Leonardo na internet: um tesouro de arte e ciência nas suas mãos!

Possível auto-retrato de da Vinci. Fonte: Wikipedia.

Anatomista, naturalista, inventor, engenheiro, desenhista, pintor, escultor, escritor. É possível afirmar que poucos personagens reúnem tantos atributos ligados à sabedoria quanto Leonardo da Vinci. Leonardo, podemos brincar, são muitos Leonardos. Ele, aliás, é a própria encarnação do que o dicionário define como “polímata” – um conhecedor profundo de muitas áreas. O personagem símbolo do Renascimento, etapa da História ocidental marcada pelo retorno de uma visão mais ampla e livre para o mundo, o passado e a natureza. E, certamente, um personagem inspirador para uma educação que olha ao seu redor com encantamento, em uma perspectiva transversal focada nos projetos e no fazer.

Se, em sua época, Leonardo foi reconhecido por seus pares e por quem detinha o poder (a Igreja, os nobres das cidades-estado italianas e reis como o da França), nos últimos dois séculos ele se tornou um verdadeiro “astro pop”, visto, lido e relido por escritores e cineastas. E teve seus trabalhos reproduzidos muitas e muitas vezes, em muitas mídias.

Estudo de Leonardo para a “Santa Ceia”. Fonte: Wikipedia.

Nesta edição “davíncica” de #EducaçãoHumaniza, vamos tratar dos acervos – em especial, os digitais – de Leonardo da Vinci, para que você possa acessar e desfrutar do talento desta inigualável figura. Ajeite-se no seu ornitóptero e vamos voar!

🖼️ Como começou o sucesso de Leonardo?

Como observamos, Leonardo já era um artista reconhecido desde o século XV (e no início do XVI), período em que viveu. No entanto, ele só “caiu nas graças do povo” a partir da segunda metade do século XVIII, quando Estados que emergiam da “Era das Revoluções” começaram a transformar as coleções reais artísticas e científicas em museus. Foi quando as pessoas “comuns” puderam ver de perto suas obras.

Vicenzo Peruggia. Fonte: Wikipedia.

No caso do nosso personagem, seu status mudou graças ao furto daquela que viria a se tornar a obra de arte mais célebre do mundo. Em 21 de agosto de 1911, o italiano Vincenzo Peruggia (foto ao lado) aproveitou-se de sua condição de prestador de serviços do museu do Louvre, tirou a tela da “Mona Lisa” da moldura e desapareceu. A obra – que teria sido escolhida não por ser de Leonardo da Vinci, mas por suas dimensões reduzidas (77 x 53 cm), que facilitariam a subtração –, sumiu e virou manchete.

Os jornais, então, estavam se popularizando, assim como a própria literatura policial, e a cobertura do furto foi um enorme sucesso. O crime, aliás, só foi resolvido dois anos depois, quando, já em terras italianas, o autor tentou vender a pintura. A volta da “Mona Lisa” ao Louvre foi um evento grandioso. Nascia, então, a mais “pop” das pinturas, que somava qualidade artística única a uma história fantástica.

Leonardo, porém, é a “Mona Lisa” e muito mais. A partir de agora, vamos descobrir onde “se esconde” – ou melhor, onde está disponível em formato digital – todo esse acervo.

💻 O acervo de Leonardo

Ao examinar a obra do célebre artista italiano, poderíamos dividi-la em quatro grandes campos. Essa divisão, vale reforçar, é arbitrária, ou seja, é uma escolha entre muitas outras possíveis – mas, dá conta do recado.

É possível pensar em um Leonardo (1) pintor, (2) projetista, (3) investigador da natureza e anatomista, e também (4) escritor.

🎨 Leonardo pintor

A famosa “Mona Lisa”, pintada entre 1503 e 1506. Fonte: Wikipedia.

Sim, foi a “Mona Lisa” a grande responsável pela identificação imediata de Leonardo da Vinci como pintor. E, é claro, suas obras são, todas, obras-primas. Porém, o fato é que Leonardo produziu menos pinturas do que poderíamos imaginar à primeira vista. Os especialistas reconhecem apenas entre 15 e 17 obras de sua autoria; destas, oito são consideradas universalmente “da mão do pintor”, enquanto as restantes permanecem em debate pelos especialistas. Não que sejam falsas: elas podem ser oriundas do ateliê dele (de autoria de algum de seus aprendizes) ou, então, cópias feitas na época sem intenção criminosa. Em tempo: no século XV, quando viveu, não era comum que os artistas assinassem seus trabalhos – a assinatura era o próprio traço, enfim.

São consideradas “100% Leonardo” as seguintes obras: “Mona Lisa”, “A Última Ceia”, “Virgem das Rochas” (do Louvre), “Virgem e o Menino com Santa Ana”, “São João Batista”, “Adoração dos Magos” e “São Jerônimo no Deserto”. E são aceitas pela maioria como de autoria do pintor italiano as telas “Sala delle Asse”, “Anunciação”, “Ginevra de’ Benci”, “Madona Benois”, “Dama com Arminho” (foto), “La Belle Ferronnière” e “Retrato de Músico”. Uma última peça, “Salvator Mundi” é vista com suspeita por muitos especialistas e aceita por outros tantos.

“Dama com Arminho” (1489-1490). Fonte: Wikipedia.

E que países abrigam essas pinturas? Cinco delas estão na França; outras cinco, na Itália; Vaitcano, Polônia, Rússia e Estados Unidos detêm, cada um, uma peça; e uma delas – justamente, “Salvator Mundi”, está em destino incerto porque pertence a um colecionador particular (provavelmente, está guardada em um banco na Suíça).

Você pode ver cada uma dessas peças em seus museus – tomara que vá! No entanto, elas também estão disponíveis na internet, digitalizadas. E podem ser encontradas nesses endereços:

📌“Mona Lisa”, Museu do Louvre

📌“A Última Ceia”, Museo del Cenacolo Vinciano

📌“Virgem das Rochas” Museu do Louvre

📌“Virgem e o Menino com Santa Ana”, Museu do Louvre

📌“São João Batista”, Museu do Louvre

📌“Adoração dos Magos”, Galleria degli Uffizi

📌“Anunciação”, Galleria degli Uffizi

📌“São Jerônimo no Deserto”, Museus Vaticanos

📌“Sala delle Asse” Castelo Sforzesco

📌“Ginevra de’ Benci”, National Gallery of Art

📌“Madona Benois”, Museu Hermitage

📌“Dama com Arminho”, Museu Czartoryski

📌“La Belle Ferronnière”, Museu do Louvre

📌“Retrato de Músico”, Pinacoteca Ambrosiana

📌“Salvator Mundi”, coleção particular

📐 Leonardo projetista

O “ornitóptero”, máquina de voar projetada por da Vinci. Fonte: Wikipedia.

Como bom “sabe-tudo” que era – um gênio –, Leonardo também colocava o cérebro em ação para projetos de engenharia. Ele, aliás, era um talentoso projetista militar, em uma época cheia de demanda por armas arrasadoras, defesas incríveis e mais.

Entre os seus projetos militares mais célebres – que, até onde se sabe, não saíram do papel – estão um tanque blindado, uma besta gigante, um carro com foices para cortar tudo que cruzasse pelo caminho e um navio com esporão móvel. Ele também desenhou fortificações inovadoras, que se baseavam em ângulos para reduzir o impacto das balas de canhão.

Para além da guerra, ele também desenhou projetos “civis” como pontes móveis – o projeto da “Ponte auto-suportada de Leonardo” é um clássico reproduzido em todo o mundo –, uma máquina voadora de asas móveis (o famoso “ornitóptero”), um paraquedas, o chamado “parafuso aéreo”, baseado no princípio de funcionamento da hélice, e uma máquina de mergulho.

Mas, onde encontrar esses projetos? E até como saber se eles eram realmente efetivos? O ornitóptero, por exemplo, poderia voar, não fosse pela ausência de motores suficientemente rápidos para sustentar o voo (este, aliás, é um problema com as asas móveis, como já vimos em um artigo anterior).

Muitos projetos de engenharia de Leonardo foram digitalizados por instituições de várias partes do mundo. Uma das mais célebres é a “Leonardotheka” do Museo Galileo, de Florença. Lá, é possível encontrar centenas de projetos davincianos – dentre eles, 50 de engenharia militar, 200 de engenharia civil e mecânica, 30 relacionados ao voo, 100 de engenharia hidráulica e 50 de arquitetura e urbanismo.

🔎🐛 Leonardo investigador da natureza e anatomista

“Estudo dos ossos do braço” (cerca de 1510). Fonte: Wikipedia.

É difícil afirmar uma faceta mais fascinante de Leonardo. Afinal, tudo o que ele fez era genial, mesmo se não funcionasse! Isso porque, para além da forma estava o princípio, a regra que nasce da observação, e nisto o polímata italiano era um craque. Mas, se pudéssemos escolher um aspecto de Leonardo mais instigante, seria seu olhar para a natureza.

Um olhar que, em certa medida, reproduzia o dos filósofos naturalistas gregos e ainda desafiava as regras rígidas impostas pela Igreja naquela virada de Idade Média para Idade Moderna.

Pense, por exemplo, em seus cerca de 750 desenhos anatômicos, que reproduziam à perfeição o corpo e os órgãos humanos e ainda intuíam seu funcionamento. Leonardo examinou e descreveu, por exemplo, o sistema músculo-esquelético, o coração, o crânio e o cérebro (e também o feto, os órgãos genitais e mais). Para isso, driblou as regras da religião – examinando e dissecando cadáveres –, em nome do conhecimento. As cerca de 30 dissecações foram feitas entre 1509 e 1513 em companhia de Marcantonio dela Torre, professor da universidade de Pádua.

Ainda nessa mirada para a natureza, ele também enxergou coisas como o voo dos pássaros, o padrão matemático das folhas de uma planta e até o fluxo da água em uma correnteza. E, com o chamado “Homem Vitruviano” (referência a Marco Vitruvio Polião, arquiteto romano do século I), demonstrou que o ser humano pode ser uma medida para o mundo.

Mas, onde encontrar as obras do Leonardo naturalista e anatomista? O grande repositório de obras está no Google Arts and Culture, que reúne uma enormidade de dados sobre Leonardo – inclusive, seus códices naturalistas e de anatomia.

📖 Leonardo escritor

Quando pensamos nos escritos de Leonardo, a imagem que salta aos olhos é a da “escrita espelhada” que ele, canhoteiro, usava em todos os seus códices. Essa forma de escrita tão peculiar – para lê-la, era necessário colocar o papel diante de um espelho – não apenas prevenia borrões de tinta pelo arrasto da mão como também era um elemento de preservação da informação.

Mais do que a forma, porém, importava o conteúdo. Não apenas as geniais anotações técnicas e de observação dos fenômenos, mas histórias curtas de fundo moral – em sua maioria, fábulas, que Leonardo também escreveu. Essas histórias, aliás, talvez sejam a parte menos conhecida e menos disponível de sua obra, ao menos no universo digital. Porém, é possível acessá-las em português, na Biblioteca Digital da Unesp – para isto, é preciso fazer uma inscrição gratuita.

💡 Conclusão: Leonardo, educador

A extensão dos conteúdos de Leonardo da Vinci disponíveis na internet (e não contamos, aqui, tudo o que se produziu a respeito dele) mostra seu enorme valor. Leonardo é pop. Mais do que isso, ele espelha o que deve ser a própria ciência: curiosa, investigativa, imaginativa, criadora, protagonista, intencionada, desafiadora de limites. E também, é claro, espelha a arte: simplesmente inigualável.

Todos, elementos almejados e desejáveis pela educação, que inspiram professores e estudantes. Portanto, inspire-se!

Avaliação atualizada: chegaram os novos cadernos de prova do Programa Indica!

O Programa Indica, da Editora Opet, tem um compromisso absoluto com a qualidade da avaliação diagnóstica. Nessa perspectiva, acaba de lançar os novos cadernos de prova do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, que são o núcleo do Programa.

A atualização, explica a coordenadora do Indica, Silneia Chiquetto, é permanente – trata-se de um componente essencial para que o Indica entregue dados precisos às redes públicas e privadas parceiras. “Uma premissa da avaliação diagnóstica é a da atualização – em relação às necessidades das escolas, às mudanças do cenário educacional e à evolução dos estudantes que já se beneficiam das avaliações”, pondera. “Em termos figurados, é como se estivéssemos ‘afiando a ferramenta’ para obter os dados mais precisos para a construção dos planos de intervenção.”

Processo minucioso

A atualização dos cadernos de prova abrangeu a verificação de todos os elementos de suporte das questões, como textos, fotos, ilustrações e quadrinhos. E envolveu autores, editores técnicos e pedagógicos, revisores e iconógrafos.
“Não poupamos esforços. Mobilizamos profissionais com grande conhecimento e que prestam serviço, por exemplo, para o Inep, que organiza as principais avaliações do Brasil, como o Saeb e o Enem”, explica Silneia.

Atualização dos cadernos de prova vale, também, para a versão digital das avaliações. Foto: Editora Opet.

O papel da TRI

Esse trabalho envolveu o elemento-chave das avaliações brasileiras: a produção, análise e processamento dos resultados a partir da Teoria da Resposta ao Item, a TRI.
A TRI é um modelo matemático – e uma metodologia de correção de provas – desenvolvido para tornar a correção mais justa e precisa. Ele foi adotado pelos organizadores do Enem a partir de 2009 (CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS).
“Os itens construídos para correção em TRI passam por critérios rigorosos durante a sua construção, bem como o conjunto de itens que formam a prova. É um trabalho minucioso, que somente profissionais experientes e com muito conhecimento conseguem garantir”, explica Silneia.

O uso da TRI para a construção das questões e a correção das provas torna os resultados ainda mais precisos. Foto: Getty Images.

O olhar dos parceiros

A atualização das provas passou, também, por um validador crítico: as redes parceiras que já adotam as avaliações do Indica. Em muitas delas, os ciclos avaliativos são realizados há anos, o que produziu um olhar ainda mais ajustado paras as necessidades e para as minúcias da aplicação das provas.
“O olhar dos nossos parceiros está em primeiro lugar”, destaca Silneia. “Na atualização dos cadernos, ele foi cruzado com as curvas e as séries históricas de resultados, resultando em avaliações mais próximas e precisas”, observa.

Novos cadernos já estão nas escolas

As novas provas já estão sendo aplicadas. Neste início de junho, por exemplo, estão chegando a uma grande rede parceira, do município catarinense de Xaxim. “Nossa equipe estará lá para dar todo o suporte à aplicação”, conta Silneia.

“Então, vamos ao museu?” Novidades e desafios dos museus do nosso tempo

Visitação ao ônibus espacial Discovery no Smithsonian Institution’s National Air and Space Museum. Foto: Getty Images.

Responda rápido: qual foi a última vez que você esteve em um museu? É bem possível que sua resposta seja “foi há bem pouco tempo”. E essa é uma excelente notícia!

Nos últimos anos, especialmente após a pandemia da COVID-19, as pessoas voltaram a frequentar os museus. No Brasil, segundo dados do Google Trends, as buscas cresceram 22% no ano de 2024 (o mais recente da pesquisa), e a média anual de visitação já supera os 30 milhões de pessoas. E os próprios museus estão na “boca do povo”: MASP, MON, Museu do Amanhã, Museu da Língua Portuguesa, Museu Histórico Nacional, Museu Catavento, Museu Imperial…

Além disso, dados globais mostram que, a cada ano, os cem maiores museus do mundo recebem cerca de 175 milhões de visitantes – e este número está crescendo.

Os museus oferecem um caminho lúdico e instigante de conexão com o conhecimento. Foto: Getty Images.

Mas, por que o interesse das pessoas pelos museus aumentou?

Porque essas instituições se modernizaram, trazendo temas instigantes e oferecendo experiências que vão muito além da imagem “clássica” de peças na vitrine ou de depósitos de patrimônio.

Os museus, enfim, estão mais vivos do que nunca. Valorizando, preservando, compartilhando e construindo História, Ciência, Arte e Conhecimento. Mas há, é claro, desafios que também devem ser conhecidos.

Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza – em homenagem ao Dia Internacional dos Museus, que será celebrado no próximo dia 18 de maio – vamos falar sobre a origem, a evolução e os desafios dos museus.

A visita já vai começar – venha com a gente!

Ciência lúdica: em um museu de ciência é possível interagir com artefatos como o Gerador de Van de Graaff, que acumula eletricidade estática e literalmente “arrepia os cabelos”. Foto: Getty Images.

A coleção do rei

Para muita gente, a primeira ideia que vem à mente quando se fala em “museu” é a de uma coleção de objetos que contam coisas: pinturas, estátuas, múmias, fósseis, moedas, animais empalhados, armaduras, peças religiosas, máquinas e mais. Essa imagem faz todo sentido.

Porque os museus surgiram, de fato, como “coleções para mostrar e contar”. E nasceram há muito tempo, na Antiguidade, em culturas como a mesopotâmica, a egípcia, a grega e a romana.

Detalhe de relevo que mostra as tropas do imperador romano Tito desfilando com tesouros saqueados de Jerusalém. Peças como essas formavam as primeiras coleções. Fonte: Wikipedia.

Os poderosos de então – comandantes militares, reis, imperadores – reuniam grandes botins e queriam compartilhá-los com seus semelhantes, mostrando suas conquistas, o alcance de suas jornadas e até o “estranho e maravilhoso” que ficava para além das fronteiras do próprio reino. Queriam “apresentar o mundo”, demonstrando riqueza e, principalmente, poder.

Essa forma de “ser museu”, aliás, perdurou por muito tempo. No período colonial, impérios como o Espanhol, Francês, Russo ou Britânico faziam exatamente o mesmo. Montavam grandes coleções de peças retiradas de seus domínios e de regiões invadidas, expondo-as, agora, para os pares e, agora, para o povo.

Situado em São Petersburgo, Rússia, o Hermitage possui uma das maiores coleções de arte e etnologia de todo o planeta. Foto: Getty Images.

Visitando o “Gabinete de Curiosidades”

Ao ler os parágrafos acima, você provavelmente ficou com a impressão de que os museus, no início, tinham como grande finalidade mostrar uma visão de mundo ligada a poder e, também, a uma ideia de “nós e eles”, de povos mais civilizados e de povos “exóticos”. E é isso mesmo!

O colecionar, então, era visto como um traço de superioridade sobre aquelas culturas que não colecionavam. Some-se a isso, em tempos mais modernos, a Revolução Científica (do século XVI, com grande expansão nos séculos XVIII e XIX), que gerou um enorme movimento de descoberta, catalogação e publicidade dos achados – animais, insetos, plantas, fósseis, antigos textos, peças arqueológicas etc. Vivia-se, então, entre a realidade do “Gabinete de Curiosidades” e a das primeiras tentativas de catalogar, organizar e mostrar descobertas científicas.

Conchas, pintura, estátuas: detalhe de um “Gabinete de Curiosidades” pintado em 1636 pelo pintor flamengo Frans Francken. Fonte: Wikipedia.

Os primeiros museus modernos

O primeiro museu moderno, aquele que inaugura o que conhecemos como tal, foi o Ashmolean Museum, fundado em 1683 na cidade inglesa de Oxford. Elias Ashmole herdou e assumiu os direitos sobre uma enorme coleção dos naturalistas John Tradescant (pai e filho) e a doou à Universidade de Oxford.

A instituição construiu um edifício para abrigar esse acervo, dando origem ao Ashmolean. Atualmente, o museu segue sendo um dos principais do mundo, com um acervo de mais de um milhão de peças, abrangendo do Antigo Egito ao Japão, passando por obras de Michelangelo, moedas, máscaras funerárias e muito mais.

Ashmolean Museum, em Oxford: o primeiro museu “moderno. Foto: Getty Images.

Outro museu (na verdade, um conjunto de museus) pioneiro e extremamente importante é o do Vaticano, que a partir de meados do século XVIII começou a organizar seu acervo em galerias e abrir estes espaços à visitação. O acervo dos Museus Vaticanos é um verdadeiro tesouro – são 70 mil peças de arte e arqueologia distribuídas em nada menos do que 1.400 salas na própria cidade-Estado do Vaticano!

O terceiro dos museus “fundantes” da Era Moderna é o do Louvre, que passou de coleção real de arte a museu nacional francês em 1793, na esteira da Revolução Francesa. Com 38 mil peças – e um acervo que cresceu muito ao longo da Era Napoleônica e de todo o século XIX –, o Louvre é, atualmente, o maior museu de arte do mundo! Em tempo: é, também, o mais visitado, com cerca de 10 milhões de visitantes por ano (uma média de 27 mil visitantes por dia!).

Outros museus que não podem ficar de fora desta lista de “pioneiros incríveis” são o Hermitage, inaugurado em 1764 na cidade russa de São Petersburgo, o Museu Britânico (fundado em 1753), de Londres, e o Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque (1870). Há, é claro, muitos outros museus magníficos (que vamos listar no final deste artigo), mas os citados são os pioneiros.

O “pulo do gato” dos museus

O século XX e as primeiras décadas do século XXI trouxeram grandes novidades. Estamos falando do cinema, da tevê, do rádio, da computação e de avanços extraordinários nas técnicas da indústria gráfica. Todas essas novidades, todas essas tecnologias, refluíram para os museus a partir do momento em que eles mudaram de paradigma.

E que mudança foi essa? Eles deixaram apenas de “mostrar acervos” de forma acrítica e passaram a envolver os visitantes em experiências mais profundas, comunicacionais e sensoriais. O museu, enfim, deixou de ser o “Gabinete de Curiosidades” e passou a oferecer uma experiência viva, que comunica o acervo e vai além.

As coleções dos museus colocam as pessoas em contato com elementos materiais da História. Foto: Getty Images.

Essa mudança se conecta a uma transformação na museologia, que, especialmente a partir dos anos 1960 e 1970, caminhou para oferecer algo diferente e encantador. Mudanças na arquitetura dos prédios, exposições que caminham para fora do espaço museológico, temas e acervos voltados a públicos específicos como as crianças, oferta de experiências científicas (no caso dos museus de ciência e tecnologia) e interações digitais “romperam a vitrine” do passado e colocaram os acervos mais perto das pessoas. Essas mudanças, que efetivamente promoveram um retorno das pessoas aos museus, também foram importantes para o financiamento das próprias instituições – todas elas têm gastos importantes com a conservação, a pesquisa e a expansão dos acervos.

Museus que se mexem!

Muito bem: você quer exemplos de museus modernos e altamente interativos? Vamos a eles! O paulistano Museu da Língua Portuguesa, com suas muitas experiências interativas dentro do nosso idioma, é um deles. O Museu de História Natural de Nova York (AMNH), com seu teatro imersivo 360° e aplicativos de realidade aumentada que “dão vida” a dinossauros extintos, é outro. No campo da tecnologia, merecem destaque o Deutsches Museum, de Munique (Alemanha) – o mais antigo museu do gênero no mundo, fundado em 1903 –, e o Seoul Robot & AI Museum (RAIM), inaugurado em 2024 – o primeiro museu do mundo dedicado à robótica e à IA.

Nosso Museu Nacional, atualmente em fase final de reconstrução – fundado em 1818, ele foi destruído por um incêndio devastador em 2018 –, também promete estar entre os mais importantes e interativos do mundo. E por quê? Porque, entre seus desafios, estão atrair público e, especialmente, recuperar e recontar a história das peças destruídas – algo que só será possível pela soma entre pesquisa de alta qualidade e entrega digital precisa.

E os desafios?

Mas, como fazer isso? A resposta a esta pergunta pode representar um novo salto para os museus. Há, porém, desafios importantes. O primeiro: levar essa transformação para um número muito maior de instituições. Para além dos grandes museus, afinal, há dezenas de milhares de outros que, muitas vezes, ainda reproduzem o modelo “Gabinete de Curiosidades”. Apenas para se ter uma ideia: no Brasil há 4.024 museus cadastrados no Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) – muitos, em especial os das cidades menores, ainda não “deram o salto” de qualidade.

Outro desafio, monumental, diz respeito ao repensar dos governos e das gestões dos museus em relação aos seus acervos. Na medida em que muitas coleções foram construídas no período colonial – em muitos casos, a partir de saques, confiscos e compras ilegais –, há uma questão séria que envolve a titularidade dos acervos e a necessidade de repatriação de peças.

Apenas para ficar em alguns exemplos, entre os acervos “problemáticos” estão coleções associadas às religiões e religiosidades de povos originários (como objetos rituais e até restos humanos de grupos indígenas americanos), peças saqueadas em guerras e relíquias arqueológicas como os bronzes do Benin, África (hoje, em vários museus), os frisos do Parthenon, em Atenas (atualmente no Museu Britânico), o busto da rainha egípcia Nefertiti (atualmente no Neues Museum, em Berlim) e a Pedra de Rosetta (peça-chave na decifração dos hieróglifos egípcios, hoje no Museu Britânico).

Mas, não seria simples apenas repatriá-los, devolvendo-os às sociedades de origem? Sim e não. Se, por um lado, já há movimentos importantes nesse sentido – como a entrega, ao Brasil, de mantos tupinambás em penas de guará (do século XVII) que estavam no Museu Nacional da Dinamarca –, por outro há questões econômicas envolvidas. Peças como o busto de Nefertiti, por exemplo, são “estrelas” que atraem milhares de pessoas do museu. Sem contar o risco, que não deve ser desprezado, de as peças retornarem a lugares sem capacidade de conservar e mostrar os acervos. Algo que, em tese, poderia ser resolvido por uma expansão dos museus e da cultura museológica, o que demanda investimentos e interesse político.

Conclusão

Neste artigo, pudemos perceber como os museus evoluíram. E evoluíram, em essência, porque refletem a evolução das sociedades e da tecnologia. Esse processo, porém, também marca conflitos que cresceram nas últimas décadas. O maior deles, o do respeito às culturas do mundo e à necessidade de promoção da interculturalidade nas relações entre os povos. Outro desafio é o da democratização desse novo modelo, que deve alcançar os milhares de museus do mundo e não apenas as grandes instituições.  

Se conseguirmos dar esse salto, os museus – esses espaços vivos de memória e descoberta – terão, de fato, encontrado o caminho para o futuro. Um passo importante nesse sentido é o interesse das pessoas pelos seus museus. Assim, deixamos o convite: vá aos museus! Prestigie o museu da sua cidade!

O Museu do Palácio Nacional, em Taipei, possui uma das maiores coleções de arte e História da China de todo o mundo. Foto: Getty Images.

Museus para conhecer:

O mundo possui milhares de museus, e muitos deles são simplesmente sensacionais. Abaixo, listamos apenas alguns deles que podem ser conhecidos pela internet:

Hermitage Museum, São Petersburgo

Instituto Inhotim, Brumadinho, Minas Gerais

Metropolitan Museum of Art (MET), Nova Iorque

Museo Nacional del Prado, Madrid

Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo

Museu Britânico, Londres

Museu da Acrópole, Atenas

Museu de História Natural (AMNH), Nova Iorque

Museu do Louvre, Paris

Museu Imperial, Petrópolis, Rio de Janeiro

Museu Nacional, Rio de Janeiro

Museu Oscar Niemeyer (MON), Curitiba

Museus do Vaticano, Roma

National Palace Museum, Taipei, Taiwan

New York Hall of Science (NYSCI), Nova Iorque

Novo Museu Egípcio, Cairo

Smithsonian National Air and Space Museum, Washington

Tate Modern, Londres

A importância das formações pedagógicas para a qualidade da educação nas redes municipais

Formação de professores em Chapecó: o objetivo das formações é oferecer uma experiência integral, que se reflita nas ações docentes em sala de aula. Foto: Editora Opet.

As formações pedagógicas desempenham um papel central nas parcerias da Editora Opet com os municípios. Por meio delas, no diálogo e na construção conjunta do conhecimento, os professores conseguem acessar e desenvolver os melhores usos dos materiais e recursos educacionais. E os gestores, avançar no fortalecimento da educação. Com intencionalidade, olhar crítico e troca de experiências. O resultado? O fortalecimento da aprendizagem e o desenvolvimento integral das crianças e dos estudantes!

Nas últimas semanas, os assessores pedagógicos da Editora estiveram em municípios do Paraná, Ceará, Santa Catarina, Mato Grosso e Minas Gerais para mais um ciclo de formação continuada. Esses encontros fortalecem a parceria com as redes municipais, promovendo reflexão qualificada sobre práticas pedagógicas e o uso assertivo dos materiais e soluções Opet, sempre com foco na potencialização dos resultados educacionais. A seguir, destacamos o trabalho desenvolvido em três redes municipais.

🫶 Astorga: encontro com 400 profissionais de Educação

Em Astorga, município parceiro Opet na região norte do Paraná, a formação – com o atendimento do supervisor regional Fernando Corrêa – aconteceu nos dias 13 e 14 e envolveu nada menos do que 400 profissionais de Educação, entre professores e gestores, além das famílias dos estudantes – que participaram de um Encontro com Familiares (EFAM).

Entre os atendimentos, uma palestra com a pedagoga e professora Gabriela Menezes sobre o tema “Educação inclusiva na prática: estratégias possíveis para o cotidiano pedagógico com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”.

Educadores na palestra “Educação inclusiva na prática: estratégias possíveis para o cotidiano pedagógico com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”, com a professora Gabriela Menezes. Foto: Editora Opet.

“Foi excelente! A palestrante foi perfeita em sua apresentação e o conteúdo foi exatamente o que esperávamos. Os professores elogiaram muito”, diz a secretária municipal de Educação de Astorga, Graziella Cavallari. Em relação ao trabalho desenvolvido pela Opet no município, Graziella destaca a presteza e a qualidade no atendimento pelos assessores e supervisores. “Temos uma equipe sempre muito próxima e muito presente para atender as nossas demandas”, sintetiza.

🤝 Aquiraz: gestão escolar para a equidade

O município mais antigo do Ceará – e, também, sua primeira capital –, Aquiraz é um parceiro estratégico da Editora Opet. Lá, o trabalho também foi realizado nos dias 13 e 14, envolvendo 85 professores dos primeiros e segundos anos do Ensino Fundamental, os 56 diretores das escolas do município e os superintendentes da secretaria de Educação.

Professores de Aquiraz durante a formação: o foco, aqui, foi na educação socioemocional. Foto: Editora Opet.

No caso dos diretores, como explica o supervisor regional Glaylson Rodrigues – responsável, na Editora, pelo atendimento –, foi organizado um fórum especial com o tema “Gestão escolar para a equidade: estratégias para a redução das desigualdades educacionais”, apresentado pela coordenadora pedagógica Rúbia Cristina da Costa, da Editora Opet. O secretário pedagógico de Aquiraz, Pedro Lioba, se disse entusiasmado com o trabalho desenvolvido com os gestores. “Só posso dizer que a formação impactou positivamente na rede de ensino.”

📈 Chapecó: parceria histórica pela educação
Localizado no Oeste de Santa Catarina, Chapecó é parceiro da Editora Opet há vários anos, com foco na aprendizagem e no desenvolvimento integral das crianças e dos estudantes.
Na rede municipal, o primeiro ciclo formativo do ano começou no dia 20 de março, com os professores. A formação envolveu nada menos do que 700 educadores de todos os componentes da Educação Básica e da Educação Especial. Os professores de Arte, Ciências, Geografia, História, Língua Inglesa, Língua Portuguesa, Matemática, Educação Física e Educação Especial puderam se aprofundar nas possibilidades de uso dos materiais didáticos e dos recursos educacionais digitais.

Iniciado em março, ciclo formativo em Chapecó envolveu mais de 700 professores e 360 gestores e integrantes das equipes da SME. Foto: Editora Opet.

No período de 14 a 17 de abril foi a vez dos cerca de 360 gestores e integrantes da equipe técnica da secretaria de Educação. O foco foi em um tema que ganha cada vez mais importância no contexto educacional: a Inteligência Emocional, mas voltada à gestão de pessoas e situações na escola.

Por fim – mas não menos importante –, no último dia 23 a formação teve como público os professores da Educação Infantil que atuam com a Língua Inglesa. Essa formação foi conduzida pela professora Vera Rauta, uma grande especialista. O tema – “A Língua Inglesa na Educação Infantil: quando a língua adicional dialoga com a infância” – buscou aproximar o idioma da vivência das crianças.
“Chapecó se destaca pelo alto nível de organização e engajamento, desde o planejamento pela equipe da SEDUC até a participação dos educadores”, avalia Marina Kalinowski, supervisora regional da Editora responsável pelo atendimento. “A dedicação de todos faz a diferença no dia a dia das escolas e contribui para fortalecer os resultados da rede municipal de ensino.”

Formações pedagógicas movimentam redes em MG, PR e SC

Turma de gestores da SME de Xaxim, Santa Catarina, na formação pedagógica desta semana.

O trabalho pedagógico e de aproximação com a comunidade não para: nas últimas semanas, o time pedagógico da Editora Opet esteve em campo para mais uma série de encontros com professores, gestores e familiares de estudantes dos municípios parceiros. Como os que aconteceram em Caxambu, no sul de Minas Gerais, Santa Mariana, no norte pioneiro do Paraná, e Xaxim, no oeste de Santa Catarina.

São ações formativas estratégicas, planejadas com cuidado pela Editora e que permitem o fortalecimento do trabalho docente e de gestão para a construção conjunta do conhecimento, a aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional dos estudantes. São ações, também, de aproximação em relação às famílias pelo desenvolvimento da educação.

Caxambu (MG): Receptividade e Participação

Em Caxambu (MG), o encontro aconteceu nos dias 30 e 31 e envolveu cerca de 50 professores da Educação Infantil 5 e do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental. O foco foi dado às coleções “Entrelinhas para Você” (Educação Infantil) e “Caminhos e Vivências”, utilizadas pela rede municipal de ensino.

“Ficamos muito felizes com a formação. Os professores de Caxambu são, sempre, muito receptivos à nossa equipe. Eles são participativos e afetuosos”, conta a supervisora regional Jessica Soares, responsável pela formação na Editora Opet.

As professoras Thaianny Diniz Nogueira, chefe de Central da Educação Infantil, e Mayara Resende da Silva, chefe de Central do Ensino Fundamental da secretaria municipal de Educação de Caxambu, coordenaram o trabalho formativo pelo município.

“Os encontros foram de extrema importância, especialmente por marcar o ano de implantação do sistema no município”, explica Thaianny. “Com a formação, os professores tiveram a oportunidade de trocar experiências, esclarecer dúvidas e participar de oficinas enriquecedoras.”

Ela observa que momentos assim são fundamentais para um trabalho de excelência, que amplia a experiência e o suporte aos docentes, contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade do ensino oferecido aos alunos.

Sobre a experiência com a Editora Opet, as coordenadoras observam que ela tem sido muito satisfatória. E destacam a disponibilidade da equipe de formadores, que apoia e contribui para a educação municipal. “Os materiais e recursos contribuem para o processo de ensino e aprendizagem dos alunos, permitindo que o corpo discente avance de forma contínua”, comenta Thaianny.

Santa Mariana (PR): Comunidade Presente

Em Santa Mariana (PR), o trabalho – coordenado na Editora pelo supervisor regional Fernando Corrêa – aconteceu nos dias 31 de março e 01º de abril. E envolveu cerca de 150 profissionais entre professores, gestores e equipe técnica da secretaria.

No caso dos docentes, participaram todos os da Educação Infantil (1 a 5), do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) e dos componentes de Arte e Educação Física. Foram várias oficinas envolvendo temas relacionados aos segmentos atendidos em conexão com as coleções “Entrelinhas para Você” e “Caminhos e Vivências”.

No município também foi realizado um Encontro com Familiares (EFAM), que reuniu a comunidade para a palestra “Família Presente: cuidar, educar e proteger crianças em um mundo de relações, emoções e desafios”. A ação foi conduzida pela assessora pedagógica Jussara Moreschi, da Editora Opet.

Os EFAM são momentos essenciais das parcerias da Editora com os municípios. Eles materializam e fortalecem um princípio do trabalho – a aproximação entre a família e a escola pelo desenvolvimento integral das crianças e dos estudantes.

Xaxim (SC): Momentos Formativos Fundamentais

No município de Xaxim, a formação, que começou ontem e segue hoje (08 e 09 de abril), envolve 40 gestores e integrantes da equipe técnica da secretaria. Eles participam de oficinas com os temas “Educação integral e educação em tempo integral”, “Diversidade escolar e diversidade na escola”, “Práticas de atualização e escrita do PPP” e “Inteligência emocional na gestão da escola”.

Na rede municipal, o trabalho formativo com os professores aconteceu um pouco mais cedo, em fevereiro. E envolveu nada menos do que 290 professores – profissionais da Educação Infantil 4 e 5, do Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º a 5º ano + Ciências, Arte e Educação Física) e Anos Finais (Língua Portuguesa e Língua Inglesa, Matemática, História, Geografia, Ensino Religioso, Educação Física, Ciências e Arte).

Na ocasião, a programação abrangeu várias oficinas, sempre com foco nos materiais didáticos – como as coleções “Entrelinhas para Você” e “Caminhos e Vivências”, da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – e em temas de interesse para o dia a dia dos professores na escola.

Na avaliação do secretário municipal de Educação de Xaxim, Gildomar Michelon, momentos formativos como os promovidos para professores e gestores são fundamentais. “Investir em capacitação é investir na qualidade do ensino e no futuro dos nossos alunos. Estamos sempre em busca de novas estratégias que possam contribuir com o desenvolvimento da nossa educação municipal.”

(*) – Fotos: Editora Opet

(**) – Com informações complementares (Xaxim) de “Lê Notícias”.

Formações pedagógicas de março marcam o início do ano letivo nas redes municipais

A assessora pedagógica Daniele Pires Dias, da Editora Opet, com professores na formação de Campos de Júlio (Foto: SMCS/Campos de Júlio)

Março ocupa um lugar central na organização do trabalho pedagógico nas redes municipais de ensino. Com o início efetivo do ano letivo, crianças, estudantes e professores passam a consolidar, em sala de aula, os primeiros movimentos do processo de aprendizagem. 

Esse também é um período intenso para a equipe de assessores e supervisores pedagógicos da Editora Opet, que percorre diferentes regiões do país promovendo formações pedagógicas. Nos últimos quinze dias, os profissionais estiveram nas redes municipais de Corumbiara e Cerejeiras, em Rondônia; Conquista D’Oeste e Campos de Júlio, em Mato Grosso; São Lourenço e, na sequência do calendário, Itabirito e Pouso Alto, em Minas Gerais; Barra Velha, em Santa Catarina; e Diamante do Norte, Turvo e Douradina, no Paraná. A programação também inclui Pimenteiras do Oeste, em Rondônia. Ao longo desse percurso, centenas de professores e gestores participam das atividades formativas. 

Corumbiara

Em Corumbiara, no sul de Rondônia, a formação foi realizada nos dias 9 e 10 de março, reunindo professores que atuam com as coleções Entrelinhas para Você e Caminhos e Vivências. Além da abordagem dos materiais didáticos, a programação contemplou reflexões sobre os temas “Experiências de Aprendizagem Vivas e Significativas”, voltado à Educação Infantil, e “Práticas Pedagógicas: Transformando possibilidades em realidade para o professor”, direcionado ao Ensino Fundamental. 

Em Corumbiara, com os professores do 4º e 5º ano (Foto: Editora Opet)

Na avaliação da professora Fabiana Ramos, assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, a parceria estabelecida com a Editora Opet ao longo dos últimos seis anos tem contribuído para resultados significativos na rede. “Nas formações do primeiro semestre, que envolveram os professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, tivemos momentos importantes de discussão, trocas e compartilhamento de conhecimentos”, pondera. 

Campos de Júlio

No oeste de Mato Grosso, o município de Campos de Júlio vem acumulando reconhecimento pelos resultados alcançados na Educação Básica. No último dia 18, recebeu premiação no 5º Prêmio Alfabetiza MT, iniciativa estadual que valoriza municípios com destaque na alfabetização na idade certa. A rede obteve desempenho expressivo nos quintos anos do Ensino Fundamental e conquistou o “Selo Prata – Porte 2”, categoria destinada a municípios com 51 a 199 estudantes avaliados.

No ranking estadual, alcançou a 21ª colocação entre 70 municípios, com 455 pontos em Língua Portuguesa e Matemática, ficando a quatro pontos do Selo Ouro. O município também recebeu o Selo Ouro no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), coordenado pelo MEC.

Parte desse trabalho é desenvolvida com o apoio da Editora Opet. No município, a formação ocorreu nos dias 12 e 13 de março e reuniu cerca de cem professores. As atividades envolveram o aprofundamento nos conteúdos das coleções Entrelinhas para Você, Caminhos e Vivências e Ser e Viver Cidadania. Também foram trabalhados os temas “Experiências de Aprendizagem Vivas e Significativas”, na Educação Infantil; “Práticas pedagógicas: leitura, aprendizagem e descobertas”, para 3º e 4º anos; e “Práticas pedagógicas: transformando possibilidades em realidade para o professor”, voltado ao 5º e 6º anos. 

As formações, como esta, em Campos de Júlio, envolvem descontração, diálogo e uma participação intensa dos docentes (Foto: SCMS/Campos de Júlio).

Para a professora Odila Nelci Krampe Donat, assessora pedagógica da rede municipal, a formação fortalece o trabalho desenvolvido nas escolas. “O material didático da Editora Opet está alinhado às diretrizes do Estado e contribui para a organização do trabalho docente”, observa. “A formação continuada também tem papel relevante, principalmente pelas oficinas práticas, que favorecem a aplicação no cotidiano escolar. Além disso, o envolvimento das famílias, por meio de orientações e palestras, fortalece a relação entre escola e responsáveis.” 

Odila também destaca a importância das ações desenvolvidas no âmbito do Programa Indica, oferecido pela Editora Opet para avaliação diagnóstica da aprendizagem. “Ele traz dados consistentes, permitindo identificar fragilidades e direcionar intervenções de forma mais assertiva, contribuindo para a melhoria dos resultados de aprendizagem.” 

Turvo

No centro do Paraná, o município de Turvo mantém uma parceria histórica com a Editora Opet. As atividades de formação pedagógica foram realizadas nos dias 11 e 12 de março. A programação incluiu ainda um Encontro com Familiares (EFAM) de crianças da Educação Infantil (4 e 5 anos), coordenado pela secretária municipal de Educação, Silvane Rickli Horst Schneider, e pela coordenadora pedagógica Dimarilda do Nascimento. O EFAM teve como tema “Família Presente – Cuidar, educar e proteger crianças em um mundo de relações, emoções e desafios”, conduzido por Elisangela Vieira, assessora pedagógica da Editora. 

As formações da Editora sempre incluem momentos “mão na massa”, em que os professores trabalham com recursos que podem levar à sua prática em sala de aula (Foto: SMCS/Turvo).

No caso da formação pedagógica, as atividades abrangeram a Educação Infantil, com a realização de oito oficinas, sendo quatro para cada nível de ensino.

Na avaliação da secretária municipal de Educação, Silvane Schneider, a formação pedagógica é fundamental para o ano letivo. “Por meio dela os professores ampliam seus conhecimentos, refletem sobre suas práticas e alinham metodologias às necessidades reais dos alunos”, observa. “A formação continuada fortalece a segurança do professor em sala de aula, promove a troca de experiências entre os profissionais e contribui diretamente para a qualidade do ensino ofertado na rede municipal.”

Ela destaca a importância dos Encontros com Familiares, que fortalecem a parceria entre escola e família – essencial para o processo de aprendizagem. “Quando a família participa da vida escolar, os resultados são visíveis no comportamento, no interesse e no desenvolvimento das crianças”, reflete. “Esses momentos de diálogo aproximam a comunidade escolar e geram resultados efetivos, tanto no acompanhamento pedagógico quanto na formação integral dos estudantes.”

Educação em Movimento! Formações Opet em fevereiro reúnem cinco mil educadores

Fevereiro é um mês estratégico para as formações pedagógicas. Aqui, momento formativo em Água Boa, Mato Grosso. Crédito/foto: SMCS/Água Boa.

As formações pedagógicas são um momento essencial da parceria da Editora Opet com os municípios. Nelas, é possível aprofundar os conhecimentos e o “saber fazer” com as coleções e ferramentas educacionais. Mais do que isso, as formações permitem construir a educação de forma conjunta, no diálogo e na percepção das questões e características únicas de cada rede de ensino.
Neste início de ano letivo, as formações brilham ainda mais. Elas marcam o “tiro de largada” de um trabalho que começou meses antes, com o planejamento e a preparação das equipes da Editora e dos municípios. Verdadeiro tempo de “pé na estrada”, que leva os formadores pedagógicos da Editora a todas as regiões do país.

Nos últimos dias, por exemplo, mais de cem formadores da Editora estiveram em nada menos do que 18 municípios no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Minas Gerais, para trabalhar com mais de cinco mil professores e gestores. Um trabalho que segue pelas próximas semanas e ao longo de todo o ano, nas formações que envolvem o uso dos materiais didáticos, ferramentas e recursos educacionais, e também discussões sobre temas de interesse da educação.

✔️ Santana de Parnaíba

Uma das cidades mais antigas do Brasil é, também, um dos parceiros mais tradicionais da Editora Opet. Situada na região metropolitana de São Paulo, Santana de Parnaíba se destaca na educação em rankings como o Connected Smart Cities, tendo ficado na primeira posição do país no quesito “Educação” no ano passado.

Formações ampliam o repertório dos professores para o uso dos materiais didáticos. Foto: SMCS/Santana de Parnaíba.

Lá, nos dias 19 e 20 de fevereiro, a formação envolveu 2.284 professores e gestores, com foco em todos os níveis da Educação Básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio (que também é abrangido pela rede municipal de ensino). “Nossa parceria com Santana de Parnaíba já chega a uma década e vem se consolidando e se aprofundando ano a ano”, avalia o supervisor regional Fernando Correa, da Editora Opet.
“Neste ano, por exemplo, pudemos observar um engajamento ainda maior dos professores e dos gestores, um compartilhamento e uma troca de experiências em educação. E isso tem muito a ver com a organização feita pela equipe da Secretaria para as formações continuadas, que é muito boa. São três polos grandes, que a cada ano otimizam as atividades”, observa.

✔️Alicerce Estratégico
Para o diretor de Ensino de Santana de Parnaíba, professor Cleber Aparecido Martinelli Hernandes, a formação dos dias 19 e 20 é o alicerce estratégico para o sucesso do ano letivo de 2026. “Ela permite o alinhamento pedagógico de toda a rede municipal neste momento de contato direto com os estudantes”, observa. “Começar o ano com esse planejamento coletivo é fundamental para garantir que todos os professores estejam em sintonia com as metas educacionais da cidade, promovendo segurança metodológica e um ambiente motivador, que reflete diretamente na qualidade do aprendizado desde o primeiro dia de aula.”

Sobre a parceria com a Editora Opet, o diretor a avalia como um pilar de inovação para Santana de Parnaíba. “Ela oferece um sistema de ensino que integra materiais didáticos de excelência, alinhados à BNCC, com um suporte pedagógico contínuo aos nossos docentes. Essa colaboração fortalece a relação entre escola e família e fornece ferramentas modernas que potencializam o desenvolvimento integral dos estudantes, consolidando nossa rede como uma referência em educação pública de qualidade.“

Grupo de formadores do Polo Imídeo junto aos Supervisores da SME de Santana de Parnaíba. Foto: Editora Opet.

✔️ Água Boa

Outro exemplo significativo desse trabalho formativo vem de Água Boa, município situado na região do vale do rio Araguaia, no oeste de Mato Grosso. Lá, a primeira formação também aconteceu nos dias 19 e 20 de fevereiro, dentro da Jornada Pedagógica 2026. Entre os temas abordados estiveram práticas pedagógicas, leitura e aprendizagem, inclusão escolar, planejamento e avaliação, inovação no processo de ensino-aprendizagem, além do fortalecimento da atuação dos profissionais que contribuem diretamente para a organização e o funcionamento das unidades escolares.

Uma das turmas de professores na formação de Água Boa. Foto: SMCS Água Boa.

Lá, como explica a supervisora regional da Editora Opet, Claudia Dalabona, o trabalho envolveu 200 professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, além de gestores e docentes especialistas. “Foi um momento incrível. Leve, acolhedor, com muitas trocas de experiências e, principalmente, com o fazer, o ‘mão na massa’ que é tão importante para o trabalho que vai seguir por todo o ano”, explica. Claudia destaca a proatividade e o engajamento dos professores. “É muito bom trabalhar com pessoas que não se limitam a ouvir e participam de cada momento, formando uma verdadeira comunidade de aprendizagem – isto é essencial.”

Em sua cobertura da Jornada Pedagógica, a Secretaria Municipal de Educação reforçou que “investir na formação continuada é investir no futuro de Água Boa, garantindo uma educação cada vez mais eficiente, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento dos alunos”.

Durante as formações, as coleções são examinadas em detalhes no contexto do processo de ensino-aprenmdizagem. Foto: SMCS Água Boa.

Ano letivo começa com formações pedagógicas em diferentes regiões do país!

Com o início do ano letivo nas redes de ensino de todo o Brasil, a equipe pedagógica da Editora Opet intensifica sua atuação junto aos municípios parceiros. É tempo de “pé na estrada”, com palestras e formações pedagógicas que marcam o início do trabalho formativo de 2026 – um trabalho que segue pelas próximas semanas!

📍 No dia 19 de janeiro, com o apoio da Editora Opet, os educadores de Cocalinho (MT) participaram da palestra do psicanalista João Hilton, realizada durante a abertura da Semana Pedagógica do município. Com o tema “Comunicação Assertiva e Gerenciamento Emocional”, o encontro promoveu momentos de escuta, diálogo e reflexão sobre as relações no contexto educacional.

Em Cocalinho, a palestra foi com o psicanalista João Hilton. Foto: SME

📍Já no dia 26, foi a vez dos professores e gestores de Aquiraz (CE) receberem a coordenadora pedagógica da Editora Opet, Rúbia Cristina da Costa. Em sua fala, ela abordou o tema “Equidade, inovação e responsabilidade social na educação: desafios atuais para a promoção de aprendizagens significativas”, destacando o papel da escola na construção de práticas pedagógicas mais justas e alinhadas às demandas contemporâneas.

A coordenadora Rúbia Cristina na palestra e com a equipe da SME de Aquiraz.

📍No dia 28, durante a abertura da Semana Pedagógica de Varginha (MG), também com o apoio da Editora, os educadores participaram da palestra “Antes de tudo, um coração”, ministrada pelo cantor Rafinha Acústico – ele trouxe uma abordagem sensível e inspiradora sobre o cuidado com as emoções no ambiente escolar.

Em Varginha, os participantes da semana pedagógica participaram de uma palestra cultural com Rafinha Acústico. Foto: Divulgação.

📍As formações pedagógicas seguem nos dias 29 e 30 de janeiro nos municípios de Varginha e Andradas (MG), Figueirópolis do Oeste (MT) e São Sebastião da Amoreira (PR). Para Fernanda Gonçalves, coordenadora pedagógica regional da Editora Opet, esse momento inicial é fundamental para o desenvolvimento do trabalho ao longo do ano.

“Esse momento formativo inicial é estratégico para o trabalho de todo o ano. Nossa equipe planejou e se preparou muito para o trabalho com professores e gestores. Agora, colocamos a parceria em prática”, destaca.

E essa é apenas a primeira etapa da jornada formativa de 2026. Nas próximas semanas e ao longo de todo o ano, a Editora Opet seguirá acompanhando e apoiando seus municípios parceiros, reafirmando o compromisso com a formação docente e a qualidade da educação.

#EducaçãoHumaniza: a origem das universidades

“Universidade”: quando a gente lê a palavra, pensa imediatamente em ensino superior. E é isso mesmo: ela é o lugar para a formação especializada em uma infinidade de áreas, da Geologia à Medicina, da TI à Pedagogia, e até em “zonas do conhecimento” que, neste exato momento, estão sendo imaginadas!

Universidade também é o lugar do encontro de pessoas para a troca e a construção de conhecimentos, de olho no desenvolvimento da civilização. Uma criação humana notável, que tem tudo a ver com a ideia de que a Educação Humaniza, mote da Editora Opet para 2026. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, investigamos o surgimento das universidades. Venha com a gente!

O nome universidade tem a ver com universo?

A resposta é sim: universidade vem do termo latino universus, formado por unus (um) e versus (voltado para), gerando a ideia de algo “voltado para o todo”, capaz de abranger o conjunto das coisas.

Ou seja, universo é o conjunto de tudo o que existe e que é percebido assim, em conjunto, em suas conexões. E isso nos permite entender porque, na Astronomia, ele é usado para identificar o espaço sideral, a matéria, a energia e o tempo.

Esse é um começo instigante. Mas, como a palavra acabou identificando o que, hoje, conhecemos como universidade? A ideia de um lugar voltado a todos os saberes é boa e faz muito sentido. Para chegar mais perto de uma conexão com seu início histórico, porém, é preciso voltar no tempo, mais exatamente para a Idade Média ocidental, que é quando o termo começou a ser utilizado nesse sentido. 

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“Universitas magistrorum et scholarium”

Essa é a resposta! Na Europa, por volta do século XI – na passagem da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média, em áreas de países como França, Itália e Alemanha – essa expressão era utilizada para identificar os primeiros grupos modernos ocidentais especializados em trocar e produzir conhecimentos.

“Universitas magistrorum et scholarium” significa, exatamente, o “conjunto (universitas) de professores (magistrorum) e estudantes (scholarium). Eureka! 

Mas, voltemos a esses grupos. Por que eles se reuniam? E como eles conseguiam se manter?

A ideia de um grupo de especialistas transmitindo conhecimentos tem suas raízes na própria Baixa Idade Média – período que antecedeu a Idade Moderna – e no ressurgimento das cidades e do comércio. 

Um começo “corporativo”

Ela tem tudo a ver com as corporações de ofício (de alfaiates, sapateiros, ferreiros, carpinteiros, pedreiros, marceneiros, padeiros, etc.), mas com um objeto um pouco diferente. Se as corporações se organizavam para fornecer conhecimentos técnicos e padrões para a produção de bens materiais e serviços, no caso das universidades o foco era outro. Mais exatamente, os do Direito, Medicina, Filosofia e Teologia – áreas de saberes “imateriais”, mas tremendamente relevantes para a vida das sociedades porque conectadas à organização e à gestão do Estado (naquele momento, os Estados modernos estavam começando a aparecer).

​A arte da gestão

O valor do que esses grupos produziam, a importância que possuíam, nos permite entender quem os financiava. Vale lembrar que seus conhecimentos não geravam ganhos diretos como os produzidos pela venda de uma espada ou a construção de uma igreja; porém, eram muito importantes porque permitiam aos mandatários fortalecer a arrecadação de impostos, armar exércitos para financiar guerras, relacionar-se com as grandes casas bancárias (que já existiam), firmar acordos diplomáticos e de casamentos reais, encontrar dinheiro para os gastos pessoais dos reis, justificar estes gastos…

As universidades eram bancadas pelas próprias cidades (burgos), pelos reis que começavam a aparecer depois de um longo período de feudalismo, pela Igreja (que detinha a maior parte do conhecimento letrado no Ocidente) e, também, por pessoas de posses – burgueses e pequenos nobres – que, estrategicamente, queriam formar seus filhos para as “profissões do futuro” daquele momento.

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Mas, quais foram as primeiras universidades?

Resposta na ponta da língua: as primeiras universidades são as de Bolonha, na Itália (fundada em 1088), Oxford, na Inglaterra (cerca de 1096), e Paris (cerca de 1150).

Ótimo! Só que não! Isso porque elas são as primeiras e, ao mesmo tempo, não são! 

Como assim?! Elas foram, efetivamente, as primeiras, porém dentro dos limites da cristandade de então, ou seja, nos territórios do Velho Mundo de maioria cristã – mais exatamente, as Europas Ocidental e Central. 

Dito isso, podemos chegar a universidades ainda mais antigas, que funcionam até hoje. São duas: as de Al-Qarawiyyin, situada em Fez, no Marrocos (fundada em 857), e Al-Azhar, no Cairo, Egito (fundação: 988). 

O que essas instituições têm em comum? Elas nasceram em países de maioria islâmica. Na Idade Média, vale observar, boa parte dos conhecimentos antigos – gregos e latinos –, assim como novas investigações (nos campos que viriam a produzir a Química, a Biologia, a Astronomia e a Medicina), foram preservados e cultivados pelos povos islâmicos. 

No caso dos conhecimentos religiosos, é interessante pontuar que, no Islã, eles se aproximam das leis civis; o que significa dizer que, neste contexto, as figuras e o papel do clérigo e do advogado muitas vezes se misturavam.

As universidades, porém, não ficaram só nos limites das ciências “imateriais”. É o que vamos ver a seguir.

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Reis, fortalezas… conhecimento e poder

A chegada da Idade Moderna – marcada, em termos esquemáticos, pela conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos no ano de 1453 – trouxe à Europa o fim do feudalismo e o nascimento dos Estados Modernos. 

Iam saindo de cena os feudos e entrando em cena os reinos (e, depois, os impérios). Com eles, nesse grande movimento, também vieram tecnologias decisivas como as da pólvora e da bússola, vindas da China e convertidas em grandes ferramentas de poder. Os interesses de comércio “destravaram” as navegações, aumentando muito seu alcance e gerando a Era Colonial ou “dos Impérios” (Portugal, Espanha, Reino Unido, França).

As universidades, então, se expandem para outras áreas bem mais “materiais”, como as de Engenharia de Fortificações, Metalurgia e Balística (para se alcançar o uso mais eficiente dos canhões), Astronomia e Cartografia. 

Muitas vezes, inclusive, esses centros de ensino eram exclusivamente voltados a essas áreas, e se aproximavam de exércitos que também iam se profissionalizando. Três exemplos: a Academia Militar de Turim, Itália, fundada em 1678, a École du Génie de Mézières, nas Ardenas, França (de 1748), e a Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, em Lisboa, Portugal (1790). 

​Em certa medida, é possível afirmar que muitos dos atuais centros de pesquisa associados à formação de oficiais – como os nossos Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e Instituto Militar de Engenharia (IME) – são herdeiros diretos dessas instituições pioneiras. 

Da mesma forma, também é possível associar as antigas “universidades militares” às atuais universidades politécnicas, voltadas à formação de engenheiros e outros profissionais de ciências exatas. O saber técnico-militar abriu caminho para o saber científico-industrial. A primeira universidade politécnica, aliás, nasceu no calor da Revolução Francesa, na passagem para a Idade Contemporânea: estamos falando da École Polytechnique de Paris, fundada em 1794 para formar engenheiros e cientistas em áreas aplicadas.

O sucesso político, econômico e militar global das potências europeias ao longo de boa parte dos últimos quinhentos anos teve nas universidades (e no conhecimento gerado por elas) uma de suas bases. E, é claro, ajudou a espalhar o modelo de universidades pelo mundo – Américas, África, Ásia, Oceania. 

E isso significa dizer que, em outros lugares, não existiam iniciativas semelhantes? 

Sim e não! Sim, porque as “universidades” em um sentido europeu (e eurocentrado) nasceram, mesmo, na Europa, dos contextos e configurações próprias da região – como as decorrentes do poder da Igreja, do mundo feudal, do renascimento das cidades e do comércio etc. Esse modelo acabou prevalecendo em todo o mundo.

E não, porque outras civilizações possuíam demandas semelhantes por profissionais ligados à administração pública e às ciências aplicadas – e criaram suas próprias instituições. 

O caso mais ilustrativo, aqui, é o da China, que viu sua primeira universidade – a de Beijing – ser fundada apenas no final do século XIX, em 1898. No entanto, a mesma China possuía academias imperiais desde, pelo menos, o século II. Essas instituições eram encarregadas de formar burocratas para a enorme máquina administrativa chinesa – e também se ocupavam de pesquisas científicas e temas filosóficos. Ou seja: cumpriam boa parte do que entenderíamos, deste lado do mundo, como universidade… só que eram muito mais antigas! 

As primeiras universidades americanas

O poder colonial europeu nos séculos XVI-XVII gerou vastos impérios que tinham entre seus territórios toda a América, repartida entre Espanha, Portugal, França e Reino Unido. Esse domínio incluiu, também, a fundação de escolas de ensino superior, muitas das quais eram diretamente relacionadas à Igreja. Enquanto os portugueses não autorizavam universidades fora da “metrópole” – o que forçava as elites das colônias a se formarem em Portugal, reforçando seus laços com o poder central –, espanhóis e ingleses não pensavam da mesma maneira. 

As primeiras universidades americanas são a Universidade de Santo Domingo, na República Dominicana (1538), a Universidade Nacional Maior de São Marcos, no Peru (1551), a Universidade Nacional Autônoma do México (1553), a Universidade São Tomás, na Colômbia (1580), a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (1636), a Universidade Nacional de San Antonio Abad del Cusco, no Peru (1692), e a Universidade de Havana, Cuba (1728). 

No Brasil, as primeiras faculdades nasceram no início do século XIX, com a chegada da família imperial portuguesa, e as primeiras universidades surgiram a partir de então. Há quem aponte que a Escola Politécnica da UFRJ nasceu da antiga Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, fundada em 1792 pelos portugueses – o que situaria a instituição carioca, em definitivo, como a mais antiga do Brasil.

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Conclusão: a universidade… universal!

Neste artigo, abordamos a etapa inicial das universidades, que se conecta a uma fantástica jornada humana relacionada ao conhecimento, à ciência, ao fim das superstições e ao poder político. Em 2026, segundo dados do QS World University Rankings, há entre 25 mil e 30 mil universidades em todo o mundo, sem contar faculdades isoladas e centros universitários. Esses números demonstram a relevância dessas instituições, que, a cada ano, formam incríveis 45 milhões de pessoas, segundo estimativa do UNESCO (os matriculados chegam a 264 milhões).

Em um momento de aceleração tecnológica e alta especialização dos conhecimentos, as universidades são forçadas a encarar grandes mudanças, como a de oferta de novos cursos ou, mesmo, de novos formatos de ensino que permitam, por exemplo, formações “híbridas”. E fazem isso com o mesmo espírito que as fundou – o de universitas, ou seja, de um olhar amplo sobre um todo vivo, complexo e vibrante. 

RO: escolas parceiras Opet são destaque em sistema estadual de avaliação da Educação

Escolas de Corumbiara e Cerejeiras se destacaram no SAERO, sistema de avaliação educacional do Estado

Resultados do SAERO 2024 foram divulgados em seminário promovido pelo governo de Rondônia. Fonte: SEDUC-RO.

Três escolas das redes municipais de ensino de Corumbiara e Cerejeiras, municípios parceiros da Editora Opet em Rondônia, foram destaque no Sistema de Avaliação Educacional de Rondônia – SAERO.

Em Corumbiara, a Escola Municipal de Ensino Infantil e Ensino Fundamental (EMEIEF) Domingos Pereira Rocha (rural) e a Escola Mundo Mágico (Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano – urbana) apareceram entre as 30 melhores do Estado de Rondônia na faixa avaliativa do Ensino Fundamental – Anos Iniciais. No caso de Cerejeiras, foi destaque a EMEIEF Professora Maria Helena Barreiros, 2ª colocada no quesito desempenho dos estudantes.

O SAERO

Criado pelo governo do Estado de Rondônia em 2012 para auxiliar no planejamento e desenvolvimento da educação pública, o SAERO é realizado em parceria com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF).

A edição que reconheceu os municípios parceiros da Editora Opet foi realizada entre os dias 11 e 22 de novembro de 2024 e abrangeu 123 mil estudantes de todas as escolas públicas estaduais e municipais de Rondônia. A avaliação contemplou os estudantes do 2º, 3º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e do 2º ano do Ensino Médio. Os resultados da avaliação foram divulgados no último dia 11 em Porto Velho, durante o Seminário de Resultados Saero 2024: Painel de Indicadores e Perspectivas.

Ao todo, 96 escolas públicas foram homenageadas pelos resultados, com premiações financiadas com recursos próprios do Estado.

Trabalho permanente

A secretária municipal de Educação de Corumbiara, Fátima Notaro, destaca o trabalho desenvolvido em conjunto pelas escolas que se destacaram, pela rede municipal de ensino e pelos gestores municipais.

“Nossos resultados são a soma de muitas mãos que trabalham incansavelmente pela melhoria do ensino. Os professores são realmente comprometidos com as nossas crianças”, avalia. Ela destaca a importância dos esforços municipais de reforço estruturado e recomposição da aprendizagem no pós-pandemia, que vêm mostrando resultados importantes.

“Além disso, contamos com os materiais da Editora Opet em todos os seguimentos da Educação, da creche ao 5º ano do Ensino Fundamental”, observa.

“Quando falamos em Opet, falamos de um material riquíssimo em conteúdos, que trabalha na mesma linha de que necessitamos para complementar nossa aprendizagem. É um material de ponta! Também contamos com um pessoal especializado da Editora, dando total apoio, presencial e online, ao município.”

O diretor da EMEIEF Professor Domingos Pereira da Rocha, professor Reinaldo Nascimento da Silva, acredita que o bom resultado de sua instituição esteja relacionado a uma série de fatores, começando pelo engajamento dos professores e da coordenação, e também pelo reforço e recomposição da aprendizagem. Ele acredita que os materiais da Editora Opet utilizados na Educação Infantil podem ter participado do resultado.

“Sabemos que o trabalho nessa etapa, quando bem feito e estruturado, tem reflexos sobre o Ensino Fundamental. Ele é a base de tudo. Se a base é bem-feita, é possível estruturar melhor o trabalho que vem a seguir”, observa.

A diretora Claudinéia Vicente de Lima Martins, da EMEF Mundo Mágico, diz que o resultado do SAERO foi emocionante. “Esse resultado representa o esforço coletivo, o compromisso diário e a dedicação de toda a comunidade escolar”, observa. Ela atribui o sucesso da escola na aprendizagem a um conjunto de elementos como a recomposição da aprendizagem, o reforço escolar estruturado, o atendimento educacional especializado, o acompanhamento psicopedagógico e psicológico, bem como práticas pedagógicas que respeitam o ritmo de cada estudante. “Além disso, o engajamento dos professores é notável. Eles atuam verdadeiramente como agentes de transformação!”, destaca.

A diretora Claudinéia Martins com o prefeito de Corumbiara, Leandro Vieira (à direita na foto), e sua equipe durante a premiação das escolas de destaque no SAERO. Fonte: Divulgação.

Para a diretora, os materiais e formações pedagógicas da Editora Opet também desempenham um papel importante. “Eles têm contribuído significativamente para o fortalecimento do processo de ensino-aprendizagem na nossa escola. Os recursos oferecidos são alinhados às diretrizes curriculares e favorecem uma prática pedagógica mais intencional, contextualizada e efetiva.”

Fortalecimento

Formação pedagógica de professores da rede municipal de ensino de Corumbiara. Fonte: Editora Opet.

“Os resultados das escolas parceiras da Editora em Rondônia mostram que existe um processo estruturado de fortalecimento da aprendizagem”, avalia Cliciane Élen Augusto, gerente pedagógica da Editora Opet.

“E isso é significativo, especialmente, porque não são resultados pontuais. A partir deles é possível avançar ainda mais, recompondo as aprendizagens que ainda estiverem defasadas e ir além, construindo uma aprendizagem adequada nas próximas etapas da educação.” Nesse processo, Corumbiara, Cerejeiras e todos os municípios parceiros contam com os recursos e o apoio da Editora Opet.