Crianças são, por natureza, curiosas. Cada uma do seu jeito: algumas mais ousadas, outras mais observadoras… todas, porém, com muitas interrogações e com muitas exclamações a cada descoberta, em um processo natural de desenvolvimento cognitivo. A escola, é claro, tem um papel fundamental nesse diálogo com o mundo, muito mais em um tempo em que, muitas vezes, as crianças estão expostas a tantas informações e a tantas distrações.
Diante desse desafio, a professora Roseli Maria Machado (foto), professora do Centro de Educação Infantil (CEI) Estrelinha, em Fraiburgo, município do Meio Oeste catarinense, desenvolveu uma prática pedagógica para incentivar a curiosidade, a exploração, o encantamento, o questionamento e o conhecimento das crianças em relação ao mundo físico e social, ao tempo e a natureza. “Este trabalho teve início na metade do mês de abril e se prolongou para incluir, também, as famílias, e por despertar ainda outros interesses, agregando novas possibilidades”, conta Roseli.
O trabalho foi feito com crianças do Pré I, com idades de 4 e 5 anos e perfil eclético: uma realidade plural, com muitas possibilidades de trabalho e descobertas.
“As formações pedagógicas do Sefe sempre focam no protagonismo da criança, em seu encantamento e nas muitas infâncias”, explica Roseli. “Como as crianças são curiosas por natureza, busquei alcançar esses focos. Fazendo com que elas desvendassem seu entorno por meio dos sentidos: tocando, observando, explorando…”, continua. Foi quando ela lembrou de uma antiga ferramenta de exploração muita desejada por crianças em todo o mundo: a lupa. “Percebi que a lupa seria um instrumento ideal, que poderia proporcionar esse aprender sobre o mundo de modo prazeroso”, explica.
E assim, munidos de uma lupa, os pequenos puderam explorar elementos da natureza como plantas, sementes, insetos, frutas, também objetos e tudo o que mais lhes chamasse a atenção. Em um primeiro momento, com sugestões oferecidas pela professora e por algumas crianças e, em seguida, movidas pela própria curiosidade, nos espaços de sua preferência dentro do ambiente escolar. Num segundo momento, junto com as famílias, elas partiram para a exploração do ambiente de suas casas e arredores.

Todo esse processo foi documentado em fotos, vídeos e depoimentos, registros que, para além do momento presente, também se constituem em algo importante para o futuro.
E os resultados? “Percebi um enriquecimento da percepção. As crianças desenvolveram um olhar mais atento e investigativo. Além disso, descobriram muitas coisas em relação à natureza, o que acabou gerando curiosidade e motivação nas famílias. O mais importante, porém, foi o encantamento pelas descobertas e pelos elementos da natureza – em especial, os insetos!”, conta Roseli. No decorrer da prática, aliás, até um microscópio entrou em ação: ele foi usado para explorar em detalhes coisas como a casca de uma cebola e um cabelo. As crianças, é claro, se encantaram!
Para a supervisora pedagógica Marina Cabral Rhinow, responsável pelo atendimento da Educação Infantil na Editora Opet, um ponto alto da prática pedagógica da professora Roseli é a união entre protagonismo e curiosidade. “É possível perceber, nas crianças, esse despertar do processo investigativo. Elas usaram lupas e foram explorar o mundo. E a professora atuou como mediadora, fazendo com que as próprias crianças assumissem o protagonismo das experiências de aprendizagens possibilitadas. Isso tem muito valor e pode inspirar outros professores”, avalia.
GOSTOU DESTA REPORTAGEM? Então, confira a primeira e a segunda reportagens desta série especial sobre a Educação Infantil, com as professoras Carina Stadler, de Pitanga (PR), e Ana Paula Borella, de Cotia (SP).

Pandemia. Aulas presenciais suspensas, crianças e professoras em casa, necessidade de manter o processo de ensino-aprendizagem e avançar na educação. Nesse contexto tão difícil vivido pela educação nos últimos dois anos, as ferramentas digitais ganharam uma importância estratégica. Sozinhas, porém, elas são incapazes de dar conta de tamanho desafio. Precisam, sim, da criatividade, sensibilidade, domínio técnico e ação de quem educa. E foi justamente aí, nessa configuração tão peculiar, que nasceu o projeto da professora Ana Paula Borella (foto), da rede municipal de ensino de Cotia, parceira da Editora na região metropolitana da capital paulista.










