Uma (brevíssima) história das mulheres na Educação

Você sabia que 80% dos professores da Educação Básica no Brasil são mulheres? Nada menos do que 1,3 milhão de professoras e gestoras, segundo o Censo Educacional 2024. Um quadro que escancara a importância das mulheres para a educação. A história, porém, vai muito além e envolve desafios, negações, afirmações e conquistas. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, vamos investigar a presença feminina na educação. Venha com a gente!

🏛️No começo… eram as mulheres?

Quando imaginamos em como seria a educação na Grécia e em Roma, visualizamos grupos de homens jovens conduzidos por outros homens. Filósofos como os sofistas, por exemplo, ou tutores de líderes como Alexandre da Macedônia (tutor: Aristóteles) e Nero (tutor: Sêneca). A pergunta é: nesse cenário havia espaço para mulheres?

Não e sim.

Não, porque as atividades educacionais ligadas à política eram dirigidas aos homens e exercidas por eles – com o agravante de que a educação chegava a uma parcela muito pequena da população.

E sim, porque houve filósofas-professoras na Grécia, figuras como Areta de Cirene (séc. IV a.C.) e Hipátia de Alexandria (séc. V d.C.). Além disso, em Roma era comum que as matronas – líderes de famílias ricas – tomassem aulas particulares com tutoras, em geral gregas escravizadas que ensinavam escrita, retórica e poesia.

Essa presença, porém, reafirma o reduzido acesso das mulheres à educação e à posição de educadoras. Elas eram uma exceção e, não, uma regra.

🏰 Mulheres e educação na Europa Medieval

Chegamos ao fim do Império Romano no Ocidente e ao início da Idade Média europeia, marcada pela relação entre religião, intelectualidade e educação. No período, o conhecimento ficou limitado aos mosteiros e abadias, onde parte dos monges aprendia a ler e a escrever em latim tardio e transmitia estes conhecimentos a outros religiosos.

🧠 Monjas e intelectuais

O mesmo valia para os conventos, onde noviças e monjas – especialmente, nobres – também aprendiam as letras. A difusão dos conhecimentos estava a cargo das superioras e envolviam leitura e escrita em latim, canto litúrgico e teologia. A formação visava prepará-las para a vida religiosa ou para serem esposas cultas dentro da aristocracia.

Vale observar que, fora do ambiente religioso, a instrução feminina das elites era focada em habilidades manuais, práticas e de gestão. Muitas vezes, essas mulheres também assumiam um papel político em seus domínios e famílias.

Entre as mulheres que se destacaram nesse período estão figuras como Hildegarda de Bingen (monja e intelectual dos séculos XI-XII – imagem ao lado/Wikipedia), Trótula de Salerno (médica pioneira da Ginecologia no século XII) e Cristina de Pisano (poeta, filósofa e crítica do exclusivismo masculino no conhecimento, que viveu no séc. XV).

Na época, na chamada Baixa Idade Média (quando a centralidade feudal perde força), surgem as primeiras universidades. Elas, porém, não recebiam mulheres.   

 Vale observar que, para o restante da população – agricultores ou artesãos que viviam nos domínios feudais –, não havia educação formal, mas a transmissão iletrada de conhecimentos e técnicas. Isso, porém, viria a mudar no final da Idade Média, com o renascimento das cidades e o fortalecimento da burguesia (comerciantes e artesãos especializados).

🕌 E no mundo islâmico?

É impossível pensar na Europa medieval sem incluir o mundo islâmico, que teve enorme importância geopolítica e intelectual. Nele, por força da importância do acesso e recitação do Alcorão, mulheres e homens – não apenas os clérigos, que estudavam em madrassas exclusivamente masculinas – eram estimulados a aprender a ler.

Isso não só aumentava o número de letrados, como facilitava o acesso de algumas mulheres à docência. No caso das famílias da elite, que viviam em cidades como Bagdá, Córdoba e Damasco, elas também podiam se aprofundar em discussões intelectuais, filosóficas, científicas e artísticas.

Entre as intelectuais mais importantes do período estão Aisha Abu Bakr (século VII), esposa de Maomé e iniciadora da tradição intelectual islâmica, Fatima al-Fihri, fundadora da primeira universidade do mundo, a Universidade de al-Qarawiyyin (foto ao lado/Wiki), no Marrocos (século IX) e Lubna de Córdoba (século X), especialista em matemática e literatura.

👩‍🎓 O Renascimento e a educação das mulheres

O Renascimento (séc. XIV-XVI) foi marcado pelo declínio dos feudos, ressurgimento das cidades e formação dos Estados modernos. Nesse contexto, uma nova classe social, a burguesia, se afirma. Ela era formada por comerciantes e especialistas (construtores e artesãos) que, ao circular pelas cidades, adquiriam uma visão de mundo mais ampla. Pessoas que, em suas profissões, também precisavam de letramento.

Nesse contexto, o que se vê é uma ampliação do acesso das mulheres ao conhecimento. Como no período anterior, porém, eram poucas as que chegavam ao ensino formal – em geral, pertencentes aos grupos de poder (nobres, burgueses, religiosos). Mais do que antes, sem dúvida, mas menos do que o necessário para uma sociedade mais justa. As universidades, por exemplo, permaneciam fechadas às mulheres, mas elas podiam ser educadas em casa por tutores que ensinavam leitura, escrita, latim e grego, música, pintura e filosofia.

Entre as mulheres que se destacam no Renascimento estão, além da já citada Cristina de Pisano (imagem ao lado/Wikipedia), figuras como Laura Cereta (século XV), defensora dos direitos das mulheres, e Cassandra Fedele (século XV), filósofa e oradora. Vale observar, aqui, a presença massiva de mulheres de cidades mercantis italianas, que lideraram o Renascimento.

🚨 Um ponto de virada?

Até agora, pudemos perceber um movimento lento de aproximação das mulheres do letramento e da docência, muito aquém do necessário para uma sociedade mais justa. Para além das questões de gênero, as mulheres também eram afetadas pela desigualdade social; quem estava longe do poder – salvo raríssimas exceções – não chegava à escola.

Então, perguntamos: quando aconteceu o “ponto de virada”? Quando as mulheres chegaram às escolas em massa e também puderam se tornar professoras? A resposta passa por um grande evento histórico: a Revolução Francesa!

🇫🇷 A Revolução e as mulheres

A Revolução Francesa não foi um “passe de mágica” que colocou as mulheres nas escolas e universidades. Mas foi essencial ao lançar as bases da concepção de cidadania, na “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” (de 1789 – imagem ao lado/Wiki). Ainda assim, as mulheres ficaram de fora — motivo pelo qual a intelectual e ativista francesa Olympe de Gouges (1748-1793) escreveu, em 1791, a “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, reivindicando igualdade política e educacional. Esse embate marcou o início de uma luta que, nos séculos seguintes, abriria caminhos para a presença feminina em massa na educação.

🏗️ Mulheres para tempos industriais

Com a Revolução Industrial, que se desenrolou a partir do século XVIII na esteira da Revolução Científica, houve necessidade econômica de expansão da educação. Um processo lento e incompleto, porém mais potente que os vividos anteriormente.

É nesse contexto – de necessidade de trabalhadores especializados, gestores e burocratas para Estados poderosos e complexos –, que há uma abertura das escolas para as mulheres. Elas, porém, podiam cursar apenas as etapas mais básicas da Educação, sem acesso ao ensino superior. Esse acesso, aliás, só chegou no final do século XIX, graças aos esforços pessoais das próprias mulheres ou, então, de movimentos sociais organizados.

O Brasil acompanhou esse processo, porém em um ritmo mais lento por conta de sua estrutura socioeconômica – um país periférico, agrário e com enorme desigualdade social.

👩‍🦰 Elas são professoras

A partir da segunda metade do século XIX, contudo, as mulheres começam a participar mais – e massivamente – do magistério primário. Um processo que ganhou força com o surgimento das “Escolas Normais” (ao lado, a primeira Escola Normal, fundada em Paris – foto/Wikipedia), voltadas à formação de professoras. A primeira Escola Normal brasileira havia sido fundada pouco tempo antes em Niterói (1835). Em tempo: às mulheres só foi permitido chegar ao ensino superior no Brasil em 1879, com um decreto real que autorizava o ingresso. A resistência da sociedade, porém, foi muito grande por várias décadas.

⚗️ As mulheres no Brasil contemporâneo

O Brasil só veria uma nova onda de modernização a partir dos anos 1930, com Getúlio Vargas, e, especialmente, no pós-guerra. O país ainda convivia com um número gigantesco de analfabetos – 50% da população em 1950 (IBGE) -, mas, aos poucos, foi fortalecendo a educação como direito fundamental. Algo que se tornou definitivo em 1988, com a Constituição Federal (que tratou da educação como direito fundamental em seu Título VIII).

“Operários”, pintura de Tarsila do Amaral (1933). Foto: Wikipedia.

Simultaneamente, houve um crescimento da presença das mulheres nas universidades; logo no início do século XXI, aliás, elas superaram os homens em número de matrículas (hoje, representam cerca de 60% das matrículas). Nas licenciaturas, que são os cursos voltados à formação de professores, elas chegam a 70% do total de matriculados, o que reforça sua presença no conjunto dos educadores.

➡️ Conclusão: presença consolidada, desafios persistentes

A trajetória das mulheres na educação revela avanços significativos, mas também permanências que não podem ser ignoradas. Da exclusão quase total na Antiguidade e na Idade Média, passando pelas reivindicações da Revolução Francesa e pela lenta abertura das escolas no século XIX, até a consolidação no século XX e XXI, o caminho foi longo e marcado por resistência social e institucional.

Hoje, as mulheres são protagonistas da educação brasileira: representam 80% dos docentes da Educação Básica e quase 60% das matrículas no ensino superior. No entanto, sua presença ainda não se traduz em igualdade plena. No magistério superior, elas são menos da metade dos docentes; nas áreas técnico‑científicas, embora já sejam maioria, enfrentam barreiras de reconhecimento e ascensão profissional.

A desigualdade se torna ainda mais evidente quando se considera aspectos sociais e raciais: mulheres negras e periféricas continuam a enfrentar obstáculos adicionais de acesso e permanência.

Assim, a história da presença feminina na educação é, ao mesmo tempo, uma narrativa de conquistas e uma agenda de desafios. Reconhecer esse percurso é essencial para compreender que a educação, enquanto direito fundamental, só se realiza plenamente quando garante igualdade de oportunidades e valorização para todas e todos.

Educação em Movimento! Formações Opet em fevereiro reúnem cinco mil educadores

Fevereiro é um mês estratégico para as formações pedagógicas. Aqui, momento formativo em Água Boa, Mato Grosso. Crédito/foto: SMCS/Água Boa.

As formações pedagógicas são um momento essencial da parceria da Editora Opet com os municípios. Nelas, é possível aprofundar os conhecimentos e o “saber fazer” com as coleções e ferramentas educacionais. Mais do que isso, as formações permitem construir a educação de forma conjunta, no diálogo e na percepção das questões e características únicas de cada rede de ensino.
Neste início de ano letivo, as formações brilham ainda mais. Elas marcam o “tiro de largada” de um trabalho que começou meses antes, com o planejamento e a preparação das equipes da Editora e dos municípios. Verdadeiro tempo de “pé na estrada”, que leva os formadores pedagógicos da Editora a todas as regiões do país.

Nos últimos dias, por exemplo, mais de cem formadores da Editora estiveram em nada menos do que 18 municípios no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Minas Gerais, para trabalhar com mais de cinco mil professores e gestores. Um trabalho que segue pelas próximas semanas e ao longo de todo o ano, nas formações que envolvem o uso dos materiais didáticos, ferramentas e recursos educacionais, e também discussões sobre temas de interesse da educação.

✔️ Santana de Parnaíba

Uma das cidades mais antigas do Brasil é, também, um dos parceiros mais tradicionais da Editora Opet. Situada na região metropolitana de São Paulo, Santana de Parnaíba se destaca na educação em rankings como o Connected Smart Cities, tendo ficado na primeira posição do país no quesito “Educação” no ano passado.

Formações ampliam o repertório dos professores para o uso dos materiais didáticos. Foto: SMCS/Santana de Parnaíba.

Lá, nos dias 19 e 20 de fevereiro, a formação envolveu 2.284 professores e gestores, com foco em todos os níveis da Educação Básica, da Educação Infantil ao Ensino Médio (que também é abrangido pela rede municipal de ensino). “Nossa parceria com Santana de Parnaíba já chega a uma década e vem se consolidando e se aprofundando ano a ano”, avalia o supervisor regional Fernando Correa, da Editora Opet.
“Neste ano, por exemplo, pudemos observar um engajamento ainda maior dos professores e dos gestores, um compartilhamento e uma troca de experiências em educação. E isso tem muito a ver com a organização feita pela equipe da Secretaria para as formações continuadas, que é muito boa. São três polos grandes, que a cada ano otimizam as atividades”, observa.

✔️Alicerce Estratégico
Para o diretor de Ensino de Santana de Parnaíba, professor Cleber Aparecido Martinelli Hernandes, a formação dos dias 19 e 20 é o alicerce estratégico para o sucesso do ano letivo de 2026. “Ela permite o alinhamento pedagógico de toda a rede municipal neste momento de contato direto com os estudantes”, observa. “Começar o ano com esse planejamento coletivo é fundamental para garantir que todos os professores estejam em sintonia com as metas educacionais da cidade, promovendo segurança metodológica e um ambiente motivador, que reflete diretamente na qualidade do aprendizado desde o primeiro dia de aula.”

Sobre a parceria com a Editora Opet, o diretor a avalia como um pilar de inovação para Santana de Parnaíba. “Ela oferece um sistema de ensino que integra materiais didáticos de excelência, alinhados à BNCC, com um suporte pedagógico contínuo aos nossos docentes. Essa colaboração fortalece a relação entre escola e família e fornece ferramentas modernas que potencializam o desenvolvimento integral dos estudantes, consolidando nossa rede como uma referência em educação pública de qualidade.

Grupo de formadores do Polo Imídeo junto aos Supervisores da SME de Santana de Parnaíba. Foto: Editora Opet.

✔️ Água Boa

Outro exemplo significativo desse trabalho formativo vem de Água Boa, município situado na região do vale do rio Araguaia, no oeste de Mato Grosso. Lá, a primeira formação também aconteceu nos dias 19 e 20 de fevereiro, dentro da Jornada Pedagógica 2026. Entre os temas abordados estiveram práticas pedagógicas, leitura e aprendizagem, inclusão escolar, planejamento e avaliação, inovação no processo de ensino-aprendizagem, além do fortalecimento da atuação dos profissionais que contribuem diretamente para a organização e o funcionamento das unidades escolares.

Uma das turmas de professores na formação de Água Boa. Foto: SMCS Água Boa.

Lá, como explica a supervisora regional da Editora Opet, Claudia Dalabona, o trabalho envolveu 200 professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, além de gestores e docentes especialistas. “Foi um momento incrível. Leve, acolhedor, com muitas trocas de experiências e, principalmente, com o fazer, o ‘mão na massa’ que é tão importante para o trabalho que vai seguir por todo o ano”, explica. Claudia destaca a proatividade e o engajamento dos professores. “É muito bom trabalhar com pessoas que não se limitam a ouvir e participam de cada momento, formando uma verdadeira comunidade de aprendizagem – isto é essencial.”

Em sua cobertura da Jornada Pedagógica, a Secretaria Municipal de Educação reforçou que “investir na formação continuada é investir no futuro de Água Boa, garantindo uma educação cada vez mais eficiente, inclusiva e comprometida com o desenvolvimento dos alunos”.

Durante as formações, as coleções são examinadas em detalhes no contexto do processo de ensino-aprenmdizagem. Foto: SMCS Água Boa.

“Tanque vazio”? O mundo e o fim dos combustíveis fósseis

Crédito das fotos: Getty Images (foto 5: Wikipedia)

A transição energética é tema central da atualidade. Ela é a migração de muitas das fontes de energia em uso – petróleo, carvão e gás –, para outras, menos poluentes e menos associadas a riscos climáticos do “efeito estufa”, como a eólica, a solar e a de biomassa.

A despeito das pesquisas e dos alertas dos cientistas, o impacto climático dos combustíveis fósseis – seu poder de liberação de CO2 na atmosfera em um ritmo maior que o de absorção pela biosfera – vem sendo colocado em questão. Há pessoas e governos que não acreditam nessa relação ou não querem abrir mão da riqueza gerada pela atual matriz energética. O que invalida a ideia de uma transição energética global rápida.

Combustíveis fósseis: até quando?

Independentemente disso, há uma questão definitiva: na medida em que as reservas de petróleo, carvão e gás são finitas – e que a exploração e consumo se mantém estáveis ou em crescimento –, vai chegar o momento em que elas irão acabar. É possível que não acabem, mas se tornem inviáveis do ponto de vista econômico. Nesse momento não haverá outro caminho, com ou sem crise climática, senão o da própria transição energética.

Mas, quando isso vai acontecer?

E como seria essa “transição energética obrigatória”? É sobre isso que vamos conversar nesta edição da série #EducaçãoHumaniza. Venha com a gente!

Mais antigo que os dinossauros

Antes de avançar, vamos falar sobre como se formaram as reservas de petróleo, gás e carvão mineral que se tornaram os motores do mundo nos últimos três séculos.

No caso do petróleo e do gás, sua origem está relacionada a trilhões de organismos microscópicos – algas (como a da foto abaixo) e plâncton – que viveram em mares e lagos entre 400 e 300 milhões de anos no passado. Ao morrer, essas formas de vida se depositavam no fundo de bacias sedimentares com rochas e areia. Como nesse ambiente não havia oxigênio, a decomposição não era completa e os restos orgânicos acabavam afetados por soterramento progressivo, pressão e calor – um processo que durou milhões de anos.

Você conhece o querogênio?

O resultado dessa “panela de pressão” é o querogênio, material que se transforma em gás e petróleo quando exposto a condições severas de temperatura, pressão e tempo. Essas substâncias, por sua vez, acabaram “migrando” para dentro de rochas porosas (“rochas-reservatório”, como a da foto abaixo, de xisto), ficando aprisionadas entre camadas impermeáveis (“rochas-selo”).

O carvão mineral surge de uma forma parecida, mas está ligado às florestas do Período Carbonífero (300 milhões de anos). A vegetação ia morrendo e caindo em áreas alagadas e pântanos sem oxigênio, o que reduzia a decomposição. Submetida às mesmas condições radicais de pressão-temperatura-tempo, a biomassa virava turfa e, milhões de anos depois, carvão mineral de diferentes tipos (linhito, hulha e antracito).

E os dinosssauros?

Você percebeu que, quando falamos da origem do petróleo, do gás e do carvão, não falamos de dinossauros. Muita gente pensa que esses animais viraram combustível fóssil, mas a verdade é que essas fontes de energia já estavam em pleno desenvolvimento quando os “dinos” caminharam pela Terra. Muitos deles, porém, viram seus restos convertidos em fósseis como o da foto!

Energia de um passado remoto

Já sabemos como os recursos são formados. Agora, vamos descobrir quando começou a relação da espécie humana com as fontes energéticas fósseis.

Na verdade, ela é antiga; nos tempos mais recuados, porém, os usos dos combustíveis fósseis eram muito mais restritos.

É possível falar, por exemplo, sobre o uso, por culturas antigas no Egito, Oriente Médio e China, do betume, derivado natural do petróleo que, por sua textura resinosa e resistente à água, era empregado na impermeabilização de barcos, mumificação, remédios e em armas incendiárias. Em alguns casos, por sua capacidade de alimentar uma chama “eternamente”, fontes petrolíferas e de gás acabavam associadas a edifícios e rituais religiosos.

O carvão chinês

No caso do carvão mineral, seu uso antigo (na China, por exemplo, há mais de dois mil anos) se aproxima do uso recente: queima direta para a produção de energia. A diferença é de escala. Enquanto antes ele alimentava fornos e fornalhas menores (como as dos ferreiros, por exemplo), a partir da Revolução Industrial passou a alimentar as fornalhas das indústrias.

Queimando energia sem parar

E foi a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, que a coisa se acelerou. Em sua etapa inicial, a principal matéria-prima energética era o carvão mineral. Aliás, essa revolução contou com duas matérias essenciais nesse momento: minério de ferro e carvão, que eram abundantes na Inglaterra, país que inaugurou todo o processo (a ilutração abaixo mostra uma cena industrial inglesa do início do século XIX). A soma dessas matérias-primas aos conhecimentos de cientistas e teóricos econômicos promoveu a maior transformação da História humana!

E o petróleo, quando entrou em cena?

A história começa na segunda metade do século XIX, quando foram desenvolvidos os primeiros motores bem-sucedidos de combustão interna por engenheiros como Nikolaus Otto (gasolina) e Rudolf Diesel (diesel).

Eles se baseavam nos estudos de um cientista francês, Nicolas Carnot (1796-1832), o “Pai da Termodinâmica”, e demandavam um combustível diferente, líquido, para funcionar. Vieram então os derivados do petróleo – gasolina, diesel e querosene, entre outros –, que passaram a encher os tanques e correr para dentro dos motores, permitindo seu funcionamento.

O mundo motor…

Na medida em que o século XIX avançou e que chegou o século XX, os conhecimentos sobre motores de combustão interna e seu funcionamento cresceram sem parar. E os próprios motores a explosão se multiplicaram nos automóveis, trens, aviões, navios, caminhões, helicópteros, motocicletas, tanques, submarinos, geradores de eletricidade… bilhões de motores – e bilhões de tanques de combustível!

Se olhamos para o passado recente – especialmente, os anos 1960 –, podemos resgatar imagens daqueles carros enormes, cadillacs e rabos-de-peixe, que gastavam uma enormidade de combustível. O que nos permite intuir que o pico do consumo, a “era da gastança”, passou. Sim… e não.

…e o pico de consumo

De fato, os motores, hoje, são muito mais econômicos que os de antigamente. Ao mesmo tempo, porém, seu número é muito maior, o que indica que o consumo segue em alta. E é preciso destacar a indústria e a geração de eletricidade, que consome uma quantidade extraordinária de gás natural e, também, de carvão.

E o pico de consumo, segundo quem pesquisa o assunto a fundo – a Agência Internacional de Energia (IEA) – ainda não chegou. Em seu o “World Energy Outlook 2025”, a IEA afirma que o uso global de combustíveis fósseis chegará ao seu máximo antes de 2030.

O carvão (como o da foto abaixo) já está em torno do seu pico, com sinais de declínio em várias regiões.

O petróleo deve alcançar o pico por volta de 2030, e o gás natural em torno de 2035, se as políticas energéticas atuais forem mantidas.

A partir daí – a menos que a humanidade encontre novas reservas e viabilize sua exploração comercial –, a parábola do gráfico de consumo tende a “descer a montanha”.

Uma quantidade monumental

Chegamos, então, a outra questão-chave: quanto existe de petróleo, gás e carvão mineral e por quanto tempo esses recursos vão durar? Aqui, entra em cena o conceito de “reserva provada” – as reservas desses recursos confirmadas pelos cientistas e que têm probabilidade de exploração comercial.

Segundo a ciência, as reservas provadas de petróleo chegam a 1,6 trilhão de barris, dos quais entre 45 e 50% já foram utilizados. No ritmo atual de consumo, o petróleo “provado” que ainda existe seria consumido em algo como 55 anos.

No caso do gás, chegam a 200 trilhões de metros cúbicos, dos quais entre 30 e 35% já foram consumidos – com o padrão de consumo atual, as reservas provadas restantes seriam totalmente consumidas em cerca de 50 anos.

Por fim, no caso do carvão, a 1,07 trilhão de toneladas, das quais menos de 20% foram utilizadas. Com o padrão de consumo atual, que é baixo porque o carvão é muito poluente, as reservas sobreviveriam por cerca de 140 anos.

Conclusão: o desafio de um futuro sem combustíveis fósseis

Os números mostram que ainda há muito combustível fóssil “para queimar”. Mais do que isso, porém, eles também mostram o limite, o final, desses recursos. O que, necessariamente, força (ou deveria forçar) uma tomada de posição das sociedades e dos governos em busca de outras fontes.

Algo que já está acontecendo pelo retorno e por um desenvolvimento acelerado de motores elétricos e de baterias capazes de reter a energia por muitos quilômetros. E de avanços pela fronteira das energias renováveis – solar, eólica, das marés, da biomassa, geotérmica (na foto, um exemplo de geração eólica e solar em um mesmo parque de geração) – que vão, de fato, redefinir o futuro da energia. Esse processo, aliás, já começou.

Ano letivo começa com formações pedagógicas em diferentes regiões do país!

Com o início do ano letivo nas redes de ensino de todo o Brasil, a equipe pedagógica da Editora Opet intensifica sua atuação junto aos municípios parceiros. É tempo de “pé na estrada”, com palestras e formações pedagógicas que marcam o início do trabalho formativo de 2026 – um trabalho que segue pelas próximas semanas!

📍 No dia 19 de janeiro, com o apoio da Editora Opet, os educadores de Cocalinho (MT) participaram da palestra do psicanalista João Hilton, realizada durante a abertura da Semana Pedagógica do município. Com o tema “Comunicação Assertiva e Gerenciamento Emocional”, o encontro promoveu momentos de escuta, diálogo e reflexão sobre as relações no contexto educacional.

Em Cocalinho, a palestra foi com o psicanalista João Hilton. Foto: SME

📍Já no dia 26, foi a vez dos professores e gestores de Aquiraz (CE) receberem a coordenadora pedagógica da Editora Opet, Rúbia Cristina da Costa. Em sua fala, ela abordou o tema “Equidade, inovação e responsabilidade social na educação: desafios atuais para a promoção de aprendizagens significativas”, destacando o papel da escola na construção de práticas pedagógicas mais justas e alinhadas às demandas contemporâneas.

A coordenadora Rúbia Cristina na palestra e com a equipe da SME de Aquiraz.

📍No dia 28, durante a abertura da Semana Pedagógica de Varginha (MG), também com o apoio da Editora, os educadores participaram da palestra “Antes de tudo, um coração”, ministrada pelo cantor Rafinha Acústico – ele trouxe uma abordagem sensível e inspiradora sobre o cuidado com as emoções no ambiente escolar.

Em Varginha, os participantes da semana pedagógica participaram de uma palestra cultural com Rafinha Acústico. Foto: Divulgação.

📍As formações pedagógicas seguem nos dias 29 e 30 de janeiro nos municípios de Varginha e Andradas (MG), Figueirópolis do Oeste (MT) e São Sebastião da Amoreira (PR). Para Fernanda Gonçalves, coordenadora pedagógica regional da Editora Opet, esse momento inicial é fundamental para o desenvolvimento do trabalho ao longo do ano.

“Esse momento formativo inicial é estratégico para o trabalho de todo o ano. Nossa equipe planejou e se preparou muito para o trabalho com professores e gestores. Agora, colocamos a parceria em prática”, destaca.

E essa é apenas a primeira etapa da jornada formativa de 2026. Nas próximas semanas e ao longo de todo o ano, a Editora Opet seguirá acompanhando e apoiando seus municípios parceiros, reafirmando o compromisso com a formação docente e a qualidade da educação.

As raízes africanas do Carnaval brasileiro

Carnaval Brasileiro. Fonte: Getty Images.

Multidões nas ruas, música, alegria, calor, brilho, criatividade e muito trabalho conjunto. Só quem vive no “país do Carnaval” tem a dimensão da importância sociocultural que a festa pode alcançar. Outros países, é claro, também festejam o Carnaval – uma celebração de origem europeia relacionada ao calendário da Igreja desde a Idade Média, há pelo menos mil anos –, mas só no Brasil houve essa fusão criativa de culturas com resultados tão brilhantes.

Nesta edição momesca de #EducaçãoHumaniza, vamos investigar as origens africanas do Carnaval brasileiro. Aqueça os tamborins… e venha com a gente!

A busca por uma origem

Quando buscamos as raízes africanas do Carnaval brasileiro, a pergunta a se fazer é: como se deu essa aproximação? Afinal, como apontamos acima, a festa está diretamente ligada ao catolicismo europeu. O Carnaval é uma “compensação prévia”, feita de excessos e alegria, antes da quaresma, período de observância de jejuns, abstinência e oração.

Dito isso, vem a pergunta: o que, afinal, os povos africanos – muitos dos quais, originalmente seguidores de religiões tradicionais próprias ou, então, muçulmanos – tinham a ver com esse calendário?

A resposta passa pela política colonial portuguesa, que somava a violência da escravização, a economia transatlântica e a imposição religiosa. Vamos saber mais.

Representação de Carnaval medieval por Pieter Bruegel, o Velho (1559). Fonte: Wikipedia.

Um drama em dois continentes

Só de imaginar o processo de escravização aplicado pelos portugueses (e por outros povos europeus) entre o século XVI e a primeira metade do século XIX, a gente já se arrepia. Não é caso, porém, de só imaginar, uma vez que ele está bem documentado em obras como “O Navio Negreiro”, de Castro Alves, a trilogia “Escravidão”, de Laurentino Gomes, e em “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre. É, sim, caso de indignar-se – e de tentar acrescentar uma camada extra de compreensão sobre a história do nosso país.

No tráfico transatlântico, mulheres, homens e crianças eram arrancados de sua terra natal na Costa Ocidental Africana (Golfo de Benin, Angola, Congo, Moçambique) –, sequestrados ou, então, vendidos como prisioneiros para mercadores de pessoas – e enviados ao Brasil.

Aqui, se sobrevivessem às condições duríssimas da travessia, eram revendidos e empregados na lavoura extensiva de culturas como a cana-de-açúcar e café (o chamado “eito”), atividades domésticas e obras públicas.

Nesse processo, em nome do controle por seus dominadores, eram convertidos à força ao catolicismo, religião oficial do império português. Tinham suas práticas religiosas originais proibidas, eram batizados com nomes cristãos (muitas vezes, os sobrenomes de seus “senhores” ou, então, de ordens religiosas) e eram obrigados a participar de cerimônias e rituais do calendário litúrgico. E é justamente esse o ponto de intersecção, o ponto de partida da relação entre o Carnaval e as culturas africanas.

Plano construtivo do navio negreiro inglês “Brooks” (séc. XIX). Fonte: Wikipedia.

Espaços de resistência

Movimentos de resistência à dominação passam, muitas vezes, pela percepção daqueles espaços em que é possível entrar e afirmar a própria identidade. Foi exatamente isso que aconteceu em relação ao Carnaval, festa popular que, por seu caráter disruptivo e irreverente, abriu espaço para manifestações culturais africanas. Uma festa de ruídos, bulha e inversão criativa, como bem observou o filósofo Mikhail Bakhtin, grande especialista no tema e em sua relação com a cultura.

Nesse momento tão interessante, tão peculiar, essas manifestações negras – que, por sua relação com a quaresma, se ligavam à “aceitação” da fé católica – surgiam e, aos poucos, também iam sendo incorporadas e transformadas em algo novo.

É nesse encontro entre repressão e criatividade, entre opressão e resistência, que surgem os batuques, os cortejos e os ritmos que moldaram o Carnaval brasileiro. Ou seriam “os Carnavais brasileiros”? É o que vamos ver agora.

“O Berimbau”, desenho de Jean-Baptiste Debret (1768-1848). Fonte: Wikipedia.

A presença negra nos muitos carnavais brasileiros

Antes de avançar para as contribuições africanas ao carnaval brasileiro, é interessante observar que o nosso país não possui apenas um carnaval, mas carnavais. A festa é uma só, mas com características culturais locais.

É bem verdade que, nas últimas décadas, essa diversidade cedeu terreno a uma festa mais uniforme, mediada pelos meios de comunicação; mesmo assim, em várias regiões ainda há festas bem características, bem tradicionais, como os afoxés da Bahia e os Papangus do Carnaval de Bezerros (Pernambuco).

Nesse contexto, as fontes culturais que formam o nosso carnaval – europeias, indígenas e africanas – podem aparecer com maior ou menor prevalência. A presença africana, porém, é sempre muito poderosa, em especial na sonoridade da celebração.

Papangus do Carnaval de Olinda, Pernambuco. Fonte: Wikipedia.

Do barulho aos ritmos carnavalescos

Bumbos, pratos, cornetas, matracas e gritos sempre fizeram parte do Carnaval. A “barulheira” era uma das características da celebração medieval, que se opunha justamente ao silêncio que deveria ser guardado a seguir, na Quaresma.

Foi esse o contexto de entrada dos instrumentos musicais africanos tradicionais; eles não vieram, porém, apenas como “máquinas de fazer barulho”, mas chegaram trazendo ritmos, marcações e um sentido musical, o que contribuiu de forma decisiva para a musicalidade do Carnaval brasileiro em todas as suas vertentes – dos afoxés ao “partido alto”, do frevo ao axé. Ou seja: boa parte da música carnavalesca tem, sim, suas raízes na África.

Tocadores de tambor de Gana, África Ocidental. Fonte: Wikipedia.

E que instrumentos africanos – ou herdeiros deles – encontramos no nosso Carnaval?

O mais célebre deles é o pandeiro, cuja origem não é apenas africana, mas que chegou a partir da África com os próprios escravizados ou, então, com os portugueses sob influência dos povos árabes do Norte da África.

Pandeiro. Fonte: Getty Images.

Outra “figurinha carimbada” é a cuíca, instrumento originalíssimo, comum no Carnaval carioca, herdeiro dos instrumentos africanos de fricção. Sua ideia é interessante: materiais distintos são friccionados junto a uma caixa de ressonância, gerando um “gemido” muito peculiar. E, com habilidade, o sambista consegue fazer o instrumento “falar”!

Protagonistas nas cerimônias das religiões de matriz africana, os atabaques – tambores altos em forma de pinhão – estão muito presentes nos blocos afro e afoxés, imprimindo uma cadência poderosa às músicas.

No caso do agogô, o próprio nome indica a origem do instrumento. É uma palavra de origem iorubá, de povos que vivem no oeste da África (Nigéria, Benin e Togo) e têm uma cultura musical muito rica – uma das grandes matrizes da nossa música carnavalesca. O agogô é um tipo de sino normalmente metálico que, quando percutido com uma haste, gera um som agudo que participa diretamente da marcação do ritmo.

Agogô. Fonte: Getty Images.

“Bum-bum, bum-bum, bum-bum…” – quando você está acompanhando um samba-enredo e percebe aqueles “batidões” lá no fundo, graves e poderosos, pode ter certeza de que está escutando um ou mais surdos em ação. Esses grandes tambores, cujas dimensões e profundidades podem variar, são essenciais no Carnaval brasileiro. E, é claro, têm origem nos tambores cerimoniais africanos.

Conclusão: a mão que toca o tambor

Instrumentos musicais não chegam sozinhos a uma festa e, evidentemente, também não tocam sozinhos. Por trás deles há pessoas e intencionalidade, conhecimentos prévios e cultura. Dito isso, podemos retomar uma ideia colocada alguns parágrafos acima, de que os povos africanos não apenas trouxeram instrumentos, mas colaboraram de forma decisiva para os ritmos e para a riqueza da música de carnaval – e, é claro, para a própria Música Popular Brasileira (MPB). Com inteligência sonora, criatividade e sensibilidade.

Não se pode esquecer, também, que a presença negra – africana e afro-brasileira – também colaborou e colabora muito para a estética do Carnaval do Brasil e para a sua temática. Nas danças, na corporeidade e nos enredos – sobre suas lutas, desafios, saudades, referências às culturas, religiões e religiosidades da África. E é justamente isso que faz do Carnaval Brasileiro um espetáculo de alcance global.

Para saber mais

Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), Salvador – O MUNCAB é um museu com ênfase na valorização de aspectos da cultura de matriz africana, destacando a sua influência sobre a cultura brasileira.

Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, São Paulo – Fundado em 2004, é uma instituição da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Localizado no Parque Ibirapuera, ocupa 12 mil m² e abriga um acervo com mais de 8 mil obras.

Museu do Samba, Rio de Janeiro – O Museu do Samba nasceu como Centro Cultural Cartola, fundado em 2001 pelos netos de Cartola e Dona Zica, lideranças da comunidade onde a instituição está sediada, na cidade do Rio de Janeiro, RJ. Desde 2007, é responsável pela salvaguarda das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro registradas como patrimônio imaterial pelo IPHAN.

Instrumentos Musicais Tradicionais Afro-Brasileiros e Africanos – Da coleção do Centro Cultural Solar Ferrão, de Salvador, Bahia.

Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira – Único dicionário brasileiro dedicado exclusivamente à Música Popular Brasileira, iniciado em 1995 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), por meio do Departamento de Letras, e pela Editora Francisco Alves, com o apoio técnico do IES – Engenharia de Informática e Sistemas. Em 1999, o Ministério da Cultura retomou o projeto do Dicionário por meio da Fundação Biblioteca Nacional.

#EducaçãoHumaniza: a origem das universidades

“Universidade”: quando a gente lê a palavra, pensa imediatamente em ensino superior. E é isso mesmo: ela é o lugar para a formação especializada em uma infinidade de áreas, da Geologia à Medicina, da TI à Pedagogia, e até em “zonas do conhecimento” que, neste exato momento, estão sendo imaginadas!

Universidade também é o lugar do encontro de pessoas para a troca e a construção de conhecimentos, de olho no desenvolvimento da civilização. Uma criação humana notável, que tem tudo a ver com a ideia de que a Educação Humaniza, mote da Editora Opet para 2026. Nesta edição da série #EducaçãoHumaniza, investigamos o surgimento das universidades. Venha com a gente!

O nome universidade tem a ver com universo?

A resposta é sim: universidade vem do termo latino universus, formado por unus (um) e versus (voltado para), gerando a ideia de algo “voltado para o todo”, capaz de abranger o conjunto das coisas.

Ou seja, universo é o conjunto de tudo o que existe e que é percebido assim, em conjunto, em suas conexões. E isso nos permite entender porque, na Astronomia, ele é usado para identificar o espaço sideral, a matéria, a energia e o tempo.

Esse é um começo instigante. Mas, como a palavra acabou identificando o que, hoje, conhecemos como universidade? A ideia de um lugar voltado a todos os saberes é boa e faz muito sentido. Para chegar mais perto de uma conexão com seu início histórico, porém, é preciso voltar no tempo, mais exatamente para a Idade Média ocidental, que é quando o termo começou a ser utilizado nesse sentido. 

“Universitas magistrorum et scholarium”

Essa é a resposta! Na Europa, por volta do século XI – na passagem da Alta Idade Média para a Baixa Idade Média, em áreas de países como França, Itália e Alemanha – essa expressão era utilizada para identificar os primeiros grupos modernos ocidentais especializados em trocar e produzir conhecimentos.

“Universitas magistrorum et scholarium” significa, exatamente, o “conjunto (universitas) de professores (magistrorum) e estudantes (scholarium). Eureka! 

Mas, voltemos a esses grupos. Por que eles se reuniam? E como eles conseguiam se manter?

A ideia de um grupo de especialistas transmitindo conhecimentos tem suas raízes na própria Baixa Idade Média – período que antecedeu a Idade Moderna – e no ressurgimento das cidades e do comércio. 

Um começo “corporativo”

Ela tem tudo a ver com as corporações de ofício (de alfaiates, sapateiros, ferreiros, carpinteiros, pedreiros, marceneiros, padeiros, etc.), mas com um objeto um pouco diferente. Se as corporações se organizavam para fornecer conhecimentos técnicos e padrões para a produção de bens materiais e serviços, no caso das universidades o foco era outro. Mais exatamente, os do Direito, Medicina, Filosofia e Teologia – áreas de saberes “imateriais”, mas tremendamente relevantes para a vida das sociedades porque conectadas à organização e à gestão do Estado (naquele momento, os Estados modernos estavam começando a aparecer).

​A arte da gestão

O valor do que esses grupos produziam, a importância que possuíam, nos permite entender quem os financiava. Vale lembrar que seus conhecimentos não geravam ganhos diretos como os produzidos pela venda de uma espada ou a construção de uma igreja; porém, eram muito importantes porque permitiam aos mandatários fortalecer a arrecadação de impostos, armar exércitos para financiar guerras, relacionar-se com as grandes casas bancárias (que já existiam), firmar acordos diplomáticos e de casamentos reais, encontrar dinheiro para os gastos pessoais dos reis, justificar estes gastos…

As universidades eram bancadas pelas próprias cidades (burgos), pelos reis que começavam a aparecer depois de um longo período de feudalismo, pela Igreja (que detinha a maior parte do conhecimento letrado no Ocidente) e, também, por pessoas de posses – burgueses e pequenos nobres – que, estrategicamente, queriam formar seus filhos para as “profissões do futuro” daquele momento.

Mas, quais foram as primeiras universidades?

Resposta na ponta da língua: as primeiras universidades são as de Bolonha, na Itália (fundada em 1088), Oxford, na Inglaterra (cerca de 1096), e Paris (cerca de 1150).

Ótimo! Só que não! Isso porque elas são as primeiras e, ao mesmo tempo, não são! 

Como assim?! Elas foram, efetivamente, as primeiras, porém dentro dos limites da cristandade de então, ou seja, nos territórios do Velho Mundo de maioria cristã – mais exatamente, as Europas Ocidental e Central. 

Dito isso, podemos chegar a universidades ainda mais antigas, que funcionam até hoje. São duas: as de Al-Qarawiyyin, situada em Fez, no Marrocos (fundada em 857), e Al-Azhar, no Cairo, Egito (fundação: 988). 

O que essas instituições têm em comum? Elas nasceram em países de maioria islâmica. Na Idade Média, vale observar, boa parte dos conhecimentos antigos – gregos e latinos –, assim como novas investigações (nos campos que viriam a produzir a Química, a Biologia, a Astronomia e a Medicina), foram preservados e cultivados pelos povos islâmicos. 

No caso dos conhecimentos religiosos, é interessante pontuar que, no Islã, eles se aproximam das leis civis; o que significa dizer que, neste contexto, as figuras e o papel do clérigo e do advogado muitas vezes se misturavam.

As universidades, porém, não ficaram só nos limites das ciências “imateriais”. É o que vamos ver a seguir.

Reis, fortalezas… conhecimento e poder

A chegada da Idade Moderna – marcada, em termos esquemáticos, pela conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos no ano de 1453 – trouxe à Europa o fim do feudalismo e o nascimento dos Estados Modernos. 

Iam saindo de cena os feudos e entrando em cena os reinos (e, depois, os impérios). Com eles, nesse grande movimento, também vieram tecnologias decisivas como as da pólvora e da bússola, vindas da China e convertidas em grandes ferramentas de poder. Os interesses de comércio “destravaram” as navegações, aumentando muito seu alcance e gerando a Era Colonial ou “dos Impérios” (Portugal, Espanha, Reino Unido, França).

As universidades, então, se expandem para outras áreas bem mais “materiais”, como as de Engenharia de Fortificações, Metalurgia e Balística (para se alcançar o uso mais eficiente dos canhões), Astronomia e Cartografia

Muitas vezes, inclusive, esses centros de ensino eram exclusivamente voltados a essas áreas, e se aproximavam de exércitos que também iam se profissionalizando. Três exemplos: a Academia Militar de Turim, Itália, fundada em 1678, a École du Génie de Mézières, nas Ardenas, França (de 1748), e a Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, em Lisboa, Portugal (1790). 

​Em certa medida, é possível afirmar que muitos dos atuais centros de pesquisa associados à formação de oficiais – como os nossos Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e Instituto Militar de Engenharia (IME) – são herdeiros diretos dessas instituições pioneiras. 

Da mesma forma, também é possível associar as antigas “universidades militares” às atuais universidades politécnicas, voltadas à formação de engenheiros e outros profissionais de ciências exatas. O saber técnico-militar abriu caminho para o saber científico-industrial. A primeira universidade politécnica, aliás, nasceu no calor da Revolução Francesa, na passagem para a Idade Contemporânea: estamos falando da École Polytechnique de Paris, fundada em 1794 para formar engenheiros e cientistas em áreas aplicadas.

O sucesso político, econômico e militar global das potências europeias ao longo de boa parte dos últimos quinhentos anos teve nas universidades (e no conhecimento gerado por elas) uma de suas bases. E, é claro, ajudou a espalhar o modelo de universidades pelo mundo – Américas, África, Ásia, Oceania. 

E isso significa dizer que, em outros lugares, não existiam iniciativas semelhantes? 

Sim e não! Sim, porque as “universidades” em um sentido europeu (e eurocentrado) nasceram, mesmo, na Europa, dos contextos e configurações próprias da região – como as decorrentes do poder da Igreja, do mundo feudal, do renascimento das cidades e do comércio etc. Esse modelo acabou prevalecendo em todo o mundo.

não, porque outras civilizações possuíam demandas semelhantes por profissionais ligados à administração pública e às ciências aplicadas – e criaram suas próprias instituições. 

O caso mais ilustrativo, aqui, é o da China, que viu sua primeira universidade – a de Beijing – ser fundada apenas no final do século XIX, em 1898. No entanto, a mesma China possuía academias imperiais desde, pelo menos, o século II. Essas instituições eram encarregadas de formar burocratas para a enorme máquina administrativa chinesa – e também se ocupavam de pesquisas científicas e temas filosóficos. Ou seja: cumpriam boa parte do que entenderíamos, deste lado do mundo, como universidade… só que eram muito mais antigas! 

As primeiras universidades americanas

O poder colonial europeu nos séculos XVI-XVII gerou vastos impérios que tinham entre seus territórios toda a América, repartida entre Espanha, Portugal, França e Reino Unido. Esse domínio incluiu, também, a fundação de escolas de ensino superior, muitas das quais eram diretamente relacionadas à Igreja. Enquanto os portugueses não autorizavam universidades fora da “metrópole” – o que forçava as elites das colônias a se formarem em Portugal, reforçando seus laços com o poder central –, espanhóis e ingleses não pensavam da mesma maneira. 

As primeiras universidades americanas são a Universidade de Santo Domingo, na República Dominicana (1538), a Universidade Nacional Maior de São Marcos, no Peru (1551), a Universidade Nacional Autônoma do México (1553), a Universidade São Tomás, na Colômbia (1580), a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos (1636), a Universidade Nacional de San Antonio Abad del Cusco, no Peru (1692), e a Universidade de Havana, Cuba (1728). 

No Brasil, as primeiras faculdades nasceram no início do século XIX, com a chegada da família imperial portuguesa, e as primeiras universidades surgiram a partir de então. Há quem aponte que a Escola Politécnica da UFRJ nasceu da antiga Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, fundada em 1792 pelos portugueses – o que situaria a instituição carioca, em definitivo, como a mais antiga do Brasil.

Conclusão: a universidade… universal!

Neste artigo, abordamos a etapa inicial das universidades, que se conecta a uma fantástica jornada humana relacionada ao conhecimento, à ciência, ao fim das superstições e ao poder político. Em 2026, segundo dados do QS World University Rankings, há entre 25 mil e 30 mil universidades em todo o mundo, sem contar faculdades isoladas e centros universitários. Esses números demonstram a relevância dessas instituições, que, a cada ano, formam incríveis 45 milhões de pessoas, segundo estimativa do UNESCO (os matriculados chegam a 264 milhões).

Em um momento de aceleração tecnológica e alta especialização dos conhecimentos, as universidades são forçadas a encarar grandes mudanças, como a de oferta de novos cursos ou, mesmo, de novos formatos de ensino que permitam, por exemplo, formações “híbridas”. E fazem isso com o mesmo espírito que as fundou – o de universitas, ou seja, de um olhar amplo sobre um todo vivo, complexo e vibrante. 

Por dentro do Enem: como surgiu, como evoluiu e o que vem por aí

Enem. Para milhões de brasileiros, estas quatro letras resumem uma das maiores preocupações de 2026. O Exame Nacional do Ensino Médio nasceu em 1998 com a missão de avaliar a aprendizagem dos jovens ao final da Educação Básica. Uma proposta ambiciosa e necessária do ponto de vista do planejamento da educação, que, em pouco menos de trinta anos, foi incorporada à cultura educacional brasileira.

Com o tempo, o Enem transformou-se na segunda maior prova do gênero no mundo, perdendo apenas para o Gaokao, o Exame Nacional de Ensino Superior da China, que em sua edição de 2024 mobilizou nada menos do que 12 milhões de estudantes. Esse número é quase o triplo do de inscritos no Enem em 2025 – a população chinesa, porém, é cerca de seis vezes maior que a brasileira.

Além de medir o nível de conhecimento dos estudantes, o Exame Nacional do Ensino Médio tornou-se também a porta de entrada para o ensino superior em diversas instituições – uma alternativa de grande sucesso aos vestibulares tradicionais.

No primeiro artigo da série #EducaçãoHumaniza, vamos “desvendar” o Enem a partir de sua história, formato e desafios. Confira!

Lembranças do primeiro exame

Em 2025, o Enem registrou nada menos do que 4.811.338 inscritos, número expressivo e que marca uma retomada do interesse pela prova, sem, porém, superar os 6.384.957 do ano de 2019 (pré-pandemia). Cifras significativas, ainda mais quando comparadas à da primeira edição, em 1998, quando apenas 157.221 estudantes se inscreveram e 115.575 participaram. Naquele ano, o exame foi realizado em apenas um dia e com 63 questões objetivas (cerca de 30% das atuais 180 questões), além da redação.

Criado pelo MEC e pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, na origem o Enem tinha como foco quase que exclusivo a avaliação do desempenho dos estudantes ao final do Ensino Médio (ela foi usada como meio de ingresso no ensino superior por apenas duas instituições – falaremos disto daqui a pouco).

A prova evolui

Em 2009, o Enem registrou um ponto de virada: naquela edição, a composição e as correções da prova passaram a utilizar a chamada Teoria da Resposta ao Item (TRI), abandonado o modelo da Teoria Clássica dos Testes (TCT). A TRI é um modelo matemático desenvolvido para tornar o processo de correção de provas mais justo e preciso.  A premissa da TRI é interessante: a partir de uma análise do desempenho do candidato no conjunto da prova, é possível verificar se ele demonstrou seus conhecimentos de forma coerente e consistente – o que é decisivo para a nota final. E essa “firmeza de conhecimentos” é construída com a colocação, nas avaliações, de questões fáceis, médias e difíceis sobre um determinado assunto, que permitem detectar com precisão o verdadeiro grau de conhecimento do candidato sobre um tema – desconsiderando, por exemplo, os famosos “chutes”.

Do que é feito o Enem?

A incorporação da TRI demonstrou que o Enem não era apenas “mais uma prova”, mas uma avaliação elaborada com uma finalidade muito específica – e que segue por outro caminho em relação aos vestibulares clássicos. Enquanto estes são “conteudistas”, ou seja, cobram conhecimentos estabelecidos no currículo da Educação Básica – como, por exemplo, a data da batalha de Gaugamela ou os elementos químicos que compõem os chamados “Gases Nobres” –, nas provas do Enem o foco é outro, mais rico e complexo.

A composição de conhecimentos tem como foco as competências, habilidades e raciocínio crítico. E as 180 questões das quatro áreas – Ciências Humanas e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias – mais a redação exigem interpretação, aplicação prática e interdisciplinaridade.  

Desde que o Enem foi implantado, muitas provas dos vestibulares evoluíram na mesma direção. Mas, é possível afirmar que elas evoluíram, inclusive, por influência do próprio Enem. Ou seja: o exame nacional do Ensino Médio também acabou produzindo uma “avaliação indireta” do próprio vestibular, motivando sua evolução!

Momento de inflexão

Ainda que as avaliações diagnósticas sejam extremamente importantes para a educação, elas não costumam despertar tanto entusiasmo nos avaliados. Para eles, afinal, “uma prova é uma prova”. No caso do Enem, desde o início a percepção foi diferente. Isso porque, já em 1998, a avaliação já foi usada como critério para o ingresso no ensino superior (as instituições pioneiras foram a Universidade Estadual de Londrina, UEL, e a Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF). 

No ano seguinte, o número de instituições saltou para 93, entre públicas e privadas! Hoje, praticamente todas as 69 universidades federais utilizam o Enem via SiSU (Sistema de Seleção Unificada), além de programas como o ProUni (Programa Universidade para Todos) e o FIES (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).

As notas também valem para universidades estrangeiras. Atualmente, mais de 40 universidades de outros países aceitam a nota do Enem como forma de ingresso, principalmente em Portugal, mas também no Reino Unido, França, Holanda, Estados Unidos e Canadá, entre outros. A primeira universidade estrangeira a aceitar o Enem foi a Universidade de Coimbra (Portugal – foto), em 2014.

Nascimento, crescimento, quebras e retomada

Um olhar sobre os números de inscritos/participantes do Enem, em especial na última década, mostra dois momentos críticos de participação.

O primeiro deles aconteceu na edição de 2017, quando, por conta do fim da política de gratuidade automática da inscrição aos concluintes do Ensino Médio nas escolas públicas, houve uma redução de quase dois milhões de inscrições (21,98%) em relação ao ano anterior (2016 = 8.627.957; 2017 = 6.731.444).

O segundo momento crítico foi resultado direto da pandemia da Covid-19. Por conta da necessidade sanitária de distanciamento social, o exame de 2020 foi adiado pelo MEC/Inep e aplicado em janeiro e fevereiro de 2021, e a edição de 2021 acabou sendo aplicada em novembro e dezembro do mesmo ano. Enquanto nas provas do início do ano tiveram 5.783.357 inscritos, as do final do ano registraram 3.109.762 inscrições – uma redução de 46,22%.

Desde então, o número de inscrições vem se recuperando de forma gradativa: em 2022, foram 3.396.632; em 2023, 3.958.125; em 2024, 4.154.792; e, em 2025, 4.811.338. No período 2022-2025, o número de inscritos no Enem cresceu a uma taxa média de cerca de 12,3% ao ano.

Um futuro digital que não existiu… e outras possibilidades

Em 2019/2020, o Inep lançou o projeto-piloto do “Enem Digital” com o objetivo de ampliar a inserção de recursos como a gamificação no exame e reduzir os custos de logística associados às provas físicas. No primeiro ano, o exame teve a participação de candidatos de 104 municípios, com as provas realizadas laboratórios de informática de instituições de ensino.

Em 2025, o MEC anunciou a extinção do projeto sob o argumento de que a adesão na última edição realizada, em 2022, havia ficado muito abaixo do esperado. Na ocasião foram oferecidas 100 mil vagas, com 66 mil inscritos e 30 mil participantes efetivos  (uma abstenção de 70%; a título de comparação, em 2025, o percentual de abstenções na prova física foi de 27%).

Entre as outras propostas em desenvolvimento estão a ampliação do exame para os demais países do Mercosul e, também, o fim do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básico) no 3º ano do Ensino Médio – ele seria substituído pelo próprio Enem. Essas mudanças foram anunciadas pelo MEC em novembro de 2025.

Conclusão

Em quase três décadas, o Enem se consolidou como uma das avaliações mais relevantes do país. Tão importante que assumiu um caráter de política de Estado, mantendo-se e crescendo em meio às mudanças de governo e dos olhares de governo sobre a educação. 

Elementos como a aplicação da TRI – que modernizou a prova como método de avaliação da aprendizagem – e a conexão entre o exame e o ingresso nas universidades fortaleceram o Enem. Sua conexão com o Novo Ensino Médio (NEM), que em 2026 se torna obrigatório em todas as escolas do país que oferecem este nível de ensino, promete uma “dobradinha” de sucesso. 

Da mesma forma, uma eventual ampliação do exame para os países do Mercosul pode representar um grande avanço, assim como a efetivação de políticas públicas que estimulam jovens de menor renda a concluir a última etapa da Educação Básica.

E os desafios? Uma avaliação do porte do Enem enfrenta alguns desafios, como os de logística e de segurança das provas. Os cadernos devem chegar a todos os candidatos e não podem – em hipótese nenhuma – ter questões vazadas antes ou durante a realização da avaliação. Outro desafio essencial é a redução do percentual de abstenção, que gira ao redor dos 25%-30% a cada ano com prejuízos para os próprios candidatos e para os cofres públicos.

Por fim, mas não menos importante, a prova também deverá se adequar às exigências do novo Plano Nacional de Educação (PNE, 2024-2034), atualmente em discussão no Congresso Nacional. O PL 2.614/2024, aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro do ano passado, já está em tramitação na Casa e deverá ser apreciado a partir de fevereiro, após o retorno dos trabalhos legislativos.

Para que a educação brasileira avance, é fundamental que o Enem seja cada vez mais valorizado pela sociedade, com melhorias contínuas e o engajamento de gestores e representantes públicos em ações que garantam sua qualidade.

Na trilha de Hefesto: a era dos robôs humanoides já começou!

De brinquedo a realidade: representação artística de um robô humanoide. Fonte: Getty Images.

Recentemente, a imprensa divulgou uma notícia sobre a apresentação de um robô humanoide desenvolvido por pesquisadores russos. A história já seria interessante por si; ela, porém, ganhou mais destaque porque o robô “AIDOL”, ao tentar caminhar, tropeçou e caiu literalmente de cara no chão. Mostrando a enorme dificuldade que é reproduzir o equilíbrio, o caminhar e as conexões “hardware-software” – ou melhor, mente-corpo – que nos tornam humanos.

🤖 O porquê da recriação

Mas, por que tentar “recriar” os seres humanos como robôs? Afora o fascínio que o tema desperta – presente, por exemplo, nos mitos do deus inventor grego Hefesto e em obras que vão de “Frankenstein” a “Blade Runner” –, a ideia não é tão estranha. Nesta edição de “Futuro Presente”, vamos investigar os robôs humanoides, examinando os porquês e o que está vindo por aí.

Então, venha com a gente e considere um futuro… com robôs bem familiares!

🤖 Corpo, trabalho, criar e recriar

Nos últimos 6 milhões de anos, a espécie humana evoluiu e se especializou para ser o que é – uma espécie de seres bípedes que caminha ereta, diferenciou e especializou as funções dos membros superiores e inferiores, possui certo grau de força e flexibilidade e certo grau de acuidade dos cinco sentidos. E que, é claro, possui um cérebro muito sofisticado.

Uma espécie moldada pela evolução, mas que também moldou o mundo, transformando-o a favor de seus movimentos e sobrevivência. Pense, por exemplo, nas escadas, que foram criadas para facilitar o acesso e a circulação de pessoas em aclives ou declives. E funcionam perfeitamente… para os seres humanos!

O corpo humano é resultado de milhões de anos de evolução. Ao mesmo tempo em que evoluiu, os seres humanos também transformaram o mundo para sua própria corporeidade. Fonte: Getty Images.

🤖 Na mesma pista

E é aqui que encontramos a primeira justificativa para o desenvolvimento dos robôs humanoides: eles vão atuar naquelas “pistas” onde já atuamos, nas marcas que deixamos, sem a necessidade de se repensar o mundo. Em atividades tipicamente humanas: subindo escadas, girando maçanetas, sustentando volantes, operando ferramentas feitas para mãos, por exemplo. Algo que os robôs atuais, como aqueles braços gigantes e precisos que vemos nas fábricas, não fazem (ou até fazem… se forem humanoides).

🤖 As máquinas-pessoa

Outro ponto de interesse – e que vai pelo mesmo caminho da proximidade – é o da “personificação” das máquinas em nome de uma interação mais eficaz com seus criadores humanos.

Pense, por exemplo, nas ferramentas de IA, que imitam a forma humana de comunicar dados. Boa parte de seu interesse reside justamente nisto: informações úteis, entregues em um padrão comunicacional que não gera ruídos de compreensão.

Mas, em que atividades esses robôs “humanões” seriam úteis? Basicamente, naquelas que pedem empatia e vêm crescendo em demanda, como, por exemplo, o cuidado de pessoas idosas. Mas, como assim?! Robôs substituindo cuidadores? A ideia soa desumana, mas reflete uma questão real: em países como o Japão, um dos líderes da pesquisa em robôs humanoides, a população com mais de 65 anos já chega a 29,1% – quase uma em cada três pessoas!

🤖 O Vale do Estranhamento

Esse processo, porém, enfrenta um desafio: o do chamado “Uncanny Valley” ou “vale do estranhamento”, fenômeno detectado há mais de 50 anos pelo professor de robótica Masahiro Mori. Ao estudar a interação pessoas-máquinas, ele percebeu que a humanização funciona – mas só até certo ponto! As pessoas se interessam e gostam de robôs humanoides, porém, quando a máquina se aproxima muito da perfeição, acontece uma inversão: estranhamente, a atração dá lugar a repulsa.

Esse fenômeno ainda não está plenamente explicado. A hipótese mais aceita associa o desconforto à amígdala cerebral, que é um leitor ultrassofisticado das emoções. Ao “ler” um robô humanoide, esse órgão perceberia ao mesmo tempo elementos humanos e não humanos, o que geraria desconfiança instintiva e repulsa imediata.

🤖 O homem biônico

Desconfianças à parte (o fato é que as tecnologias podem evoluir a ponto de produzir uma mimese perfeita, que elimine o “vale do estranhamento”), a criação de robôs humanoides também é vista como um caminho pela medicina, no desenvolvimento de partes do corpo mais perfeitas, capazes de substituir membros e órgãos sem risco de rejeição.

Pense, por exemplo, na evolução das próteses de fêmur-quadril ou joelho em titânio, que evoluíram exponencialmente nas últimas décadas. O mesmo pode valer para outras articulações e órgãos, cuja chegada depende de estudos que envolvam materiais, sensibilidade, equilíbrio e caminhos de comunicação com o cérebro. Aliás, é bem possível que o cérebro – o órgão humano mais complexo – seja a última fronteira no caminho do “homem-robô”.

🤖 O robô humanoide como “máquina total”

Esse é o último grande argumento pela pesquisa e desenvolvimento de robôs humanoides. Uma máquina com essas características seria, necessariamente, multiplataforma, capaz de realizar uma série de tarefas que, hoje, são realizadas por diferentes robôs. Como, por exemplo, subir e descer escadas, carregar cargas, inspecionar zonas de desastre, mergulhar, servir café e mais. Atividades que estão dentro daquela “pista” a que nos referimos anteriormente, a das estruturas construídas pela humanidade para seu próprio uso.

Tudo isso explicado, podemos chegar a exemplos de pesquisas avançadas em robôs humanoides. Eles estão chegando!

🤖 O robô caminha

Para um ser humano que goze de boa saúde, caminhar é simples. Basta apoiar-se nas duas pernas, dar o primeiro passo e gerenciar o desequilíbrio que possibilita o avanço. E que só é “simples” porque somos humanos, mas que implica muitas variáveis complexas – dos impulsos cerebrais que levam ao movimento à noção de espacialidade, da composição entre as muitas articulações envolvidas no caminhar à força necessária para permanecer em funcionamento.

Agora, imagine desenvolver cada uma dessas habilidades e integrá-las de forma harmônica e humana – e, ainda por cima, perceber integralmente o espaço ao redor. Da composição do corpo ao equilíbrio, da energia necessária ao processo às conexões entre as partes, esse conjunto implica um enorme desafio que aciona conhecimentos que vão das ciências dos materiais à inteligência artificial. E, é claro, pode render novos conhecimentos que são um verdadeiro tesouro.

🤖 As piruetas de Atlas

Se, como vimos, caminhar já é suficientemente desafiador, imagine correr, pular, saltar, agachar, plantar bananeira, deitar e levantar de um pulo. Essa é a proposta do robô Atlas, desenvolvido pela Boston Dynamics, empresa fundada nos Estados Unidos em 1992 e comprada pela gigante industrial coreana Hyundai em 2020.

Demonstração das habilidades corporais do robô humanoide Atlas. Fonte: Bosto Dynamics.

A empresa, que é líder no segmento, ficou mais conhecida pelo desenvolvimento do Spot, um ágil robô quadrúpede semelhante a um cão de corrida – com a diferença de que, em lugar da cabeça, há um espaço para a colocação de “gadgets” como câmeras de vigilância. O “bicho”, aliás, é figura presente em feiras de tecnologia de todo o mundo.

Quanto ao Atlas, ele foi desenvolvido com financiamento inicial da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA). Apresentado oficialmente em julho de 2013, tem 1,88m de altura e é capaz de reproduzir vários tipos de movimentos humanos. Entre suas finalidades declaradas estão oferecer serviços de emergência em operações de busca e salvamento, acionar mecanismos de controle como válvulas em ambientes extremos e circular por locais inóspitos – o que abre a possibilidade de seu uso na exploração espacial.

Apesar de suas origens, a Boston Dynamics tem sido pública em afirmar que o foco do Atlas e de seus outros robôs é a assistência em tarefas industriais, de logística e de resgate. Esse posicionamento reflete um debate ético global crucial: como garantir que tecnologias com tal potencial sejam guiadas por princípios que priorizem a ajuda e a segurança, e não o conflito? A resposta a essa pergunta, assim como os algoritmos de equilíbrio do robô, ainda está em processo de construção – ela depende, evidentemente, da mobilização das sociedades.

🤖 Karakuri e os robôs japoneses

Um artigo sobre robôs humanoides não ficaria completo sem uma referência ao Japão e sua busca por criações do gênero. Os japoneses são fascinados por robôs desde, pelo menos, o século XVII, quando conheceram os relógios mecânicos produzidos na Europa e resolveram aproveitar a tecnologia para produzir bonecos animados, os chamados karakuri. Essas peças, que se transformaram em tesouros históricos, são sensacionais. E, em certa medida, elas anteciparam muitos dos mecanismos hoje utilizados para construir os corpos robóticos.

Exemplo de boneco Karakuri clássico, que dispara flechas em um alvo. Fonte: TokyoStreetView.

No século XXI, essa tradição de engenhosidade mecânica se traduziu em duas grandes frentes. A primeira, e mais comentada, responde a uma necessidade social urgente: com uma das populações mais idosas do mundo, o Japão busca parceiros robóticos para o cuidado. Foi nesse escopo que surgiu o Robear (uma junção de robot e bear, “urso”). Vendido como “o robô forte com toque suave”, esta máquina de 140 kg possui uma aparência amigável – projetada para evitar o “vale do estranhamento” – e braços capazes de erguer e transportar uma pessoa com segurança, auxiliando em transições entre a cama e a cadeira.

Exemplo de performance médico do Robear. Fonte: Riken.

Mas a visão japonesa vai além da assistência. A segunda frente é a da automação avançada para sustentar a indústria e a infraestrutura em uma sociedade com força de trabalho em declínio. Projetos como o HRP-5P, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST), são humanoides operários. Eles utilizam percepção ambiental e planejamento de movimento para executar tarefas complexas de construção, como instalar painéis de drywall sozinhos em um canteiro de obras.

Assim, dos delicados karakuri aos fortes cuidadores e aos precisos construtores, a robótica japonesa mantém um princípio: a máquina como uma extensão harmoniosa da sociedade, seja para cuidar, entreter ou construir. É uma filosofia que contrasta e complementa outras visões ao redor do globo.

🤖 Conclusão: a humanidade no espelho

Como vimos ao longo deste artigo, o desenvolvimento de robôs humanoides é, ao mesmo tempo, uma das tarefas mais desafiadoras da engenharia e um caminho que avança a passos largos. Nós citamos aqui alguns dos projetos mais emblemáticos, mas são dezenas ao redor do globo, de potências como China e Coreia do Sul.

O “Ameca – Generation 1”, da empresa Engeneered Arts, de 20212, é considerado o robô humanoide mais avançado já produzido, ao menos em nível de expressões faciais. Fonte: Engeneered Arts.

Mais do que um esforço técnico, essa jornada nos coloca diante de um espelho. Ao tentar criar esse “outro” mecânico, somos forçados a definir o que valorizamos em nós mesmos. As questões éticas são inevitáveis e urgentes. É provável, como anteciparam livros e filmes, que em algumas décadas vejamos humanoides em fábricas, hospitais e nossas casas, auxiliando em tarefas físicas e de companhia. A possibilidade de seu uso militar, com um nível de letalidade potencialmente elevado, permanece como uma sombra que exige vigilância constante e regulação robusta.

A criação de robôs humanoides, portanto, é muito mais do que uma competição tecnológica. É uma expressão profunda da curiosidade e ambição humanas. Até o momento – e provavelmente por muito tempo –, as máquinas não são capazes de decidir seu próprio propósito. Esse poder, e a enorme responsabilidade que vem com ele, ainda reside inteiramente conosco, seus criadores. O futuro que essas máquinas ajudarão a construir será, em última análise, um reflexo das escolhas que fizermos hoje.

A saúde do homem é Azul!

Questão de informação, conhecimento e conscientização: nas últimas décadas, em boa parte do mundo, os meses de outubro e novembro se tornaram especialmente importantes para a saúde das pessoas.
Temos o “Outubro Rosa”, voltado à prevenção do câncer de mama e à saúde integral da mulher, e o “Novembro Azul”, movimento pela saúde do homem – especialmente, em relação à prevenção e tratamento do câncer de próstata. Ambas as campanhas estão consolidadas e trazem frutos muito positivos, o que é excelente.
No caso do Novembro Azul, porém, ainda há resistências; não em relação à campanha, mas dos homens em relação ao autocuidado! Mas, por que isso acontece? Vamos descobrir – e deixar de lado o preconceito!

🔵 A cultura do “homem à prova de tudo”
Em todo o mundo, ao longo da história, muitas civilizações construíram a imagem do “homem à prova de tudo”: dores, cansaço e doenças. Ser homem, então, significava resistir aos problemas em silêncio, “com coragem”, e não se importar com a própria saúde. Isso, evidentemente, causou muito sofrimento, doenças e mortes que já não cabem em nossa época, quando há tanto conhecimento.
Foi dessa percepção que nasceu o Novembro Azul. E foi em Melbourne, na Austrália, no dia 17 de novembro de 2003, data em que se comemora o Dia Mundial da Prevenção ao Câncer de Próstata. Começou pela ação de dois amigos, Travis Garone e Luke Slattery, que, inspirados no Outubro Rosa, decidiram agir para a conscientização das pessoas.
Nessa época, a campanha ganhou seu primeiro símbolo, o bigode, e um nome: “Movember” (de “moustache” [bigode em inglês] + “november”), que dá nome a uma fundação internacional que coordena ações de prevenção. Em pouco tempo, a ideia ganhou o restante do país e, depois, o mundo!

🔵 Os homens morrem mais do que as mulheres?
Ao observar os números nacionais e internacionais relacionados ao envelhecimento, percebemos que as mulheres vivem por mais tempo que os homens. No mundo, cerca de 5,3 anos a mais e, no Brasil, cerca de 6,6 anos (os dados são do IBGE, 2023). Você já se perguntou sobre o porquê disso?
A ciência também fez essa pergunta – e encontrou algumas hipóteses. Segundo os cientistas há razões biológicas, cerebrais e culturais para isso. Em tese, os homens tenderiam a se arriscar mais e a ingressar em profissões de maior risco; por questões hormonais, tenderiam a morrer mais por doenças cardiovasculares; sofreriam mais com dificuldades de inserção social; seriam mais afetados pelo suicídio; e, por fim, mas não menos importante, seriam menos propensos a fazer exames médicos regularmente e buscar auxílio em caso de problemas – a famosa “teimosia” masculina!
Em tempos tão complexos e agitados como os que estamos vivendo, é verdade que fatores como estresse, pressão econômica e hábitos pouco saudáveis afetam a saúde de todos, independentemente do gênero. No entanto, a forma de lidar com esses desafios ainda é profundamente marcada por questões culturais. As estatísticas mostram que, mesmo diante de um contexto de riscos mais semelhante, os homens continuam a buscar menos ajuda, a se cuidar menos e, como consequência, a viver menos – e este é um dado crucial.

🔵 Que doença é essa?
Imagine uma doença que mata entre 44 e 48 homens por dia no Brasil (dados do Instituto Nacional do Câncer, INCA). Silenciosa, cercada de receios e de questões culturais, mas potencialmente muito letal. E que pode ser prevenida e tratada com sucesso. Essa doença é o câncer de próstata, que, segundo dados do INCA, deve registrar cerca de 71 mil novos casos no ano de 2025.
É uma doença “complicada” – especialmente em termos culturais – por conta de alguns fatores. Em primeiro lugar, por ser um “câncer”, nome que apavora muitas pessoas. Em segundo lugar, por afetar uma região do corpo masculino – a próstata – que se conecta ao sistema reprodutor, o que tem um peso simbólico e psicológico importante para muitos homens. E, em terceiro lugar, porque um dos principais meios de detecção de anomalias na próstata é o chamado “exame de toque”, visto com restrições por muitos homens. Todos esses fatores, é claro, devem ser vistos com respeito – até para que se possa desconstruir os preconceitos um a um.

🔵 A próstata
A próstata é uma glândula do sistema genital masculino, localizada na frente do reto e embaixo da bexiga urinária. Ela envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. A próstata tem como função produzir o fluído que protege e nutre os espermatozoides no sêmen, tornando-o mais líquido.
O tamanho da próstata varia com a idade. Em homens mais jovens, tem aproximadamente o tamanho de uma noz, mas pode ser muito maior em homens mais velhos.

🔵 O câncer de próstata
O câncer de próstata, que é detectado a partir de exames médicos, se caracteriza pelo surgimento de um tumor na própria glândula. Ele é o segundo mais frequente entre os homens, ficando atrás, apenas, do câncer de pele.
Esse tipo de câncer, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. Em outros casos, porém, pode crescer rapidamente, espalhar-se para outros órgãos e causar a morte – e é justamente por isso que ele merece atenção!

🔵 Quando falamos em câncer…
…estamos falando de um termo genérico que engloba mais de cem tipos de doenças associadas ao crescimento desordenado – e, muitas vezes, acelerado – de células. Nesse processo reprodutivo, essas células podem formar tumores (massas celulares anômalas, ou seja, que não seguem as regras normais) que, por sua vez, podem invadir tecidos adjacentes ou mesmo outros órgãos do corpo.
Quando os tumores têm uma taxa de crescimento persistente e que ultrapassa a taxa de crescimento dos tecidos normais, eles são chamados de “neoplasias”.

🔵 Neoplasias: benignas e malignas
As neoplasias benignas tendem a se desenvolver como massas teciduais de crescimento lento e expansivo; elas normalmente comprimem os tecidos adjacentes, sem infiltrá-los. São “fechadas”, isto é, circunscritas e com limites bem definidos.
Já as neoplasias malignas se caracterizam pelo crescimento rápido e invasivo; elas também por se disseminar para outras regiões do corpo por meio de vasos sanguíneos ou linfáticos, surgindo como novas lesões em outras partes do corpo – um processo conhecido como metástase.
Esse tipo de neoplasia é chamado de câncer.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos tipos de células que podem ser afetados pela doença – carcinomas, por exemplo, estão associados aos tecidos epiteliais, como a pele e as mucosas; se surgem em tecidos conjuntivos (como ossos, músculos e cartilagens), são chamados sarcomas.

🔵 Quais as causas do câncer?
Os mecanismos que “disparam” a reprodução desordenada de células no organismo de mulheres e homens são estudados há décadas por cientistas em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Hoje, sabe-se que há uma série de fatores envolvidos, como os genéticos, os ambientais e os associados aos hábitos. Esses fatores podem interagir, determinando o aparecimento da doença. Os cientistas perceberam, porém, que entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas – mudanças ambientais, poluição, hábitos e comportamentos. Esses fatores modificam a estrutura genética (DNA) das células, “redesenhando” seu metabolismo.

🔵 Fatores de Risco
O câncer de próstata pode atingir qualquer homem. No entanto, há alguns fatores de risco que devem ser conhecidos. O primeiro é a idade: o risco de se ter a doença aumenta com o passar do tempo. Em nosso país, de cada dez casos, nove são registrados em homens com mais de 55 anos. Um segundo fator de risco é a presença de casos de câncer de próstata na família: homens cujo pai, avô ou irmãos desenvolveram a doença antes dos 60 anos fazem parte do grupo de risco. Um terceiro fator de risco é o sobrepeso ou a obesidade – o peso corporal extra aumenta o risco de aparecimento do câncer e, também, de outras doenças graves, como as cardiovasculares.

🔵 Formas de Prevenção
A primeira forma de prevenção é o autocuidado, que começa com um olhar mais cuidadoso e até mais carinhoso dos homens para a própria saúde. É preciso se cuidar! Fazer exercícios físicos regularmente e manter uma alimentação saudável, não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, buscar formas de cultivar a saúde mental e buscar apoio médico sempre que necessário são medidas mais do que adequadas.
E, é claro, fazer exames médicos preventivos regularmente, em especial a partir dos 50 anos. No caso da próstata, esses exames incluem o chamado “PSA”, que é um exame obtido pela coleta de sangue (para verificação de uma proteína, o Antígeno Prostático Específico), e o “exame de toque” ou “exame de toque retal”, que é feito pelo médico urologista.
O exame de toque – que “apavora” muitos homens – é feito para perceber o tamanho, a forma e a textura da próstata. Para isso, o médico introduz um dedo protegido por uma luva lubrificada no reto do paciente. É um exame muito rápido (dura alguns segundos, na verdade) e permite palpar as partes posterior e lateral da próstata.
O principal, aqui, nem é o exame, mas a importância de se superar o preconceito em relação a ele. Em primeiro lugar, porque o “toque” não desafia a sexualidade do homem – isso é algo que está na sua cabeça!; em segundo lugar, porque ele pode ser decisivo para a detecção de uma doença que, se for descoberta tardiamente, muitas vezes é letal. Enfim: não vale a pena arriscar a vida por uma bobagem como essa!
Lembrando que nem sempre alterações do tamanho da próstata, que são comuns com o aumento da idade, significam câncer. Há, por exemplo, muitos casos de hiperplasia benigna da próstata, que afeta mais da metade dos homens com mais de 50 anos; e há, também, muitos casos de prostatite, inflamação na próstata geralmente causada por bactérias.
Para que o câncer seja detectado ou não, após os exames é necessário fazer uma biopsia, que é a retirada de células da próstata para análise pelo especialista.

🔵 Sinais e sintomas
Em sua fase inicial, o câncer de próstata possui alguns sintomas que devem ser observados. Os mais comuns são dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato de urina e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Esses sintomas não são uma confirmação da doença, mas, se aparecerem, devem acender o “alerta médico” imediatamente. Sem protelação!

🔵 O câncer de próstata tem cura?
Sim. Nos casos de detecção precoce, ou seja, quando a doença está em estágio inicial, as possibilidades de cura são de mais de 90%.

🔵 Onde encontrar mais informações?
Indicamos alguns sites com informações de qualidade sobre o câncer de próstata e a campanha do Novembro Azul. Assim, vai lá!

Fundação Movember – Portal oficial, internacional, da Fundação Movember, que deu início ao Novembro Azul.
Instituto Lado a Lado pela Vida – Portal do Instituto Lado a Lado pela Vida, que lançou a campanha do Novembro Azul no Brasil em 2011.
Instituto Nacional do Câncer (INCA) – Site oficial da principal instituição brasileira de pesquisas do câncer.
Instituto Vencer o Câncer – Portal informativo mantido pelos médicos Antonio Buzaid, Fernando Maluf e Drauzio Varella.

Essas informações foram úteis para você? Então, compartilhe! Conhecimento salva vidas!

Prêmio Ação Destaque: os vencedores de 2025!

O XIII Seminário de Gestores Municipais também foi palco da grande final do 15º Prêmio Ação Destaque, que valoriza e premia os melhores projetos desenvolvidos pelos professores e gestores parceiros da área pública, com o selo educacional Sefe.

Confira a lista dos vencedores do 15º Prêmio Ação Destaque!

📌 CATEGORIA 01 – EDUCAÇÃO INFANTIL – COLEÇÃO PRIMEIRA INFÂNCIA +0, COLEÇÃO ENTRELINHAS PARA VOCÊ! (INFANTIL 1, 2, 3) OU COLEÇÃO FEITO CRIANÇA (INFANTIL 1, 2, 3):

1º lugar – Renata Aparecida Dezo Singulani. Santa Cruz do Rio Pardo (SP). “Nossa escola, nossas vozes: trocando histórias e saberes”

2º lugar – Luana Pinheiro de Carvalho. Itabirito (MG). “Quem sou eu? Descobrindo minha identidade”

3º lugar – Marilde Del Moro. Salto Veloso (SC). “Nas Entrelinhas, animais em todos os lugares: curiosidade, exploração e encantamento”

Vencedoras da Categoria 01: Renata, Luana e Marilde.

📌 CATEGORIA 02 – EDUCAÇÃO INFANTIL – COLEÇÃO ENTRELINHAS PARA VOCÊ! (4 E 5) OU COLEÇÃO FEITO CRIANÇA (4 E 5):

1º lugar – Joselâine Cristina Ribeiro de Matos. Campo Novo do Parecis (MT). “Dinheiro não dá em árvore… ou dá?”

2º lugar – Laiz Caroliny da Silva. Carlópolis (PR). “Eco Influencers: nosso papel é semear o Futuro”

3º lugar – Margarida Maria Barboza dos Anjos. Ouro Preto (MG). “Pelos olhos de uma criança”

3º lugar – Vanessa Maria Silva Lopes. Santana de Parnaíba (SP). “Passarinhar, casa dos passarinhos”

Vencedoras da Categoria 02: Joselâine, Laiz, Margarida e Vanessa.

📌 CATEGORIA 03 – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS 1º AO 3º ANO – COLEÇÃO CAMINHOS E VIVÊNCIAS, COLEÇÃO MEU AMBIENTE OU PROGRAMA INDICA:

1º lugar – Sônia Patrícia Florentino da Silva Araújo. Fortaleza (CE). “Criança Cidadã: alfabetizando-se, além dos muros da escola”

2º lugar – Janaína Aparecida de Paiva Lima. Varginha (MG). “Turma conectada: da sala de aula para a comunidade virtual”

3º lugar – Josy Mary da Rocha Golfetto. Vilhena (RO). “Vilhena, minha cidade tem história”

3º lugar – Rodrigo Gualberto da Costa. Lavras (MG). “Cidade, Infância e Educação: Leitura do Território e Protagonismo Infantil no Ensino Fundamental”

Vencedores da Categoria 03: Sônia, Janaína, Josy Mary e Rodrigo.

📌 CATEGORIA 04 – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS INICIAIS 4º E 5º ANO – COLEÇÃO CAMINHOS E VIVÊNCIAS, COLEÇÃO MEU AMBIENTE OU PROGRAMA INDICA:

1º lugar – Ana Paula dos Santos Alves. Carlópolis (PR). “Águas Do Conhecimento: Aprender Para Preservar”

2º lugar – Gabriela Favarin. Arroio Trinta (SC). “DigitalMentes Brilhantes. Um salto entre o passado e o futuro. Unindo criatividade, tecnologia e comunicação”

3º lugar – Denise Zimmermann Schuller. Arroio Trinta (SC). “Cuidando do Meio Ambiente, Cuidando do Futuro: eu fiz minha parte!”

Vencedoras da Categoria 04: Ana Paula, Gabriela e Denise.

📌 CATEGORIA 05 – ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS E ENSINO MÉDIO – COLEÇÃO SER E VIVER CIDADANIA, COLEÇÃO CIDADANIA, COLEÇÃO MEU AMBIENTE OU PROGRAMA INDICA:

1º lugar – Mislaine do Carmo Cardoso. Varginha (MG). “Empreendedorismo e sociobiodiversidade: criando conexões para o futuro”

2º lugar – Anderson Antonio Ferreira de Almeida. Santana de Parnaíba (SP). “Vidas Secas que permeiam as narrativas da nossa História”

3º lugar – Valdirene Rotava Tomazelli Chitolina. Xaxim (SC). “Independência do Brasil: ChatGPT e a escola”

Vencedores da Categoria 05: Mislaine, Anderson e Valdirene.

📌 CATEGORIA 06 – AÇÕES COM FAMILIARES – COLEÇÃO FAMÍLIA PRESENTE E/OU COLEÇÃO FAMÍLIA E ESCOLA E/OU ENCONTRO COM FAMILIARES:

1º lugar – Fabiana Custódio da Silva. Santana de Parnaíba (SP). “Família e Escola em Diálogo: Reunião de pais como espaço formativo”

2º lugar – Marcela Miranda Cavassini Selegato. Andradas (MG). “Vozes que Cuidam: O Extraordinário de Ser e Fazer na Escola”

3º lugar – Aline Araújo Martins. Campo Novo do Parecis (MT). “Vínculos que Transformam”

Campeãs da Categoria 06: Fabiana, Marcela e Aline.

📌 CATEGORIA 07 – ESPECIALISTAS: ARTE, EDUCAÇÃO FÍSICA E LÍNGUA INGLESA – COLEÇÕES JOY, CAMINHOS E VIVÊNCIAS, SER E VIVER CIDADANIA OU ENGLISH PARTY:

1º lugar – Renata Larissa Tozin. Colombo (PR). “Equidade e Sustentabilidade”

2º lugar – César Augusto Cittadin Justi. Orleans (SC). “Ginástica Circense. O Circo na Escola”

3º lugar – Andrieli Julia Brambila. Macieira (SC). “Different and Proud: Celebrating who we are!”

Vencedores da Categoria 07: Renata, César e Andrieli.

📌 CATEGORIA 08 – GESTORES – DIRETORES ESCOLARES, COORDENADORES PEDAGÓGICOS OU SUPERVISORES PEDAGÓGICOS: 

1º lugar – Ariane Cristine do Nascimento Barreiros Mantuano. Santana de Parnaíba (SP). “Aprimorando práticas educacionais para um Ensino de Excelência”

2º lugar – Giselle Rocha Cirino de Almeida. Santana de Parnaíba (SP). Fortalencendo Laços: a importância da Parceria Escola e Família no Desenvolvimento Infantil”

3º lugar – Joana D’Ark da Silva Soares Mesquita. Aquiraz (CE). “EducAÇÃO Estratégica – Transformando Caminhos com Propósito”

Vencedoras da Categoria 08: Ariane, Giselle e Joana D’Ark.

📌 CATEGORIA 09 – SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO – DIRETORES DE ENSINO, COORDENADORES DE ENSINO, GERENTES DE ENSINO, SUPERVISORES, COORDENADORES DE FORMAÇÃO, ARTICULADORES, ASSESSORES PEDAGÓGICOS OU SECRETÁRIOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO.

1º lugar – Patrícia de Souza Silva. Ivaiporã (PR). “Pequenos e Grandes Brincantes: Incentivando o Brincar Como Ferramenta de União Familiar”

2º lugar – Valéria Nunes de Jesus. Astorga (PR). “Música que transforma – som, criatividade e sustentabilidade na Educação Infantil”

3º lugar – Rosangela Alvarenga Morassutti. Arapongas (PR). “Projetos Brinquedos que contam História: integrando Tradição, Tecnologia e Sustentabilidade”

Vencedoras da Categoria 09: Patrícia, Valéria e Rosângela.