folclore de São José dos Campos (SP) – Exposições virtuais sobre festas juninas e oficinas pedagógicas para escolas.